sexta-feira, 2 de agosto de 2013

A Circuncisão

A Circuncisão

13Jul2013

 

Este é o Meu concerto, que guardareis entre Mim e vós e a tua semente depois de ti: que todo macho será circuncidado. Gênesis 17:10.

 

Muito embora este tenha sido um dos temas mais discutidos em nossas sabatinas, ainda adejam algumas dúvidas na maioria das mentes de inúmeros cristãos sinceros. Espero em Deus, que tais dúvidas sejam dirimidas peremptoriamente nas próximas linhas. Pelo fato de que esteja diretamente envolvido com o patriarca Abraão, não poucos deixaram de extrair o que concerne de mais precioso para nós: sua mensagem simbólica. Afinal, o que significa a circuncisão? O que ela representa para mim? O que ela tem a ver com a minha salvação? São indagações que muito mexeram comigo, e creio que ocorra contigo também. Louvo a Deus pelas respostas que Ele me concedeu, as quais pretendo compartilhar contigo neste comenos. Então vamos a elas!

Algo se faz imprescindivelmente recomendável esclarecer, antes que avancemos em nosso estudo. Concerto, aliança e pacto trazem o mesmo conceito.  Em algumas versões das Escrituras Sagradas encontramos ou concerto, ou aliança. O fim é o mesmo, e é isso que nos importa. Como se trata de um acordo, sabemos sem muito esforço mental que é mister a existência de algumas cláusulas, importando em obrigações de ambas as partes desse acordo, correto? Muito bem. Deus chamou a Abrão para com ele estabelecer um concerto. E em que consistia esse concerto? O Todo-Poderoso seria o Deus de Abrão. O nome desse patriarca foi mudado para Abraão, em virtude desse concerto, mediante sua fé na promessa de Jeová. Quais os benefícios desse concerto? Abraão seria o pai de uma multidão de nações, além da promessa da posse de uma extensiva terra que manava leite e mel. Que coisa maravilhosa, não? Mas nada disso poderia lhe acorrer sem a exigência de alguma condição, e essa condição, caro amigo, foi a obediência. Deus disse: “Este é o meu concerto, que GUARDAREIS entre mim e vós...Gênesis 17:10. Como vimos, os entes de um concerto, tem participação ativa. Nenhuma parte se isenta de cumprir as cláusulas existentes.

Não poucos cristãos creem que no processo da salvação nada temos que fazer, uma vez que Cristo, dizem eles, já fez tudo. Isso lhes ocorre porque não lhes foi explicitado que há um concerto em voga. Assim está escrito: “Mas este é o concerto que farei com a casa de Israel DEPOIS DAQUELES DIAS, diz o SENHOR...Jeremias 31:33. E aí, alguém diz: “Exatamente, irmão Edson, com a casa de Israel. Portanto, não é conosco. E isso está no Velho Testamento.” Esse raciocínio estaria correto? Quando o profeta Jeremias diz “depois daqueles dias”, a que tempo estava se reportando? Paulo responde. “Porque, com uma só oblação, aperfeiçoou para sempre os que são santificados. E TAMBÉM O ESPÍRITO SANTO NO-LO TESTIFICA, porque, depois de haver dito: Este é o concerto que farei com eles depois daqueles dias, diz o Senhor: porei as minhas leis em seu coração e as escreverei em seus entendimentos, acrescenta: E jamais me lembrarei de seus pecados e de suas iniquidades.” Quem é o Protagonista nesse verso acima exposto? CRISTO. Jeremias se referia ao Novo Concerto estabelecido por Deus com a humanidade, não nos mesmos moldes do antigo, mas sob a mesma base – a Sua lei. Lembra? Todo concerto tem a sua exigência peculiar. Pois bem, o Novo Concerto não diferia do primeiro no que tange ao seu fundamento. O Velho Testamento firmado por Deus e o povo de Israel, lá no monte Sinai, tinha a lei suprema do Criador como exigência, proclamada do monte. A obediência a essa lei, os dez mandamentos, era a condição da permanência do concerto. Como a nação israelita rejeitou o Salvador, deixou de ser o povo de Deus. Ela quebrou o primeiro concerto. Entrementes, enquanto os patrícios de Cristo davam às costas à aliança do Senhor, Jesus Cristo estabelecia, com a Sua morte, o Novo Testamento, estendido agora para todos os que por Ele se achegassem a Deus, independentemente de sua nacionalidade. Tal concerto tinha a mesma base do primeiro. A lei não seria proclamada, porém posta no coração dos recriados pelo Espírito Santo. O povo de Deus, a partir de então, não se restringiria apenas a uma nação, mas ao conjunto de indivíduos que depositassem a sua fé no sacrifício substituinte do Salvador, com arrependimento genuíno, devotando-Lhe a vida sem reservas.

Bem”, podes estar perguntando, “e onde entra a circuncisão nisso tudo?” Numa rápida abordagem, viajamos de Abraão até aos nossos dias, para entendermos que a aliança que se encontra prevista em Jeremias 31:31 a 33, não estava restrita ao povo de Israel literal, mas ao espiritual. A expressão “casa de Israel” está relacionada à fé e não à consanguinidade, como muitos pensam. E como podemos ter certeza disso? Simples. Se compararmos Romanos 11:25 com Efésios 2:11 a 13, de modo natural a resposta vem à superfície. Citemos tais passagens: “Porque não quero, irmãos, que ignoreis este segredo (para que não presumais de vós mesmos): que o endurecimento veio em parte sobre Israel, ATÉ que a plenitude dos gentios HAJA ENTRADO. E, assim, TODO o Israel SERÁ salvo.” Romanos 11:25. Não podemos ler a outra passagem bíblica, sem indagar ao apóstolo sobre o local em que os gentios deveriam entrar, pois os versículos seguintes não nos revelam. Neste caso, se perguntássemos ao apóstolo Paulo: haja entrado onde? Ele responderia: “Portanto, lembrai-vos de que vós, NOUTRO TEMPO, ÉREIS GENTIOS na carne e chamados incircuncisão pelos que, na carne, se chamam circuncisão feita pela mão dos homens; que, naquele tempo, estáveis sem Cristo, SEPARADOS DA COMUNIDADE DE ISRAEL e estranhos aos concertos da promessa, não tendo esperança e sem Deus no mundo. Mas, AGORA, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto.” Efésios 2:11 a 13. Notemos: os gentios estão separados da Comunidade de Israel. Fiz questão de empregar o verbo estar no presente do indicativo (ESTÃO) e não estavam, como muitos certamente esperavam, posto que creem que a Comunidade de Israel já não existe. Mas se assim pensam, estão perigosamente enganados. A comunidade ainda existe e sempre existirá. Ela sempre foi e sempre será o povo de Deus, em todas as eras, seja no Velho como no Novo Testamento. Como posso assegurar isso? Analisemos o texto de Romanos 11:25.

Paulo nos diz que o endurecimento dos israelitas, máxime no tempo da primeira vinda de Cristo, promoveu a difusão do evangelho entre os gentios. Como é consabido, os símbolos e todo ritual do santuário foram, por muito tempo, restritos aos israelitas, os quais consideravam, por conta de sua incredulidade e decadência espiritual, que os gentios não tinham parte alguma na aliança de Abraão. E assim todos os povos vizinhos de Israel padeceram nas trevas, de certa forma, enquanto duraram a apostasia e o consequente orgulho nacional, efetivado pelo racismo. Cristo, em Seu ministério, demonstrou que o amor de Deus era extensivo a todas as Suas criaturas, a despeito de sua cor, raça ou religião. Isso, dentre outros fatores, desencadeou uma série de perseguições por parte dos religiosos do seu tempo, que se diziam filhos de Abraão. A morte de Cristo, entretanto, possibilitou o reestudo das profecias relativas a sua primeira aparição no mundo, e muitos concluíram que se tratava do verdadeiro Filho de Deus, o Redentor do mundo. Eventos como o que está registrado em Atos 10, onde Pedro aprende, do próprio Deus, que Ele não aprova a acepção de pessoas, nem de nacionalidades, são o vívido testemunho do que foi assentado logo acima.

Agora, pensa bem: quando Paulo estava pregando aos romanos, tempos depois da ressurreição de Cristo, ele sabia melhor que ninguém que, se a Comunidade de Israel tinha sua existência atrelada ao Velho Testamento, a cruz a tornara nula, sem nenhum efeito. Fazer menção sobre tal assunto como ainda vigente, estaria contrariando à sã doutrina. No entanto, percebemos que não é esta a sua compreensão. Ele diz: “ATÉ que a plenitude dos gentios haja entrado.” Romanos 11:25. Até é uma preposição que indica limite, término de um determinado prazo, e, segundo contexto, indicado por alguma ocorrência. Aí, quando Deus verificar que esse prazo, dado aos gentios, tiver se esgotado, e só Ele sabe quando isso ocorrerá, a completude do Seu povo terá sido alcançada. Então, Paulo conclui: “E assim TODO o Israel SERÁ salvo.” Notas, caro leitor, o que os vocábulos em destaque nos ofertam? Todo é a completude. Completude de quê? De Israel. Então, se traduzíssemos isso em termos matemáticos, teríamos que Israel é a soma de ramos naturais e ramos enxertados, ou seja, os da linhagem de Abraão que abraçaram a mesma fé do patriarca e os gentios, de quem eu e tu fazemos parte. Em seguida, temos o verbo SERÁ. Sabemos, sem a menor dúvida, que este verbo está conjugado no futuro do presente, correto? Se assim é, a salvação da Comunidade de Israel ainda não ocorreu. E isso é lógico, pois o evento que culminará na salvação de todo o Israel será a segunda vinda de Cristo, em breve. E nisso se encaixa perfeitamente o texto de Gálatas 3:29 – “E, SE SOIS DE CRISTO, sois descendentes de Abraão e herdeiros conforme a promessa.” Quem é o verdadeiro descendente de Abraão? Aquele que recebe Cristo em seu coração e, como efeito, obedece aos dez mandamentos, fundamento do Novo Concerto. Eis o azo de Paulo apontar para o comenos em que nós, gentios, entramos na Comunidade de Israel, ao ter dito: “mas, AGORA, em Cristo Jesus.” Efésios 2:13.

Mas, irmão Edson, eu ainda entendi como isso se relaciona com a circuncisão!” Essa é a tua queixa? A circuncisão é o corte da pele que cobre a glande do órgão genital masculino. Deus ordenou a Abraão que todo homem que nascesse dentro de sua casa, fosse seu ou de estrangeiro que vivesse em sua companhia, ou comprado a estrangeiro, deveria ter o prepúcio cortado ao oitavo dia, como parte do concerto por Ele estabelecido. Agora, responda: Por que Deus mudou o nome de Abraão? Essa mudança não foi aleatória. Entendemos claramente que os nomes desse personagem bíblico representam as duas fases da vida de um ser humano que pretenda o céu: a vida carnal e a vida espiritual. Entendemos também que seus nomes representam, de igual modo, as duas classes em que se dividem a humanidade: os filhos de Adão, alma vivente, e os filhos de Adão, espírito vivificante. Este é Cristo. Quando lemos os capítulos 15, 16 e 17 de Gênesis descobrimos que o nome de Abrão foi mudado para Abraão por ele ter crido em Deus. Seu novo nome simbolizava a regeneração espiritual gerada pelo Espírito Santo, através da fé. Tal ocorrência se deu também com Jacó, empós sua luta com o Anjo do Senhor. Seu nome foi mudado de Jacó para Israel. E assim também será com todos os fieis, quando a salvação for consumada com a volta de Cristo.

Nossos nomes serão mudados, representando a nossa vitória sobre o mal, pelo sangue de Cristo. Assim, a fim de que fosse exteriorizado aquilo que acontecera no coração de Abraão, Deus determinou que o patriarca efetivasse a circuncisão. Noutras palavras: a circuncisão era o selo da aprovação de Deus, de que Abraão fora justificado, transformado em um novo homem. Observa o caro leitor, que a circuncisão não era uma causa, mas um efeito. O verdadeiro israelita não fazia parte do povo de Deus porque era circuncidado, todavia era circuncidado porque fazia parte do povo de Deus. De modo mais simples: não somos salvos por nossa obediência aos mandamentos de Deus, contudo obedecemos aos mandamentos de Deus como resultado da nossa salvação. A obediência, portanto, é fruto da fé, e não o contrário. E isso não fora compreendido pelo povo de Deus até Cristo, ainda que os profetas fossem enviados por Deus para lhes esclarecer esse tremendo e perigoso erro. Erro que ainda campeia no mundo cristão hodierno.

Deus não estava interessado num corte de prepúcio, mas no que ele significava – a mudança de caráter. E isso está patenteado nas palavras ditas por Moisés: “CIRCUNCIDAI, pois, O PREPÚCIO DO VOSSO CORAÇÃO e não mais endureçais a vossa cerviz.” Deuteronômio 10:16. Ora, o coração não tem prepúcio! Deste modo, entendemos que a mensagem é uma advertência. O povo não poderia depositar a confiança num simples ritual, esquecendo-se de Quem o instituiu. A circuncisão nessas condições não tinha nenhum valor, era inútil. O circunciso, mas de coração dobre, estava na mesma condição espiritual do incircunciso, senão pior. A circuncisão tem o mesmo papel do batismo. Ele não tem nenhum poder transformador. Ele apenas testemunha o que ocorreu no interior do homem verdadeiramente convertido. Tanto a circuncisão como o batismo anuncia ao mundo de Quem o crente é servo. “Espera um pouco, irmão Edson! A circuncisão não foi abolida na cruz? Como tu falas dela como se ainda existisse?” Deixemos que Paulo nos esclareça isso. Vejamos: “Porque não é judeu o que o é exteriormente, NEM É CIRCUNCISÃO A QUE O É EXTERIORMENTE NA CARNE. Mas é judeu o que o é no interior, E CIRCUNCISÃO, A QUE É DO CORAÇÃO, no espírito, não na letra, cujo louvor não provém dos homens, mas de Deus.” Romanos 2:28 e 29. E o apóstolo acrescenta, destacando o que mais importa: “A circuncisão é nada, e a incircuncisão nada é, MAS, SIM, A OBSERVÂNCIA DOS MANDAMENTOS DE DEUS.” I Coríntios 7:19. Suas palavras são claras. A verdadeira circuncisão, assim como o verdadeiro batismo, é evidenciada na vida do novo ser. Ela não é a causa, mas o efeito. A obediência aos mandamentos de Deus é a maior prova de que fomos circuncidados aos Seus olhos, pois o gerador da obediência, o Espírito Santo, só é concedido àqueles que obedecem a Deus. Lê Atos 5:32. Perceba que Paulo trata da circuncisão no tempo presente, e não passado.

Creio que, agora, o nobre leitor entende o significado e o simbolismo da circuncisão. Fica fácil de vislumbrar, então, a relação que a circuncisão tem com a nossa salvação, não é verdade? Basta que perguntemos: o que é estar salvo? E obtemos a resposta quando comparamos a salvação com a liberdade. Não será errado dizer, sendo assim, que só estamos salvos se nós estivermos livres. Mas livres de quê? Da prisão do pecado. E isso se demonstra com a vida que apresentamos ao mundo visível e invisível, ou seja, nossos atos e nossos pensamentos. De Abraão Deus testificou: “Porquanto Abraão OBEDECEU à Minha voz e GUARDOU o meu mandado, os Meus preceitos, os Meus estatutos e as Minhas leis.” Gênesis 26:5. Se vivemos como Cristo viveu, se a nossa vida não é maculada com o pecado, podemos ter a certeza de que somos novas criaturas; poderemos afirmar, com alegria perene e profunda, que fomos circuncidados pelo poder regenerador do Espírito Santo, e que, por conseguinte, fazemos parte da Comunidade de Israel, filhos do patriarca Abraão, o legítimo povo de Deus. Só entramos na Comunidade de Israel quando cremos em Cristo, e somos transformados em um novo ser, amigo. E essa verdade terá que ser aceita, ou do contrário seremos “ESTRANHOS aos concertos da promessa, não tendo esperança e sem Deus no mundo.Efésios 2:12.

Que Deus nos abençoe em Sua eterna misericórdia!

Irmão Edson.

kowalsky2004@yahoo.com.br

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