quinta-feira, 22 de março de 2012

Justificação Pela Fé

20Mar2012


Este é um assunto que deveria ser o objeto da elucubração de todos aqueles que anelam o céu. Embora sua dicção não desperte nenhum interesse nem mesmo tenha nenhuma aparente conotação de algo precioso, este tema representa a nossa vida, o nosso futuro. Por que carecemos saber o que, de fato, quer dizer justificação pela fé? O que realmente significa isso?
Bem, para que no fim destas considerações não só possamos compreender, mas também usufruir da maravilhosa mensagem que está entesourada nesse tema, devemos estudá-la paulatina e percucientemente. Descobriremos que, se a entendermos cabalmente, o diabo não terá mais domínio sobre nós, se esta for a nossa decisão. Avancemos, portanto.
O que quer dizer JUSTIFICAÇÃO? O Dicionário Eletrônico Houaiss, no item 1 diz que justificação é o ato ou efeito de justificar(-se), e no item 6, ação ou efeito DA GRAÇA DIVINA, que torna os homens JUSTOS; restituição à inocência original. E foi nessa linha de raciocínio que Paulo escreveu Romanos 5:1. Ele diz: “JUSTIFICADOS, pois, mediante a fé, TEMOS PAZ com Deus.” O autor sagrado está afirmando que o resultado da ação justificante de Deus é a paz interior, “que excede todo entendimento”. Filipenses 4:7. Esse versículo nos reporta a Isaías 59:2, onde vemos a insatisfação divina quanto à condição espiritual do homem e as conseqüências dessa miserável condição. E o Senhor é taxativo e incisivo. Não há rodeios em Suas palavras. Assim, como podemos vislumbrar, não há paz no coração do homem que está desligado de Deus, daquele que não Lhe obedece. “Mas os ímpios, não têm paz, diz o Senhor.” Isaías 48:22. Paz, portanto, é a dádiva do Senhor ao que a Ele se entrega, é o resultado da justificação. “Quem crê no Filho”, disse Cristo, “tem a vida eterna; o que, porém, DESOBEDECE ao Filho não verá a vida, mas sobre ele PERMANECE A IRA DE DEUS.” São João 3:36.
Assim, o pecador que deseja paz de espírito necessita estar disposto a arrepender-se e a deixar a sua vida de pecado, sua rebelião contra Deus. Isaías 59:2 é uma passagem bíblica muito conhecida no mundo cristão. Amiúde ela tem sido a âncora de não poucos sermões, haja vista tratar-se de um texto que consiste na aclamação da necessidade urgente do homem reconciliar-se com Deus, objeto principal do evangelho. E essa aclamação não é feita por um estudante de teologia ou por alguém que já concluiu com êxito o seu mestrado. Ela provém do próprio Jeová: “Mas os vossos pecados FAZEM SEPARAÇÃO entre vós e o vosso Deus, para que VOS NÃO OUÇA.” A mensagem é bastante forte, meu amigo: Deus não escuta a voz de quem transgride a Sua lei, a menos que essa voz esteja a suplicar por Seu perdão. E todos nós sabemos disso, pois não há novidade aqui. Mas eu pergunto: o que significa o perdão de Deus para o pecador que a Ele postula? Seria uma mera ação divina de apagar os registros de pecados do arrependido? Se fosse apenas isso, o caráter do nosso Criador não se coadunaria com o que é revelado em Sua Santa Palavra. Deus não suporta o pecado, e Ele não aceita que o Seu povo tenha qualquer afeição ou ligação com qualquer traço de caráter daquele que pôs o Seu governo em insegurança perante Suas criaturas. “APARTAI-VOS de Mim, vós que praticais a iniquidade, Cristo disse. Mateus 7:23. Isso será pronunciado para aqueles que insistiram em viver uma vida de pecado, crendo na configuração errônea da misericórdia de Deus, apresentada pelo enganador, de que Ele é longânime e entende que somos fracos e que, portanto, aceitará nosso cai-levanta até a Sua vinda. Como podemos ser engodados a ponto de crer que Cristo virá buscar aqueles que pisam a Sua lei, que negam o poder que advém do Seu sangue? Isso é um sofisma do diabo, e que a igreja tem abraçado e convivido durante séculos, senão mais. O trato de Cristo com o pecador não mudou, e dois episódios se destacam como prova inconteste disso. Temos o caso da mulher samaritana e do homem paralítico do tanque de Betesda. Para a mulher, a ordem do Salvador foi: “Vai, e não peques mais”, e para o paralítico foi ainda mais severa: “Para que não te suceda coisa pior.” Se não fosse possível àquele homem parar de pecar, por que Cristo estaria dando uma ordem impossível de cumprir? Por que o paralítico não se desculpou e lhe disse: “Mestre, como vou parar de pecar? Eu sou um pecador, não sou como Tu. Já tentei diversas vezes, embalde, pois eu tenho uma natureza pecaminosa.” Seria mais moderna essa resposta, não? E Paulo concorda com o Salvador, demonstrando, inclusive, que no ápice dos nossos sentimentos, o ódio, nós podemos viver sem pecado. São suas palavras: “Irai-vos, e NÃO PEQUEIS.” Efésios 4:26. Seria mais fácil não pecar para o paralítico do que para aquele que estivesse irado. Com certeza. Este último se estivesse contaminado com a doutrina que campeia o mundo cristão, certamente diria: “Foi um momento de fraqueza. É QUE EU ESTAVA NA CARNE.” De fato, só quem vive na prática do pecado são os filhos de Adão, pois não provaram do milagre da regeneração efetuada pelo Espírito Santo. Eles ainda são naturais ou carnais, vendidos sob o pecado (Romanos 7:14).
O perdão de Deus é concedido no intuito de apagar os pecados registrados lá no Céu, todavia a maior dádiva não é esta. Ele assim o faz para que, apagados os pecados, Ele possa conceder a maior de todas as bênçãos: a implantação do Seu caráter no homem que agora foi gerado pelo Seu Espírito. Vê? Há, na verdade, uma nova criação do Todo-Poderoso. E este novo homem recebe uma nova natureza, não pecaminosa, mas que se compraz em viver segundo a vontade de Deus. É digno de nota afirmarmos que há uma substituição e não junção de naturezas.
É perceptível que PERDÃO e JUSTIFICAÇÃO se fundem no mesmo ato divino. Concomitantemente Deus perdoa e justifica o pecador arrependido. Vale dizer, portanto, que perdão e justificação são a mesma coisa, ainda que sequenciais. No âmbito divino não há espaço entre uma operação e outra. Deus perdoa e necessariamente justifica. Ele não poderia perdoar somente, porém prover para o homem que se reconciliou com Ele, o poder para viver a vida de Seu Filho. E esse poder é concedido com a unção do Espírito Santo, que passa a habitar no seu coração, onde antes habitava o pecado. “E, se o Espírito dAquele que dos mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, Aquele que dos mortos ressuscitou a Cristo Jesus há de vivificar também os vossos corpos mortais, PELO SEU ESPÍRITO QUE EM VÓS HABITA.” Romanos 8:11. E quando recebemos o Espírito Santo? Exatamente no ato de crer em Deus quando pedimos o Seu perdão e cremos que Ele nos REFEZ, consoante Sua promessa. O verbo refazer está adrede no pretérito. “No qual também vós, TENDO OUVIDO a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, e TENDO NELE TAMBÉM CRIDO, FOSTES SELADOS COM O ESPÍRITO SANTO DA PROMESSA”. Efésios 1:13. Ouvir e crer. Ouvindo e crendo, foi o que fizeram todos os que receberam alguma virtude de Cristo. Só ouvindo e crendo que o povo no deserto se salvaria das picadas mortais das serpentes. Eles teriam que olhar, todavia ouviram primeiro a salvação pronunciada por Moisés.
Sempre dizemos que falamos para Deus através das orações e O ouvimos quando estudamos a Sua palavra. Sendo assim, Ele nos diz: “Se confessarmos (à luz de Provérbios 28:13) os nossos pecados, Ele é fiel e justo, para NOS PERDOAR os pecados e NOS PURIFICAR de toda a injustiça.” I João 1:9. Se não duvidarmos de Sua “audível” promessa, se crermos em nosso coração que sairemos de Sua presença curados, transformados, COM UMA NOVA NATUREZA, Ele realiza o transplante divino e nos dá um novo coração, onde está impressa a Sua lei, e passaremos da condição de carnais para celestiais (ou espirituais); deixaremos de ser pecadores para sermos justos, “assim como Cristo é justo”. I João 3:7. Isso é JUSTIFICAÇÃO. E Ezequiel nos mostra como Deus realiza tal operação: “Também vos darei UM CORAÇÃO NOVO, e porei dentro de vós UM ESPÍRITO NOVO; e TIRAREI da vossa carne o coração de pedra, e VOS DAREI um coração de carne. AINDA POREI DENTRO DE VÓS O MEU ESPÍRITO, E FAREI (efeito) que andeis nos meus estatutos, e guardeis as minhas ordenanças, e as observeis.” Ezequiel 36:26 e 27. Ezequiel e Paulo (Efésios 1:13) se combinam, não é verdade?
Vamos à vida prática para que isso se torne mais claro. O paralítico de Cafarnaum, empós ter sido posto diante do Salvador, ouviu dos Seus lábios tudo aquilo que ele queria e precisava ouvir. Se dali fosse despedido sem a cura física, sentir-se-ia satisfeito assim mesmo. As palavras de Cristo “tem bom ânimo, filho” não foram pronunciadas em razão da paralisia, mas à angústia que aquele homem sentia, por estar afastado do Pai celestial. O peso dos pecados atormentava a sua alma. Ele desejava sentir paz, a paz da reconciliação com Deus. Então o Salvador complementa: “perdoados são os teus pecados.” Ouviu Jesus os murmúrios dos incrédulos fariseus que ali estavam a espiá-lo, questionando como Ele podia avocar o poder de perdoar, se tal ato só pertencia à Divindade. Referindo-se a eles, não ao paralítico, Cristo disse: “para que saibais que o Filho do homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados (disse ao paralítico): levanta-te, toma a tua cama e vai para tua casa!” Mateus 9:2 a 6. O fato de o paralítico ter saltado de sua cama era a prova do que lhe ocorrera no coração – ele fora perdoado, justificado. Não há perdão sem justificação. E o pecador que é justificado, que é tornado em justo, tem toda a trajetória de sua vida mudada, há mudança de caráter. Paulo diz: “E, assim como trouxemos a imagem do terreno (natureza decaída de Adão), traremos também a imagem do celestial (natureza divina de Cristo).” I Coríntios 15:49. Se depois de pedirmos perdão dos nossos pecados continuamos numa vida de pecado, alguma coisa está errada. Mas não com Deus, pois Ele é fiel, cumpre o que promete. Neste caso, não houve salvação, porém a servidão ao pecado permanece. Não poderemos afirmar, dessarte, que somos filhos do Altíssimo, porém filhos da ira, filhos do diabo.
Como vemos, a justificação é um ato exclusivamente de Deus. O pecador nada pode fazer para ser transformado de sua condição, para justo. ISSO SÓ OCORRE POR UM MILAGRE, do mesmo modo como ocorria com todos os que foram curados por Cristo. E como o milagre só se evidencia em função da fé, a mudança de caráter só se efetua naquele que pedir por esse milagre e crer que Deus o fará, sem duvidar em seu coração. Qualquer dúvida impede a concessão divina. Lembremos do episódio no deserto, em que as pessoas foram mordidas por serpentes. Nada podiam fazer por si mesmas. E havia um desafio perante elas: crer ou morrer. Se não estivessem dispostas a crer nas boas novas ditas por Moisés, teriam que enfrentar a morte inevitável. E assim se dá hoje – se crermos na promessa proclamada em I João 1:9, se crermos que Deus nos dará um novo viver semelhante ao dEle próprio, nada impedirá de recebermos tal bênção. Seremos, então, gerados pelo Espírito Santo, O qual habitará no coração da nova criatura, nela efetivando Seus frutos relatados em Gálatas 5:22, reproduzindo a própria vida do Salvador. E aí poderemos dizer como Paulo: “já não sou quem vive, mas Cristo vive em Mim.” Gálatas 2:20.
A ação de Deus, de transformar pecadores em justos, não é paulatina, como muitos pensam, mas instantânea. Essa é a justificação imputada. Nossos esforços aqui são totalmente em vão. Nada poderemos fazer para nos livrar da doença espiritual que nos mantém reféns de Satanás, escravos seus. Esta bênção é concedida ao arrependido e crente, tão somente pela fé. São Paulo escreveu: “Porque, se pela ofensa de um só, a morte veio a reinar por esse, muito mais OS QUE RECEBEM A ABUNDÂNCIA da graça, e DO DOM DA JUSTIÇA, reinarão em vida por um só, Jesus Cristo.” Romanos 5:17. O pecador recebe do Pai celestial o título de cidadão do Reino – o dom da justiça. Ele agora é JUSTO, COMO CRISTO. É necessário, a partir daí, que ele cresça na graça, na qual penetrou quando creu no perdão divino. Nessa graça, o Espírito Santo o guia em toda a verdade, santificando-o, purificando-o, através da obediência. Nessa fase, o homem participa com o seu esforço, que agora é abençoado por Deus. Para todo esforço, que antes era em vão, de se assemelhar com o Pai é concedido o êxito. E, desse modo, passo a passo, o justo se torna mais e mais semelhante ao próprio Deus, torna-se participante de Sua natureza, reflete o caráter da Divindade, imita-O em seu viver, formando o seu caráter à semelhança do Seu Criador, como no princípio, antes da queda. A esse processo, chamado de santificação, operada conjuntamente pelo Espírito Santo e pelo novo homem, JUSTO, denomina-se de justificação comunicada, pois a nova criatura é transformada de “glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor.” II Coríntios 3:18.
A justificação comunicada não poderá ocorrer sem que haja a justificação imputada. Noutras palavras: o homem não poderá ser santificado antes de ser justificado, ou seja, sem antes provar do milagre do novo nascimento. E a nova vida em Cristo não poderá ser desfrutada, enquanto a velha natureza estiver viva. Como disse o Pastor Rabello: “NÃO PODEMOS VIVER A NOVA VIDA, ESTANDO EM NÓS A VELHA NATUREZA.” Só uma natureza ocupa o nosso ser, não duas, como é pretendido em quase toda a cristandade. Essa doutrina não é bíblica, portanto, vem carregada dos sofismas do diabo. Ele pretende incutir na mente dos professos cristãos que a experiência de um homem que é escravo dele, que obedece as suas ordens, é a vida de um servo de Deus, totalmente livre, transformado pelo Espírito Santo. Imputam a amarga vida de pecado e escravidão de Saulo de Tarso ao poderoso pregador do evangelho, a quem os demônios declinavam respeito, o apóstolo Paulo. Com isto está ele arrastando muitos para a perdição, crentes que estão indo para o céu. Consolam-se de seus insucessos espirituais, afirmando: “Paulo era assim. Veja o que ele diz em Romanos 7:14 a 23!” Nada poderia estar mais distante da verdade! Buscassem a orientação divina, para entender a real mensagem desses versículos, com sinceridade e contrição de espírito, e veriam que não se trata de Paulo, mas do fracassado Saulo de Tarso, o qual estava perdido, assim como todos os que se enquadram em suas aflitas palavras.
A justificação imputada é o início da salvação. Ela torna o escravo em livre, livre de pecar contra Seu Criador. Torna-o em verdadeiro filho de Deus. Ela propicia a entrada no Reino dos Céus, a entrada no descanso relatado no livro de Hebreus, a entrada na graça, o registro do nome do novo ser no Livro da Vida do Cordeiro. “Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus (o justo) NÃO PECA; mas o que de Deus é gerado conserva-se a si mesmo, E O MALIGNO NÃO LHE TOCA.” I João 5:18. Justificação pela fé apregoa a maravilhosa verdade de que é plenamente possível vivermos uma vida sem pecado, uma vez que esse é o anelo de Jeová. Mas como se trata de uma impossibilidade humana, só poderá ser realidade na vida de quem quer que se decida viver para Cristo, com a presença da fé, pois “sem fé é impossível agradar a Deus, porque É NECESSÁRIO que aquele que se aproxima dEle, creia que Ele existe E QUE SE TORNA GALARDOADOR DOS QUE O BUSCAM.” Hebreus 11:6. Não temos que lutar, mas apenas crer, meu irmão, para entrar no descanso de Deus.
A vida do cristão é uma viagem do perdão para a glória. Tal experiência te aguarda, não te demores. Deixa de lutar por aquilo que só pode ser conseguido pela fé. Faze como o leproso, vai ao Salvador e suplica-Lhe com fé simples: “Senhor, se Tu quiseres podes tornar-me limpo.” Certamente ouvirás: “Quero. Sê limpo!”
Que Deus nos abençoe!






Edson Gonçalves da Silva

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