quarta-feira, 4 de maio de 2011

Fé ou Presunção?


Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem.
Hebreus 11:1.


Carreguei durante toda a minha juventude uma dúvida sobre um assunto que aparenta ser relativamente cognoscível, de fácil conhecimento e compreensão: . Ouvia muitas pregações a respeito, mas não me satisfaziam. Tratavam da fé como se ela fosse confiança cega, ou, então, como algo apresentado tão-somente no campo teórico, e assaz vulnerável. A fé surgia como a solução dos problemas, entrementes, seu raio de ação era muito curto, e, embora com a configuração de uma fortaleza, ela se mostrava fraca. Apelava-se para a fé, contudo alicerçava-se a esperança no terreno. Então, o que é fé? Como ela atua em nossa vida e quais os seus efeitos?
Arquimedes, matemático e físico grego que viveu antes de Cristo, disse um dia: “dêem-me uma alavanca suficientemente grande, um ponto de apoio, e eu moverei o mundo”. Essa alavanca existe, e se chama fé, o ponto de apoio é Deus, e quem deve manejar a alavanca és tu, sou eu. Ao sair Adão das mãos do Deus vivo, ele era completo, era perfeito. Sua confiança em Deus era inabalável. Cedendo, então, ao pecado, todo o seu ser foi afetado, mormente a fé. E por que ela é tão essencial assim? A fé é para a nossa alma, como as mãos para o corpo. Com ela nos agarramos na Rocha; por ela, Deus nos torna mais fortes que o arquiinimigo. Ele foge de nós. Herdamos de Adão, portanto, uma fé imperfeita e falha por natureza. Ela se dobra diante das tempestades da vida; apega-se ao crível, visível e possível. Essa fé, sem percebermos, exercitamos todos os dias de nossas vidas. Ao pegarmos um táxi, por exemplo, depositamos fé no taxista de que ele nos levará ao nosso destino; o taxista tem fé de que nós iremos lhe pagar o preço ao final da corrida. De fato, Deus criou o homem com a faculdade de crer, de confiar.
A entrada do pecado em nosso planeta, alterou drasticamente o comportamento da natureza, todos sabemos disso. Dentre tantas coisas, um elemento foi inserido na natureza humana: a dúvida. Ela teve seu berço no anjo caído e, tendo o homem cedido a sua tentação, dele recebeu essa mesma macabra faculdade. Há quem diga que a dúvida é necessária, mas não sabem que ela mina a fé. A fé e a dúvida são rivais, e não podem ocupar o mesmo espaço no coração. Assim, ou somos incrédulos ou crentes. Certo dia, Jesus ordenou a Pedro, a pedido deste, que ele fosse ao Seu encontro, andando por sobre as águas. As Escrituras afirmam que Pedro inicialmente andou sobre as águas, assim como o Seu Mestre. Mas, ao ouvir o barulho do vento, teve medo, e afundou. Rogou desesperadamente que Jesus o ajudasse, e prontamente o Salvador o atendeu, trazendo-o para a superfície. O que vemos aqui? A fé sendo esmagada pela dúvida. E, aí, Cristo suavemente repreende a Pedro: “Por que duvidaste, homem de pequena fé?” Mateus 14:31. Homem de pequena fé. Essa frase parece ter sido uma constante nos lábios de Jesus. Pouquíssimas vezes O vemos alegrar-Se com a manifestação de uma fé robusta. Qual a razão da escassez de uma fé que redundasse em gozo, satisfação, prazer no Filho de Deus?
Pelo que pudemos ver, existem duas qualidades de fé: a forte e a fraca. Esta é natural para todo filho de Adão, os nascidos da carne; aquela está incluída no dom da justiça imputada ao que crê, quando se dá a justificação, os nascidos do Espírito. A fé de quem nasce no Reino de Deus não É do tamanho de um grão de mostarda, como muitos pensam, mas COMO um grão de mostarda. Quando Cristo fez essa comparação, não se referia a tamanho, mas à espécie. Ele se referia a sua própria fé. Jesus veio ao mundo para ser a segunda chance da humanidade, Ele Se voluntariou a isso. Cada passo que Ele deu, foi devidamente planejado, minudentemente arquitetado, a fim de que o homem não errasse o caminho para o Céu, onde Ele agora está. Por essa razão, Ele falou de Si mesmo: “Eu Sou o CAMINHO.” Noutras palavras, Ele estava dizendo: “Prestai atenção em Mim, porque como faço, como digo, como penso, é a única forma de agradar ao Pai. E só podereis assim fazer se Me aceitardes em vosso coração como Senhor da vossa vida.”
É possível ter a fé que Jesus teve? Graças a Deus, eternamente sim. Em Gálatas 5:22, lemos: “Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, , mansidão, domínio próprio.” Em algumas versões, encontramos a palavra fidelidade no lugar de . Na verdade, fé abrange os dois significados: e fidelidade. Estão intrinsecamente unidas. Aquele que nasce de novo, não só crer em Deus, como também cumpre o seu voto em relação a Cristo. Indago: por que a fé vem como um dom do Espírito Santo, se a pessoa já tinha fé antes de ser novamente gerada? A resposta é simples: a fé que ela tinha antes de ser transformada por Deus era uma fé defeituosa, que não se mantinha firme. O homem quando é regenerado, ele o é por completo. E que fé é essa que vem como um dom? Paulo nos responde no Livro de Hebreus. “Olhando firmemente para o AUTOR e CONSUMADOR da , JESUS.” Hebreus 12:2. Por que Autor e Consumador? Por que Ele não só criou a fé necessária para qualquer um que deseje viver eternamente, Ele também a consumou, ou seja, a estabeleceu, a consolidou. Com que finalidade? Para ofertá-la ao pecador arrependido, de modo que ele possa alcançar a mesma vitória que Cristo alcançou quando aqui viveu. O Espírito Santo é quem derrama as nove qualidades no novo ser criado, e consequentemente Cristo é reproduzido paulatinamente na vida de quem nasce de cima. E, assim, apropriadamente, Jesus explica que a fé necessita crescer. O novo ser irá se alimentar das porções pastosas das Escrituras, e na medida em que ele cresce, sua alimentação vai se tornando mais sólida, e sua fé corresponderá a sua estatura. E como se dá o crescimento da fé? Bem, Paulo e Judas nos oferecem a resposta: “De sorte, que a fé VEM PELO OUVIR, e o ouvir pela PALAVRA DE CRISTO.” Romanos 10:17. “Mas vós, amados, edificando-vos sobre a vossa santíssima fé, ORANDO no Espírito Santo.” Judas 1:20. O Espírito nos guia a toda verdade; Ele nos dá a disposição para ler as Escrituras, nos dá o desejo de buscarmos a Deus em oração, e assim, estudando a Palavra de Deus e perseverando na oração, a nossa fé cresce, feito a semente da mostarda, a qual se torna uma grande árvore. E essa fé é robusta, pois é a mesma preparada pelo próprio Filho de Deus.
Ficou claro que a fé faz parte da vida daquele que foi gerado novamente. E por essa razão o Livro Sagrado nos diz que o justo viverá pela fé. Ele viverá na total dependência de Deus Pai, assim como viveu o nosso Salvador Jesus Cristo, sem com nada se abalar, sem por nada sentir ansiedade. Ele disse: “Não estejais ansiosos quanto à vossa vida.” Mateus 6:25. E Paulo reflete: “Não andeis ansiosos por coisa alguma.” Filipenses 4:6. Vê que a fé é a mesma, tanto de Cristo, como a de Paulo?
Existe, no entanto, a sósia da fé, que a muitos confundem: a presunção. Esta não é divina. É uma contrafação, e, por ela, Satanás tem levados muitos ao calabouço da escuridão espiritual. Temos um exemplo típico dessa falsa fé. Saul havia sido orientado por Samuel que não oferecesse holocausto, mas que aguardasse pelo seu retorno. Vendo a situação vexatória que o apertava, e não aparecendo o profeta no tempo aprazado, decidiu oferecer o holocausto. Mal ele acabava de realizar aquela oferenda, Samuel lhe apareceu. Saul foi repreendido severamente pelo Senhor, através do Seu profeta. A fé não é meia-fé, ela o é por inteiro. Não temos que, segundo o nosso entendimento, mudar aquilo que foi determinado e claramente exposto por Deus, mesmo que pareça contrário à lógica. Isso não é fé, é presunção. A presunção é moldada pelas circunstâncias envolventes, a fé, não; a presunção não se ancora na expressa Palavra de Deus, a fé, sim. A presunção cogita a interpretação mais adequada da mensagem divina, a fé, o que está escrito. A presunção é vacilante, a fé se mantém firme nas promessas de Deus.
Como exemplo de fé, reportemo-nos a George Miller, grande evangelista inglês. Ele estava de viagem para Quebec, Canadá. Havia um compromisso marcado para sábado, numa determinada igreja. O navio em que se encontrava foi envolto por um denso nevoeiro e necessitou diminuir sua marcha, quase parando. Miller foi até o convés e assim se dirigiu ao Capitão: “Vim para lhe informar que, sábado que vem, eu preciso estar em Quebec. Em 50 anos nunca faltei a um compromisso, e não ocorrerá desta vez.” Retrucou-lhe o Capitão: “Mas o senhor não está vendo este denso nevoeiro?” “Não.”, respondeu Miller, e completou: “Eu não vejo este nevoeiro, porque os meus olhos estão fixos no Deus que governa todas as circunstâncias da minha vida.” E aí Miller convidou o Capitão para irem à cabine a fim de fazerem uma oração a Deus. Incrédulo o Capitão seguiu o pregador. Na cabine, Miller iniciou a sua oração: “Senhor, sabes que eu preciso estar em Quebec, no próximo sábado. Faz com que este nevoeiro se dissipe em cinco minutos. Em nome de Jesus. Amém!” Quando o Capitão ia iniciar a sua oração, foi interrompido por Miller, que lhe disse: “Não precisa orar. Primeiro porque eu sei que o senhor não acredita que Deus fará desaparecer este nevoeiro. E segundo porque creio que Ele já o fez. Vamos lá em cima!” E qual não foi a surpresa do Capitão ao ver o tempo totalmente limpo, sem nevoeiro. Este episódio mudou a vida daquele Capitão.
Como podemos estabelecer a diferença entre fé e presunção? Imaginemos que alguém segue de um ponto de ônibus para a sua casa. Tal pessoa chega num trecho em que há duas opções de ela chegar até o seu destino. Uma mais distante que a outra. Quando, então, ela atinge esse ponto, aparece-lhe alguém em seu caminho e lhe alvitra não seguir pelo mais curto, pois foi visto um homem suspeito naquela rua. Ela pensa consigo: “Se eu for pela outra, vou demorar cerca de quinze minutos a mais. É muito tempo, diante dos meus compromissos. A Bíblia diz que o anjo do Senhor se acampa ao redor dos que O temem, e os livra. Vou por aqui mesmo e Deus vai me proteger.” É fato que as Escrituras nos trazem essa promessa. Mas pergunto: essa atitude pode ser traduzida por fé? Não temos um exemplo desses nos Escritos Sagrados, que mostram como devemos agir nessas circunstâncias? Encontramo-lo em Mateus 4:5-7. Satanás propõe a Cristo saltar do pináculo do templo, sob a alegação de estar prevista a promessa de Salmo 91:11 e 12. A promessa existe, mas a ordem de Deus para saltar do pináculo do templo, não. Com isso aprendemos que não devemos forçar a providência divina quando a situação oferece saída evidente, quando a prova não foi promovida por Deus. No Livro de Romanos Paulo nos admoesta: “Tudo o que não provém de fé, É PECADO.” Romanos 14:23. Se conhecemos a vontade de Deus, e insistimos por adequar um texto a uma situação, onde é clara e inequívoca a sua aplicação, e assim agimos, transgredimos a Sua lei, pecamos. Não podemos exigir proteção divina para quando assim agirmos, e temos que assumir as conseqüências dos nossos levianos e impensados atos.
A tentação no deserto é a mais importante lição sobre o cuidado que devemos ter quanto à interpretação que damos às Escrituras Sagradas. Percebemos que as Sagradas Letras podem nos servir de salvação ou de perdição, somos nós quem decidimos. A própria Bíblia foi usada por Satanás com o fim de induzir Cristo ao pecado. Isso nos quer dizer que não há segurança em tentarmos interpretar a Bíblia, adequá-La, antes, porém, devemos suplicar a Deus pela unção do Seu Espírito para que Ele nos revele qual a Sua vontade, a fim de seguirmos para o Céu, sem o risco de estarmos sendo enganados quanto ao sentido. Precisamos entender que enfrentaremos a mesma tentação sofrida por Cristo, e aí, como discernir as ciladas do diabo, quando ele nos propuser o Sagrado Livro como esteio de seus argumentos? Reflita sobre isso!
A presunção ignora as advertências de Deus quanto aos perigos que há durante nossa jornada para o Céu. O presunçoso não vê a importância de Provérbios 3:7, não vislumbra a placa de perigo iminente contida em Provérbios 14:12, não reconhece a pérola de Jeremias 10:23. O presunçoso desobedece a Deus, na convicção de que Lhe apraz. É escravo de Satanás, crendo que é livre no Senhor. Caminha para a morte, no desejo de viver eternamente. No entanto, a fé foi criada para o justo, e justo é todo aquele que é recriado por Deus, mediante o Espírito Santo, por ocasião do Seu perdão. Necessariamente o justo recebe a fé que não tinha, antes fraca, vacilante, agora robusta, persistente. Entrelaçando conversação com o nosso Deus, ela cresce feito a semente da mostarda. Sua ação promove a recepção da constante presença do Espírito do Senhor, por quem é derramado o Seu amor em nossos corações. Lemos: “O amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.” Romanos 5:5. Derramando o amor em nós recebemos o atributo divino, participamos da Sua natureza, e, por conseqüência natural, guardamos os Seus mandamentos. “Se Me amais, guardareis o Meus mandamentos.” João 14:15. E Paulo comunga deste princípio citado por Cristo: “O cumprimento da lei é o amor.” Romanos 13:10.
Sim, caro leitor, a fé estabelece um relacionamento harmonioso entre Deus e o homem, “pois é necessário que aquele que se aproxima de Deus, creia que Ele existe e que Se torna galardoador dos que O buscam.” Hebreus 11:6 (up). A fé consolida a lei de Deus. Na verdade, a obediência é fruto da fé. “Anulamos, pois, a lei pela fé? De modo nenhum, antes confirmamos a lei.” Romanos 3:31. Se quisermos receber de Deus a Sua aprovação quanto ao que Lhe ofertamos, a fé se torna imprescindível, pois “sem fé é IMPOSSÍVEL agradar-Lhe.” Hebreus 11:6 (pp).
Caro leitor, nossa salvação está atrelada à fé, porquanto é a nossa parte no plano de Deus. Ela não só é necessária no princípio de nossa carreira, porém em todas fases da vida, pois o justo viverá da fé. Ela é preciosíssima, de valor incomensurável, e podemos assim inferir quando ouvimos Paulo falar: “Combati o bom combate, acabei a carreira, GUARDEI A FÉ.” II Timóteo 4:7. Corramos a carreira que nos está proposta. Recebamos no coração as palavras de João, que disse: “Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo, e ESTA É A VITÓRIA que vence o mundo: A NOSSA FÉ.” I João 5:4.
Alguém disse: “crê nas tuas crenças que se baseiam na Palavra de Deus, e duvida das tuas dúvidas que vêm da enfermidade, do desespero, dos desapontamentos ou desobediência. A dúvida paralisa, a fé vitaliza.” Assim, nobre leitor, por difícil que te pareça o que Deus promete, não ponhas interrogação onde Ele pôs ponto final, pois a fé, no dizer de alguém, vê o invisível, crê no incrível e recebe o impossível.
Que Deus nos abençoe!



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