domingo, 5 de junho de 2011

O Culto Racional de Romanos 12:1

Rogo-vos, pois, irmäos, pela compaixäo de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.
Romanos 12:1.

Atendendo à necessidade de algumas pessoas, hoje abordarei sobre Romanos 12:1. É mais um tema importantíssimo em face do que ele representa – ADORAÇÃO. Sua mensagem envolve toda a atmosfera do santuário terrestre, com seus rituais, e lança sua luz e seus ensinamentos no santuário espiritual, que somos nós. Quando jovem, eu não vislumbrava nenhum atrativo nos serviços do santuário terrestre, e isso era fruto da minha incompreensão e desinteresse. Se eu tivesse assimilado a sua mensagem, em cada pormenor, o significado de cada peça nele contida, o horizonte da minha vida teria recebido um colorido assaz distinto do que meus incrédulos olhos contemplaram. “O meu povo perece por falta de conhecimento.Oséias 4:6.
Quando pensamos em adoração, nossa mente deve criar uma imagem de um altar, pois não existe adoração sem oferecimento de algum sacrifício. O sacrifício de animais, na dispensação judaica, não era só oferecido para demonstrar arrependimento pelo pecado cometido, mas também por agradecimento e reconhecimento da bondade e misericórdia de Deus. Noé ofereceu holocausto quando saiu da Arca; Abraão ofereceu sacrifício quando o Senhor lhe apareceu antes de sua peregrinação; Jacó também ofereceu sua oferta sobre um altar, por sentir a paz do perdão de Deus, logo depois do encontro que teve com seu irmão. E hoje: o que devemos oferecer e em que altar? Estaríamos nós isentos dessas ofertas porque estamos no Novo Concerto?
Isso pode parecer estranho, contudo ainda existe um altar e ainda existem sacrifícios a serem ofertados nele, pois não há templo sem um altar. Assim está escrito: “Ou não sabeis que O VOSSO CORPO É SANTUÁRIO DO ESPÍRITO SANTO, que habita em vós, o qual possuís da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?I Coríntios 6:19. Entrementes, algo precisa ser esclarecido aqui. Algo que é chocante, contundente. Inicialmente devemos estabelecer que Deus e Satanás não habitam num mesmo lugar, e foi por essa razão que o diabo foi expulso do Céu, empós a morte de Cristo, pois a luz com as trevas não se unem, nem dividem um mesmo espaço. Isso é inconteste. Paulo diz: “E que consenso tem o santuário de Deus com ídolos? Pois nós somos santuário do Deus vivo, como Deus disse: Neles habitarei, e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo.II Coríntios 6:16. Como vemos, em nós habita um ser ou outro, nunca os dois. E adrede usei o verbo habitar para que entendamos que não existe uma linguagem figurada aqui, todavia a mais pura realidade. Quando o apóstolo diz habitar, ele está lidando com o que é real, em consonância com o versículo acima citado, cujas palavras são de autoria do próprio Deus. Ora, Ele não está asserindo de um modo para que entendamos de outro. Habitar é habitar. É por essa razão que somos considerados templos.
Então, indago: porque Paulo afirma que somos templos do Espírito Santo, quando há pessoas que não se submetem à vontade de Deus, habitando nelas o pecado, tornando-lhes escravas de Satanás? Uma coisa é um objeto me pertencer por direito, outra coisa é eu ter a posse desse objeto. Somos ensinados pelas Escrituras Sagradas que fomos comprados por bom preço, e, diga-se de passagem, por preço altíssimo – a vida do Salvador. Esse foi o preço com que o Criador nos avaliou.  Mas que valor atribuímos a nós mesmos? Nós valemos aquilo que nos impede de sermos salvos – uma profissão, um vício, o orgulho, a vaidade, um bem material, nossa própria vontade, etc.. Esse é o valor dado por nós mesmos a nossa alma. Deus teve que comprar o que já era seu.
Sim, o templo, que somos nós, pertence a Deus, porém, vale a pergunta: para quem disponibilizamos esse templo para morada? Deus ou Satanás. Se isso fosse indagado a qualquer ser humano: “Quem habita em teu ser?” A resposta seria imediata – “Deus”. Tal resposta estaria de acordo com a nossa vida? Vejamos. Saulo dizia consigo mesmo: “Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço. Ora, se eu faço o que näo quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim.Romanos 7:19 e 20. E por que eu disse Saulo e não Paulo? O apóstolo registra o que se passava em sua mente quando ele ainda não era convertido. E como posso asselar isso tão categoricamente? Se considerarmos que Paulo está narrando sua própria experiência, mesmo convertido, teremos que admitir, então, que ou o Espírito Santo e o pecado habitavam lado a lado no coração de Paulo, ou há contradições nas suas declarações. Portanto, precisamos analisar isso.
Algumas passagens do Livro Sagrado devem ser comparadas com outras porções para que se evite uma interpretação linear do texto. Um pouco aqui, um pouco ali. Em Romanos 7:16 e 17, temos esta passagem:
Agora, porém, não sou mais eu que faço isto, MAS O PECADO QUE HABITA EM MIM. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, NAO HABITA BEM ALGUM; com efeito o querer o bem está em mim, MAS O EFETUÁ-LO NÃO ESTÁ."
Nesse versículo, Paulo atribui ao pecado a sua deficiência em não obedecer a Deus. Afirma indubitavelmente que o pecado habita em seu ser. Demonstrando que todos os nascidos de Adão são escravos de Satanás, ele diz que o desejo de fazer o bem até existe, porém lhes falta poder para realizá-lo. E a razão mor é a habitação do pecado no ser humano, não transformado pelo Espírito Santo. Paulo também categoriza a escravidão dessa pessoa. Ele diz: “Mas vejo nos meus membros outra lei, que batalha contra a lei do meu entendimento, e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros.Romanos 7:23. Notemos: pelo fato de o pecado habitar no coração do homem, este se torna escravo daquele, e Cristo corrobora com essa realidade. São Suas palavras: “Todo aquele que comete pecado é escravo do pecado.” João 8:34. É descabido atestar que podemos ser escravos de Satanás ao passo que somos escravos de Cristo, pois, segundo Ele próprio, não se pode servir a dois senhores. Sendo assim, ou eu sou dominado por Cristo ou por Satanás, nunca pelos dois, concomitantemente.
Agora, note o que os versículos seguintes nos trazem à luz!
Sabendo isto, que o nosso velho homem foi crucificado com Ele, para que o corpo do pecado fosse desfeito, a fim de não servirmos mais ao pecado... Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para obedecerdes as suas concupiscências... Pois o pecado não terá domínio sobre vós, porquanto não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça... E libertos do pecado, fostes feitos servos da justiça... Mas agora, libertos do pecado, e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto para a santificação, e por fim a vida eterna.” “No Qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus no Espírito.Romanos 6:6, 12, 18, 22; Efésios 2:22.
Tais citações têm a subscrição de Paulo. Nesses textos bíblicos ele deixa assaz patente, de clareza indiscutível, que somos libertos de Satanás quando somos salvos por Cristo. Essas afirmações, muitas vezes, não recebem o valor e a atenção das quais são dignas, e por parte de homens que professam ter conhecimento vasto sobre a Palavra de Deus, homens renomados no seio da cristandade. Quando Paulo disse “POIS O PECADO NÃO TERÁ DOMÍNIO SOBRE VÓS”, não estava falando o oposto de “Agora, porém, não sou mais eu que faço isto, MAS O PECADO QUE HABITA EM MIM? Ora, se eu não faço o que quero, porém o pecado é quem me leva a fazer, então não posso dizer que ele não tem domínio sobre mim, nem muito menos afirmar que sou livre ou liberto dele. Por essa razão eu havia asserido que, se Romanos 7:15 a 23 não se refere a experiência espiritual de Saulo, mas a de Paulo, então, ou o Espírito Santo habita junto com o pecado, ou há contradição nos seus escritos, acima mencionados, já que não podemos servir a dois senhores.
Alguém dirá: “Irmão Gonçalves, só servimos ao pecado se estivermos na carne.” Quiçá não estejamos entendendo o que isso quer dizer. O que é estar na carne? Pelo que aparenta, hoje eu posso estar na carne e logo depois no Espírito, e vice-versa, como se fosse algo trivial. Outros dirão: “Tudo que temos a fazer é orar, jejuar, estudar as Escrituras, pois assim mantemos comunhão com Deus.” E o que seria comunhão com Deus? Será que se uma pessoa religiosa não consegue dominar um pensamento impuro que seja, perde a comunhão com Deus? Ou seja, ela estava em comunhão com Deus há mais ou menos um segundo, e a perdeu. Aí, ela pede perdão a Deus, e novamente está em comunhão com Ele, e o ciclo volta a repetir-se. Assim, ora o Espírito a domina, ora o pecado; ora é livre, ora é escrava. Estranho, não? Pergunto: se assim for, a quem se está servindo realmente, neste momento?
Não, não há confusão nas Escrituras. Ou somos livres ou não somos. E essa condição está relacionada intrínseca e indissociavelmente com a natureza do nosso nascimento, isto é, o berço e o elemento utilizado para nos gerar determinam quem somos nós – filhos de Deus ou escravos de Satanás. O que quero dizer com isso? Quando digo berço reporto-me à fonte que me deu origem. Por exemplo: fui gerado inicialmente de meu pai, Domingos e de minha mãe, Tercília Maria. Eis o meu berço. O elemento que fora utilizado para promover o meu nascimento foi o par de gametas, masculino e feminino. Sou carnal por conta dessas circunstâncias. Fui criado a partir de pais terrestres. Se eu permanecer nessa condição, eu não herdarei o reino de Deus. Cristo disse: “O que é nascido da carne é carne, o que é nascido do Espírito é espírito.João 3:3. E Paulo, aludindo a essa máxima, narrou: “Carne e sangue não podem herdar o reino de Deus.I Coríntios 15:50. “Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus.Romanos 8:7.
Estar na carne, portanto, é permanecer ainda como descendente de Adão, o primeiro, provindo de sua matéria corrompida. As Escrituras afirmam que Deus não habita em santuário feito por mãos humanas. “Mas o Altíssimo não habita em templos feitos por mãos de homens.Atos 7:48. Ora se somos descendentes do primeiro Adão, nosso templo está totalmente impuro, devido à natureza pecaminosa que herdamos. Saímos do homem natural, e isso nos invalida, nos impossibilita a entrada no Céu. Equivaleria dizer: fomos feitos por mãos de homens. Paulo em II Coríntios 15:45 nos diz que o último Adão, Cristo, foi feito espírito vivificante, que dá vida. E em Efésios 2:10 atesta que somos feitura Sua [de Deus], criados em Cristo Jesus. Criados EM Cristo Jesus. Note que a preposição em significa dentro. É desse Berço que deve todo cidadão do Céu provir. Vê que Ele falou de dois nascimentos em João 3:3, e isso não é uma hipótese ou irreal, fictício. Precisamos crer na Sua promessa. Não receberemos nada, duvidando do Seu poder.
Nascer para Deus é nascer. Há um nascer nos aguardando: o nascer de cima, do Espírito Santo. E qual o elemento utilizado nesse novo nascimento? O mesmo poder contido na palavra dita ao leproso: “Quero, sê limpo.Mateus 8:3. Tais palavras não foram proferidas ao leproso, tão-somente, mas ainda ecoa para que aqueles que percebem sua impossibilidade de se verem livres da lepra do pecado, possam buscar o Salvador em busca de cura e dEle ouvir a mesma voz, com o mesmo poder curativo, e em Sua augusta presença receber uma vida nova, totalmente pura, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, santa e irrepreensível diante de Deus. Efésios 5:27. Quanto a esse elemento, a Palavra de Deus, Pedro expressa: “Sendo de novo gerados, não de semente corruptível [os gametas humanos], mas da incorruptível, pela Palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre.I Pedro 1:23. Nascido de Deus, somos Seus filhos, e isso só ocorre por intermédio da fé, ingrediente importantíssimo no processo da salvação, posto que não há salvação se não houver fé envolvida. Eis a razão de Cristo enfatizar a necessidade de se nascer de novo, nascer dEle mesmo.
Agora poderemos compreender largamente o que Paulo expõe em Romanos 12:1. Como dantes falei, as oferendas de sacrifício não foram somente para o tempo dos hebreus, é também para o nosso tempo. Naquele concerto, havia sacrifício de animais, hoje com os frutos da nossa vida. Vou explicar melhor: se havia um altar, teria que ter um sacrifício, e este não era escolhido aleatoriamente. Não poderia ter defeito algum, nem mancha, nada que contaminasse a oferta, visto que tudo simbolizava Cristo. No Novo Concerto, somos conclamados por Paulo a apresentarmos os nossos corpos como sacrifício. E de que forma? Ora se no primeiro, o Cordeiro de Deus tinha que ser simbolizado por animaizinhos puros, perfeitos, sem mácula, porque Deus exigiria menos rigor no Novo Concerto?
Paulo nos relata que o sacrifício deve ser vivo, santo e agradável. Não se apresentava no primeiro concerto animais mortos, lógico e evidente. No novo, a exigência continua, e deve continuar, pois que representa o Salvador. O que Ele mesmo disse quando aqui esteve? “Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê nAquele que Me enviou, TEM a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida.João 5:24. E o discípulo amado segue o Seu Mestre: “Quem tem o Filho tem a vida: quem não tem o Filho de Deus não tem a vida.I João 5:12. Noutras palavras: se alguém não nasceu de Cristo está verdadeiramente morto. O sacrifício tem que ser vivo.
Ao ser perdoado, o pecador é feito justo por Deus. Assim ele passa da morte para a vida, e vida eterna. Seus passos serão guiados pelo Espírito Santo, na obediência à verdade, pois este é o meio pelo qual Ele processa a santificação. “Para ser ministro de Cristo Jesus entre os gentios, ministrando o evangelho de Deus, para que sejam aceitáveis os gentios COMO OFERTA, SANTIFICADA PELO ESPÍRITO SANTO.Romanos 15:16. Sem a santificação ninguém verá o Senhor Jesus Cristo quando Ele vier (Hebreus 12:14), pois os ímpios, que não terão sido santificados, serão destruídos pelo esplendor de Sua vinda. O sacrifício tem que ser santo.
O homem criado à imagem de Deus, reflete o Seu caráter. O Espírito Santo que nele habita, é o responsável por esse reflexo. “Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, domínio próprio.” Destaquei o amor, pois ele é a prova de que agradamos a Deus. O Senhor Jesus Cristo declarou: “Se Me amais GUARDAREIS os Meus mandamentos.João 14:15. João descreve as características dos fiéis remanescentes de Deus, aqueles que estarão aguardando o retorno do Salvador: “Aqui está a paciência dos santos; aqui estão OS QUE GUARDAM os mandamentos de Deus e a fé em Jesus.” Apocalipse 14:12. E ele mesmo acrescenta: “E qualquer coisa que Lhe pedirmos, dEle a receberemos, porque guardamos os Seus mandamentos, e fazemos o que é agradável a Sua vista.” I João 3:22. O sacrifício tem que ser agradável.
Caro leitor, o convite do Salvador ainda continua de pé. “Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-O enquanto está perto.Isaías 55:6. Ele te aguarda para fazer de ti um novo homem a Sua semelhança, a fim de que possas representá-Lo perante o mundo, sem pecado, sem ruga, sem qualquer outra coisa do gênero, mas santo e irrepreensível, de modo que possas Lhe oferecer diariamente um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, através do teu viver.
Que Deus nos abençoe!

2 comentários:

Anônimo,  17 de janeiro de 2012 03:46  

Muito bem analisado, mas faltou a compreensão do
desfecho final "..., que é vosso CULTO racional."
A maioria das pessoas não entendem a palavra CULTO
por não haver, nos dicionários, uma definição racional desse termo.

Gonçalves 17 de janeiro de 2012 15:08  

O dicionário nos dá o seguinte significado para o vocábulo "culto", dentre outros: conjunto de atitudes e ritos pelos quais se adora uma divindade. Esta palavra [CULTO] em si mesma encerra adoração e, neste caso, adoração a Deus. Tal significado tem íntima relação com o texto de Romanos 12:1, pois empós a vírgula, o apóstolo Paulo DEFINE o seu apelo COMO SENDO a DESCRIÇÃO do culto racional, ou seja, voluntário e cognitivo, do qual se agrada o nosso Criador. O início de seu enunciado já nos dá mais que um vislumbre do que seja o culto racional - APRESENTEIS OS VOSSOS CORPOS COMO UM SACRIFÍCIO. Isto é um culto, é uma oferenda, um gesto de adoração. É racional por que TAL GESTO parte da área perceptora do nosso cérebro. Não é mecânico nem forçado; pelo contrário, DEVE SER VIVO, SANTO e AGRADÁVEL A DEUS. E diga-se de passagem: tal oferta só poderá ser apresentada por aquele que experimentou o transplante do coração, da velha natureza, milagre operado pelo poder do Espírito Santo. Que Deus nos abençoe!

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