quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

O Pecado e Suas Cordas



Quanto ao ímpio, as suas próprias iniquidades o prenderão, e pelas cordas do seu pecado será detido.Provérbios 5:22.

O texto do estudo de hoje nos mostra que o pecado possui cordas com as quais ele prende as suas vítimas a si. Quais seriam essas cordas, e que nome teriam? Buscaremos as respostas para essas perguntas ao longo deste estudo. Mas antes, vamos consolidar peremptoriamente um assunto muito importante. Entendê-lo corresponde a estar livre, livre da densa nuvem das inúmeras doutrinas errôneas e capciosas que campeiam o mundo religioso. Entrementes, essa liberdade só se concretizará se tomarmos a decisão de viver o que de Deus nos é enviado, e dessa forma somos postos no único caminho que leva a Sua augusta presença.
Nosso amado Salvador, visando instruir Seus discípulos, disse: “Eu sou o caminho.” João 14:6. O substantivo foi usado no singular, realçando que só há uma estrada que leva ao céu – aquela que Ele mesmo estabeleceu. Eu e tu temos que mentalizar uma coisa importantíssima: tendo Cristo afirmado ser Ele o único caminho, não estaremos sendo radicais em dizer que Deus só nos aceitará no céu se a nossa vida aqui na terra for uma reprodução da vida de Seu Filho, Jesus Cristo. E não há como fugir dessa verdade. O apóstolo João corroborou com esse asserto. Ele diz: “Nisto é aperfeiçoado em nós o amor, para que no dia do juízo tenhamos confiança; porque, QUAL ELE É, SOMOS NÓS TAMBÉM neste mundo.I João 4:17. E nota que o apóstolo não está fazendo alusão ao futuro, como sendo depois da glorificação, mas enquanto ele se encontra aqui, peregrinando na terra. QUAL é uma conjunção que equivale a TAL COMO, ASSIM COMO, conotando igualdade. Se isso é contundente para ti, é bom ir te acostumando, pois muitas das grandes verdades das Escrituras Sagradas são contundentes. Algumas delas, quiçá, não tenhas ouvido até agora. E guarda bem isso: rejeitá-las significa perdição. Elas constituem o durame do evangelho.
Visto isso, vamos agora mergulhar na profunda mensagem de Hebreus 12:1. Lemos: “Portanto, nós também, pois que estamos rodeados de tão grande nuvem de testemunhas, deixemos TODO EMBARAÇO, e O PECADO que tão de perto nos rodeia, e corramos com perseverança a carreira que nos está proposta.
O apóstolo dos gentios inicia o duodécimo capítulo do Livro de Hebreus com uma mensagem gráfica. Ele nos faz entrar num cenário desportivo, onde há uma multidão assistente, uma pista para percorrermos e um prêmio que para nós está resguardado. Paulo diz que existe uma TÃO GRANDE NUVEM DE TESTEMUNHA, a qual, à certa confita, está nos observando com muita atenção. Não há uma referência de quem se trata, mas nós temos como inferir. Num certo sentido, são aqueles que estão ao nosso redor, considerando o mundo visível em que estamos inseridos, como também os que jazem a um palmo do nosso nariz, os quais se separam de nós por uma mui tênue camada de invisibilidade. O número dessas testemunhas, como nos é declarado não é nada raquítico.
A recomendação de Paulo é que devemos deixar todo EMBARAÇO e O PECADO que “tenazmente nos assedia” (RA). Nota, caro amigo, que os dois substantivos estão no singular, e não no plural. E isso não ocorreu aleatoriamente. O vocábulo EMBARAÇO não poderia mesmo estar no plural, pois sua função ali é específica, seja qual for o objeto que lhe represente. Então não tratamos aqui de variedade, mas de especificidade. Agora, pecado no singular requer de nós uma análise mais acurada, mais pormenorizada. Vejamos. Tenhamos em mente que Paulo sabia muito bem que cada ser humano que vem ao mundo nasce com uma natureza decaída, e que essa natureza se manifesta de forma semelhante em alguns indivíduos, de modo que todos nós estamos inseridos numa determinada categoria, vinculada ao nosso caráter. A esses respeitos nos assemelhamos bastante. Por exemplo, alguém nesse mundo poderá ter a mesma fraqueza espiritual que eu tenho ou que tu tens. Diferenciamo-nos uns dos outros em muitas coisas, mas o jugo poderá ser o mesmo, observadas as categorias. O fato de o apóstolo empregar esse substantivo no singular, indica que cada um tem um PECADO que identifica a categoria em que sua natureza carnal está agregada. Assim, lidando com um problema global de maneira genérica, Paulo pretende alcançar a todos com a sua mensagem.
O que poderia afetar negativamente a concentração do atleta, fazendo-lhe arriscar a vitória? As alternativas poderiam ser um grão de areia no calçado, um cadarço solto, uma leve sensação de dor no corpo, um argueiro nos olhos, um problema na família, enfim, qualquer dessas ou outra coisa imaginável, tenderia a prejudicar o bom andamento do atleta. Sua concentração sofreria alteração e a conquista do prêmio seria comprometida.
É necessário ressaltar outrossim que Paulo não está falando de qualquer atleta, mas daquele que tem um requisito ímpar, que faz tremenda diferença na labuta em busca do objetivo proposto. Falamos da perseverança. Cristo disse que “aquele QUE PERSEVERAR até o fim, ESSE será salvo.” Mateus 10:22. Sobre esse mote abordaremos numa outra ocasião.
Estamos diante de uma guerra desigual. De um lado Deus, que se utiliza de Sua essência – a verdade; do outro, Satanás, que emprega a mentira, o engano, o disfarce, o sofisma. E é aí onde reside todo o nosso problema, já não bastasse a invisibilidade. Se nos reportarmos ao pecado, não será novidade para ninguém, ainda que alguns tentem escusar-se. O pecado é espalhafatoso, todos podem contemplá-lo e saber do que se trata. Poderá estar momentaneamente oculto, todavia será revelado mais cedo ou mais tarde. E sendo revelado, ninguém terá dúvida de que sua natureza é perversa e antagônica ao caráter de Deus. Isso, entanto, não acontece com o embaraço. Determinada coisa poderá ser um embaraço para nós, e dela fazemos pouco caso por não percebermos sua real importância e papel nessa guerra cósmica que nos envolve. Poderá ter uma aparência inocente, inócua, mas feito cavalo de troia, maléfica e destrutiva em seu âmago.
A que o apóstolo aludia ao mencionar EMBARAÇO no primeiro versículo do capítulo 12 de Hebreus? Essa é a parte que mais me impressiona. Quando buscamos estudar a Palavra de Deus com o compromisso de cumprir a Sua vontade, o Espírito Santo nos guia “a toda a verdade.” João 16:13. Assim, ao lermos a carta que Paulo escreveu para o irmão Tito, encontramos uma expressão que constitui a resposta à pergunta que inicia este parágrafo. Em Tito 2:11 e 12, está escrito: “Porque a graça de Deus se manifestou, trazendo salvação a todos os homens, ensinando-nos, para que, renunciando à impiedade e às paixões mundanas, vivamos no presente mundo sóbria, e justa, e piamente.
Onde está a expressão a que me reportei? Vamos encontrá-la se descobrirmos o cerne da mensagem de Hebreus 12:1. Nota que Paulo nos recomenda a correr a carreira que nos está proposta, porém nos adverte que algo precisa ser feito para que isso transcorra com segurança. Ele diz, no tocante ao embaraço e ao pecado inespecífico: DEIXEMOS. Deixar, de acordo com o texto em questão, tem um sinônimoRENUNCIAR.
Se compararmos Tito 2:11, mais precisamente o texto “porque a graça de Deus se manifestou, trazendo salvação a todos os homens”, com II Timóteo 1:9 e 10, máxime o excerto “a graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos, e que agora se manifestou pelo aparecimento de nosso Salvador Cristo Jesus”, concluiremos que a graça se materializou em Cristo. Cristo é a própria graça de Deus. E não poderia ser de outro modo, pois o verbo "ENSINANDO-NOS", de Tito 2:11, só poderia ser atribuído a um ser. E ESTE SER É CRISTO.
Qual o ensino do Salvador, tanto nos evangelhos, quanto em todo o restante das Sagradas Letras? Do verso acima depreendemos o alvo da doutrina verdadeira: renúncia à impiedade e às concupiscências mundanas. O que é impiedade? Que significa concupiscência mundana?
Impiedade, segundo Judas 15, consiste nas obras dos ímpios, ou desobedientes. Eles não obedecem a Deus, ou, numa linguagem mais teológica, eles transgridem a lei de Deus. Impiedade, como vemos, equivale à transgressão, e transgressão, as Escrituras afirmam, é pecado. Portanto, IMPIEDADE É O MESMO QUE PECADO.
Concupiscência tem sua raiz na mesma palavra grega EPITHUMIA que corresponde à raiz do vocábulo cobiça. Concupiscência e cobiça, assim sendo, são sinônimas. O que elas significam? DESEJO. Infelizmente, o vocábulo COBIÇA tem sido usado amiúde de modo pejorativo, de tal forma que hoje ao proferirmos essa palavra, é difícil que alguém a entenda pela sua simplicidade natural. Nas Escrituras, quando essa palavra não vem acompanhada por um adjetivo que lhe dê conotação negativa, o próprio sentido da frase lhe confere essa conotação. Mas ela em si mesma não tem nenhum mal. Desejar algo não constitui pecado. Agora, o foco desse desejo é o parâmetro para definirmos se ele é pernicioso ou não. Se eu te mostro uma garrafa de água quando estás com sede, que desejo despertará em ti? O de beber água, lógico. Esse desejo ou cobiça não constitui maldade alguma, a princípio, pois será inócuo se o teu desejo for a compra de uma garrafa de água, para mitigar a tua sede. Mas se em vez de desejares comprar uma garrafa, tu desejares a minha garrafa, aí incorrerás no último mandamento da lei de Deus. Nota que esse mandamento não diz simplesmente "NÃO COBIÇARÁS". Deus não vedaria ao homem aquilo que seria o impulso da pretensão das coisas legítimas. Dessarte, aquilo que segue a expressão verbal – NÃO COBIÇARÁS – demonstra com clareza meridiana o verdadeiro aspecto desse desejo, uma vez que se destina a buscar para si aquilo que PERTENCE ao próximo.
Assim como a cobiça, a concupiscência também é adjetivada negativamente em cada emprego no Santo Livro. No verso em estudo, o adjetivo associado à concupiscência é "MUNDANAS". Sabemos de onde esse adjetivo é derivado, claro. Trazendo à baila a narrativa de João, em sua primeira epístola, no capítulo 5, versículo 19, entenderemos o que Paulo pretendeu transmitir a Tito, e por extensão, a nós também. Lemos: “Sabemos que somos de Deus, e que O MUNDO INTEIRO JAZ NO MALIGNO.” Concupiscências mundanas: vale dizer que são coisas que existem neste mundo, as quais são usadas pelo diabo para despertar desejo, cobiça ou concupiscência por coisas passageiras, temporais, alheias ao plano divino para a salvação do homem. Por sua natureza, elas contrariam o apelo divino, na lavra de Paulo, de que não devemos atentar “nas coisas que se veem, mas sim nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, enquanto as que se não veem são eternas.” II Coríntios 4:18. E as concupiscências mundanas visam malograr esse princípio na vida daquele que pretende o céu. O apóstolo Pedro, prevendo isso, declara: “Amados, exorto-vos, como a peregrinos e forasteiros, que VOS ABSTENHAIS das concupiscências da carne, AS QUAIS COMBATEM CONTRA A ALMA.I Pedro 2:11. É impressionante, não? A linguagem dos dois apóstolos é idêntica. Paulo diz que devemos renunciar às concupiscências mundanas, e Pedro, abstermo-nos das concupiscências da carne. Por quê? Porque elas combatem contra a alma. Sua criação tem o objetivo de atender aos reclamos de Satanás – EMBARAÇAR todo aquele que anela caminhar em direção ao céu, fazendo-lhe desejar mais as coisas deste mundo e menos as coisas celestiais.
Percebes, amigo, que o alerta de Pedro se coaduna com o apelo de Paulo? Paulo aconselha a renunciarmos e Pedro a nos abstermos. E o nosso amado Salvador, o que diria? Eis Suas abençoadas palavras: “Os cuidados deste mundo e a sedução das riquezas, e a cobiça doutras coisas, entrando, SUFOCAM A PALAVRA, E ela FICA INFRUTÍFERA.Marcos 4:18 e 19.
E de uma forma magistral Tiago delineia a cadeia de circunstâncias que induziu Eva a desobedecer a Deus, fazendo-nos entender que a estratégia de Satanás continua sendo a mesma. Precisamos ver essa passagem. “Cada um, porém, é tentado, QUANDO atraído e engodado PELA SUA PRÓPRIA CONCUPISCÊNCIA; então a concupiscência, havendo concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte.Tiago 1:14 e 15. Por esse texto podemos visualizar a ação da má concupiscência. Ela funciona como um veículo para atrair e enganar. Quem está por trás? À luz da obviedade não é necessário responder. Dá pra ver que lidamos com uma espécie de operação de marketing cultural. Satanás efetiva suas propagandas para tornar doces seus amargos e destrutivos produtos através da concupiscência. Ninguém atrai ninguém com algo obsoleto e espalhafatoso, visando a aquiescência do que está sendo apresentado. E para tornar doce o que é amargo precisa ter uma pitada de engano, de fascínio. O desejo que a vil concupiscência provoca nos seres humanos, os entorpece, e conseguintemente, os incapacita a ver a realidade, a discernir entre a verdade e o erro, apresentando-lhes um horizonte perfulgente, mas onde só há trevas e decadência moral. Foge-lhes a razão, e envenenados pelas gotas do mórbido desejo, tornam-se mais e mais escravos do cruel inimigo das almas. Eles são corrompidos gradativamente. Como diz Paulo, eles se corrompem “pelas concupiscências do engano.” Efésios 4:22.
Agora nós já sabemos qual o papel que a concupiscência mundana desempenha nessa guerra cósmica. Resta-nos saber, então, em que ela se materializa. E essa é a parte do estudo que eu considero mais difícil para nós. O aspecto abstrato de um assunto não mexe tanto conosco, todavia quando nos deparamos com o seu aspecto concreto, percebemos que estamos diante de um desafio não muito simples. Sem delongas, vamos identificar algumas das concupiscências mundanas, postas às nossas vistas pelo inimigo, com invólucros que lhe dão caráter inocente. Comecemos pelos filmes e novelas, sejam em vídeo ou em material escrito. Deveríamos perguntar: Qual a sua origem? Seu produtor, os atores e atrizes, são adoradores do Deus vivo? O que nos é ensinado em suas apresentações? Alguém poderá dizer: “Tudo bem, irmão Edson, mas a Bíblia ensina que devemos julgar todas as coisas e reter o que é bom. Então, eu assisto a um filme ou a uma novela e aquilo que não for bom, desprezo.” Se fosse tão simples assim, bom seria, eu diria.
Excetuando-se os filmes educativos, dentre os quais cito alguns, não todos, filmes que nos contam a história de homens de fé, como John Huss, Charles Spurgeon, George Müller, etc; alguns programas voltados para a arqueologia bíblica, etc., os demais merecem nossa vigilância e escrutínio. Não nos será difícil perceber que os trabalhos cinematográficos acima aludidos se comprometem em focar a Deus como tema principal. Não corremos o risco de perder a fragrância da atmosfera celeste ao assisti-los. Filmes tidos como religiosos, sobretudo o mundialmente conhecido como Paixão de Cristo, não tem cunho divino. Não são menos perigosos do que outros cuja estampa já lhes identifica a fonte.
As novelas e os filmes tradicionais (tela quente, supercine, etc.), que vemos em nossa tv, não oferecem nada que possamos aproveitar. Ainda que haja aparência inofensiva em algumas de suas partes, o objetivo é a perversão do caráter. Elas amortecem o desejo de buscar a Deus. Se observarmos, descobriremos sem esforço que todos os princípios contidos no Santo Decálogo são vilipendiados e tratados como sendo refugo em suas edições. O que vemos são profissionais do disfarce, pois que incorporam o que não são, a fim de ensinar aos telespectadores como obter vantagem sobre outrem, como burlar o direito, como desrespeitar regras áureas, e quando surge aquele que tem a conotação de justiceiro, este não emprega a arma do amor, mas da violência, da vingança, do ódio. Em suma, nada que ali é apresentado edifica a alma, deixando-a totalmente enferma espiritualmente, inabilitada para ocupar uma das moradas no céu. É doloroso para Deus ver tantos que degustam os pratos de luxúria e ilusão oferecidos por Satanás, sem darem conta do alto preço que lhes será cobrado mais cedo ou mais tarde. E quando alertados, ignoram como se estivessem livres e satisfeitos com os seus destinos.
Além dos relatados até agora, uma das concupiscências mundanas que mais envenenam as multidões, inclusive professos cristãos, constitui uma das armas mais poderosas e eficazes utilizadas por Satanás, nestes últimos dias. Para introduzirmos tal ardil ao cenário do nosso estudo, necessitamos voltar ao tempo em que Lúcifer procurava engodar os demais anjos celestiais para se aliarem a ele em sua perfídia contra o seu Criador. Três elementos tiveram proeminência no astuto plano desse fracassado anjo: 1. Exaltação própria. A Bíblia nos ensina que Lúcifer se deixou envaidecer por sua formosura e por sua inteligência, sendo isso causa do seu tropeço. Passou, então, a exaltar a criatura ao invés do Criador do Universo, e seu principalmente; 2. Engano. Para lograr êxito em seu funesto plano, Lúcifer teria que usar a farsa, o disfarce, o engano. De outro modo, seu caráter corrompido seria revelado. Assim, lá como aqui, ele se escondeu e se esconde por trás da invisibilidade, levando muitos a crerem que determinados fenômenos que ocorrem, vem da parte de Deus, e não dele, manchando assim a imagem do Deus infinito; 3. Emulação. Algumas versões da Santa Palavra trazem na passagem de Gálatas 5:20, o vocábulo EMULAÇÃO. Na versão Revista e Atualizada, de João Ferreira de Almeida, não o encontramos. Existindo ou não, isso não descartaria a presença desse elemento tão nocivo, despertado pelo inimigo das almas. Emulação, caro amigo, significa, num vasto rol de significados, COMPETIÇÃO. Lúcifer decidiu competir com nosso Pai celestial. Essa cobiça se vê nas palavras por ele proferidas: “Serei semelhante ao Altíssimo.” Isaías 14:14. Ser semelhante a Deus, não era, deveras, seu propósito, pois se assim o fosse ele seria humilde e teria permanecido humilde, uma vez que a humildade faz parte do caráter divino. Cristo disse: “Aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração.” Mateus 11:29.
Como sabemos, o céu é o lar em que os salvos habitarão durante os mil anos, antes que o juízo executivo de Deus seja efetuado. Conceberíamos a ideia de que alguém poderá entrar lá, tendo um único traço, por pequeno que seja, o qual faça lembrar aquele que de lá fora expulso e destruído? É evidente que não. Com sutileza abismal Satanás tem embalado muitas das coisas que praticamos hoje, e, por essa razão, não as discernimos. Convivemos com elas pacificamente, e não percebemos que são elas as responsáveis por nossa enfraquecida experiência cristã. Na verdade, elas nos impedem de receber a maravilhosa dádiva do Senhor – o novo nascimento. São como cordas que prendem os nossos pés, a fim de que não avancemos. Vemos o prêmio de longe, porém sem a fé que nos possibilita alcançá-lo.
Creio que ficou patente a seriedade que é o céu, e o quão radical é o Senhor dos Exércitos, para não permitir que nunca mais o mal se levante para perverter segunda vez a harmonia celestial. Assim, apresento-vos a concupiscência que está numa escalada tremenda de aceitação, amigo, em todas as camadas da sociedade, máxime na que pertencemos, a saber, a comunidade cristã em geral. E a que concupiscência mundana me reporto? O FUTEBOL. Não te assustes, amigo, nem refutes, porém pensa na tua salvação. Vê que nele, como em todas as demais modalidades competitivas, há digitais do anjo caído – EXALTAÇÃO PRÓPRIA, ENGANO e COMPETIÇÃO. Numa partida de futebol, não vislumbramos um só momento de reconhecimento de quem é Deus, com a sua devida adoração. Se houver um lance em que o atacante invadir a área do time adversário, estando em sua frente apenas o zagueiro e o goleiro, toda a torcida se levanta. Quem dos participantes, nesse instante, estaria disposto a parar o jogo para um momento de reflexão com Deus, a pedido do Espírito Santo? Certamente a tua resposta corresponde a minha – NINGUÉM.
E agora, da situação hipotética criada, temos três desfechos possíveis: 1. O atacante consegue passar pelo zagueiro e chuta uma bola indefensável, abrindo o marcador. E nessa situação a partida termina. 2. O atacante consegue passar pelo zagueiro, e passando também pelo goleiro, ele chuta a bola em direção ao gol, mas não percebeu que aquele zagueiro havia se reabilitado a defender sua equipe, e num “carrinho” evita o gol, lançando a bola para o escanteio. Fim da partida. 3. O atacante logrou êxito em passar pelo zagueiro e chuta a bola de modo que todos creem ser indefensável, nem mesmo o goleiro acredita que possa fazer alguma coisa para salvar sua equipe, todavia acontece o inesperado: o goleiro consegue tocar levemente a bola com a ponta dos seus dedos, desviando-a para o escanteio. Fim do jogo. Aí eu indago: considerando as três situações acima, quem será EXALTADO na manchete dos jornais? A resposta é: a criatura, não o Criador. O próprio indivíduo acatará isso, e sabemos que é assim. Ele participa da aclamação de sua torcida. Ele não fica apático ao clima. Outra pergunta emerge: como o atacante obterá vantagem em face do seu adversário que procura lhe obstruir a passagem? A resposta é: fazendo uso do DRIBLE. Percebes a dimensão e o foco dessa palavra? Sim, tu dirás. O atacante precisa convencer o zagueiro quanto à direção que pretende NÃO SEGUIR, ENGANANDO-O, com um gesto do seu corpo. Em toda a extensão do retângulo, nós vemos isso imperar, e não pode ser diferente. Não haveria êxito na partida. E, então, surge a principal pergunta: o que ocorreria com uma partida de futebol se todos decidissem aplicar o princípio que jaz em Marcos 9:35? Que cena, não? Onde se encontraria a superação? Enxergas, amigo, que o futebol fere de morte o princípio do céu, o princípio do cristianismo? A competição leva o homem a superar o seu próximo, a qualquer custo se necessário for. O espírito nela reinante não é o de Cristo, mas do diabo. E isso envolve toda atividade que é movida pelo espírito competitivo.
Eu costumo pensar assim: o que estamos a fazer aqui, seria permitido fazermos lá no céu? Se fôssemos transladados para o céu, juntamente com tudo ao nosso redor, ou seja, se todo o evento em que estamos participando fosse transferido da terra para o céu, como por exemplo: o filme que assistimos, a novela que está diante dos nossos olhos, a música que sai dos nossos lábios, a partida de futebol, estando nós no estádio ou em frente da tv, haveria permissão do Todo-Poderoso? A resposta é desenganadamente NÃO. E a tua, caro amigo? Contemplas a possibilidade de Deus aceitar que isso ocorra em Sua presença e na de Seus anjos, lá no céu?
Existem outros tipos de concupiscências mundanas, com a mesma índole, mas suas citações aqui demandariam bastante tempo para esmiuçar sua verdadeira face. Numa próxima ocasião, falaremos sobre elas.
Caro amigo, não só temos que nos abstermos do pecado, mas também de suas cordas, do seu doce veneno. E se tens a tua salvação tão cara quanto foi o sangue de Cristo, derramado na cruz do Calvário, desde agora não mais terás disposição de aceitar aquilo que indubitavelmente representa o balsão do arqui-inimigo. Estamos cientes, neste comenos, da séria decisão que precisamos tomar, respeitante a tudo que aqui foi explicitado. Não abrandemos a nossa consciência, contudo a purifiquemos, dando ouvidos à voz do Espírito Santo, que hoje nos fala ao coração de maneira suave, porém profunda. Se somos peregrinos e forasteiros, como diz o apóstolo Pedro, é porque não pertencemos a este mundo, e, se assim for, não podemos desfrutar daquilo que nele tem raiz, e que combatem contra a nossa salvação, pois “o mundo inteiro jaz no maligno”, e sabemos que “o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus, permanece para sempre.I João 5:19; 2:17.
Que Deus nos abençoe com Sua eterna graça!

Edson Gonçalves da Silva
IASD Central de Maceió-AL

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