sábado, 29 de setembro de 2018

RESPOSTA A UM ANÔNIMO

Postagem em referênciaAs Duas Naturezas do Homem – Doutrina Divina ou Satânica?
Data da Publicação: terça-feira, 22 de maio de 2012

Pergunta: “Meu irmao como voce esplica esse verciculo "Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo para que nao pequeis; e, se alguem pecar, temos um advogado para com o pai, jesus cristo o justo 1jo 2.1 voce disse que o cristao nao peca A biblia diz que e mentiroso quem afirma isso 1 pe 1.8-10.” (SIC).


Prezado irmão, bom dia!
Eu poderia apresentar alguns textos sem me aprofundar e, assim, ratificar a mensagem do blog. Contudo, meu desejo é explanar o assunto, de modo que o irmão compreenda cabalmente o tema. Refutar será meramente um efeito, não o objeto desse artigo.
Inicialmente, pretendo afirmar que não é seguro estabelecer conclusões de textos isoladamente, levando em conta a séria advertência do apóstolo Pedro, em sua segunda carta (II Pedro 3:16). E é o que tem acontecido com os versos apresentados pelo irmão, que equivocadamente citou I Pedro 1:8-10. Cumpre-nos, se desejamos depreender as lições de I João 1:7-10 (necessário se faz incluir o verso 7), examinar o verso 6, dessa mesma carta. Vejamos.
Se dissermos que temos comunhão com Ele E ANDARMOS EM TREVAS, mentimos e não praticamos a verdade.” I João 1:6.
Perceba que mentir e não praticar a verdade são atos que estão associados ao fato de estar-se nas trevas, e não na luz. Aqui o apóstolo estabelece o que toda a Bíblia sedimenta em cada página, de Gênesis ao Apocalipse: só há dois mundos, só há duas atmosferas, só há dois ambientes: LUZ e TREVAS. Note o irmão que não é possível estar nos dois lados concomitantemente. É impossível. Ou estamos nas trevas, ou estamos na luz. E mais uma impossibilidade nos surge aqui: na luz não se admite, em hipótese alguma, a prática do pecado. João diz claramente que se temos comunhão com Ele, devemos andar sem transgredir Sua lei. Esse é o entendimento que extraímos também doutro verso que o apóstolo escreveu, que melhor explicita isso: “Aquele que diz que está nEle também deve andar COMO ELE ANDOU”. I João 2:6. Há um dever naquele que diz que está em Cristo ou que está na luz: andar como Cristo andou. Não são palavras minhas.
Muitos acham que o pronome pessoal ELE, no verso 6, esteja fazendo referência a Cristo, mas não é. Ali faz menção a Deus, o Pai. O intuito do apóstolo João foi enfatizar, tornar mais forte sua mensagem. Ele quis tornar patente como devemos agir se estivermos no mesmo ambiente em que o Todo-Poderoso Deus, Pai, está. E, então, ele nos traz o verso 7, o qual o irmão não incluiu na lista dos versos. São quatro versos (7,8,9 e 10) que formam dois grupos (7 e 8, 9 e 10), pois foram escritos para destinatários distintos, para situações extremamente diferentes.
Vamos, portanto, nos debruçarmos sobre esses dois grupos. Prima facie, analisemos os versos 7 e 8.
I João 1:7 e 8.
7 Mas, se andarmos na luz, como Ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo pecado. 8 Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós.”
Pense: qual o núcleo do verso 7? Na verdade, temos dois núcleos: o primeiro é ANDAR NA LUZ; o segundo, PURIFICAÇÃO. Guarde isso: a purificação é um processo relacionado com quem já foi perdoado, justificado. A salvação se dá em três fases: 1. Justificação; 2. Santificação; 3. Glorificação. Entramos na graça através da justificação, que consiste num milagre, porque independe do nosso esforço; é um ato exclusivo de Deus, por isso é um milagre. É um ato, não é um processo. Nessa fase, entramos tão somente com a nossa decisão. Aí, vem a santificação. Santificação, assim como a purificação, é um processo de transformação gradual. Ela é a consequência VISÍVEL da purificação, que é invisível. NÃO HÁ SANTIFICAÇÃO SEM PURIFICAÇÃO. Esta aperfeiçoa aquela, consoante II Coríntios 7:1. Na jornada do justo, a cada decisão perante o que lhe é revelado, sua mente é purificada e isso se refletirá através de seus atos, com a santificação. Então, constantemente ocorrerá a justificação, a purificação e a santificação. Diga-se de passagem, o parâmetro estabelecido pelo apóstolo, quanto à purificação, não foi aferido nos padrões humanos. Ele diz: E qualquer que nEle tem esta esperança purifica-se a si mesmo, COMO TAMBÉM ELE É PURO.” I João 3:3. Parece altíssimo, não é? A purificação tem o condão de nos tornar mais e mais parecidos com Deus. Assim se expressou Salomão: “Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais ATÉ SER DIA PERFEITO.” Provérbios 4:18. Vê? O brilho é constante, e a finalidade é atingir a perfeição. Temos aí uma metáfora que se adéqua perfeitamente à narrativa de I João 1:7. A perfeição é Cristo, é Deus. O processo da salvação é exatamente este: tornar-nos “santos, e irrepreensíveis, e inculpáveis”. Colossenses 1:22. E o apóstolo Paulo assere que essas qualidades devem primeiro ser apresentadas perante Deus. SANTO, IRREPREENSÍVEL E INCULPÁVEL. Existe espaço para algum vestígio de transgressão, seja no âmbito humano, seja no espiritual? Claro que não.
Você notou que não estamos falando do ímpio? Nossa intelecção está concentrada naquele que foi resgatado pela graça de Cristo e que está vivendo em Sua presença. Agora, preste atenção! Uma vez que estamos falando de purificação, não há como admitir que ela ocorra uma única vez ou que haja um limite para a sua consecução. E por que não? Por causa do seu objetivo: A PERFEIÇÃO. Já vimos isso. E a perfeição aqui mencionada é Cristo. Também já vimos isso. Somos levados a concluir que o processo da purificação é eterno, pois eterno é o caráter de Deus e de Seu Filho. Então, raciocine comigo: se a purificação é eterna, significa que sempre haverá dessemelhança entre o novo ser e o Seu Redentor que necessitará ser abandonada, renunciada consoante seu crescimento. Eis porque eu afirmei que sempre teremos a justificação, seguida da purificação e da santificação. Vou dar um exemplo bem simples, do nosso dia a dia. Assim, quando você passar pela situação hipotética, recordará desse nosso estudo. Imagine um homem que caminha numa rua escura. Um pouco a sua frente existe um poste de luz. Em sentido contrário, passa um veículo e borrifa lama em seu terno. Ele sabe que foi atingido pela lama, mas a escuridão não lhe permite enxergar as manchas. Porém, à medida que ele se aproxima do poste, as manchas vão se tornando visíveis, até que, alfim, esteja debaixo do poste e veja tudo com nitidez. É a essa experiência que se refere Provérbios 4:18. Em nossa jornada espiritual, de nós é exigida a decisão de renunciar cada pecado que praticávamos sem saber, mas que agora, passo a passo, tem sido revelado. Pediremos perdão, já que fomos despertados. Deus nos perdoará. E, assim, continuaremos crescendo. Não há progresso sem renúncia. Não há progresso se aninharmos o pecado que conhecemos. Davi não nos deixa dúvida sobre isso: “Se eu atender à iniquidade no meu coração, o Senhor NÃO ME OUVIRÁ”. Salmo 66:18. Sequer houve prática. O simples cortejo mental do pecado gera afastamento de Deus. “Abstende-vos de TODA FORMA DE MAL”, disse Paulo. I Tessalonicenses 5:22. Não se confunda: Deus não aceita que continuemos a praticar o mal que já nos foi revelado. Devemos abandoná-lo por completo.
Ora, se durante a purificação sempre haverá pecado oculto a ser revelado, e isso é incontestável, ninguém poderá afirmar que não tem mais pecado para ser purificado. Neste caso, a purificação perderia o seu sentido. Que fique bem claro: não estamos falando de pecado conhecido. O que já foi exposto, jaz abandonado. O progresso na vida cristã está umbilicalmente ligado a isso. Como o caráter de Deus é incomensurável, jamais a purificação terá fim. Daí, o apóstolo João consolidar veementemente que “se dissermos que não temos pecado (pecado desconhecido a ser revelado), enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós”. Verso 8. O vocábulo pecado, nesse verso, não corresponde ao verbo PECAR, formando uma locução verbal com o verbo TER, mas um substantivo, e isso faz uma tremenda diferença, pois não está relacionado com algum pecado ANTES COMETIDO, mas com os pecados que ainda SERÃO revelados durante a jornada da santificação.
Dando continuidade, vamos nos ater aos versos 9 e 10 da carta do apóstolo João em epígrafe.
Diferentemente dos versos examinados, temos agora uma mensagem direcionada, não para seres justificados, que estão crescendo na graça, mas PARA OS ÍMPIOS, aqueles que ainda não tomaram a decisão de renderem suas almas a Cristo. Então, João aconselha: 9 Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça. 10 Se dissermos que não pecamos, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós.” I João 1:9 e 10.
É cediço que o único homem que não transgrediu os mandamentos de Deus foi Cristo. Portanto, todos os demais homens pecaram. Destituiríamos Cristo do título de salvador do mundo, caso alguém tivesse tido a condição de viver sem cometer pecado, SEM O SEU AUXÍLIO. O mesmo João havia escrito: “E, quando Ele vier, convencerá o mundo do pecado...”. João 16:8. Essa missão é EXCLUSIVA DO ESPÍRITO SANTO. É Ele Quem nos convence de algo que fazemos, contrário à vontade de Deus. No verso 9, de I João 1, o apóstolo revela o amor de Deus e Sua disposição em nos receber se resolvermos entregar-Lhe o coração, confessando os nossos pecados. Como eu, você já deve ter ouvido alguém dizer algo do gênero, depois de lhe ter sido pregado o evangelho: graças a Deus eu não faço nada de errado. Minha vida é de casa pro trabalho, do trabalho pra casa. Para muitos, melhor é não admitir que precisa de Cristo, assim descarta a oportunidade de ouvir o evangelho. São justamente essas pessoas para as quais João escreveu João 1:10, NÃO PARA QUEM JÁ FOI SALVO E VIVE NA GRAÇA. Para aquele que diz que está na graça, a advertência é que ele não se ache plenamente perfeito, como se tivesse chegado ao topo da purificação, ou seja, isento inclusive dos pecados ocultos. Isso jamais ocorrerá, como já vimos. O aperfeiçoamento espiritual é eterno. Podemos afirmar, sem medo de errar, que podemos atingir a perfeição parcial (Filipenses 3:15), mas não a plena.
A confusão que muitos fazem no verso 10, de I João 1, ocorre por causa do tempo do verbo PECAR. Esse verbo, como alguns outros da primeira conjugação (AR), admite a mesma grafia para o presente do indicativo e para o pretérito perfeito. Se eu disser: NÓS PECAMOS, você não poderá asserir que foi agora ou ontem, analisando apenas a expressão pronunciada. Existe a possibilidade de ser um ato presente como um ato passado, entende? No verso em exame, o apóstolo não está dizendo o que aparenta ser, isto é, que nós pecamos aqui e acolá, esporádica ou constantemente, não. Definitivamente não. E como ter certeza disso? Como sabemos, o Novo Testamento foi escrito no Grego. O texto de I João 1:10, no grego, foi escrito em consonância com o tempo verbal aoristo indicativo. Esse idioma, diferentemente do nosso, não admite para o tempo pretérito perfeito e para o presente do indicativo a mesma grafia. Não existe essa coincidência. O tempo verbal que se reporta aos atos praticados no passado é o AORISTO INDICATIVO (equivalente ao nosso pretérito perfeito) e sua grafia não se confunde com a de nenhum outro tempo verbal. Portanto, consolidadamente aoristo indicativo é só e somente só PRETÉRITO PERFEITO e pronto. Então, de acordo com o Grego, temos: “se dissermos que NÃO TEMOS COMETIDO PECADO (no passado)...”. I João 1:10. E é assim que está escrito na Almeida Revista e Atualizada, exatamente para evitar essa confusão. Isso esclarece tudo, não é verdade? João está falando para aqueles que resistem ao chamado de Cristo, que alegam não ter necessidade de um salvador. Ora, se Deus categoriza que todos pecaram e que carecem da Sua glória, então, quem afirma que não cometeu pecado no passado, dispensando a confissão, mesmo depois de o Espírito Santo expor a pecha espiritual, está chamando Deus de mentiroso, está dizendo que Deus mentiu quando inspirou Seu apóstolo a escrever Romanos 3:23: “Porque TODOS pecaram e destituídos estão da glória de Deus”.
Como se pode ver, nos dois primeiros versos (7 e 8) do livro em destaque, a afirmativa negativa parte do homem, por isso ele é tido como mentiroso, por se tratar de uma inverdade; nos versos seguintes (9 e 10), a afirmativa positiva é da parte de Deus, e o homem O faz passar por mentiroso, ao declarar o contrário.
Nas ensanchas, será de bom alvitre trazer à baila alguns versos que mostram que Deus exige dos que professam ser cristãos uma vida sem a transgressão de Sua lei ou, usando a frase pronunciada pelo saudoso Pastor Roberto Rabello, "UM VIVER SEM PECADO". Não nos resta nenhuma dúvida. O pecado conhecido não pode fazer parte de quem afirma ter sido transformado pelo Espírito Santo. E declino aqui alguns textos, não uma lista exaustiva, que ratificam essa minha assertiva: Êxodo 20:20; Salmo 4:4; Ezequiel 3:21; João 5:14; 8:11; I Coríntios 15:34; Efésios 4:26; I João 2:4; 3:6; 5:18.
Destaco dessas passagens:
Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus NÃO PECA...” I João 5:18.
Qualquer que permanece nEle NÃO PECA; qualquer que peca NÃO O VIU NEM O  CONHECEU.” I João 3:6.
Pergunte pra si mesmo: Cristo exigiria do paralítico algo que não lhe fosse possível realizar? Com certeza, não. Sua recomendação também é para nós, se afirmamos que estamos na graça: “Eis que JÁ ESTÁS SÃO; NÃO PEQUES MAIS...João 5:14. O que Paulo diria? “Pecaremos porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça? DE MODO NENHUM!Romanos 6:15.
É possível cair depois de estar andando na luz? Sim, claro. O justo não perdeu a razão nem o poder de escolha quando foi transformado. Diante de uma tentação, ele poderá atender à voz do tentador ou não. E não podemos nos esquecer da existência do pecado involuntário. Está escrito: “Semelhantemente, quando o justo se desviar da sua justiça e fizer maldade, e Eu puser diante dele um tropeço, ele morrerá; porque, não o avisando tu, no seu pecado morrerá, e suas justiças que praticara não virão em memória, mas o seu sangue da tua mão o requererei”. Ezequiel 3:20. Foi por tal motivo que João escreveu o verso 1, do capítulo 2, de sua primeira carta. Verso tantas vezes empregado para soterrar uma verdade sedimentada por Cristo e Seus seguidores. Ele disse SE, que representa possibilidade, não certeza. Noutra versão diz SE PORVENTURA, indicando uma possibilidade REMOTA de ocorrer.
Não procure os personagens bíblicos que provaram a queda; busque os que não provaram. Você os encontrará, e não são poucos. Os que caíram, sofreram sérias consequências, para que nós não venhamos a incorrer na mesma situação. E mais: eles se levantaram, e não se registram a seus respeitos QUEDAS ESPORÁDICAS. Por fim, pelo que disse João, segundo os textos abaixo, mentirosos são aqueles que proclamam ter sido salvos pela graça, e que vez ou outra transgridem a lei de Deus, mesmo em pensamento, através de pecados bastante conhecidos, sob a desculpa de que 'somos humanos e falhos'.
Se dissermos que temos comunhão com Ele e andarmos em trevas, MENTIMOS e não praticamos a verdade.” I João 1:6.
Aquele que diz: eu conheço-O e não guarda os Seus mandamentos É MENTIROSO, e nele não está a verdade.” I João 2:4.
Espero não haver mais dúvidas e ter contribuído para o crescimento espiritual do irmão. Lembre-se, está escrito:
Porque os que dantes conheceu, também os predestinou PARA SEREM CONFORMES À IMAGEM DE SEU FILHO, a fim de que Ele seja o primogênito entre muitos irmãos.” Romanos 8:29. Esse é o objetivo do evangelho.
Que Deus nos abençoe!

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