quarta-feira, 29 de junho de 2011

Os Dois Processos Espirituais

E, assim como trouxemos a imagem do terreno, traremos também a imagem do celestial.
I Coríntios 15:49.

 
Hoje vamos nos debruçar num assunto muito conhecido, entranhável em nossas mentes, pelo valor que nos representa. Refiro-me à educação. Os países desenvolvidos têm se destacado dos demais pela importância que deferem a esse processo, nele investindo, focalizando máxime o desenvolvimento mental, cujo fim é o pleno progresso da nação. Quiçá pensemos que a educação começou com o homem, todavia se assim pensarmos estaremos totalmente enganados.
Os vocábulos educar, instruir e ensinar, já foram por alguém distinguidos quanto aos seus significados, porém se enfocarmos a finalidade de todos eles, notaremos que eles se fundem num só. Todos se encarregam de não só transmitir, como também mostrar como fazer aquilo que é transmitido. E é sob esse prisma que nortearemos o nosso estudo.
O versículo temático nos fala de algo em comum – IMAGEM. Como já há muito comentamos, imagem, nas Escrituras Sagradas, está relacionada com o caráter. Assim sendo, se torna fácil compreender o que Paulo afirma – o homem carnal, aquele que não nasceu de novo, traz o caráter do arquiinimigo, e aquele que foi recriado pelo Espírito Santo, o caráter do Criador. E como é implantada essa imagem, esse caráter? Qual instrumento é utilizado para que se leve isso a efeito? Seguindo a ordem apresentada pelo apóstolo Paulo no referido versículo, citaremos inicialmente Jeremias 13:23. Lemos: “Pode o etíope mudar a cor da sua pele ou o leopardo as suas manchas? Então podereis vós fazer o bem, sendo ensinados a fazer o mal.” Duas verdades estão estabelecidas aí: 1. O homem jamais poderá mudar o coração, mudar o seu caráter, sem o poder vindo de Deus; 2.  O homem natural é ensinado, educado a ser inimigo de Deus. A segunda citação reporta-se a Tito 2:11 e 12. Assim: “Porque a graça de Deus se há manifestado trazendo salvação a todos os homens, ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos neste presente século sóbria, justa e piamente.” Noutra versão está escrito assim: “Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens, educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente.” O sentido permanece o mesmo, a mensagem, porém, é enriquecida.
De acordo com as citações bíblicas acima declinadas, inferimos que o homem ou está sendo ensinado a fazer o mal ou o bem. Se o objeto dessa educação é o mal, o educador é Satanás; se o bem, o educador é Deus, o Espírito Santo. Temos aqui, como que duas escolas, cujos instrutores são o Espírito Santo e Satanás. Quem é o homem que está a receber os dois ensinamentos concomitantemente? Nenhum. Ou estamos sentados a ouvir o Pai das luzes ou ao inimigo das almas. “Ninguém pode servir a dois senhores.Mateus 6:24. Isso é irrefutável, todos sabemos. Não se trata de uma sala de aula apenas, mas duas. Ao nascermos de nossos pais terrestres, trazemos conosco os traços de Adão, alma vivente; necessitaremos, ao chegarmos à idade em que pudermos decidir entre o certo e o errado, escolhermos se queremos ser carnais, escravos de Satanás, ou nascer do Espírito Santo, e ser guiado por Ele, libertos do inimigo. Precisamos decidir em que sala de aula queremos estar, em que escola queremos aprender, quem será o nosso instrutor.
Qual o instrumento utilizado em cada sala de aula pelos seus respectivos educadores? Em Sua oração, Cristo disse: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade.João 17:17. E em João 16:13 é-nos declarado que o Espírito Santo nos guiará a toda verdade. Quem guia, instrui, posto que é preciso mostrar passo a passo como chegar ao ponto desejado. Se permitirmos, o Espírito do Senhor nos mostrará como seguir os passos do Salvador, a fim de que não erremos o caminho do Céu. Como habitamos num mundo de trevas, carecemos constantemente de luz, e luz divina, para que enxerguemos onde estão as pegadas de Cristo. Nesse caminhar, Satanás nos mostrará pegadas suas, fazendo parecer serem de Cristo, com o fito de nos trapacear e nos levar à destruição. Entrementes, se nossos olhos forem banhados pelo colírio do Senhor, o Espírito Santo, não teremos dúvidas quanto às pegadas do nosso Mestre; elas serão por demais visíveis e inconfundíveis.
Assim como o Espírito Santo se utiliza das Escrituras para nos educar no intuito de que no fim do aprendizado sejamos cidadãos do Céu, Satanás usa o seu próprio instrumento para que aqueles que recebem seus ensinamentos, sejam cada vez mais semelhantes a ele, indignos do Céu. E que instrumentos são esses? O Livro Sagrado denomina tais instrumentos de concupiscências do engano. Está escrito que o velho homem “se corrompe pelas concupiscências do engano.Efésios 4:22. São por elas que Satanás mantém os homens presos aos seus ditames, e lhes faz parecer que são coisas valiosas e inestimáveis demais para que sejam abandonadas. E através delas, sem que percebam, estão desenvolvendo o caráter do inimigo de Deus. Assim foi no jardim e assim será, até que a porta da graça se feche, quando não mais será possível o arrependimento. Ele se esforçará para fazer os homens crerem que existe vantagem em desobedecer a Deus, e que há liberdade nisso. E o poder do engano tem mantido muitos sob o seu domínio, convictos de que são livres.
Como vimos, o Espírito Santo, através das Escrituras, santifica o homem que foi por Ele gerado, a fim de que mais e mais o caráter de Deus seja novamente implantado na nova criatura. “Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor.II Coríntios 3:18. A isso nós chamamos de santificação. Sua importância está relacionada com o nosso destino futuro, pois se não formos santificados não poderemos ver Cristo voltando, já que a Sua glória matará aquele que não provou do novo nascimento. “Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor.Hebreus 12:14.
Em contrapartida, os que se negam a receber Cristo no coração, são submetidos a outro tipo de processo – a corrupção. Como a própria palavra diz, tal processo opera a degradação moral do homem, que se torna cada vez mais semelhante àquele que tem o seu domínio. Muitos não têm consciência de que obedecem ao diabo em vez de a Cristo; devotam suas vidas aos demônios, quando poderiam ter em sua companhia os anjos celestiais, e gozarem da presença do Senhor. São escravizados com maior poder, à medida que rejeitam o chamado do Espírito Santo. E o que espanta e entristece ao mesmo tempo, é que uma boa parte dos que estão a sofrer essa degradação, são pessoas evangélicas, pessoas que crêem que já nasceram de novo, as quais porque vivem uma rotina diferente de antes do batismo, estão convencidas de que estão vivendo para Deus. E em seu seio estão incluídos mestres e doutores da lei, para não dizer, pastores.
Vivemos todos como se estivéssemos em cima de uma régua com um zero central, que separa dois pólos distintos. Para a esquerda são os números de cor preta e para a direita, de cor branca. A cada decisão tomada andamos mais para a esquerda ou para a direita. Os pólos representam Deus e Satanás. Ninguém pode estar indo e voltando. Ou está indo numa direção ou noutra. A depender de onde viemos, estaremos naturalmente indo para um determinado pólo. E de onde viemos? Diremos de Adão. Sim, viemos de Adão, mas não temos que permanecer como viemos. Somos por Deus orientados a buscar nascer do último Adão, Cristo. Quem opera esse nascimento já sabemos. No entanto, relutamos em crer que é um nascimento verdadeiro, e pensamos que é virtual ou imaginário, como um faz de conta. O livro nos diz categoricamente: “Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre.I Pedro 1:23. Não há simbolismo aqui. O novo nascimento é tão real quanto Deus. Esquecemos que foi pela palavra que o leproso teve sua pele restaurada; que o paralítico teve seu vigor físico renovado; que o cego pode ver; que o surdo passou a ouvir; que o mundo foi formado. “Pois Ele falou, e tudo se fez; Ele mandou, e logo tudo apareceu.Salmo 33:9. E assim se dá também o novo nascimento daquele que se entrega a Deus. Está escrito: “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo, para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça.I João 1:9.
Todos já sabemos que perdoar e justificar, purificar e santificar são teologicamente sinônimos, significam a mesma coisa. João está nos dizendo que se formos a Deus em busca de perdão, com fé, Ele cumpre a Sua promessa contida em I João 1:9, pois se duvidarmos de Sua bondade, misericórdia e disposição de nos galardoar, sairemos de Sua presença como chegamos – vazios. Notemos: Ele perdoa. Noutras palavras: Ele nos justifica, ou nos torna justos. “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus, por meio de Cristo Jesus.Romanos 5:1. Ser justo é não ter nenhum pecado, e é por essa razão que o apóstolo fala de paz com Deus. Tal ato divino, a justificação, é instantâneo. Então Ele nos purifica. Noutro falar: Ele nos santifica, ou nos torna santos. “E todo o que nele tem esta esperança [de ser semelhante a Cristo], purifica-se a si mesmo, assim como Ele é puro.I João 3:3. Ser santo, portanto, é ser semelhante ao próprio Deus. Tal ato, a santificação, é paulatino, gradual. Ao sermos transformados ou gerados de novo, não sentimos nada, todavia isso não significa que não fora feito, por nós e em nós, aquilo que representa o fim do evangelho – tornar seres defeituosos, degradados, corrompidos, em justos, santos e perfeitos.
Sim, caro leitor, quer queiramos ou não, há duas e apenas duas famílias na Terra – os filhos de Deus e os filhos do diabo. É difícil para nós encararmos a realidade de que não somos filhos de Deus, mas não podemos dela fugir, visto que nossas vidas isso manifesta. “Não são os filhos da carne que são filhos de Deus, mas os filhos da promessa.” Os filhos da promessa são os nascidos de Deus. Em Gálatas 5:19 a 21 e 22, estão delineados os caracteres de cada família. Assim como o ramo produz o fruto da árvore onde está conectado, assim somos nós. Se estivermos na Videira verdadeira, Seus frutos serão vistos em nós; de igual maneira se estivermos unidos ao zambujeiro, seu perfil, seu caráter terá expressão em nossa vida. Se não resistimos às tentações, se não temos forças para vencermos o mal, se não conseguimos viver sem pecar, mesmo em pensamento por um mês, por um ano, é porque nos falta o poder que vem quando somos gerados novamente, pois o Espírito Santo é concedido àqueles que decidem morrer para o mundo e viver para Deus, a fim de que glorifiquem ao Senhor em cada ato, em cada palavra, em cada pensamento, purificando-se a cada dia, revelando o caráter de Deus em toda maneira de viver.
A guerra cósmica em que estamos envolvidos consiste na reprodução de caráter em cada homem, em cada mulher. “Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um muitos serão feitos justos.I João 5:19. Agora, neste momento, estamos sob o aprendizado do Espírito Santo ou de Satanás. A escolha é nossa. Não há terreno neutro. Ou recebemos instruções para representarmos o arquiinimigo ou a Deus. O palco do Armagedom é a nossa mente. Vence aquele a quem devotarmos nossas faculdades, nossa disposição, nossa vida. No instituto da desobediência, pela vil concupiscência os homens são corrompidos; no instituto da obediência, pela palavra de Deus, os homens são santificados.
Sim, meu caro leitor, a Terra será novamente povoada. Seus habitantes refletirão a glória do Criador do Universo, como fruto da obra iniciada pelo Espírito Santo, mesmo antes da vinda do Salvador. Somente eles viverão na Sua augusta presença; somente eles poderão ver a face do Senhor, por terem permitido serem sepultados com Cristo, para com Ele ressuscitarem. “Fomos, pois, sepultados com Ele pelo batismo na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida.Romanos 6:4.
Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo.Apocalipse 3:20. Todas as promessas de Deus são condicionais, pois seu cumprimento depende da nossa resposta. A palavra do Senhor nos diz que Ele habitará em nós, por intermédio do Espírito Santo, SE não só ouvirmos, como também abrirmos a porta do nosso coração. Ouvir não é o bastante, amigo leitor, é necessário abrir, e abrir significa abdicar de tudo por Cristo, pois Ele não poderá operar nenhuma mudança, nenhuma arrumação na casa ou templo, se não lhe entregarmos tudo, se não lhe entregarmos as chaves da nossa casa. Deixa o Salvador entrar em tua casa, em teu coração. Permita que Ele te transforme na pessoa que deverias ser, alguém que possa levantar as sobrancelhas daqueles que te assistem e exprimam: “Já não é ele quem vive, mas Cristo vive nele. É a Cristo que vemos agora, vivendo em sua nova vida”! Tudo quanto precisas fazer é tomar a decisão de ir ao Salvador, disposto a tudo por Ele, e Ele virá ao teu encontro, e endireitará as tuas veredas. Entrará em tua casa e te reedificará, construirá tudo de novo, tudo o que o pecado destruiu. Não mais serás escravo de Satanás, todavia um poderoso filho de Deus.
Que Deus nos abençoe!

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