sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Reavivamento e Reforma

Pleiteia a minha causa e livra-me; vivifica-me segundo a Tua palavra.

Salmo 119:154.

 

Esse versículo, na versão Almeida e Corrigida, apresenta o verbo RESGATAR em vez de LIVRAR. O sentido de ambos é o mesmo, a ideia é a mesma. Tanto um como o outro assume um papel vital no texto. Na verdade, neles está o segredo da vitória, do êxito almejado. Vamos entender isso?

Esporadicamente nos deparamos com esse tema, e, ao que parece, seu real conhecimento não foi assimilado pela maciça comunidade cristã. Ele é explanado teologicamente, mas amiúde apenas teoricamente, e o resultado natural disso é a inexistência de sua eficácia. Afinal, o que é reavivamento? O que é reforma? Comumente tenho asserido que lidamos na vida cristã, assim como na temporal, com causa e efeito. E não há como fugir disso. Vivemos constantemente bombardeados com a teoria do acaso. Muitos, inclusive, já a transformaram em realidade. Mas não há acaso onde Deus está presente. Não O vemos, porém o controle de todas as coisas jaz em Suas maravilhosas mãos, ainda que não compreendamos determinados fatos da vida. Causa e efeito, lembra-te disso! Algo ocorre (efeito) em função de um evento (causa) que o promoveu.

Tendo dito tais palavras, poderemos nos debruçar sobre o tema, sem nenhuma dificuldade, doravante. Pois bem, exploremos a priori o que significa reavivamento. Temos aqui um vocábulo derivado, aquele que provém da mesma raiz de outro. Assim, reavivamento, avivamento, reavivar, avivar, todos tem o mesmo radical. Chamo a atenção para um vocábulo que detém a mesma significação de reavivar, avivar outra vez – REVIVIFICAR. E feito novelo de lã, chega até nós o verbo que nos encherá de luz e conhecimento a cerca do assunto tratado. Reporto-me a RESSUSCITAR. “Irmão Edson”, alguém pode estar indagando, “estás dizendo que reavivar e ressuscitar são a mesma coisa?” Exatamente, meu caro leitor. Daí, se não estranhamos esse verbo, ou seja, se ele é nimiamente conhecido por nós, facilmente depreenderemos tudo que precisamos respeitante ao REAVIVAMENTO.

Ressurreição. Em que estado se encontra o corpo para que seja possível a ressurreição? Pode parecer patética a indagação, contudo logo, logo entenderás que não. Respondendo à pergunta, então: quando o corpo está sem vida. Um corpo sem vida, no âmbito espiritual, equivale a estar nas trevas, mesmo que respirando. Paulo confirma isso, quando diz: “Ora, a que é verdadeiramente viúva e desamparada espera em Deus e persevera de noite e de dia em rogos e orações; MAS A QUE VIVE EM DELEITES, VIVENDO, ESTÁ MORTA.” I Timóteo 5:5 e 6. Vida só existe em Cristo, e só podemos afirmar que estamos nEle se o Espírito Santo habita em nós. E se o Espírito Santo habita em nós, Seus frutos, não os nossos, serão vistos em cada pormenor da nossa vida. Lê: “Na verdade, na verdade vos digo que QUEM OUVE A MINHA PALAVRA E CRÊ NAQUELE QUE ME ENVIOU tem a vida eterna e não entrará em condenação, mas PASSOU DA MORTE PARA A VIDA.” João 5:24. Averigua o que está em negrito! É o mesmo que dizer: quem ouve a Cristo, e crê, ressuscita. E presta bem atenção ao verbo principal da oração – PASSOU. Ele indica passagem de uma condição espiritual para outra, diametralmente oposta. Importante, outrossim, é que não confundas crença com fé. A crença não gera compromisso; a fé, sim. A crença não se materializa; a fé, sim.

Estar vivo, dessarte, é usufruir a mais perfeita comunhão com Deus. Sendo o homem gerado de novo, o Espírito Santo o capacita a participar da mais íntima comunhão já existente, pois nela os integrantes não se limitam a apenas humanos justificados, mas a Cristo, o Espírito Santo e o próprio Deus. Poderás estar confabulando: “E é assim mesmo, irmão Edson?” Que a Palavra de Deus te responda: “O que era desde o princípio, o que vimos com os nossos olhos, o que temos contemplado, e as nossas mãos tocaram da Palavra da vida (porque a vida foi manifestada, e nós a vimos, e testificamos dela, e vos anunciamos a vida eterna, que estava com o Pai e nos foi manifestada), o que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que TAMBÉM tenhais comunhão CONOSCO; e A NOSSA COMUNHÃO É COM O PAI E COM SEU FILHO JESUS CRISTO.” I João 1:1 a 3. Mas aí tu replicas: “Irmão Edson, citaste a pessoa do Espírito Santo, todavia Ele não é mencionado nessa reunião. E aí?” E foi adrede que eu O mencionei. O motivo é sublime, amigo leitor: “No qual [Cristo] também vós juntamente sois edificados PARA MORADA DE DEUS NO ESPÍRITO.” Efésios 2:22. Mais: “Guarda o bom depósito com o auxílio do Espírito Santo, QUE HABITA EM NÓS.” II Timóteo 1:14. O Espírito Santo não é citado no texto de I João 1:1 a 3, porque Ele estará habitando NO PRÓPRIO HOMEM, que por Suas mãos fora regenerado. Isso não é magnífico? É estupendo! Lembras das palavras do profeta Ezequiel? “E POREI em vós o Meu Espírito, E VIVEREIS.” Ezequiel 37:14. Só há vida, portanto, com a presença do Espírito Santo no interior do homem renovado. Jesus disse: “Eu sou... A VIDA.” João 14:6. Comparando essa passagem com a afirmativa de Paulo que diz: “Por causa disso, me ponho de joelhos perante o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, do qual toda a família nos céus e na terra toma o nome, PARA QUE, segundo as riquezas da sua glória, VOS CONCEDA QUE SEJAIS CORROBORADOS COM PODER PELO SEU ESPÍRITO no homem interior; PARA QUE CRISTO HABITE, pela fé, NO VOSSO CORAÇÃO.” Efésios 3:14 a 17. Temos que a vida de Cristo só pode ser comunicada ao justo unicamente pelo Espírito Santo.

Diante da exposição acima, não nos resta dúvida alguma sobre a operação do Espírito Santo na vida daquele que verdadeiramente se arrepende. Isso é avivamento. Quando falamos em reavivamento, logo compreendemos que é uma obra efetivada também pelo Espírito Santo, trazendo NOVAMENTE à vida aquele que se desviou da verdade, que se afastou da sã doutrina. O retorno ao primeiro amor. O prefixo RE enfatiza esse pormenor. Tal situação é delineada no episódio encontrado em II Crônicas. No capítulo 34 temos o relato do reinado do jovem Josias, que tinha oito anos de idade quando assumiu o reino. Ele, aos vinte e seis anos de idade, decidiu reparar a Casa de Deus. E dizem as Escrituras Sagradas que alguns dos trabalhadores que estavam empenhados nas atividades de reparação, “tirando eles o dinheiro que se tinha trazido à Casa do SENHOR, HILQUIAS, o sacerdote, ACHOU O LIVRO DA LEI DO SENHOR, DADA PELAS MÃOS DE MOISÉS.” II Crônicas 34:14. E o que ocorreu em seguida? O rei tomou conhecimento do conteúdo desse livro e ficou alarmado. Ele percebeu que todo o povo tinha se desviado das orientações que Deus havia concedido a Moisés escrever, para lhes servirem de guia. Compenetrado com a seriedade do momento, empós buscar a Deus, por intermédio da profetisa Hulda, o rei Josias realizou uma maravilhosa obra de reforma em todo o Judá. A veemência com que o escritor bíblico resume a reforma que fora efetuada, pode ser vislumbrada claramente nas palavras: “NUNCA, pois, se celebrou tal Páscoa em Israel, desde os dias do profeta Samuel, nem nenhuns reis de Israel celebraram tal Páscoa COMO A QUE CELEBROU JOSIAS com os sacerdotes, e levitas, e todo o Judá e Israel que ali se acharam, e os habitantes de Jerusalém.” II Crônicas 35:18.

Não há a mínima chance de haver reforma sem o reavivamento. Mas é verdade também que não há a mínima chance de haver reavivamento se não houver o milagre operado pelo Espírito Santo no coração do homem penitente. E esse milagre não é virtual, porém real, realíssimo. As evidências são inelutáveis e inevitáveis. Deveríamos encarar a realidade de que necessitamos provar de uma transformação miraculosa e urgente, da alçada exclusiva do Santo Espírito de Deus. Deveríamos encarar a realidade de que, ao tratarmos de reavivamento e reforma, estamos lidando com REGENERAÇÃO e RENOVAÇÃO. Ora, o que deveras significa esse binômio? Não é outra coisa, meu caro leitor, a não ser: JUSTIFICAÇÃO e SANTIFICAÇÃO. E aqui nos deparamos com CAUSA (justificação) e EFEITO (santificação). E por ser causa e efeito, a ordem em que elas ocorrem é inalterável. Não pode ocorrer santificação, antes da justificação. Da mesma forma, não pode haver reforma, antes do reavivamento. Porém algo assaz importante carece ser esclarecido. O que é santificação? Por que azo necessitamos assimilar esse assunto com profundidade e plena segurança?

Que santificação corresponde à reforma, creio que já é do nosso pleno conhecimento. Entrementes, ainda insistimos em desejar obtê-la antes da ocorrência da justificação, dando-lhe a conotação de causa e não de efeito. “Como assim, Irmão Edson?” Não são poucos, e eu poderia dizer sem medo de errar, que a maciça maioria, que admite a tradução da palavra SANTO como sendo “SEPARADO DE”. Alguém diz: “Mas está correto!” E eu confirmo: “Ah, sim, está!” Vamos examinar melhor essa tradução para alcançar o que ela nos quer transmitir inelutável e peremptoriamente. Vejamos. Dizemos com frequência: “Somos santos PORQUE somos separados do mundo, das diversões mundanas, dos prazeres mundanos, etc..” Percebe o emprego da conjunção PORQUE na frase? Ela identifica o termo que a antecede como causa, e não efeito. Noutro falar: nós nos separamos do mundo a fim de sermos santos. E aí reside a estratégia do enganador. Tentamos a santificação numa luta sem fim, pois cremos que assim fazendo nos tornaremos santos a cada dia. Nota que fazemos da santificação uma causa. E não é assim, por incrível que pareça.

Para entendermos melhor o que significa santificação, introduziremos em nosso estudo mais um vocábulo – PURIFICAÇÃO. Muitos o conhecem, contudo ignoram o seu real sentido teológico. Outros até, senão a maioria da maioria, entendem que seja sinônimo de santificação. Mas até agora, se Deus quiser. Visando deslindar de uma vez por todas esses termos, indago: Qual a diferença existente entre PURIFICAÇÃO e SANTIFICAÇÃO? Quase que escuto alguém dizer: “Para mim, irmão Edson, é a mesma coisa! Puro e santo são sinônimos.” Será que há algum texto bíblico que nos ajude a traçar uma linha divisória entre ambas as palavras? Sim, há. Vamos ler II Coríntios 7:1. “Ora, amados, pois que temos tais promessas, PURIFIQUEMO-NOS de toda imundícia da carne e do espírito, APERFEIÇOANDO A SANTIFICAÇÃO no temor de Deus.” O apóstolo Paulo está afirmando categoricamente que a santificação é aperfeiçoada através da purificação. Se assim é, e não há por que duvidar, a santificação É O RESULTADO DA PURIFICAÇÃO. Então, falando de maneira mais simples: eu sou santo, PORQUE EU SOU PURO. Podemos desde já estabelecer uma verdade: NÃO HÁ COMO SER SANTO, ANTES DE SER PURO. Daí, a santificação é o real efeito da purificação. Esta ocorre em nossa mente, no interior; aquela em nossa vida prática, no exterior.

Se tentarmos ser santos sem que nos ocorra primeiro a purificação, e infelizmente é o que mais vemos no mundo cristão, estaremos tentando o impossível. Não conseguiremos alcançar o nosso objetivo – SEMELHANÇA COM DEUS. Temos que entender que não nos separamos do mundo ou de seus engodos para sermos santos, mas nos separamos do mundo e de suas ilusões porque somos santos, ou seja, estamos sendo santificados pelo Espírito Santo o qual antes dessa obra nos regenerou primeiro, justificando-nos. O afastar-se do mundo e de suas concupiscências (a santificação) é o efeito da obra que ocorre no interior do homem (a purificação). Penso que agora as palavras de Cristo serão melhor entendidas: “Fariseu cego! LIMPA PRIMEIRO O INTERIOR do copo e do prato, PARA QUE também O EXTERIOR FIQUE LIMPO.” Mateus 23:26. O interior é o caráter; o exterior é a personalidade. O interior é coração; o exterior são as nossas obras. Buscar alterar essa ordem é cair no vazio sem fim. E não há salvação lá. O exterior, que é a nossa vida prática, desde os pensamentos às palavras e atos, só poderão agradar a Deus, se o nosso interior estiver limpo. E agora vem o mais importante, meu caro leitor: essa limpeza não está em nós o poder de efetivá-la. Ela, como dantes asseri, é obra exclusiva do Santo Espírito. Entretanto, só ocorre se nós a permitirmos.

E como alcançar essa bem-aventurança? Bem, essa transformação é chamada no cristianismo de NOVO NASCIMENTO. E esse milagre tem sido distorcido pelo mundo cristão a fora. Tem-se dito aos que fomos batizados que a partir do batismo somos novas criaturas. Essa notícia é uma música para quem quer que deseje o céu. Mas eu pergunto: E as obras que se seguem ao batismo correspondem ao novo ser? Houve mudança radical no patamar da cognição? Estamos conhecendo coisas novas, ou ainda tentando nos livrar das coisas velhas? Nossos pensamentos são puros ou ainda permeiam a impureza aqui ou acolá? Resistimos às tentações do diabo, ou a elas sucumbimos? Ao que parece a resposta tende com mais força à segunda alternativa do que à primeira. De fato conhecemos coisas novas, e ficamos felizes com isso, porém muito mais ficamos infelizes porque descobrimos que ainda somos escravos de velhos hábitos, os quais, mais e mais, arrastam-nos para o fundo do poço. E aí vem as lágrimas pela deslealdade constante para com o Salvador. Isso é o que caracteriza o novo nascimento? Não há alguma errada quando comparamos com a vida dos apóstolos que o experimentaram e o descreveram para nós de maneira vívida e inconteste? Paulo diz: “Irai-vos, E NÃO PEQUEIS.” Efésios 4:26. João diz: “Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus NÃO PECA; mas o que de Deus é gerado conserva-se a si mesmo, e o maligno não lhe toca.” I João 5:18. Pedro diz: “Portanto, irmãos, procurai fazer cada vez mais firme a vossa vocação e eleição; porque, fazendo isto, NUNCA JAMAIS TROPEÇAREIS.” II Pedro 1:10. Judas diz: “Ora, Àquele que é poderoso PARA VOS GUARDAR DE TROPEÇAR E APRESENTAR-VOS IRREPREENSÍVEIS, com alegria, perante a Sua glória.” Judas 24. Embora a clareza dos textos acima seja meridiana, nós ainda estamos a contestá-las, a refutá-las incisivamente, limitando o poder de Deus à lógica e ao poder humanos. Não somos capazes de crer que o mesmo poder que atuou nas palavras HAJA LUZ, tendo como resultado aquilo que fora determinado, aina está ao nosso alcance e disposição. Não somos capazes de crer que o mesmo poder que fez o cego enxergar, o paralítico andar, o surdo ouvir, é o mesmo que nos é concedido através do evangelho a fim de nos conceder ver a luz eterna, andar nos passos do Salvador, ouvir e atender a Sua doce voz. Hoje, sem nos apercebermos, afirmamos e confirmamos, com a tinta da incredulidade, que Deus pode ser capaz de criar o universo sem fim, porém não tem como nos fazer sair da lama do pecado e nos colocar sobre a Rocha, para andarmos com passadas firmes e constantes, seguindo o Seu conselho, sem nos desviarmos, nem para a direita, nem para a esquerda. Assusta-nos a ideia de que Eliseu viveu sem cometer pecado, de que Enoque em momento algum transgrediu os mandamentos de Deus, de que Moisés cometeu, em quarenta anos de vida, apenas e tão somente uma única transgressão.

Teremos que encarar o desafio da fé, se de fato queremos alcançar a reforma, uma vez que o reavivamento só ocorre na plataforma da fé. Não pode ser de outro modo. Se desejamos a reforma, teremos que admitir que longe estamos do caminho do Senhor, em face da luz que emana da sã doutrina, e que devemos imitar a inteligente atitude do rei Josias, o qual, percebendo que, embora tenha feito algumas reformas, elas não atingiam o real desígnio de Deus. Não haverá reforma enquanto estivermos agarrados à doutrinas de homens, que não encontram respaldo nas Escrituras Sagradas, cujo objetivo é desencaminhar os sinceros do caminho eterno. E isso exige de nós compromisso com a nossa alma, determinação.

A relação causa e efeito foi uma lei estabelecida por Deus. Não há como alterá-la. Assim sendo, “NÃO PODE a árvore boa dar maus frutos, nem a árvore má dar frutos bons”. Mateus 7:18. Nunca poderemos nos deixar levar pelo pensamento de que reconhecermos a latente doença é um mal. O doente começa a dar os passos para a cura, quando compreende que precisa encarar sua triste condição, de que carece urgentemente do remédio, e que isso só lhe será possível no momento que a doença for vista como um fato real e absoluto. A partir daí, a terapia alcançará o seu fim. Ser-nos-á impossível, atenta bem para isso, ser-nos-á impossível tentarmos a santificação sem que Deus SUBSTITUA o nosso caráter pelo Seu. Faz-se mister que isso ocorra em nós. Não temos esse poder em nós mesmos. Isso é JUSTIFICAÇÃO. Entraremos na graça de Deus somente quando formos justificados. Então Ele que operará em nós “TANTO O QUERER COMO O EFETUAR, segundo a Sua boa vontade”. Filipenses 2:13. Assim, pelo poder dEle que em nós habita, o nosso viver será o reflexo da vida de Cristo, ou seja, sem cometer pecado.

Reavivamento é, em curta expressão, A RETIRADA da nossa natureza decaída e escrava do diabo, e A COLOCAÇÃO, em seu lugar, da própria natureza do Criador do universo. Por conseguinte, a reforma é, sem delongas, A MANIFESTAÇÃO do Salvador através de cada pormenor de nosso viver. E isso nos torna mais cognoscível o versículo tantas vezes lido, mas interpretado erroneamente: “Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão e domínio próprio.” Gálatas 5:22. Vê? A Palavra de Deus não diz: “Mas o fruto do Edson é...” ou do João, ou do Pedro, não. Ela é taxativa, não nos deixa qualquer espaço para outro raciocínio: o fruto de cada ser humano que ressuscita, que passa da morte espiritual para a vida em Cristo, pertence ao Espírito Santo. Na verdade, é uma parceria. O Espírito Santo concede a luz e o poder, e o homem, por seu livre arbítrio e sua determinação, segue Suas orientações.

Alguém pergunta: “Ele poderá cair novamente, Irmão Edson?” Infelizmente, sim. A transformação gerada pelo Espírito Santo retira a velha natureza, não a nossa capacidade de decisão, nosso poder de escolha. Somos tão capazes para decidir o que quisermos fazer da nossa vida hoje, como antes da transformação. Quanto a isso, nada mudou. E nisso muitos estão emaranhados pelos sofismas do diabo. Acham que o fator principal que leva o ser humano a cometer pecado é a natureza decaída, mas não é. A natureza decaída é contada como aliada de Satanás, propiciando-lhe uma enorme vantagem, porém o fracasso vem da nossa decisão interna. Não que possamos enfrentar a tentação por nós mesmos, não. Mas se pusermos o nosso poder de escolha nas mãos de Deus, Ele Se encarregará de nos tornar mais fortes que o inimigo, consagrando-nos vitoriosos em cada ataque. E como provar que isso que acabo de asserir é um fato e não uma ideia particular da minha pessoa? Simples. Tomemos como exemplo primeiro a Adão. Adão antes de cair nas malhas do pecado, tinha uma natureza decaída ou pecaminosa? A resposta é óbvia: NÃO. Ele era puro em toda a sua essência. E por que caiu? Em defesa de Adão, alguém se arriscaria dizer: “Ah, irmão Edson! Satanás estava no Éden. Ele motivou Adão a transgredir a ordem de Deus”. Neste primeiro cenário, temos um provocador, um incitador – Satanás. Então, indago: “E no céu? Antes da queda de Lúcifer, quem existia com a função de Satanás, para incitá-lo ao pecado?” Ninguém, diremos. E daí surge a pergunta das perguntas: “Se Lúcifer não fora instigado por ninguém, como Adão, se ele não possuía uma natureza pecaminosa, como se explica a sua queda?” Só podemos concluir, sem a mínima refutação, que a queda de quem quer que seja NÃO ESTÁ VINCULADA DIRETAMENTE À NATUREZA PECAMINOSA, mas à própria decisão daquele que soçobrou.

O justo, meu caro amigo, não possui mais a natureza pecaminosa, mas a de Deus, pois a Matéria prima para a sua criação é Cristo (I João 2:29). Pedro corrobora com tal afirmação em sua segunda carta, no capítulo um, versículo quatro (II Pedro 1:4). A possibilidade de o justo voltar a cair existe, no entanto, somente dele depende que essa tragédia ocorra. A diferença agora é que ele não sente PROPENSÃO mas SUGESTÃO. Antes ele não só sentia a sugestão do inimigo, contudo com ele colaborava por sentir a propensão para o mal, EM FACE DE SUA NATUREZA PECAMINOSA. Agora ele vence onde era derrotado. O verbo que deverá entrar em sua nova experiência é PERSEVERAR [na fé]. E enquanto assim agir, diz Pedro, “NUNCA JAMAIS TROPEÇAREIS”. II Pedro 1:10. É demais para ti? Pois essa é a verdade que há por trás do tema em estudo.

Nunca foi da vontade de Deus que permanecêssemos vítimas do inimigo até a volta de Cristo, não espiritualmente. Devemos gozar da liberdade aqui e agora. Cristo voltará para buscar aqueles que foram libertos do poder do pecado, E NÃO PARA LIBERTÁ-LOS DESSA PRISÃO. Ele virá para buscar aqueles que viveram como Ele viveu, cujos nomes estão no livro que leva o Seu nome, NÃO O NOSSO. Esse é o desafio da fé, caro amigo! Se crermos na disposição de Deus em nos conceder o Seu próprio caráter para vivermos vida perfeita, como foi exigido de Abraão, de Moisés e de todos os candidatos ao céu, dEle receberemos, da mesma Fonte, o mesmo poder que operou na vida do Salvador. Isso é REAVIVAMENTO e REFORMA.

Que Deus nos abençoe em toda a Sua benevolência!

Irmão Edson.

kowalsky2004@yahoo.com.br

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