terça-feira, 19 de junho de 2012

Sou Eu Uma Pessoa Livre?

 

E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. João 8:32.

 

Como posso estar certo de que sou uma pessoa livre? O que é liberdade? Inspirados por ela o mundo foi espetáculo de muitas guerras e revoluções, sangrentas em sua maioria. Podemos defini-la de diversas maneiras, todavia de uma coisa estamos certos: ela custa um preço altíssimo.

Por incrível que pareça identificamos a liberdade, em todos os sentidos, quando o SIM não nos é proibido, ou quando o NÃO não nos é imposto. E guiados por esse pensamento diversas pessoas seguem a vida, mantidas numa masmorra sem dar conta de que são vítimas de um seqüestro.

Eis o casal, Adão e Eva, no paraíso. Empós sua criação, Deus mantém um importante diálogo com eles, e embora não contenham detalhes na narrativa bíblica, podemos crer que o Pai celestial preparou o casal para um possível confronto com o anjo caído. Era necessário que eles fossem provados, pois deveriam decidir a quem servir, uma vez que uma guerra de natureza espiritual estava sendo travada entre o bem e o mal numa plataforma cósmica, onde o alvo eram e ainda são os seres criados. A ordem divina foi bem clara e sem complicações: “De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dessa não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás.” Gênesis 2:16 e 17. Não havia mal algum naquela árvore, mas ela era um símbolo; ela fora criada para representar a vontade do casal. Não era uma proibição inconexa, sem fundamento, era uma prova de que Deus os havia criado livres para decidirem sobre o seu futuro. Havia amor nisso tudo. Deus fez o casal com poder de escolha e os orientou sobre um possível ataque do inimigo das almas, mas o Seu amor os fez perfeitos e plenamente livres. O trágico fim já conhecemos.

Quantos de nós não agimos como Eva, achando que um NÃO proferido pelo Criador é uma mera proibição, sem sentido e que nos priva de alcançarmos um patamar superior com o cheiro da liberdade? Não conseguem enxergar que aquela proibição na verdade é um muro de proteção contra as ciladas do diabo. Quantas vezes não alertamos as criancinhas a não colocarem o seu dedinho na tomada? E essa experiência aparenta não nos ajudar a compreender que a atitude de nosso Pai celestial tem o mesmo princípio!

Como sei se estou livre ou prisioneiro? São Paulo, no capítulo 7 de Romanos, entre os versículos 14 e 24, narra a sua experiência religiosa antes de sua conversão. E por que azo o Espírito Santo o fez descrever a sua experiência pessoal e particular? A razão é simples: tal passagem bíblica constitui o termômetro de nosso estado espiritual. Alguns crêem que Paulo fala da dupla natureza do homem, tese facilmente refutável se compararmos o capítulo 7 com o 6 e o 8 do mesmo livro. A luta que vemos ser travada no íntimo de Saulo de Tarso, ali graficamente exposta, é a mesmíssima que trava o homem que ainda não provou do novo nascimento. Aqueles textos representam a sufocante vida dos que são prisioneiros do pecado, e por extensão, do próprio Satanás. Não estaríamos exagerando se disséssemos que todo homem, genericamente falando, que ainda não decidiu viver sob a guia do Espírito Santo, e assim ser por Ele regenerado, está sob posse demoníaca, numa escala inferior a dos gadarenos. É uma realidade difícil demais para encarar, mas é preciso. O desejo pela cura nasce da convicção de que estamos numa situação afetadamente crítica e grave. Quando nos dermos conta de que estamos vivendo a satisfazer os caprichos daquele que usou a humanidade para assassinar Cristo, decidiremos, se não for tarde demais, em buscar a Deus a fim de sermos lavados no sangue do Cordeiro.

Podemos fazer um teste básico para sabermos se somos livres, como asseveramos ser, ou prisioneiros, como as Escrituras nos informam. 1. O que assistimos na televisão a sós, com ou sem a conexão de algum outro eletrônico, poderíamos assistir no seio da igreja ou diante de crianças? 2. Nossos pensamentos são puros a ponto de podermos revelá-los num telão de uma praça pública, máxime na presença dos nossos entes queridos? 3. Quem está em primeiro lugar, quando tudo está dando errado, eu ou o meu próximo que necessita de mim? 4. Podemos afirmar que o nosso viver é tal qual o de Cristo? Se as respostas forem negativas, temos a prova de que não somos livres. Alguém alçará a voz e dirá: “Estou fazendo o que gosto de fazer!” Até que ponto? Será que gosta mesmo ou percebe que não era bem isso que anelava fazer e descobre que não consegue sair dessa condição? Escondendo-se uma vez ou outra por trás do anonimato ou de uma máscara, aqueles que vivenciam tais experiências, calam a voz da consciência, e se não forem descobertos ou desmascarados, chegam ao ponto de cauterizá-la, tornando-se insensível a qualquer apelo do Espírito Santo, e a estes não restam senão o aguardar o juízo de Deus.

Quando a noite da reflexão nos apanha, compreendemos tudo que fizemos durante o dia, e nos lamentamos por um momento pelos desmandos cometidos. Concluímos que sufocando torna-se mais fácil viver, até que estamos num mar de tristezas e de graves problemas depressivos. Descobrimos que fomos enganados o tempo todo sobre uma falsa liberdade que não permitia ao menos levantar a voz para pedir ajuda Àquele que a todo tempo esteve do nosso lado, instando conosco para que parássemos por um breve instante para ouvir a Sua voz, e como os discípulos na estrada de Emaús, dizemos: “Porventura não se nos abrasava o coração, quando pelo caminho nos falava, e quando nos abria as Escrituras?Lucas 24:32.

Muitos, decepcionados consigo mesmos, têm tomado a decisão de ceifarem suas próprias vidas, crendo ser o melhor remédio, por não verem outra saída. Descobriram tardiamente que nunca foram livres.

Há ainda outro método, infalível por sua vez, que nos evidencia se, mesmo que batizados e com larga experiência religiosa, somos livres ou não. Em Hebreus 12:1, São Paulo nos admoesta a deixarmos todo embaraço e o pecado que tão de perto nos rodeia. Tendo cada ser humano sua particularidade, o embaraço e o pecado que tenazmente assedia diferem de uma classe de pessoas para outra. Essa mesma mensagem o apóstolo menciona no livro de Tito, como vemos abaixo.

Porque a graça de Deus se manifestou, trazendo salvação a todos os homens, ensinando-nos, para que, RENUNCIANDO À IMPIEDADE E ÀS PAIXÕES MUNDANAS, vivamos no presente mundo sóbria, e justa, e piamente.” Tito 2:11 e 12.

 

Tito 2:11 e 12 e Hebreus 12:1 são o mesmo alvitre. Impiedade significa pecado e as paixões mundanas são embaraços para aqueles que pretendem habitar as mansões celestiais. As paixões mundanas têm a função de anuviar a mente, tornando-a incapaz de enxergar as preciosas pérolas da Palavra de Deus. Pelo esforço humano, pela determinação é possível abandoná-las, contudo não se obtém o mesmo sucesso em relação à impiedade ou ao pecado. Estes são de ordem espiritual. Nenhum esforço humano, nenhuma determinação fundada na perspectiva natural nos tornará vencedores. Feito uma erva daninha, conseguiremos não muito mais que podá-la, e por um período curto já a vemos florescer novamente. Esta é a prova infalível de que não somos livres para fazermos o que quisermos, mas numa determinada área de nossa vida, fazemos o que não queremos, o que não aprovamos, e ficamos desalentados, e aí perguntamos incontáveis vezes em nosso íntimo: “POR QUÊ?” E numa tentativa a mais, pedimos perdão a Deus e nos dispomos a não mais repetir o mal feito, mas por pouco tempo. Qual erva daninha, os atos afloram outra vez, esmagando-nos por dentro.

Consolamo-nos quando ouvimos que esta é a luta do cristão, pois São Paulo passou por isso, afirmam alguns. Então são citadas as passagens retro comentadas de Romanos 7:14-24, e, assim nos recomendam lutar mais, orar mais, jejuar, intensificar nossa experiência com Cristo. O nosso Salvador vivia nesta luta de levantar hoje e cair amanhã, quase que constante? Se a resposta for não, pois só existe essa, alguma coisa está errada conosco, pois “aquele que diz que permanece nEle, esse DEVE andar ASSIM COMO Ele andou.” I São João 2:6. As palavras grifadas em vermelho merecem nossas considerações. Primeiro: o verbo utilizado é dever e não poder. O verbo poder deixa subtendido a faculdade da escolha, enquanto que o verbo dever, obrigação. É exigido por Deus que aquele QUE DIZ que nasceu de novo, ande como Cristo andou. Temos que assumir o que professamos. Se nascemos de novo, a vida de Cristo tem de ser reproduzida em nós, por uma razão bem simples: se Sua vida aqui na Terra foi aceita por Deus como sacrifício, implica dizer que não menos do que o padrão estabelecido por Ele, Deus aceitará dos que pretendem habitar em Sua presença. A vida de Cristo é o modelo do Céu. Segundo: a expressão assim como tem o mesmo valor de igual. Andar assim como significa do mesmo jeito, da mesma forma. Por este motivo, São Paulo afirmou: “E vivo, não mais eu, mas CRISTO VIVE em Mim.”

Conhecereis a verdade, e a verdade VOS LIBERTARÁ.” João 8:32. A verdade é o Livro Sagrado, e o Livro Sagrado é a própria expressão de Cristo. Ele disse de si mesmo: “Eu Sou... A VERDADE...” João 14:6. Mas que verdade em específico promoverá a minha liberdade? Em primeiro lugar, precisamos entender o que o profeta intentou dizer nas seguintes palavras: “Pode o etíope mudar a cor de sua pele, ou o leopardo as suas listras? DE IGUAL MODO podereis fazer o bem, sendo ensinados a fazer o mal.” Jeremias 13:23. Essa é a primeira verdade que precisamos conhecer – NOSSA IMPOSSIBILIDADE EM SERMOS JUSTOS (transformados) POR NÓS MESMOS.  A segunda verdade é decorrente da primeira. Se nos foi revelada a nossa impossibilidade em sermos justos, necessitamos conhecer uma outra verdade – a que família eu pertenço – a carnal ou a espiritual? A minha impossibilidade é a prova de que ainda sou carnal, descendente do primeiro Adão. E toda essa família será destruída por Deus no juízo final. A terceira verdade segue-se à segunda por conexão – É URGENTEMENTE NECESSÁRIO NASCER DE CIMA, na família espiritual. Nascer de cima é o equivalente à obra de recriação. Fomos criados, mas precisamos ser novamente criados por Deus. E isso é possível? É real? Plenamente. Deus não lida com faz de conta. São Pedro nos mostra que esse é o propósito divino para todos os homens. ”Sendo DE NOVO GERADOS, não de semente corruptível, mas da incorruptível, PELA PALAVRA DE DEUS, viva, e que permanece para sempre.” São Pedro 1:23. E Quem realiza essa obra miraculosa em nós e por nós? As Escrituras respondem. “Não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, Ele NOS SALVOU mediante o lavar REGENERADOR e RENOVADOR do ESPÍRITO SANTO.” Tito 3:5.

A salvação, portanto, atua sob três aspectos: 1. Absolve-nos da condenação do pecado – JUSTIFICAÇÃO; 2. Liberta-nos do domínio do pecado – SANTIFICAÇÃO; 3. Liberta-nos da maldição do pecado – GLORIFICAÇÃO. Tal ordem não pode ser alterada. Não pode haver santificação sem antes ter ocorrido a justificação. E só há glorificação se tiver ocorrido a santificação. Os nossos esforços só são válidos a partir da santificação, pois a partir de então é exigida a cooperação do humano com o divino.

Se buscamos o perdão de Deus, e não cremos que fomos, de fato, perdoados e recriados, voltaremos vazios como fomos. Não há perdão sem mudança de caráter. Se os nossos atos continuarem sendo os mesmos, se os pensamentos não foram purificados, é um sinal de que ainda não alcançamos a maior de todas as dádivas – A LIBERDADE. Devemos ir a Deus determinados a abrir mão de nossa vida, e pedir-Lhe que nos gere de novo, sem a mínima dúvida no coração de que Ele o fará, pois, de outra sorte, não seremos atendidos. Entretanto, se crermos que Ele nos dará o que Lhe pedimos, e esse é o Seu propósito, Ele então nos perdoará e nos fará andar consoante Seu Filho, através do Espírito Santo, que Ele nos concede por termos crido em Sua palavra, em Sua promessa. Uma nova vida de vitória depende tão somente de uma fé simples, qual âncora bem fincada. Por isso o Salvador nos diz: “Crê somente.” Marcos 5:36.

Aquilo que buscamos toda nossa vida por nossos esforços, Deus quer nos presentear mediante um simples ato de fé. Agora, nascidos de novo, o Espírito Santo e nós, participamos da santificação, por intermédio do estudo diário da Palavra de Deus, da oração, do jejum, dos louvores, etc.. Nasce o enorme desejo de anunciar nossa experiência a outros, sentimos uma fome imensa de estudar as Escrituras, pois nossa inclinação já não é mais para as coisas da carne, uma vez que nosso coração é outro, nossa mente é outra. Como tão naturalmente nos inclinávamos para um lado, agora regenerados, naturalmente nos inclinamos para o outro.

Caro leitor, descobrir que é um escravo do pecado, e consequentemente de Satanás, pode aparentar ser uma notícia desagradável e desesperadora, mas não é. A gravidade reside na contumácia em resistir aos apelos do Espírito Santo, quanto à necessidade de nos colocarmos na maca a fim de sofrermos a operação miraculosa que só Ele pode operar. Não temos que lutar antes do VINDE, a luta começa depois dele. Muitos se perderão, lutando e lutando por dar ouvidos ao anjo caído transfigurado em anjo de luz, o qual fala com voz mansa como se fosse o Espírito Santo, dizendo-nos que se melhorarmos nossa comunhão, se jejuarmos mais, se nos determinarmos mais, etc. etc., venceremos, pois ele, Satanás, sabe que se não tivermos sido transformados, regerados pelo Espírito Santo, jamais seremos livres, continuaremos seus escravos, impossibilitados de reproduzir o caráter de Cristo em nós, e nos perderemos por que não fomos submetidos ao processo da santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor.

Que o Todo-Poderoso possa te atrair para essa maravilhosa obra que está a tua espera. Que Ele te conceda a mesma persistência e determinação em alcançar esse tesouro, essa ímpar e maravilhosa dádiva, como teve Jacó que lutou com o anjo até o alvorecer, só o largando empós receber o que o seu coração precisava – o perdão e a conseqüente paz de espírito.

Sorria por que o Pai, como o da parábola, te aguarda avidamente para te abraçar e trocar as tuas vestes sujas pelas vestes do Seu Filho. E por onde andastes e como andastes, e por quanto tempo tens estado distante, não importa para Ele. Ele não está interessado nisso. Ele só observa para ver se atenderás aos Seus incansáveis rogos, pedindo-te para voltar ao Seu convívio. Volta! Não há razão pra estarmos distantes de Quem tudo fez e continuará fazendo para nos libertar verdadeiramente do domínio do pecado, que nos destrói passo a passo, cuja consequência é a morte. Está escrito: “Todo o que o Pai me dá, virá a Mim, e o que vem a Mim, de maneira nenhuma o lançarei fora.” São João 6:37. E mais: “Que diremos, pois, à vista destas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que não poupou a Seu próprio Filho, antes por todos nós O entregou, PORVENTURA NÃO NOS DARÁ GRACIOSAMENTE COM ELE TODAS AS COISAS?” Romanos 8:31 e 32. Depois de tão grandíssimas e preciosas promessas e garantias, o que te impede de atender ao Seu chamado? Este é o melhor momento.

Que Deus nos abençoe!

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