quarta-feira, 29 de junho de 2011

Os Dois Processos Espirituais

E, assim como trouxemos a imagem do terreno, traremos também a imagem do celestial.
I Coríntios 15:49.

 
Hoje vamos nos debruçar num assunto muito conhecido, entranhável em nossas mentes, pelo valor que nos representa. Refiro-me à educação. Os países desenvolvidos têm se destacado dos demais pela importância que deferem a esse processo, nele investindo, focalizando máxime o desenvolvimento mental, cujo fim é o pleno progresso da nação. Quiçá pensemos que a educação começou com o homem, todavia se assim pensarmos estaremos totalmente enganados.
Os vocábulos educar, instruir e ensinar, já foram por alguém distinguidos quanto aos seus significados, porém se enfocarmos a finalidade de todos eles, notaremos que eles se fundem num só. Todos se encarregam de não só transmitir, como também mostrar como fazer aquilo que é transmitido. E é sob esse prisma que nortearemos o nosso estudo.
O versículo temático nos fala de algo em comum – IMAGEM. Como já há muito comentamos, imagem, nas Escrituras Sagradas, está relacionada com o caráter. Assim sendo, se torna fácil compreender o que Paulo afirma – o homem carnal, aquele que não nasceu de novo, traz o caráter do arquiinimigo, e aquele que foi recriado pelo Espírito Santo, o caráter do Criador. E como é implantada essa imagem, esse caráter? Qual instrumento é utilizado para que se leve isso a efeito? Seguindo a ordem apresentada pelo apóstolo Paulo no referido versículo, citaremos inicialmente Jeremias 13:23. Lemos: “Pode o etíope mudar a cor da sua pele ou o leopardo as suas manchas? Então podereis vós fazer o bem, sendo ensinados a fazer o mal.” Duas verdades estão estabelecidas aí: 1. O homem jamais poderá mudar o coração, mudar o seu caráter, sem o poder vindo de Deus; 2.  O homem natural é ensinado, educado a ser inimigo de Deus. A segunda citação reporta-se a Tito 2:11 e 12. Assim: “Porque a graça de Deus se há manifestado trazendo salvação a todos os homens, ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos neste presente século sóbria, justa e piamente.” Noutra versão está escrito assim: “Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens, educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente.” O sentido permanece o mesmo, a mensagem, porém, é enriquecida.
De acordo com as citações bíblicas acima declinadas, inferimos que o homem ou está sendo ensinado a fazer o mal ou o bem. Se o objeto dessa educação é o mal, o educador é Satanás; se o bem, o educador é Deus, o Espírito Santo. Temos aqui, como que duas escolas, cujos instrutores são o Espírito Santo e Satanás. Quem é o homem que está a receber os dois ensinamentos concomitantemente? Nenhum. Ou estamos sentados a ouvir o Pai das luzes ou ao inimigo das almas. “Ninguém pode servir a dois senhores.Mateus 6:24. Isso é irrefutável, todos sabemos. Não se trata de uma sala de aula apenas, mas duas. Ao nascermos de nossos pais terrestres, trazemos conosco os traços de Adão, alma vivente; necessitaremos, ao chegarmos à idade em que pudermos decidir entre o certo e o errado, escolhermos se queremos ser carnais, escravos de Satanás, ou nascer do Espírito Santo, e ser guiado por Ele, libertos do inimigo. Precisamos decidir em que sala de aula queremos estar, em que escola queremos aprender, quem será o nosso instrutor.
Qual o instrumento utilizado em cada sala de aula pelos seus respectivos educadores? Em Sua oração, Cristo disse: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade.João 17:17. E em João 16:13 é-nos declarado que o Espírito Santo nos guiará a toda verdade. Quem guia, instrui, posto que é preciso mostrar passo a passo como chegar ao ponto desejado. Se permitirmos, o Espírito do Senhor nos mostrará como seguir os passos do Salvador, a fim de que não erremos o caminho do Céu. Como habitamos num mundo de trevas, carecemos constantemente de luz, e luz divina, para que enxerguemos onde estão as pegadas de Cristo. Nesse caminhar, Satanás nos mostrará pegadas suas, fazendo parecer serem de Cristo, com o fito de nos trapacear e nos levar à destruição. Entrementes, se nossos olhos forem banhados pelo colírio do Senhor, o Espírito Santo, não teremos dúvidas quanto às pegadas do nosso Mestre; elas serão por demais visíveis e inconfundíveis.
Assim como o Espírito Santo se utiliza das Escrituras para nos educar no intuito de que no fim do aprendizado sejamos cidadãos do Céu, Satanás usa o seu próprio instrumento para que aqueles que recebem seus ensinamentos, sejam cada vez mais semelhantes a ele, indignos do Céu. E que instrumentos são esses? O Livro Sagrado denomina tais instrumentos de concupiscências do engano. Está escrito que o velho homem “se corrompe pelas concupiscências do engano.Efésios 4:22. São por elas que Satanás mantém os homens presos aos seus ditames, e lhes faz parecer que são coisas valiosas e inestimáveis demais para que sejam abandonadas. E através delas, sem que percebam, estão desenvolvendo o caráter do inimigo de Deus. Assim foi no jardim e assim será, até que a porta da graça se feche, quando não mais será possível o arrependimento. Ele se esforçará para fazer os homens crerem que existe vantagem em desobedecer a Deus, e que há liberdade nisso. E o poder do engano tem mantido muitos sob o seu domínio, convictos de que são livres.
Como vimos, o Espírito Santo, através das Escrituras, santifica o homem que foi por Ele gerado, a fim de que mais e mais o caráter de Deus seja novamente implantado na nova criatura. “Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor.II Coríntios 3:18. A isso nós chamamos de santificação. Sua importância está relacionada com o nosso destino futuro, pois se não formos santificados não poderemos ver Cristo voltando, já que a Sua glória matará aquele que não provou do novo nascimento. “Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor.Hebreus 12:14.
Em contrapartida, os que se negam a receber Cristo no coração, são submetidos a outro tipo de processo – a corrupção. Como a própria palavra diz, tal processo opera a degradação moral do homem, que se torna cada vez mais semelhante àquele que tem o seu domínio. Muitos não têm consciência de que obedecem ao diabo em vez de a Cristo; devotam suas vidas aos demônios, quando poderiam ter em sua companhia os anjos celestiais, e gozarem da presença do Senhor. São escravizados com maior poder, à medida que rejeitam o chamado do Espírito Santo. E o que espanta e entristece ao mesmo tempo, é que uma boa parte dos que estão a sofrer essa degradação, são pessoas evangélicas, pessoas que crêem que já nasceram de novo, as quais porque vivem uma rotina diferente de antes do batismo, estão convencidas de que estão vivendo para Deus. E em seu seio estão incluídos mestres e doutores da lei, para não dizer, pastores.
Vivemos todos como se estivéssemos em cima de uma régua com um zero central, que separa dois pólos distintos. Para a esquerda são os números de cor preta e para a direita, de cor branca. A cada decisão tomada andamos mais para a esquerda ou para a direita. Os pólos representam Deus e Satanás. Ninguém pode estar indo e voltando. Ou está indo numa direção ou noutra. A depender de onde viemos, estaremos naturalmente indo para um determinado pólo. E de onde viemos? Diremos de Adão. Sim, viemos de Adão, mas não temos que permanecer como viemos. Somos por Deus orientados a buscar nascer do último Adão, Cristo. Quem opera esse nascimento já sabemos. No entanto, relutamos em crer que é um nascimento verdadeiro, e pensamos que é virtual ou imaginário, como um faz de conta. O livro nos diz categoricamente: “Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre.I Pedro 1:23. Não há simbolismo aqui. O novo nascimento é tão real quanto Deus. Esquecemos que foi pela palavra que o leproso teve sua pele restaurada; que o paralítico teve seu vigor físico renovado; que o cego pode ver; que o surdo passou a ouvir; que o mundo foi formado. “Pois Ele falou, e tudo se fez; Ele mandou, e logo tudo apareceu.Salmo 33:9. E assim se dá também o novo nascimento daquele que se entrega a Deus. Está escrito: “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo, para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça.I João 1:9.
Todos já sabemos que perdoar e justificar, purificar e santificar são teologicamente sinônimos, significam a mesma coisa. João está nos dizendo que se formos a Deus em busca de perdão, com fé, Ele cumpre a Sua promessa contida em I João 1:9, pois se duvidarmos de Sua bondade, misericórdia e disposição de nos galardoar, sairemos de Sua presença como chegamos – vazios. Notemos: Ele perdoa. Noutras palavras: Ele nos justifica, ou nos torna justos. “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus, por meio de Cristo Jesus.Romanos 5:1. Ser justo é não ter nenhum pecado, e é por essa razão que o apóstolo fala de paz com Deus. Tal ato divino, a justificação, é instantâneo. Então Ele nos purifica. Noutro falar: Ele nos santifica, ou nos torna santos. “E todo o que nele tem esta esperança [de ser semelhante a Cristo], purifica-se a si mesmo, assim como Ele é puro.I João 3:3. Ser santo, portanto, é ser semelhante ao próprio Deus. Tal ato, a santificação, é paulatino, gradual. Ao sermos transformados ou gerados de novo, não sentimos nada, todavia isso não significa que não fora feito, por nós e em nós, aquilo que representa o fim do evangelho – tornar seres defeituosos, degradados, corrompidos, em justos, santos e perfeitos.
Sim, caro leitor, quer queiramos ou não, há duas e apenas duas famílias na Terra – os filhos de Deus e os filhos do diabo. É difícil para nós encararmos a realidade de que não somos filhos de Deus, mas não podemos dela fugir, visto que nossas vidas isso manifesta. “Não são os filhos da carne que são filhos de Deus, mas os filhos da promessa.” Os filhos da promessa são os nascidos de Deus. Em Gálatas 5:19 a 21 e 22, estão delineados os caracteres de cada família. Assim como o ramo produz o fruto da árvore onde está conectado, assim somos nós. Se estivermos na Videira verdadeira, Seus frutos serão vistos em nós; de igual maneira se estivermos unidos ao zambujeiro, seu perfil, seu caráter terá expressão em nossa vida. Se não resistimos às tentações, se não temos forças para vencermos o mal, se não conseguimos viver sem pecar, mesmo em pensamento por um mês, por um ano, é porque nos falta o poder que vem quando somos gerados novamente, pois o Espírito Santo é concedido àqueles que decidem morrer para o mundo e viver para Deus, a fim de que glorifiquem ao Senhor em cada ato, em cada palavra, em cada pensamento, purificando-se a cada dia, revelando o caráter de Deus em toda maneira de viver.
A guerra cósmica em que estamos envolvidos consiste na reprodução de caráter em cada homem, em cada mulher. “Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um muitos serão feitos justos.I João 5:19. Agora, neste momento, estamos sob o aprendizado do Espírito Santo ou de Satanás. A escolha é nossa. Não há terreno neutro. Ou recebemos instruções para representarmos o arquiinimigo ou a Deus. O palco do Armagedom é a nossa mente. Vence aquele a quem devotarmos nossas faculdades, nossa disposição, nossa vida. No instituto da desobediência, pela vil concupiscência os homens são corrompidos; no instituto da obediência, pela palavra de Deus, os homens são santificados.
Sim, meu caro leitor, a Terra será novamente povoada. Seus habitantes refletirão a glória do Criador do Universo, como fruto da obra iniciada pelo Espírito Santo, mesmo antes da vinda do Salvador. Somente eles viverão na Sua augusta presença; somente eles poderão ver a face do Senhor, por terem permitido serem sepultados com Cristo, para com Ele ressuscitarem. “Fomos, pois, sepultados com Ele pelo batismo na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida.Romanos 6:4.
Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo.Apocalipse 3:20. Todas as promessas de Deus são condicionais, pois seu cumprimento depende da nossa resposta. A palavra do Senhor nos diz que Ele habitará em nós, por intermédio do Espírito Santo, SE não só ouvirmos, como também abrirmos a porta do nosso coração. Ouvir não é o bastante, amigo leitor, é necessário abrir, e abrir significa abdicar de tudo por Cristo, pois Ele não poderá operar nenhuma mudança, nenhuma arrumação na casa ou templo, se não lhe entregarmos tudo, se não lhe entregarmos as chaves da nossa casa. Deixa o Salvador entrar em tua casa, em teu coração. Permita que Ele te transforme na pessoa que deverias ser, alguém que possa levantar as sobrancelhas daqueles que te assistem e exprimam: “Já não é ele quem vive, mas Cristo vive nele. É a Cristo que vemos agora, vivendo em sua nova vida”! Tudo quanto precisas fazer é tomar a decisão de ir ao Salvador, disposto a tudo por Ele, e Ele virá ao teu encontro, e endireitará as tuas veredas. Entrará em tua casa e te reedificará, construirá tudo de novo, tudo o que o pecado destruiu. Não mais serás escravo de Satanás, todavia um poderoso filho de Deus.
Que Deus nos abençoe!

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terça-feira, 21 de junho de 2011

Os Dois Grandes Mandamentos

 

Respondeu-lhe Jesus: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.
Mateus 22:37 a 40.



O nosso destino está estreitamento associado ao que fazemos de nossa vida, e isso é uma verdade plenamente concebida por todos nós. Todas as nossas decisões, sejam de larga escala ou não, mesmo diante das mínimas coisas da vida, passo a passo estão delineando o nosso futuro. Sabemos, com clareza de espírito, que nada decidimos sem avaliarmos o que nos está proposto. E queiramos aceitar ou não, o nosso desprezo ou apatia por algo a nós demonstrado, constitui aferição de valor também – nosso silêncio pode ser interpretado como resposta; uma expressão facial pode ter o caráter de uma decisão. O que pretendo dizer com esse intróito? Aos que estão familiarizados com a palavra de Deus, carecem da pessoa do Espírito Santo para compreenderem os Escritos Sagrados, sob o risco de tomarem uma decisão fundamentada em conclusões errôneas. “Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação.II Pedro 1:20. E tal alvitre tem aplicação para a Bíblia. “Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque para ele são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.I Coríntios 2:14. É perigoso, portanto, tentarmos dar o sentido que achamos apropriado, ao que está escrito no Livro do Senhor.
No versículo temático encontramos uma mensagem distorcida por não raros irmãos, sinceros até. Entendê-la de maneira equivocada, desvia sutilmente os pés do caminho deixado por nosso Salvador. A interpretação mais comum, maciçamente adotada por quase toda a comunidade cristã é que Cristo, abolindo a lei, os dez mandamentos, estava nesse versículo norteador apresentando uma nova ordem para o Novo Concerto. Mas será que é isso mesmo? Ou não estaremos dando ouvidos à serpente enganadora, fazendo-nos crer que o próprio Deus estaria agora estabelecendo uma mudança radical na substrução do Seu governo?
Analisemos com cuidado o significado que nos traz a cruz do Calvário! Em primeiro lugar, instituamos como parâmetro o versículo 23, de Romanos 6. Assim reza tal citação: “Porque o salário do pecado é a morte.” Ora, se o castigo de quem peca é a morte, como Cristo poderia ser morto, ou seja, castigado com a morte, se Sua vida se apresentou totalmente incólume quanto ao pecado? Porém todos sabem o motivo, não é verdade? Claro, Cristo se fez pecado por nós, e aí sofreu a punição que era nossa. Compreensível. Agora indago: qual a mensagem que Suas orações no Getsêmane anelam nos fornecer?
Caro leitor, atenta bem para isso! Por três vezes,  o Salvador postulou ao Pai para que o cálice fosse transferido dEle. Vale dizer, destarte, que o pedido de Cristo se referia à questão de Ele ser considerado pecador perante Deus. Lembremos que muitas coisas foram veladas a Cristo. Nem tudo Lhe era revelado. Assim, o imaginar que assumindo o lugar do pecador, sobre Si recairia a sentença contida em Isaías, a saber: “Mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados esconderam o seu rosto de vós, de modo que não vos ouça.Isaías 59:2, pesou-Lhe no íntimo, e receou não mais gozar da presença do Pai. Mas o anjo que desceu dos Céus para confortá-Lo, anunciou o futuro glorioso oriundo de Seu eterno e incomensurável sacrifício – as almas vencedoras no Seu sangue remidor.
Pelo que vimos, o silêncio ensurdecedor de Deus foi uma dura resposta à indagação dAquele que agora teria que decidir pelo destino da humanidade, pelo meu e pelo teu, nobre leitor. A inaudível resposta tríplice foi: NÃO. Não havia outro modo de salvar o mundo transviado; não havia outra maneira de prover a possibilidade de novamente o homem ser posto na presença de Deus e habitar em Sua imarcescível luz. Amigo leitor, se não havia uma outra maneira pela qual Deus pudesse solucionar o problema da raça caída, como, então, só agora, depois que o Seu único Filho padece na cruz, surge a idéia de que a lei que O levou á cruz pode ser abolida? Sem nexo, não achas?
Façamos uma pálida comparação. Imagina que existisse uma regra áurea que determinasse cortar a mão do filho desobediente. Daí o rei dissesse ao seu filho mais velho: “Meu filho, se tocares nisso aqui, serei obrigado a cortar tua mão, porque a lei assim estabelece.” E aí o seu filho lhe desobedece. Então o rei o chama e sentencia: “Filho, não tenho alternativa. Vou cortar a tua mão.” E o seu filho agora tem uma lesão eterna, uma cicatriz indelével – a mão cortada. Então, vem o seu filho mais moço, o xodó da família. E lhe é recomendado a mesma advertência. Contudo, o inesperado acontece. O xodó também viola a regra firmada. A mãe o socorre, rogando ao rei que ele pondere sobre a questão, afinal aquele é o filho mais novo, é o xodó da família. Ela diz: “Vê a cicatriz  horrível que ficou no mais velho!” E num grito, conclama: “Poupa-lhe, rogo-te, por misericórdia!” Depois de pensar profundamente, delibera o rei concordar com ela e poupa o xodó de perder sua mão, abolindo aquela regra. Indago: se o rei tinha que abolir aquela regra, porque o fez somente depois que o mais velho perdeu sua mão? Como ficaria ele diante dessa situação? Bem, alguém se arriscaria em dizer: “Mas o rei usou de misericórdia!” O que entendemos por misericórdia? Misericórdia é fechar os olhos ao pecado e abraçar o pecador, sem que este cumpra as condições do Concerto?
Em todas as promessas divinas vemos a palavra “SE” inclusa. Tratamos aqui de uma conjunção subordinativa condicional. Noutro falar: dependência. As promessas de Deus estão condicionadas, dependem do nosso compromisso com Ele. A Sua infindável misericórdia está a disposição do homem, entrementes este precisa demonstrar seu interesse e responder à altura do que é prometido. Vejamos. Em I João está escrito: “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo, para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça. Eu pergunto: por colossal e eterna que seja a misericórdia de Deus, se eu não confessar os meus pecados, eu serei salvo assim mesmo? Se a resposta for sim, Satanás requererá de Deus a Sua misericórdia e terá direito garantido, pois Deus não faz acepção de pessoas, e essa declaração é abrangente.
Isso é sério, muito sério. Não podemos viver como quisermos e acharmos que Deus nos levará de qualquer modo, não. Ele diz solenemente: “Aquele que perseverar até o fim, esse será salvo.Mateus 10:22. Perseverar em quê? Se eu vivo como quero, faço o que eu quero, digo que quero, penso o que quero, me alimento como quero, em que estarei perseverando? Não há regra para mim, não há transgressão à vista, ou há? Claro que não. Então, o castigo só atingiu a Cristo, porque assumiu o meu lugar? E depois, para que a existência de Satanás? Terá ele sido impedido de nos tentar depois da cruz? Óbvio que não. Mas nos tentará em quê? Pelo que sabemos Adão e Eva foram tentados por que havia uma ordem divina em voga. E nós, temos uma árvore plantada no meio do jardim, de modo a servir como prova do que queremos de nossa vida – servir a Deus ou ao arquiinimigo? Necessário é entender, caro leitor, que no princípio foi uma árvore só. Hoje ela está inúmeras vezes multiplicada e revestida com rótulos diferentes, com o fito de confundir a mente humana que não é iluminada pelo Espírito Santo. Os incautos verão como Eva que a árvore é boa para se comer e agradável aos olhos.
Não podemos por nós mesmos saber onde estão essas árvores, no entanto, basta-nos conhecer o caráter do Salvador, através do estudo de Sua Palavra, mediante o Espírito Santo, e Ele nos evidenciará os ardis do inimigo, nos mostrará o terreno em que podemos estar em paz com Deus. Fora desse limite, corremos risco. E que limite é esse? Não conseguimos enxergar que a misericórdia e o amor de Deus estão clarividentemente demonstrados em Sua lei? Sim, leitor, em Sua santa lei, os dez mandamentos. Se buscarmos andar por eles, não andaremos em trevas. Com quem Deus diz explicitamente usar de misericórdia? Ele mesmo responde: “E uso de misericórdia com milhares dos que me amam e guardam os Meus mandamentos.Êxodo 20:6. E aqui o nosso Deus estabelece uma relação muito íntima entre amá-Lo e guardar os Seus mandamentos, percebes? Não seria eco desse pensamento divino, as palavras de Cristo: “Se Me amais, guardareis os Meus mandamentos”? João 14:15. Impressionante, não?
Entrementes, o versículo temático aparenta resumir os dez mandamentos em apenas dois. Entendem assim os cristãos hodiernos que agora são dois, não mais dez. Todavia como Cristo conclui a sua assertiva? “Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.Mateus 22:40. Pelo que vemos aqui não há destruição ou substituição, mas um compêndio. Ele disse dependem. Se dependem, a lei ainda está em voga, pois como estabelecer relação de dependência com aquilo que fora ou será extinto. Não tem cabimento. Nosso viver deve ser pautado na observância da lei e dos profetas. E se Jesus é o alicerce do Novo Concerto, pelo que se demonstra, os princípios do Novo são os mesmos do Velho, pois as Suas palavras corroboram o que antes fora dito por Isaías no Velho Concerto: “À lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, jamais lhes raiará a alva.Isaías 8:20. Apocalipse 19:10 nos revela que o testemunho é o espírito de profecia.
Então porque razão nosso amado Mestre mencionou dois mandamentos, dos quais toda a lei e o profetas terão que depender? O apóstolo Paulo nos diz que Deus nos capacita sermos ministros de um novo pacto, “não da letra, mas do espírito, porque a letra mata, mas o espírito vivifica.II Coríntios 3:6. A letra da lei mata porque qualquer homem natural que tentar observá-la sem o poder do Espírito Santo, a interpretará segundo seu coração corrompido, estabelecerá suas próprias conclusões, e o resultado será o fracasso, além do peso mental provindo de suas concepções errôneas. Paulo afirma que a lei por ser espiritual, o carnal, aquele que ainda não foi gerado de novo pelo Santo Espírito, não terá sucesso em procurar obedecê-la. Ele terá que nascer do Espírito, a fim de que, sendo agora espiritual, tenha plenas condições, dadas por Deus, para guardar a Sua preciosa lei. Porém, note algo importante: o homem gerado de novo dará frutos para Deus em sua nova vida. E quais são esses frutos? Gálatas 5:22 nos dá a resposta – “Mas o fruto do Espírito é: amor...” O amor foi citado em primeiro lugar por ser o dom mais importante ou de modo aleatório? O Capítulo do Amor nos oferta a resposta da seguinte forma: “Agora, pois, permanecem a fé, a esperança, o amor, estes três; mas o maior destes é o amor.I Coríntios 13:13. Foi por essa razão que Paulo exprimiu que “o cumprimento da lei é o amor.Romanos 13:10. O nosso amor a Deus é medido pela nossa obediência à Sua lei, isso está claro. Assim é conosco em nossas relações pessoais – não adianta eu dizer que amo meu próximo se em meus atos esse amor não for evidenciado. Afirmar que amamos a Deus sem obedecer à sua eterna lei, fazemo-nos hipócritas. Como se expressam os dois mandamentos citados por Cristo? “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento... Amarás o teu próximo como a ti mesmo.Mateus 22:37 e 39. Percebe o leitor o que é exigido em cada mandamento? Amor.
É consabido que o pensamento é o pai da ação. Assim, por trás de cada ato há um princípio motivador, incontestavelmente. Por exemplo: se entrego uma flor para minha esposa, estou demonstrando com isso que a amo. Eu não preciso dizer que estamos tratando aqui de seriedade e transparência. Eu penso e ajo. E como chamamos aquilo que norteia uma ação? Princípio. Portanto, o amor é o princípio da lei. Como assim? Ora, de que maneira eu poderia mostrar ao mundo que realmente amo a Deus de todo o meu coração, de toda a minha alma e de todo o meu entendimento? Bastante simples: não tendo outros deuses diante de mim; não adorando imagens de escultura ou algo do gênero; não pronunciando o nome do Senhor Deus em vão; não profanando o Seu dia, o sábado. E em relação ao meu próximo, como patentear que o amo como a mim mesmo? Honrando meus pais, idosos e autoridades; não ceifando a vida do meu próximo, não cometendo adultério, nem qualquer tipo de prostituição, não furtando, nem cometendo suas variações, não testemunhando falsamente, em hipótese alguma; não cobiçando o que é alheio. Não há espaço para a dúvida aqui. Cristo anunciou os dois princípios motivadores da lei – amor a Deus e amor ao próximo, que se evidenciam em cada pormenor acima citado. Não é substituição, mas revelação do que Deus espera de cada um de nós – que O amemos acima de tudo, e que amemos ao nosso próximo como a nós mesmos. E esta a razão de a lei ser eterna, pois ela é o próprio Deus. Será que não conseguimos ver que cada princípio tem a ver com as duas tábuas da lei de Deus? Os quatro primeiros encerram a relação entre Deus e o homem; os seis restantes, entre o homem e o seu semelhante.
A lei de Deus não foi abolida nem alterada. Sua essência é a mesma desde quando saiu das mãos do Todo-Poderoso, e ela deve estar no interior do homem que é nascido dEle, assim como no Seu interior está. Sendo nós gerados de novo, trazemos a lei do Senhor dentro do nosso coração e escrita em nossa mente, obra do Espírito Santo, a fim de que a justiça da lei possa se cumprir em nós, “que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito.Romanos 8:4. Porquanto está escrito: “Esta é a aliança que farei com eles depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei as minhas leis em seus corações, E as escreverei em seus entendimentos.Hebreus 10:16.
O princípio do governo de Deus é e sempre será o amor. Foi por amor que Ele deu o Seu Filho por nós; foi por amor que Cristo decidiu morrer por nós; foi por amor que Ele levou cativo o cativeiro, e libertou os espíritos das prisões; foi por amor que subiu aos Céus, a fim de preparar morada para os salvos; foi por amor que Ele enviou o Espírito Santo, com o propósito de nos tornarmos semelhantes a Ele; e por amor, Ele em breve virá nos buscar.
É digno de nota que o tempo do verbo de ambos os princípios da lei de Deus se iniciem com o verbo no futuro do indicativo – amarás. Foi acaso ou adrede? Não entendemos que o tempo verbal ali aplicado, nos traz uma lição valiosíssima? O verbo está no futuro porque é uma promessa, e toda promessa divina é condicionada à fé nEle depositada. É uma relação de dependência. É como se Deus estivesse a dizer: “Tu me dás o teu coração e como resultado, como sinal do que farei a ti, amarás ao Senhor teu Deus acima de todas as coisas e ao teu próximo como a ti mesmo.”
Caro leitor, Deus te fará amá-Lo não somente por palavras, mas máxime por atos, em cada passo que deres, porquanto nenhuma palavra volta para Ele vazia sem que tenha cumprido o Seu propósito, contudo isso só ocorrerá em tua vida se deixares que Ele guie o teu viver. Se entregares a tua vida ao Salvador, se decidires viver uma vida que seja agradável ao Senhor, Ele te recriará e te concederá o Espírito Santo para que sejas um verdadeiro filho de Deus, disposto não só para amá-Lo de todo o teu coração, de toda a tua alma, e todo entendimento, como também para amar ao teu próximo como a ti mesmo. Aquele que te comprou com o Seu sangue, diz: “Torna-te para Mim, porque Eu te remi.Isaías 44:22. Volta para o seio do Pai que te aguarda dia após dia, com os Seus braços abertos prontos para te receber. A vitória está a tua espera!
Que Deus nos abençoe!


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sábado, 11 de junho de 2011

O Batismo do Espírito Santo

Eu vos batizei em água; Ele, porém, vos batizará no Espírito Santo. Marcos 1:8.


                 Estudaremos nestas ensanchas um assunto que tem abalado a fé de muitos cristãos sinceros. Alguns têm questionado: “Porque ainda não fui batizado com o Espírito Santo?” E esse evento é considerado por não poucas pessoas do mundo evangélico como o marco de uma vida privilegiada em Cristo. E quem foi batizado com  o Espírito Santo recebe um destaque especial no seio de sua comunidade: “Ele(a) é batizado(a) com o Espírito Santo!Será, de fato, o batismo com  o Espírito Santo uma marca que sobressaia aqueles que o receberam? Como saber se eu fui verdadeiramente batizado com o Espírito Santo? Essas perguntas são assaz apropriadas e de relevada importância, e por este azo, necessitam de uma resposta consistente à luz das Escrituras Sagradas. Enfoquemo-las, portanto.
                 Tomemos como ponto de partida o Livro de Hebreus. Malgrado o vilipêndio que se tem demonstrado pela Lei de Deus, no Novo Concerto ou Testamento, ela está presente, e precisa estar. Está escrito: “Este é o pacto que farei com eles depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei as minhas leis em seus corações, e as escreverei em seu entendimento.Hebreus 10:16. “Depois daqueles diasrefere-se ao tempo que viria depois da morte de Cristo. Não há graça sem lei, não há julgamento sem código. Que dificuldade para entendermos isso! Tem o batismo do Espírito Santo alguma relação com a lei de Deus? Claro que sim. O apóstolo Pedro, mesmo convertido, ainda achava que os gentios não eram dignos de receberem o favor espiritual de Deus. Foi-lhe necessária uma lição para que ele desaprendesse o que havia aprendido: Cornélio, um homem estranho à comunidade de Israel. O Livro Sagrado reserva que Cornélio foi batizado com o Espírito Santo, no entanto, em que condições: alheio aos mandamentos de Deus ou temente a eles? Assim está escrito: “Eles responderam: o centurião Cornélio, homem justo e temente a Deus e que tem bom testemunho de toda a nação judaica, foi avisado por um santo anjo para te chamar à sua casa e ouvir as tuas palavras.Atos 10:22. Tal incidente cravou na mente de Pedro o que o Espírito Santo falara por seus próprios lábios, anteriormente a esse fato: “E nós somos testemunhas destas coisas, e bem assim o Espírito Santo, que Deus deu àqueles que lhe obedecem.Atos 5:32.
                Para todo filho de Adão, Deus estende o Seu convite de terno amor. O Espírito Santo a todo instante apela para os corações dos homens, a fim de que abandonem o mal e voltem para o Seu Criador. Ele insta com o homem a reconhecer sua vida de pecados, de afastamento de Deus, assim como nos idos antediluvianos. Ainda que seja Deus, Ele busca a permissão do ser humano para reconstruir o templo, para que nele habite. E quando alguém dá ouvidos a Sua voz, Ele lhe mostra o estado moral degradado, contrapondo-o à santa lei divina, e em seguida, leva o homem ao Calvário, apontando para o inestimável e substituinte sacrifício de Cristo. Ali, aos pés do Salvador, este ser entrega a sua alma a Deus. E, aludindo a este grande e maravilhoso acontecimento, João diz: “E a todos quantos O receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no Seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.João 1:12 e 13.
                Todos, sem exceção, receberão o poder de ser feito filho de Deus, se receber a Cristo em sua mente, em seu coração, como seu Salvador pessoal. Esse poder vem através do Espírito Santo. E com que finalidade? Habilitar o recém-nascido a viver segundo o padrão dos cidadãos do Céu até a estatura de Cristo. Paulo disse: “Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados.” “E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo.Efésios 5:1; 4:11-13. Isso não é possível para aquele que ainda não contemplou a dádiva do Espírito Santo. Em contrapartida, aquele que O recebeu, demonstrará uma vida isenta de pecado, pois agora não é mais o pecado que habita em seu ser, e sim, o próprio Espírito de Deus. Sua vida a cada dia refletirá a vida do próprio Salvador. Pelo Espírito, Cristo vem habitar na alma, e Sua vida de obediência é refletida na vida da nova criatura.
                 Como vimos o propósito de Deus é que todos, todos aqueles que entregaram sua vida a Ele, recebam o poder dos Céus para que vivam uma vida de vitória, uma vida de crescimento espiritual até alcançar a estatura do Salvador. E como isso ocorre? Assim está escrito: “Mas, quando vier Aquele Espírito da verdade, Ele vos guiará em toda a verdade.João 16:13. Vemos que é o Espírito Santo que nos conduz a toda a verdade, e a obediência à verdade é o que chamamos de santificação ou purificação. O Espírito Santo nos purifica ou santifica, ou melhor, nos torna mais e mais semelhantes a Deus, por intermédio das Santas Escrituras. “Purificando vossas almas pelo Espírito na obediência à verdade.I Pedro 1:22. Jesus Cristo mostra clarividentemente nas palavras: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade.João 17:17.
                 Não há espaço para a dúvida: se temos o Espírito Santo habitando em nosso ser, nossa vida de obediência aos mandamentos de Deus será mais que expressiva, e nós não precisaremos alardear isso, porquanto a luz se evidencia naturalmente nas trevas. Então, podemos afirmar sem medo de errar que o batismo do Espírito Santo está associado diametralmente à obediência ao decálogo, os dez mandamentos de Deus, pois o próprio Cristo, “ainda que era Filho, aprendeu a obediência por meio daquilo que sofreu.Hebreus 5:8. “Ainda que era Filho” significa que, se Ele era o Filho e obedeceu, quanto mais nós, que devemos seguir-Lhe o exemplo, uma vez que estamos abaixo dEle! Mas os dez mandamentos não fizeram parte somente do Velho Concerto ou Testamento? Não. O código moral é a base dos dois concertos. A morte de Jesus é a maior prova de que a lei de Deus é imutável, pois tanto o velho quanto o novo apontam para a cruz. Fazendo uma breve comparação entre os dois concertos, Paulo assim se expressou: “A circuncisão nada é, e também a incircuncisão nada é, mas sim a observância dos mandamentos de Deus.I Coríntios 7:19. A declaração de Paulo é enfática, não é?
                 Sabemos muito bem que nenhum lugar subsistirá se não houver ordem, se não houver uma lei que regulamente a vida da comunidade. Até os animais se submetem a uma lei. Entre os búfalos, nenhum da manada entra no rio se primeiro o líder não entrar, e nenhum sai do rio se o líder não sair primeiro. Interessante, não é verdade? Os irracionais vivem sob regras, enquanto que os racionais relutam quanto à lei do seu Criador. Em nosso lar, por exemplo, estabelecemos regras e ordenamentos, e fiscalizamos o seu cumprimento, porém rejeitamos a idéia de que sobre nós há um governo superior, cuja Autoridade estabeleceu Suas regras para que todas as coisas seguissem em harmoniosa sintonia. Daí surge uma indagação: o que significam as regras que impomos em nossa casa, em nosso trabalho? Não são elas a expressão do que somos? Tudo quanto estabelecemos, não provém daquilo que apreciamos ou repudiamos? Claro que sim. Sem muito esforço, podemos concluir que nossas regras são o transunto do nosso interior. Se minhas regras mudarem, foi porque eu mudei em meus princípios. E não pode ser diferente. E por que isso seria diferente com Deus. Se Ele diz que não devemos adulterar é porque não concorda com o adultério. As Escrituras asserem que Deus nunca muda. Mas alguém dirá: “A mudança é quanto ao quarto mandamento, que é uma sombra.” Sombra de quê? Se o sábado aponta para algo futuro, a que poderíamos atribuir, já que todas as leis cerimoniais apontavam para um evento no futuro? Quiçá alguém se arrisque a dizer que o sábado é uma alusão ao descanso predito em Hebreus! Porém, é necessário ressaltar que o descanso sabático referido em Hebreus está previsto para o futuro em relação aos que ainda não creram, que não entraram pela porta da graça, por ocasião do novo nascimento. Entrementes, para os que foram gerados de novo, que vivem uma nova vida, a entrada no descanso se dá no mesmo ato perdoador de Deus. E para esses, o descanso já está em voga. É assim que consta: “Porque nós, os que temos crido, é que entramos no descanso.Hebreus 4:3. E perceba, o leitor, que entrar no descanso de Deus significa uma das conseqüências do nascer dEle. Só entramos se crermos, pois quando cremos genuinamente somos transformados noutro ser em condições de habitar em Sua presença.
                 Há uma corrente que tenta usar a lógica para interpretar matéria espiritual, mas caro leitor, só o Espírito Santo pode nos interpretar o que Ele inspirou os homens a escrever. E se a lógica explicasse as coisas de Deus, como explicar a maravilhosa reação da água em suas mudanças químicas, as quais lançam por terra os padrões da Ciência? Como explicar a existência do Halo de Polônio no interior do granito? A que me refiro? O texto bíblico que muitos tentam aplicar a lógica é Colossenses 2:16. Lemos: “Ninguém, pois, vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou de lua nova, ou dos sábados.” “Aqui”, dizem, “vemos que o apóstolo está se referindo ao sábado semanal, porque ele cita festas, que são anuais, festas que são mensais, e por fim, os sábados, que são semanais.” Seria mesmo a ordem certa – ano, mês, semana? Não seria: ano, mês e dia? Estranho, não? E quanto às festas? Não podemos afirmar que todas eram anuais, uma vez que o Pentecostes só poderia ser realizado empós o povo adentrar na Canaã prometida. Ademais, o sábado das festas eram chamados por Deus de “vossos sábados, e os semanais de “Meus sábados. A que categoria o apóstolo estaria se referindo? Há alguma diferença entre o sábado do povo e o do Senhor? Claro. Os sábados das festas não eram memoriais da criação; eles não foram destinados a fazer o homem lembrar-se do Criador do Universo, porquanto essa é a finalidade do sábado do Senhor, o sétimo dia da semana – trazer viva na memória do homem que o Criador do Universo é Deus, o seu Mantenedor, o seu Redentor. E esse sábado, o sábado do Senhor, foi posto na primeira tábua dos dez mandamentos, indicando que não santificá-lo, consoante o estabelecido, era afronta moral a Deus, pois O desqualificaria como o Ser que criou os céus e a Terra.
                 A interpretação errônea do versículo 16 decorre de sua segregação do versículo seguinte. Ali diz: “Que são sombras das coisas vindouras.” A palavra sombra indica a existência daquilo que ela projeta. Assim, as leis cerimoniais projetavam eventos ligados a Cristo no futuro, portanto, reitero a indagação, a que evento futuro o sábado semanal está associado? A nenhum. E sua eternidade está implicada não só nas palavras de Cristo, bem como na narrativa da criação ao passar de um dia para o outro. Jesus proclamou: “O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado.Marcos 2:27. Ora, quem seria a causa e o efeito aqui? O efeito deve durar enquanto a causa existir. A causa é o homem, sendo assim, enquanto o homem existir, haverá sábado por sua causa. E mais: desde o domingo até a sexta-feira, as Escrituras definem começo e fim de cada dia, menos para o sábado, porque ele é interrompido, não findo, pela intercalação dos dias destinados aos afazeres dos homens não permitidos no dia do Senhor. Noutras palavras: o sábado teve começo, mas não tem fim. O sábado é eterno.
                 Depois da restauração de tudo, quando os novos céus e a nova Terra forem estabelecidos para a habitação dos salvos, o sábado estará presente. Por Seu profeta Isaías Deus declarou: “Pois, como os novos céus e a nova terra, que hei de fazer, durará diante de mim, diz o Senhor, assim durará vossa posteridade e o vosso nome. E acontecerá que desde uma lua nova até outra, E DESDE UM SÁBADO ATÉ OUTRO, virá toda a carne a adorar perante Mim, diz o Senhor.Isaías 66:22 e 23. E porque o sábado estará lá? Porque lá estará a posteridade, ou seja, os salvos, a causa da existência do sábado do Senhor. E haverá necessidade de um sábado lá? Claro. A escola começa aqui e durará por toda a eternidade. O Livro Sagrado nos evidencia que deveremos crescer até a estatura de Cristo, e aqui não se está referindo ao tamanho do Seu corpo, mas pureza, santidade, enfim, qualidades morais. E por ser Ele Deus, desde a eternidade, presumimos, logicamente, que jamais alcançaremos sua estatura. Isso quer dizer que teremos que crescer espiritualmente para todo o sempre.
                 Mas que relação tem o sábado com o Espírito Santo? Leiamos novamente João 17:17 e 16:13: “SANTIFICA-OS na verdade; A TUA PALAVRA é a verdade.” “Mas, quando vier Aquele Espírito da verdade, Ele vos guiará em toda a verdade.João 16:13. O Espírito Santo é quem efetiva a santificação, e se utiliza da verdade. Como o sábado faz parte da verdade de Deus, ele está inserido no processo da santificação. Aquele que foi gerado pelo Espírito de Deus, entrará no descanso semanal com o seu Criador, pois sentirá necessidade desse dia. Sentirá prazer em desfrutar das horas santas para estar em comunhão com seu Pai, longe do burburinho da vida, no dia por Ele destinado exclusivamente para esse fim – ADORAÇÃO. E lembremos que adoração inclui também as obras de evangelização e de promoção do bem aos nossos semelhantes, posto que tudo isso enaltece o nome de Deus.
                 Pode ser novidade para muitos, todavia o dia do Senhor, o sábado, é símbolo também de santificação. “Também lhes dei OS MEUS SÁBADOS, PARA SERVIREM DE SINAL entre mim e eles, PARA QUE SOUBESSEM que eu sou o SENHOR QUE OS SANTIFICA.Ezequiel 20:12. Dessa forma, sendo o sábado santo, somente os que estão sendo santificados, os verdadeiros filhos de Deus, os quais são guiados pelo Espírito Santo, “pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus”, Romanos 8:14, somente esses, repito, são os verdadeiros guardadores do dia do Senhor. São eles os remanescentes que estarão prontos na vinda do Salvador. “Aqui está a paciência dos SANTOS; aqui estão OS QUE GUARDAM OS MANDAMENTOS DE DEUS e a fé em Jesus.Apocalipse 14:12. E não podemos negar que aqui João se refere ao futuro, próximo à vinda de Cristo.
                 As Escrituras estampam que o fundamento da lei de Deus é o amor. Não poderemos guardar um só mandamento sem esse dom espiritual imprescindível. Nosso amado Senhor impôs uma condição que mede o que sentimos por Ele. “SE ME AMAIS, GUARDAREIS os Meus mandamentos.João 14:15. E Paulo dá a razão: “O cumprimento da lei É O AMOR.Romanos 13:10. Quando e como recebemos esse amor que nos capacita guardar os Seus mandamentos? O mesmo Paulo nos responde: “E a esperança não desaponta, porquanto o amor de Deus ESTÁ DERRAMADO em nossos corações PELO ESPÍRITO SANTO QUE NOS FOI DADO.Romanos 5:5. O amor de Deus é derramado em nós pelo Espírito Santo, visto que por Ele mesmo somos recriados à imagem de Deus, o qual é o penhor da nossa esperança, e isso nos ocorre quando cremos na promessa divina, contida na Palavra de Deus.
                 Todos quantos quiserem receber o Espírito de Deus serão atendidos, pois Ele não faz acepção de pessoas. Porém é necessário estar disposto a depositar todo o viver sobre o altar, para que Cristo possa realizar tanto o querer como o efetuar de Sua vontade. E essa promessa abrange a tua pessoa, amigo leitor, não importa quem sejas, e onde quer que estejas, sejam quais forem os teus pecados. Deus irá ao teu encontro, te abraçará e porá sobre ti novas vestes, a justiça de Seu Filho, aquilo que te falta para seres um filho do Altíssimo. Assim, aparecerás diante dEle como se nunca houvesses pecado, ou melhor, como se tivesses feito tudo perfeito, pois a vida de Cristo te será imputada.
                 Um nascer na família de Deus, do próprio seio do Salvador, está a tua espera, leitor. Não te demores! Vá a Ele hoje mesmo! A promessa é: “O que vem a Mim, de modo nenhum o lançarei fora.João 6:37. Então serás batizado, serás selado com o Espírito Santo da promessa, pois “tendo ouvido a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, e tendo nEle também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa.Efésios 1:13.
                 Que Deus nos abençoe!


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domingo, 5 de junho de 2011

O Culto Racional de Romanos 12:1

Rogo-vos, pois, irmäos, pela compaixäo de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.
Romanos 12:1.

Atendendo à necessidade de algumas pessoas, hoje abordarei sobre Romanos 12:1. É mais um tema importantíssimo em face do que ele representa – ADORAÇÃO. Sua mensagem envolve toda a atmosfera do santuário terrestre, com seus rituais, e lança sua luz e seus ensinamentos no santuário espiritual, que somos nós. Quando jovem, eu não vislumbrava nenhum atrativo nos serviços do santuário terrestre, e isso era fruto da minha incompreensão e desinteresse. Se eu tivesse assimilado a sua mensagem, em cada pormenor, o significado de cada peça nele contida, o horizonte da minha vida teria recebido um colorido assaz distinto do que meus incrédulos olhos contemplaram. “O meu povo perece por falta de conhecimento.Oséias 4:6.
Quando pensamos em adoração, nossa mente deve criar uma imagem de um altar, pois não existe adoração sem oferecimento de algum sacrifício. O sacrifício de animais, na dispensação judaica, não era só oferecido para demonstrar arrependimento pelo pecado cometido, mas também por agradecimento e reconhecimento da bondade e misericórdia de Deus. Noé ofereceu holocausto quando saiu da Arca; Abraão ofereceu sacrifício quando o Senhor lhe apareceu antes de sua peregrinação; Jacó também ofereceu sua oferta sobre um altar, por sentir a paz do perdão de Deus, logo depois do encontro que teve com seu irmão. E hoje: o que devemos oferecer e em que altar? Estaríamos nós isentos dessas ofertas porque estamos no Novo Concerto?
Isso pode parecer estranho, contudo ainda existe um altar e ainda existem sacrifícios a serem ofertados nele, pois não há templo sem um altar. Assim está escrito: “Ou não sabeis que O VOSSO CORPO É SANTUÁRIO DO ESPÍRITO SANTO, que habita em vós, o qual possuís da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?I Coríntios 6:19. Entrementes, algo precisa ser esclarecido aqui. Algo que é chocante, contundente. Inicialmente devemos estabelecer que Deus e Satanás não habitam num mesmo lugar, e foi por essa razão que o diabo foi expulso do Céu, empós a morte de Cristo, pois a luz com as trevas não se unem, nem dividem um mesmo espaço. Isso é inconteste. Paulo diz: “E que consenso tem o santuário de Deus com ídolos? Pois nós somos santuário do Deus vivo, como Deus disse: Neles habitarei, e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo.II Coríntios 6:16. Como vemos, em nós habita um ser ou outro, nunca os dois. E adrede usei o verbo habitar para que entendamos que não existe uma linguagem figurada aqui, todavia a mais pura realidade. Quando o apóstolo diz habitar, ele está lidando com o que é real, em consonância com o versículo acima citado, cujas palavras são de autoria do próprio Deus. Ora, Ele não está asserindo de um modo para que entendamos de outro. Habitar é habitar. É por essa razão que somos considerados templos.
Então, indago: porque Paulo afirma que somos templos do Espírito Santo, quando há pessoas que não se submetem à vontade de Deus, habitando nelas o pecado, tornando-lhes escravas de Satanás? Uma coisa é um objeto me pertencer por direito, outra coisa é eu ter a posse desse objeto. Somos ensinados pelas Escrituras Sagradas que fomos comprados por bom preço, e, diga-se de passagem, por preço altíssimo – a vida do Salvador. Esse foi o preço com que o Criador nos avaliou.  Mas que valor atribuímos a nós mesmos? Nós valemos aquilo que nos impede de sermos salvos – uma profissão, um vício, o orgulho, a vaidade, um bem material, nossa própria vontade, etc.. Esse é o valor dado por nós mesmos a nossa alma. Deus teve que comprar o que já era seu.
Sim, o templo, que somos nós, pertence a Deus, porém, vale a pergunta: para quem disponibilizamos esse templo para morada? Deus ou Satanás. Se isso fosse indagado a qualquer ser humano: “Quem habita em teu ser?” A resposta seria imediata – “Deus”. Tal resposta estaria de acordo com a nossa vida? Vejamos. Saulo dizia consigo mesmo: “Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço. Ora, se eu faço o que näo quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim.Romanos 7:19 e 20. E por que eu disse Saulo e não Paulo? O apóstolo registra o que se passava em sua mente quando ele ainda não era convertido. E como posso asselar isso tão categoricamente? Se considerarmos que Paulo está narrando sua própria experiência, mesmo convertido, teremos que admitir, então, que ou o Espírito Santo e o pecado habitavam lado a lado no coração de Paulo, ou há contradições nas suas declarações. Portanto, precisamos analisar isso.
Algumas passagens do Livro Sagrado devem ser comparadas com outras porções para que se evite uma interpretação linear do texto. Um pouco aqui, um pouco ali. Em Romanos 7:16 e 17, temos esta passagem:
Agora, porém, não sou mais eu que faço isto, MAS O PECADO QUE HABITA EM MIM. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, NAO HABITA BEM ALGUM; com efeito o querer o bem está em mim, MAS O EFETUÁ-LO NÃO ESTÁ."
Nesse versículo, Paulo atribui ao pecado a sua deficiência em não obedecer a Deus. Afirma indubitavelmente que o pecado habita em seu ser. Demonstrando que todos os nascidos de Adão são escravos de Satanás, ele diz que o desejo de fazer o bem até existe, porém lhes falta poder para realizá-lo. E a razão mor é a habitação do pecado no ser humano, não transformado pelo Espírito Santo. Paulo também categoriza a escravidão dessa pessoa. Ele diz: “Mas vejo nos meus membros outra lei, que batalha contra a lei do meu entendimento, e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros.Romanos 7:23. Notemos: pelo fato de o pecado habitar no coração do homem, este se torna escravo daquele, e Cristo corrobora com essa realidade. São Suas palavras: “Todo aquele que comete pecado é escravo do pecado.” João 8:34. É descabido atestar que podemos ser escravos de Satanás ao passo que somos escravos de Cristo, pois, segundo Ele próprio, não se pode servir a dois senhores. Sendo assim, ou eu sou dominado por Cristo ou por Satanás, nunca pelos dois, concomitantemente.
Agora, note o que os versículos seguintes nos trazem à luz!
Sabendo isto, que o nosso velho homem foi crucificado com Ele, para que o corpo do pecado fosse desfeito, a fim de não servirmos mais ao pecado... Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para obedecerdes as suas concupiscências... Pois o pecado não terá domínio sobre vós, porquanto não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça... E libertos do pecado, fostes feitos servos da justiça... Mas agora, libertos do pecado, e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto para a santificação, e por fim a vida eterna.” “No Qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus no Espírito.Romanos 6:6, 12, 18, 22; Efésios 2:22.
Tais citações têm a subscrição de Paulo. Nesses textos bíblicos ele deixa assaz patente, de clareza indiscutível, que somos libertos de Satanás quando somos salvos por Cristo. Essas afirmações, muitas vezes, não recebem o valor e a atenção das quais são dignas, e por parte de homens que professam ter conhecimento vasto sobre a Palavra de Deus, homens renomados no seio da cristandade. Quando Paulo disse “POIS O PECADO NÃO TERÁ DOMÍNIO SOBRE VÓS”, não estava falando o oposto de “Agora, porém, não sou mais eu que faço isto, MAS O PECADO QUE HABITA EM MIM? Ora, se eu não faço o que quero, porém o pecado é quem me leva a fazer, então não posso dizer que ele não tem domínio sobre mim, nem muito menos afirmar que sou livre ou liberto dele. Por essa razão eu havia asserido que, se Romanos 7:15 a 23 não se refere a experiência espiritual de Saulo, mas a de Paulo, então, ou o Espírito Santo habita junto com o pecado, ou há contradição nos seus escritos, acima mencionados, já que não podemos servir a dois senhores.
Alguém dirá: “Irmão Gonçalves, só servimos ao pecado se estivermos na carne.” Quiçá não estejamos entendendo o que isso quer dizer. O que é estar na carne? Pelo que aparenta, hoje eu posso estar na carne e logo depois no Espírito, e vice-versa, como se fosse algo trivial. Outros dirão: “Tudo que temos a fazer é orar, jejuar, estudar as Escrituras, pois assim mantemos comunhão com Deus.” E o que seria comunhão com Deus? Será que se uma pessoa religiosa não consegue dominar um pensamento impuro que seja, perde a comunhão com Deus? Ou seja, ela estava em comunhão com Deus há mais ou menos um segundo, e a perdeu. Aí, ela pede perdão a Deus, e novamente está em comunhão com Ele, e o ciclo volta a repetir-se. Assim, ora o Espírito a domina, ora o pecado; ora é livre, ora é escrava. Estranho, não? Pergunto: se assim for, a quem se está servindo realmente, neste momento?
Não, não há confusão nas Escrituras. Ou somos livres ou não somos. E essa condição está relacionada intrínseca e indissociavelmente com a natureza do nosso nascimento, isto é, o berço e o elemento utilizado para nos gerar determinam quem somos nós – filhos de Deus ou escravos de Satanás. O que quero dizer com isso? Quando digo berço reporto-me à fonte que me deu origem. Por exemplo: fui gerado inicialmente de meu pai, Domingos e de minha mãe, Tercília Maria. Eis o meu berço. O elemento que fora utilizado para promover o meu nascimento foi o par de gametas, masculino e feminino. Sou carnal por conta dessas circunstâncias. Fui criado a partir de pais terrestres. Se eu permanecer nessa condição, eu não herdarei o reino de Deus. Cristo disse: “O que é nascido da carne é carne, o que é nascido do Espírito é espírito.João 3:3. E Paulo, aludindo a essa máxima, narrou: “Carne e sangue não podem herdar o reino de Deus.I Coríntios 15:50. “Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus.Romanos 8:7.
Estar na carne, portanto, é permanecer ainda como descendente de Adão, o primeiro, provindo de sua matéria corrompida. As Escrituras afirmam que Deus não habita em santuário feito por mãos humanas. “Mas o Altíssimo não habita em templos feitos por mãos de homens.Atos 7:48. Ora se somos descendentes do primeiro Adão, nosso templo está totalmente impuro, devido à natureza pecaminosa que herdamos. Saímos do homem natural, e isso nos invalida, nos impossibilita a entrada no Céu. Equivaleria dizer: fomos feitos por mãos de homens. Paulo em II Coríntios 15:45 nos diz que o último Adão, Cristo, foi feito espírito vivificante, que dá vida. E em Efésios 2:10 atesta que somos feitura Sua [de Deus], criados em Cristo Jesus. Criados EM Cristo Jesus. Note que a preposição em significa dentro. É desse Berço que deve todo cidadão do Céu provir. Vê que Ele falou de dois nascimentos em João 3:3, e isso não é uma hipótese ou irreal, fictício. Precisamos crer na Sua promessa. Não receberemos nada, duvidando do Seu poder.
Nascer para Deus é nascer. Há um nascer nos aguardando: o nascer de cima, do Espírito Santo. E qual o elemento utilizado nesse novo nascimento? O mesmo poder contido na palavra dita ao leproso: “Quero, sê limpo.Mateus 8:3. Tais palavras não foram proferidas ao leproso, tão-somente, mas ainda ecoa para que aqueles que percebem sua impossibilidade de se verem livres da lepra do pecado, possam buscar o Salvador em busca de cura e dEle ouvir a mesma voz, com o mesmo poder curativo, e em Sua augusta presença receber uma vida nova, totalmente pura, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, santa e irrepreensível diante de Deus. Efésios 5:27. Quanto a esse elemento, a Palavra de Deus, Pedro expressa: “Sendo de novo gerados, não de semente corruptível [os gametas humanos], mas da incorruptível, pela Palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre.I Pedro 1:23. Nascido de Deus, somos Seus filhos, e isso só ocorre por intermédio da fé, ingrediente importantíssimo no processo da salvação, posto que não há salvação se não houver fé envolvida. Eis a razão de Cristo enfatizar a necessidade de se nascer de novo, nascer dEle mesmo.
Agora poderemos compreender largamente o que Paulo expõe em Romanos 12:1. Como dantes falei, as oferendas de sacrifício não foram somente para o tempo dos hebreus, é também para o nosso tempo. Naquele concerto, havia sacrifício de animais, hoje com os frutos da nossa vida. Vou explicar melhor: se havia um altar, teria que ter um sacrifício, e este não era escolhido aleatoriamente. Não poderia ter defeito algum, nem mancha, nada que contaminasse a oferta, visto que tudo simbolizava Cristo. No Novo Concerto, somos conclamados por Paulo a apresentarmos os nossos corpos como sacrifício. E de que forma? Ora se no primeiro, o Cordeiro de Deus tinha que ser simbolizado por animaizinhos puros, perfeitos, sem mácula, porque Deus exigiria menos rigor no Novo Concerto?
Paulo nos relata que o sacrifício deve ser vivo, santo e agradável. Não se apresentava no primeiro concerto animais mortos, lógico e evidente. No novo, a exigência continua, e deve continuar, pois que representa o Salvador. O que Ele mesmo disse quando aqui esteve? “Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê nAquele que Me enviou, TEM a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida.João 5:24. E o discípulo amado segue o Seu Mestre: “Quem tem o Filho tem a vida: quem não tem o Filho de Deus não tem a vida.I João 5:12. Noutras palavras: se alguém não nasceu de Cristo está verdadeiramente morto. O sacrifício tem que ser vivo.
Ao ser perdoado, o pecador é feito justo por Deus. Assim ele passa da morte para a vida, e vida eterna. Seus passos serão guiados pelo Espírito Santo, na obediência à verdade, pois este é o meio pelo qual Ele processa a santificação. “Para ser ministro de Cristo Jesus entre os gentios, ministrando o evangelho de Deus, para que sejam aceitáveis os gentios COMO OFERTA, SANTIFICADA PELO ESPÍRITO SANTO.Romanos 15:16. Sem a santificação ninguém verá o Senhor Jesus Cristo quando Ele vier (Hebreus 12:14), pois os ímpios, que não terão sido santificados, serão destruídos pelo esplendor de Sua vinda. O sacrifício tem que ser santo.
O homem criado à imagem de Deus, reflete o Seu caráter. O Espírito Santo que nele habita, é o responsável por esse reflexo. “Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, domínio próprio.” Destaquei o amor, pois ele é a prova de que agradamos a Deus. O Senhor Jesus Cristo declarou: “Se Me amais GUARDAREIS os Meus mandamentos.João 14:15. João descreve as características dos fiéis remanescentes de Deus, aqueles que estarão aguardando o retorno do Salvador: “Aqui está a paciência dos santos; aqui estão OS QUE GUARDAM os mandamentos de Deus e a fé em Jesus.” Apocalipse 14:12. E ele mesmo acrescenta: “E qualquer coisa que Lhe pedirmos, dEle a receberemos, porque guardamos os Seus mandamentos, e fazemos o que é agradável a Sua vista.” I João 3:22. O sacrifício tem que ser agradável.
Caro leitor, o convite do Salvador ainda continua de pé. “Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-O enquanto está perto.Isaías 55:6. Ele te aguarda para fazer de ti um novo homem a Sua semelhança, a fim de que possas representá-Lo perante o mundo, sem pecado, sem ruga, sem qualquer outra coisa do gênero, mas santo e irrepreensível, de modo que possas Lhe oferecer diariamente um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, através do teu viver.
Que Deus nos abençoe!

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