sábado, 14 de dezembro de 2013

“EU SOU” – O TEMPO DO VERBO


É seguro extrair uma conclusão de um texto das Escrituras Sagradas, baseada tão somente no tempo verbal empregado? Por exemplo, em Romanos 7:14, está escrito: “EU SOU CARNAL”. Só porque o verbo SER está no presente do indicativo, significa dizer que o apóstolo estava assumindo uma condição espiritual, no presente?
No último estudo, enfocamos os textos compreendidos entre os versículos 14 e 23 de Romanos 7. Vimos que não existem contradições, a menos que insistamos em dizer que o apóstolo estabeleceu a guerra das duas naturezas dentro do homem. Entrementes, alguém pode estar perguntando: “Irmão Edson, mas o que dizer de I Timóteo 1:15?” Antes de responder a essa indagação, convido ao amigo que nos assiste para examinarmos juntos alguns textos, relativos ao apóstolo Paulo, para dissecarmos definitivamente esse errôneo método usado por tantos para interpretar os textos bíblicos.
A fim de alcançarmos o nosso objetivo, iremos comparar textos com textos, como orienta o profeta Isaías: “Um pouco aqui, um pouco ali.” Isaías 28:10. Como bem sabemos, não existem, e nem poderiam existir, contradições nas Sagradas Letras. No entanto, há aparentes contradições em suas entrelinhas, e essas nos ajudarão bastante a esclarecer alguns pontos muito pouco explorados pelos estudiosos do nosso tempo. Notai o contexto dos versos a seguir.
ü João 14:27 (Deixo-vos a paz) e Lucas 12:51 (Não vim trazer paz).
ü Filipenses 3:12  (não alcancei a perfeição) e 15 (somos perfeitos).
E quanto ao tempo do verbo? Por si só ele nos esclarecia alguma coisa, ou poderia nos causar embaraço? Os versos abaixo, postos lado a lado, irão te ajudar a compreender que não é seguro estabelecer uma conclusão, considerando apenas o tempo verbal empregado no texto. Atos 26:4 a 7 (vivi fariseu); Filipenses 3:4 a 6 (fui fariseu); Atos 11:25 e 26 (chamados de cristãos); Filipenses 3:7 a 9 (abdicação do farisaísmo); Atos 23:6 (sou fariseu).
Em Atos 26:4 a 7 ele afirma que viveu fariseu, portanto, corroborando com Filipenses 3:4 a 6. Em Atos 11:25 e 26 está registrada a ocasião em que os conversos são chamados, pela primeira vez, de cristãos. E Paulo nos relata sua escolha entre o farisaísmo e o cristianismo em Filipenses 3:7 a 9. No entanto, em Atos 23:6, diante de seus algozes, bem depois de sua conversão, ele diz: “SOU FARISEU. Então, indago: ali ele era fariseu ou cristão? Se era cristão, por que afirmou ser fariseu? Percebes que o tempo verbal não é uma linha de raciocínio segura para se estabelecer determinada interpretação bíblica? E quanto a I Timóteo 1:15? Bem, depois de tudo quanto foi exposto até agora, não iremos cometer o mesmo erro, não é verdade? Pois bem. Duas alternativas aceitáveis há de extrair desse verso, e uma completa e peremptoriamente descartada. Tratemos primeiro da descartada. Outro dia eu afirmei para um irmão que Paulo, depois de convertido, não mais transgrediu a lei de Deus. E esse tema assusta a muita gente, principalmente os líderes das igrejas, porque, segundo eles, não podemos viver sem cometer pecados. Eles assim asseveram, porém não conseguem explicar algumas passagens contundentes do Livro Sagrado que afirmam exatamente o contrário. Eis algumas passagens para o amigo estudante refletir depois: II Pedro 1:10 (nunca jamais tropeçareis); Hebreus 2:1 (desvio em tempo algum); I João 5:18 (o nascido de Deus não peca); Gálatas 2:17 (ser achados pecadores); João 5:14 (não peques mais); II Pedro 3:14 (achados em qualquer tempo, imaculados e irrepreensíveis); Efésios 5:27 (igreja, que somos nós, sem mácula, nem ruga). Será que a mensagem desses versículos acima não deveriam ter sido escritos, hein? Pois parecem contrariar o pensamento vigente de que não é possível a nós vivermos como Cristo viveu. Então, cito, o que acho o principal deles: I João 2:6 (andar como Cristo andou). A conjunção “COMO” exprime igualdade. Se devemos andar como Cristo, pergunto: Ele cometeu pecado? A resposta é óbvia: NÃO. Compara estas duas passagens, e aí certamente, creio, não te restarão mais dúvidas sobre essa verdade tão maravilhosa. Ei-las: I Pedro 2:22 e Apocalipse 14:4 e 5. Em ambas as passagens encontrarás o seguinte enunciado: NA SUA BOCA NÃO SE ACHOU ENGANO”. No primeiro verso (I Pedro 2:22) faz referência a Cristo; no segundo, aos filhos de Deus, antes mesmo da volta de Cristo. E a razão dessa semelhança é apresentada por João, ao asserir o apóstolo: “PORQUE SÃO IRREPREENSÍVEIS DIANTE DO TRONO DE DEUS”. A transformação operada pelo Espírito Santo lhes condicionou viverem assim. E esse é principal objetivo do evangelho – tornar homens e mulheres capazes de viverem do mesmo modo como o Filho de Deus viveu aqui na Terra, pois Ele é o Primogênito da criação de Deus. Se Ele é o Primogênito, seus demais irmãos devem viver exatamente como Ele. E o apóstolo João complementa: “Qualquer que é nascido de Deus NÃO COMETE PECADO; porque a sua semente permanece nele; E NÃO PODE PECAR, PORQUE É NASCIDO DE DEUS”. I João 3:9.
E como entender I Timóteo 1:15 diante desses versos? O apóstolo não está admitindo que transgride VOLUNTARIAMENTE a lei de Deus, como muitos querem afirmar. Como dantes declarei, duas alternativas são aceitáveis, aqui. Declinemos ambas.
Primeira: Deus não leva em conta o tempo da ignorância. Isso implica dizer que, durante a vida do novo converso, sua vereda “será como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito”. Provérbios 4:18. Nova luz lhe será concedida, antes desconhecida por ele, a qual deverá por ele ser aceita ou rejeitada. À medida em que ele avança novos horizontes lhes vão se abrindo, porém jamais estará ele convivendo com pecado conhecido. Este já foi abandonado totalmente na conversão. Há pecados para serem conhecidos e abandonados durante a sua jornada cristã. Essa experiência está relatada por João indiretamente em I João 1:7. Assim está escrito: “Mas, SE ANDARMOS NA LUZ, COMO ELE NA LUZ ESTÁ, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo pecado.” Ora, se andarmos na atmosfera de Cristo, é o que apóstolo diz, não cometeremos pecado, como Cristo não cometeu. Os pecados que nos forem revelados, dia após dia, pela revelação do Espírito Santo, e abandonados, Cristo nos purifica de todos eles. E continuaremos IMACULADOS, SEM RUGA, ou qualquer coisa semelhante. É essa a maravilhosa obra que Deus, através do evangelho, quer realizar em mim e em ti. Ele quer nos conceder o mesmo poder que habilitou a Cristo viver a vida que Lhe agrada. Pois a frase ouvida por Cristo, terá de ser cotidianamente ouvida por aquele que pretende as mansões celestiais: “Este é o meu Filho amado, EM QUEM ME COMPRAZO.” Mateus 3:17. E Deus não tem comprazimento no pecado.
Segunda: por ter sido perseguidor da igreja, Paulo considera tal mancha como a pior de todas que um ser humano pode ter em seu caráter. Lê I Coríntios 15:9. E é uma atitude esboçada por qualquer pessoa. Todos nós achamos que a nossa vida pregressa é pior do que a do irmão que está ao nosso lado. E em face disso, diríamos o que Paulo disse: dos pecadores, “SOU O PRINCIPAL”. I Timóteo 1:15. Jamais essa declaração poderá ser interpretada como se o apóstolo estivesse admitindo abertamente que, mesmo convertido, fosse um transgressor da lei divina. Isso é um absurdo sem tamanho. Reitero: ou o apóstolo se referia ao fato de ter sido um perseguidor da igreja, ou à realidade da jornada cristã, de que o justo peca na sua ignorância, e sendo-lhe revelado o pecado até então oculto aos seus olhos, confessa-o diante de Deus, abandonando-o, e, assim, avança rumo à perfeição plena, que é Cristo. O justo não convive com pecados conhecidos. E penso que depois desse estudo essa ideia já não mais encontre abrigo em tua mente. 
Decida! Há uma vida sem cometimento de pecado te esperando! E essa é a maior de todas as dádivas que Deus anela te conceder. Lembra-te: “Se tu podes crer, TUDO é possível AO QUE CRÊ.” Marcos 9:23.
Que Deus te abençoe ricamente!

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