sábado, 28 de maio de 2011

A Igreja de LAODICÉIA

  Ao anjo da igreja em Laodicéia escreve: isto diz o Amém, a Testemunha fiel e verdadeira, o Princípio da criação de Deus.Apocalipse 3:14.



Muitas são as mensagens que o Livro do Apocalipse nos traz: encorajamento, alerta, alento, amor e reprovação. O mote, sobre o qual discorreremos neste comenos, será a carta enviada à igreja que se encontrava em Laodicéia, uma das igrejas a quem João destinou suas mensagens. Sabemos que a igreja de Laodicéia representa no Apocalipse duas coisas: 1. Uma igreja localizada literalmente em Laodicéia, no tempo do apóstolo João, na atual Turquia; 2. Um período da igreja cristã, contado no tempo compreendido entre a primeira e a segunda vinda de Cristo.  O item 2 encerra aplicação tanto individual como coletiva. Vale dizer, portanto, que ao lermos as cartas dirigidas às sete igrejas, podemos aplicá-las a nós como indivíduos ou a um grupo especial de pessoas. Esse grupo é a igreja de Deus no tempo e no espaço. Onde estará, então, essa igreja de Deus? Ou melhor: que igreja na atualidade representa Laodicéia?
Antes de tudo, seria de bom alvitre darmos uma rápida pincelada sobre os períodos da igreja cristã e identificarmos o tempo em que a igreja de Laodicéia emergiria. Como vemos, as cartas são dirigidas para sete igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia. Então, a igreja de Éfeso representa a igreja cristã do ano 31 ao ano 100 de nossa era; Esmirna do ano 100 ao 313; Pérgamo, de 313 a 538; Tiatira, de 538 até 1517; Sardes de 1517 até 1798; Filadélfia de 1798 a 1844, e, por fim, Laodicéia, de 1844 até o fim dos tempos. Podemos inferir que toda a história da igreja cristã está aqui organizada.
No âmago de cada mensagem enviada para as igrejas notamos que há encômios e/ou repreensão. Para Laodicéia, no entanto, não há sequer um elogio, mas repreensão e alerta, os moldes adequados do amor de Deus em situações de emergência. Não careceremos fazer nenhuma elucubração para compreendermos que o intuito de Deus é ver a Sua igreja com Sua imagem e semelhança nela estampadas, em todos os períodos. Paulo assegura tal pensamento nas palavras: “Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela, A FIM DE A SANTIFICAR, tendo-a purificado com a lavagem da água, pela palavra, PARA APRESENTÁ-LA a si mesmo IGREJA GLORIOSA, SEM MÁCULA, NEM RUGA, NEM QUALQUER COISA SEMELHANTE, mas SANTA e IRREPREENSÍVEL. Efésios 5:25-27. Este é o estado espiritual que o filho de Deus, e por extensão a Sua igreja, deve manifestar ao mundo.
Laodicéia foi extinta ou ainda existe? Se existe, que igreja na atualidade a representa? Antes de responder a essa pergunta tão importante, vamos examinar minudentemente uma passagem bíblica, onde Cristo profere uma solene sentença. Ei-la: “Quando vier o Filho do homem, porventura achará fé na Terra?Lucas 18:8.
Errônea e enganadamente a maioria dos cristãos hodiernos estão se prendendo a sua denominação com todas as forças que podem exercer, e olvidam algo extremamente precioso – a fé. Nós parecemos estar hoje num estado de letargia que não percebemos que o quadro espiritual relativo à primeira vinda do Salvador, será o mesmo por ocasião do seu retorno a este mundo. Ele mesmo disse: “Como aconteceu nos dias de Noé, ASSIM TAMBÉM SERÁ nos dias do Filho do homem.Lucas 17:26.
O povo de Deus agarrava-se na certeza de que sendo descendente de Abraão, isso já lhe garantia a salvação. Diziam: “Temos por pai a Abraão.Mateus 3:9. Não entendiam que os verdadeiros descendentes de Abraão deveriam possuir a mesma fé, demonstrada pelo patriarca. “Porquanto procede da fé o ser herdeiro, para que seja segundo a graça, a fim de que a promessa seja firme a toda a descendência, não somente à que é da lei, MAS TAMBÉM À QUE É DA FÉ QUE TEVE ABRAÃO, o qual é pai de todos nós.Romanos 4:16. Se fossem, de fato, descendentes de Abraão estariam felizes, regozijados por estarem na presença do Cordeiro de Deus, e não O rejeitariam, nem O desprezariam como fizeram. O candelabro que Israel possuía necessitava agora de luz artificial, pois o azeite já havia sido extinto. E a luz artificial é ofertada pelo inimigo de Deus, com o fito de anuviar a mente dos homens e não lhes permitir que enxerguem as pérolas da Palavra de Deus. Eram cegos, crendo que enxergavam.
Hoje muitos cristãos também se prendem com a mesma intensidade do povo rebelde daquele tempo, não à verdade plena da Palavra do Senhor, mas a ritos, procedimentos, dogmas, e esquecem-se da fé. Percebem que a fé que possuem é fraca, pois o seu caráter, a sua vida não muda, seus pensamentos não são puros totalmente, não conseguem passar um dia ou uma semana sem transgredir os mandamentos do Todo-Poderoso, e se consolam mutuamente de que é impossível guardar a lei de Deus em sua essência, como é requerido pelo Criador. Não vêem que estão proclamando a mesma acusação de Lúcifer, de que a lei de Deus é pesada, e nenhuma criatura a poderá guardar cabalmente. “O homem peca até em pensamento!”, dizem. E ainda se gabam de que estão caminhando em direção ao Céu. Satanás tem apagado o nome inferno e posto em seu lugar Céu, e leva os incrédulos nessa direção, fazendo-os crer que seguem o Mestre galileu. Não compreendem as palavras de Paulo, quando diz que “CARNE E SANGUE não podem herdar o reino de Deus.I Coríntios 15:50.
O que significa a expressão “carne e sangue” no versículo acima? No diálogo que teve com Nicodemos, Cristo havia pronunciado solenemente: “Em verdade, em verdade te digo que se alguém NÃO NASCER DE NOVO, não pode ver o reino de Deus.João 3:3. Como Nicodemos não entendeu do que se tratava, Ele acrescentou: “Em verdade, em verdade te digo que se alguém NÃO NASCER DA ÁGUA E DO ESPÍRITO, não pode entrar no reino de Deus.” Verso 5. E então Ele esclarece de modo enfático, embora alusivo, que há duas famílias: uma oriunda de Adão, a de baixo; a outra, gerada pelo Espírito Santo, a de cima: “O que é NASCIDO da carne É CARNE, e o que é NASCIDO do Espírito É ESPÍRITO.Verso 6. E isso não é virtual ou simbólico, é real. Deus pretende formar uma família espiritual a partir de Seu Filho, Jesus Cristo – uma família de justos. Estes andarão como andou o Salvador, NA FÉ DELE, com as armas que Ele estabeleceu quando esteve aqui na Terra. Sua vida é o padrão admitido pelo Céu. Nenhum viver, por mais polido que seja, será aceito por Deus se estiver abaixo do viver que Cristo apresentou como oferta por nossa salvação.
Sabemos que a igreja representa o povo de Deus. Assim sendo, e não há dúvida, nem divergência nesse ponto, Laodicéia representa o povo de Deus no tempo do fim. Que estado espiritual de Laodicéia é vislumbrado na mensagem a ela enviada? Deus, e não um homem, diz que ela é MORNA, nem fria, nem quente. E para o Criador seria melhor que ela estivesse em qualquer dos pólos do termômetro, menos morna. Todavia, em face de sua tétrica e terrível condição espiritual, a misericórdia divina entra em ação. Deus, portanto, apresenta a profilaxia espiritual para o gravíssimo problema da igreja: “Aconselho-te que de Mim compres OURO refinado no fogo, para que te enriqueças; e VESTES BRANCAS, para que te vistas, e não seja manifesta a vergonha da tua nudez; e COLÍRIO, a fim de ungires os teus olhos, para que vejas.” Apocalipse 3:17 e 18.
Como vemos, os remédios receitados por Deus a Sua igreja são: OURO, VESTES BRANCAS e COLÍIRIO. O que significa cada um deles? O ouro representa a e o AMOR, contidos em Gálatas 5:22, por conseguinte, frutos; as vestes brancas são a JUSTIÇA DE CRISTO, o seu viver perfeito; e o colírio é o ESPÍRITO SANTO, Aquele que nos dá o poder de sermos semelhantes ao Pai. O que temos aí? A receita necessária para que o pecador arrependido que crê no perdão transformador divino, seja recriado à imagem de Deus. Sendo de novo gerado, Deus lhe concede a unção do Espírito Santo como penhor de sua cidadania. Por meio do Espírito Santo a justiça de Cristo é imputada e continuamente comunicada ao novo ser, que é por Ele [Espírito Santo] educado na nova jornada rumo ao Céu. Dentre os frutos de Sua presença no coração humano, temos a fé e o amor; o primeiro nos mantém ligados à Videira, o segundo nos habilita a guardar os mandamentos de Deus.
Apocalipse 3:17 e 18 emerge o tema da justificação pela fé. E qual o foco desse assunto tão importante e de aprendizado indispensável para aquele que pretende habitar com Cristo? Deixemos João responder: “Nisto é aperfeiçoado em nós o amor, para que no dia do juízo tenhamos confiança; porque, QUAL ELE É, SOMOS TAMBÉM NÓS neste mundo.I João 4:17. O objetivo de Deus mediante o evangelho não é despedir o homem com um aperto de mão, dizendo-lhe que não precisa ficar preocupado porque Ele já perdoou o pecado e não está mais magoado, como fazemos. O Seu perdão vem incrementado com a doação do Espírito Santo. O homem ao ser perdoado é criado novamente. PERDÃO É SINÔNIMO DE JUSTIFICAÇÃO. O pecador sujo, vil e imundo sai das mãos do Criador com outras vestes, as vestes de Cristo. Ele agora é justo, assim como Jesus é justo, pois a pretensão da cruz foi a criação de uma família santa, imaculada, justa, provinda do seio do próprio Salvador. Tal qual a mulher saiu de uma das costelas do homem, o novo ser é gerado a partir de Cristo, pelo poder do Espírito Santo. “Porque somos feitura sua, CRIADOS EM CRISTO JESUS para as boas obras, as quais Deus antes preparou para que andássemos nelas.Efésios 2:10. Que obras seriam essas? As obras realizadas por Cristo como o modelo do homem, como uma nova humanidade. Por essa razão o apóstolo emprega o verbo no passado e não no futuro – preparou. E essas obras são transmitidas aos que crêem, aos que nascem de novo, através do Seu Espírito.
Se o novo homem é justo, implica dizer que o seu viver atende agora às exigências da lei - JUSTIÇA. “Porquanto o que ERA IMPOSSÍVEL à lei, visto que se achava fraca pela carne, Deus enviando o Seu próprio Filho em semelhança da carne do pecado, e por causa do pecado, na carne condenou o pecado, PARA QUE A JUSTA EXIGÊNCIA DA LEI SE CUMPRISSE EM NÓS, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito.Romanos 8:3 e 4. Sem querer ser mais contundente: o viver da nova criatura É UM VIVER SEM PECADO, pois em Cristo “todo edifício bem ajustado CRESCE para TEMPLO SANTO no Senhor, no qual também vós juntamente sois edificados PARA MORADA DE DEUS no Espírito.Efésios 2:21 e 22. Ora, se somos templo, dentro de nós não podem coabitar juntos Deus e o Diabo, mas um ou outro. Nascemos de novo e em nós habita o Espírito Santo, cujos frutos são para a glória de Deus, são frutos de obediência aos Seus mandamentos. Se não conseguimos viver firmes e constantes na presença do Senhor, não Lhe obedecendo, temos que encarar a realidade que não é o Espírito Santo que habita em nós, porém o pecado, pois quem comete pecado é escravo do pecado, e, por extensão, escravo de Satanás. A prova de que não houve novo nascimento, e isso vai para todos, inclusive membros e pastores renomados, é que não se consegue viver uma semana sem pecar, mesmo em pensamento. Como consolo, dizem: “É impossível que alguém guarde a lei de Deus. Todo homem peca, até em pensamento.” Não percebem que ecoa de seus lábios o alvo a que o inimigo de Deus sempre quis chegar, espalhando em todo recanto do Universo que a lei do Criador é pesada demais para ser observada. O que diria João: “E todo o que nEle tem esta esperança, PURIFICA-SE A SI MESMO, ASSIM COMO ELE É PURO.” I João 3:3. E de maneira mais forte, João complementa: “QUALQUER que é NASCIDO DE DEUS não comete pecado; porque a sua semente [a semente de Deus] permanece nele; e não pode pecar, PORQUE É NASCIDO DE DEUS.I João 3:9.
É propósito de Deus preparar o Seu povo para a última pregação a fim de que o mundo seja avisado de maneira soleníssima que Seu Filho já está ás portas. E não serão os Seus anjos os mensageiros, como também não podem ser homens e mulheres que vivenciam os gozos do pecado, ou que o abrigam em seu íntimo. Paulo assim se refere a igreja que estará esperando pelo Noivo: “Vós, maridos, amai a vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a Si mesmo Se entregou por ela, A FIM DE A SANTIFICAR, tendo-a purificado com a lavagem da água, pela palavra, PARA APRESENTÁ-LA A SI MESMO IGREJA GLORIOSA, SEM MÁCULA, NEM RUGA, NEM QUALQUER COISA SEMELHANTE, mas SANTA e IRREPREENSÍVEL.Efésios 5:25-27. Pelo que podemos observar, Paulo revela que o povo de Deus dos últimos dias deverá apresentar as mesmas características da igreja primitiva – sem mácula, nem ruga, nem qualquer coisa semelhante, santa e irrepreensível, e mormente gloriosa. Com que objetivo? Bem, se estamos falando de ceifa, nossos pensamentos deverão estar voltados para a chuva que prepara os frutos para a colheita. Refiro-me à chuva serôdia. Esta chuva é o segundo derramamento do Espírito Santo sobre o povo de Deus. E quem serão os candidatos que receberão tal bênção? Somente aqueles que nasceram de novo, ou seja, que no âmbito individual receberam a chuva temporã. Paulo evidencia essa chuva [a temporã] em duas passagens. Ei-las: “No qual também vós, tendo ouvido a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, e tendo nEle crido, FOSTES SELADOS COM O ESPÍRITO SANTO DA PROMESSA.” Efésios 1:13. “Mas aquele que nos confirma convosco em Cristo, e nos ungiu, é Deus, o qual também NOS SELOU E NOS DEU COMO PENHOR O ESPÍRITO em nossos corações.” II Coríntios 1:21 e 22.
Na atualidade, nenhuma igreja ainda tem as características da igreja descrita por Paulo em Efésios 5:27. Assim sendo, temos que admitir que o povo de Deus hoje, apresenta o mesmo problema espiritual do tempo de Cristo. Como assim? Em Lucas, Capítulo 18, Versículos 11, 12 e 14, nós encontramos a resposta. Lemos: “O fariseu, de pé, assim orava consigo mesmo: ó Deus, graças te dou que NÃO SOU COMO OS DEMAIS HOMENS, roubadores, injustos, adúlteros, NEM AINDA COMO ESTE PUBLICANO; jejuo duas vezes na semana, e dou dízimo de tudo quanto ganho.” Cristo disse que tal homem não desceu justificado, mas o publicano por ele vilipendiado, sim. E como é descrito o aspecto espiritual de Laodicéia? Assim declara o discípulo amado: “Porquanto dizes: rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e NÃO SABES que és um DESGRAÇADO, e MISERÁVEL, e POBRE, e CEGO, e NU.Apocalipse 3:17. Da mesma forma como o fariseu desconhecia a sua própria condição extremamente desesperadora, assim ocorre com os laodicenses. Assim como o povo de Deus na primeira vinda do Salvador não estava apto a receber o Espírito Santo devido a arrogância espiritual, se dá também com os laodicenses. A Bíblia diz que eles ignoram a sua real condição espiritual, eles não sabem que estão caminhando para a morte, com todos os seus cultos, hinos e adorações. Não percebem que não estão mostrando ao mundo o mesmo viver de Cristo. Agarram-se ao nome “povo de Deus” do mesmo modo como faziam os judeus. E a menos que despertem, e “comprem” sem dinheiro o que suas almas necessitam para saírem das trevas para a divina luz, estarão perdidos.
Semelhantemente como os israelitas tinham “a adoção, e a glória, e os pactos, e a promulgação da lei, e o culto, e as promessas” (Romanos 9:4), os laodicenses tem a doutrina correta, mas necessitam passar da morte para a vida. Doutra sorte, tal doutrina não os salvará, como todas as prerrogativas espirituais não salvaram os israelitas descrentes. Mas o que lhes fora pronunciado, serve para os laodicenses também: “Porque AINDA QUE O TEU POVO, ó Israel, seja como a areia do mar, UM REMANESCENTE DELE SE CONVERTERÁ.Isaías 10:22. E tal passagem tem aplicação para os nossos dias, posto que estamos no tempo do fim, e nós não temos dúvida disso. E o mesmo que foi dito por Deus a Elias, em face do afastamento do Seu povo, soa como voz de trovão para os dias da nossa era: “Reservei para mim sete mil varões que não dobraram os joelhos diante de Baal.Romanos 11:4; I Reis 19:18. Hoje, esse número, logicamente, é simbólico. Em Apocalipse, João nos apresenta o remanescente que subirá com Cristo nas nuvens. Eles são descritos em duas passagens do Apocalipse. Ei-las:
Apocalipse 12:17
E o dragäo irou-se contra a mulher, e foi fazer guerra AO REMANESCENTE da sua semente, OS QUE GUARDAM OS MANDAMENTOS DE DEUS, e TÊM O TESTEMUNHO DE JESUS CRISTO.
Apocalipse 14:12
Aqui está a paciência dos SANTOS; aqui estäo OS QUE GUARDAM OS MANDAMENTOS DE DEUS e A FÉ EM JESUS.
Os efeitos naturais do Espírito Santo na vida de quem é salvo estão descritos em Gálatas 5:22. É incontroversa a realidade de que o grave problema espiritual de Laodicéia representa o de cada ser humano que habita o planeta, que ainda não se converteu ao Senhor. Contudo, pelo fato de ter Cristo vivido e morrido por nós e sido aceito por Deus como nosso Mediador, a sua vida tornou-se o padrão do viver de todo cidadão do Céu. Ninguém que viva uma vida de pecado, de desobediência à Palavra de Deus, poderá entrar no Céu. Devemos afirmar como Paulo, empós sua conversão: “já estou crucificado com Cristo; e vivo, NÃO MAIS EU, mas CRISTO VIVE em mim.Gálatas 2:20
Sim, meu caro leitor, sendo Laodicéia a igreja de Deus nos últimos dias, a profilaxia recomendada por Jesus Cristo é expansiva a toda a criatura. Não precisamos ser confundidos quando Ele voltar a esta Terra para buscar os Seus. Se quisermos, poderemos nascer do nosso Salvador, e participar de Sua natureza, vivendo uma vida perfeita, como Deus assim requer de nós, através do Espírito Santo. Precisamos comprar sem dinheiro e sem preço, o OURO, as VESTES e o COLÍRIO, e entrarmos no descanso de Deus, entrarmos na Sua graça pela Porta, que é Cristo, tornando-nos filhos Seus e co-herdeiros com o nosso amado Redentor.
Que Deus nos abençoe!
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domingo, 22 de maio de 2011

ARMAGEDOM - Quando e Onde Ocorrerá?

E eles os congregaram no lugar que em hebraico se chama Armagedom. Apocalipse 16:16.



Durante muito tempo em minha vida, carreguei um medo comigo. Sentia temor quando ouvia a palavra Armagedom. De tudo o que eu ouvia sobre esse mote, um em especial sempre se destacou: uma guerra de dimensões gigantescas. Segundo os seus difusores, essa guerra envolveria todos os habitantes da Terra. Esse era meu medo: quando acontecesse, seria no meu tempo?
Mas do que se trata mesmo: uma guerra mundial devastadora ou um mistério ainda não revelado? Existem diversas narrativas a respeito da matéria, mas uma só fonte nos fornecerá as informações necessárias para que cheguemos ao verdadeiro significado do ARMAGEDOM: as Escrituras Sagradas. Não podemos olvidar que o Armagedom está intimamente ligado á guerra cósmica entre o bem e o mal, em face do seu plano de fundo ser de natureza espiritual. Mas precisamos saber sobre que plataforma ele irá se desencadear. Será nas regiões celestes ou em algum ponto geográfico do planeta Terra? Envolverá a todos coletivamente ou de modo individual? Obteremos as respostas para tais indagações no âmago do Apocalipse.
Em que pese ser um assunto tão pouco explorado, há em suas entrelinhas uma advertência solene para todos os homens, sejam cristãos ou ímpios. Ninguém ficará em posição neutra. Como nunca os homens vivenciarão momentos jamais imaginados quanto à importância, seriedade e urgência do livre arbítrio.
A batalha do Armagedom é descrita numa pausa inserida entre a sexta e a sétima taça, indicando que ela representa o clímax da guerra iniciada no Céu. Como se iniciou esta guerra? Embora o Livro Sagrado não nos reserve o detalhe de seu desenvolvimento inicial, ele nos assegura de que modo ela se desencadeou. Evoquemos o Livro de Gênesis. No intróito do Capítulo 3, vislumbramos, com detalhes cedidos pelo Espírito Santo, como Satanás tem executado o seu plano de rebelião contra Deus. Seu estratagema sempre foi pôr em dúvida as categóricas afirmações do Criador, no intuito de desestabilizar o Seu governo. Este plano deu certo no Céu, e também aqui na Terra. No verso 1, o inimigo sugere: “É assim que Deus disse: não comereis de toda árvore do jardim?” Aqui vemos o primeiro ataque satânico no planeta Terra, e sua investida é capciosa, pois cogita incisiva dúvida no que fora dito por Deus. Eva, então, respondeu: “Do fruto das árvores do jardim podemos comer, mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Não comereis dele, nem nele tocareis, para que não morrais.” Versos 2 e 3. Aqui vemos o inimigo avançando em seu propósito. Primeiro, ele conseguiu fazer Eva pensar que não era o seu arquiinimigo que estava entabulando conversação com ela, mas um animal. E não poderia ser qualquer animal, senão os objetivos do diabo correriam o risco de não serem alcançados. Ele apelou para aquele ser irracional que despertaria a atenção do ser humano – a serpente. Gostaria de me aprofundar nesse assunto, entrementes ficará para outra oportunidade, de modo que não nos desviemos do foco. Precisamos entender o que significa Armagedom. Este é o nosso objetivo.
Assim, indago: por que a árvore do jardim, conhecida como sendo da ciência do bem e do mal, foi posta no centro do jardim? Teria algo em si mesma que a tornasse má? Vejamos. Adão e Eva eram perfeitos empós serem criados por Deus. Nada havia em seu habitat que pudesse demonstrar se o casal obedecia a Deus por amor ou por não terem a capacidade de escolher fazer algo diferente daquilo que lhe fora proposto por Deus. Como saber? Era preciso uma prova. Não para Deus, em virtude de Sua presciência, porém todo o universo de seres não dotados desse atributo necessitaria saber o que se passava no interior do casal. Adão e Eva eram robôs ou idôneos o suficiente para decidirem o que fazer de suas vidas? Esse foi o propósito da criação da árvore da ciência do bem e do mal.
Satanás conseguiu dar prosseguimento à rebelião começada por ele lá no Céu, levando os nossos primeiros pais à desobediência da direta ordem de Deus. E o que isso representa para nós, nós do século 21? O desiderato do inimigo das almas não é só levar a humanidade à ruína espiritual, mas algo superior. Ruína e destruição são apenas os efeitos naturais, não a causa. Em Isaías 14:14, nós encontramos: “Subirei acima das alturas das nuvens, e SEREI SEMELHANTE ao Altíssimo.” O diabo não estaria satisfeito apenas com a queda do homem. Seu intuito era outro, muito mais superior. Seu interesse residia na contrafação de tudo o que Deus havia feito. Como o atributo criativo só pertence a Deus, ele se empenharia em alterar a natureza da criação para satisfazer seu desejo íntimo: ADORAÇÃO. Ser adorado como Deus é o objetivo oculto de Satanás. O disfarce esconde o seu verdadeiro caráter e a origem dos seus instrumentos, a fim de que o incauto pense que está satisfazendo ao seu próprio ser, quando, na verdade, está servindo ao príncipe das trevas.
Em que consiste a adoração?  Romanos 12:1, responde: “Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.” Adorar é cultuar. E aqui Paulo nos diz como devemos adorar a Deus. Não mais devemos oferecer cordeirinhos como sacrifícios, pois o Cordeiro de Deus já foi sacrificado, no entanto, os sacrifícios contínuos devem continuar em nossa vida, quando provamos do novo nascimento, não com oferendas de animais, contudo com o nosso próprio ser. Devemos cultuar ou adorar a Deus com a nossa vida, oferecendo-nos como sacrifício vivo, santo e agradável a Ele. Vivo porque nascemos de novo; santo, porque somos santificados dia após dia pelo Espírito Santo; agradável, porque, estando a Sua lei em nossos corações e escrita em nossos entendimentos, guardamo-la como Ele requer, pelo poder do Seu Espírito que habita em nós.
E como poderia o diabo ser adorado? Nas Escrituras Sagradas nós podemos encontrar dois processos importantes: santificação e corrupção. Santificação significa tornar ou tornar-se santo. Assim está escrito: “Porque Eu sou o Senhor vosso Deus; portanto santificai-vos, e sede santos, porque Eu sou santo.Levítico 11:44. Noutras palavras: santificação é ser semelhante a Deus. Paulo diz: “Sede, pois, IMITADORES DE DEUS, como filhos amados.” Efésios 5:1. Parece muito alto o padrão estabelecido por Paulo, não? Mas para habitar na presença de Deus teremos que ser semelhantes a Ele, mesmo antes da volta de Cristo, porque serão esses a quem Ele levará consigo. Esclarecemos um pólo. O outro, diametralmente oposto, é a corrupção. Se santificação é o processo que nos torna semelhantes a Cristo, corrupção nos torna semelhantes a Satanás. E não há meio-termo, não existe ponto neutro. Cristo disse: “Ninguém pode servir a DOIS senhores; porque OU há de odiar a um e amar o outro, OU há de dedicar-se a um e desprezar o outro.Mateus 6:24. Assim sendo, toda a humanidade, inclusive eu e o caro leitor, está vivenciando um processo ou outro; ninguém está de fora.
Após a queda de Adão, o processo da corrupção se desencadeou em seus descendentes, e passaram de livres a escravos do diabo. E essa condição não pode se reverter, senão por um milagre realizado pelo Espírito Santo. Ninguém, por mais forte que seja, por mais lapidado que seja, escapará desse processo corruptivo. E à medida que o tempo passa, a situação se agrava, pois os atributos do inimigo são refletidos em seus servos. O processo não para. O nosso Salvador assim se expressou: “Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado É ESCRAVO DO PECADO.João 8:34. Esse cometimento da transgressão é natural e hereditário, porque “pela desobediência de um só homem muitos foram constituídos pecadores.” Romanos 5:19. Pela transgressão, o homem é degradado mais e mais, cujo fim é a semelhança plena com aquele que os governa. Não fosse o plano da salvação, não teríamos a mínima chance de nos livrarmos dos laços do inimigo e nosso viver refletiria o seu próprio. Mas graças a Deus, por Cristo Jesus nosso Senhor!Romanos 7:25.
O evangelho são as boas novas de que a nossa liberdade já está assegurada, basta decidirmos por ela. Não precisamos viver sob a atmosfera da corrupção, quando a santificação está ao nosso alcance. E como passar de um processo para o outro? Paulo responde: “A palavra está perto de ti, na tua boca e no teu coração.Romanos 10:8. Confessar e crer, eis o que temos que fazer. João assim nos recomenda: “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo, para nos PERDOAR os pecados e nos PURIFICAR de toda a injustiça.” I João 1:9. Se estivermos dispostos a abrir mão de nossa vida de pecados e os confessarmos a Deus, Ele nos perdoa. Noutro falar: Ele nos justifica, nos torna justos, nos torna Seus filhos. Nesse ato, que é instantâneo, Ele nos habilita viver tal qual Jesus viveu, pois nos dá o poder, através do Espírito Santo, que nos é concedido.  Se crermos que fomos recriados pelo Seu poder, poder conferido a Sua palavra, somos gerados de novo. “Tendo ouvido a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, E TENDO NELE TAMBÉM CRIDO, fostes selados com o Espírito Santo da promessa.Efésios 1:13. “Tendo sido de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, a qual vive e permanece.I Pedro 1:23. Crendo na promessa de Deus, nascemos de novo, e nos tornamos participantes da Sua natureza, “HAVENDO ESCAPADO da corrupção, que pela concupiscência há no mundo.” II Pedro 1:4.
Esta é a essência da cósmica luta que está sendo travada entre Cristo e Satanás: a reprodução do caráter no ser humano. Tal guerra é a única em que o alvo decide quem será o vencedor. Essa afirmação aparenta ser contundente com tudo o que já ouvimos até hoje, mas não é. Somos nós que decidimos quem será o vencedor em nossa vida. Aquele a quem eu escolher servir será reproduzido em mim – Cristo ou Satanás. Assim foi no Céu e assim está sendo aqui na Terra. Nossos atos estão selando o nosso destino: habitar no Céu com Cristo ou ser destruído, juntamente com Satanás.
Ao contrário do que deveria ser, Armagedom significa monte ou montanha de Megido. Se pudéssemos ir até o local onde estava situada esta cidade, Megido, constataríamos que resta ali uma imensa planície e não uma montanha ou um monte. Houve, então, algum erro em sua etimologia ou Deus nos quer dizer alguma coisa que não está tão patente? Devemos compreender que, por se tratar de profecia, as linguagens, simbólica e enigmática, são comumente utilizadas. Chegando na planície de Megido surge ante os nossos olhos um monte. Esse monte; aparentemente como qualquer outro, nos reserva uma história inesquecível e assaz significativa. Ali foi travada uma tremenda batalha espiritual entre Deus e Satanás. Elias enfrentou os quatrocentos e cinqüenta profetas de Baal. O povo estava embriagado com o paganismo, e desprezava as instruções de Deus, pisava os mandamentos dAquele que o havia libertado do cativeiro inimigo. O povo estava envolto por densas trevas espirituais. Elias, portanto, fora enviado para restaurar a fé do povo de Deus. Ele seria o instrumento do Céu para soerguer das cinzas do paganismo, um povo temente a Deus. E ali, no monte Carmelo, ele propôs: “Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-O, se é Baal, segui-o.” I Reis 18:21. Naquele monte, foi revelado quem era o Senhor dos Exércitos. “Quando o povo viu isto, prostraram-se todos com o rosto em terra e disseram: o Senhor é Deus! O Senhor é Deus!Versículo 39. Por ordem de Elias, o povo se apoderou dos profetas de Baal, e no ribeiro de Quisom, Elias os matou. Essa batalha representa o grande conflito que ocorre na mente de cada ser humano. A luta entre o bem e o mal, não ocorrerá numa planície em algum lugar do planeta, mas em nossa mente. Todos os dias o Espírito Santo nos mostra se o que estamos fazendo é certo ou errado, e nos convida a nos reconciliarmos com Deus. Como diz São Paulo: “Deus notifica os homens que todos em toda a parte se arrependam.” Atos 17:30. E mais: “Como diz o Espírito Santo: Hoje, se ouvirdes a Sua voz, não endureçais os vossos corações.” Hebreus 3:7 e 8.
 Em face de o diabo saber que pouco tempo lhe resta, se empenhará ao máximo para enganar, se possível fora, até os escolhidos. E o tempo em que vivemos é o período que as Escrituras Sagradas chamam de tempo do fim. Estamos no fim do sexto selo. Não demorará muito e os Céus se enrolarão como um pergaminho, para deixar passar o nosso Salvador irrompendo pelas nuvens, a fim de buscar o Seu povo, aqueles que decidiram por viver em estrita obediência aos Seus mandamentos.
 O Armagedom terá o fim que decidirmos que ele tenha, pois não há planície, nem monte onde esteja sendo travado, mas no nosso coração. E a pergunta feita ao povo de Deus pelo profeta Elias ecoa em nossa consciência: “Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-O; se é Baal, segui-o.” A decisão é tua, caro leitor. Decide por Cristo, agora. A cruz foi a maior prova de que estamos envolvidos numa guerra, e de que só há um meio de escaparmos da corrupção que leva todos para a perdição – CRISTO.
Está escrito: “Buscai ao Senhor enquanto se pode achar; invocai-O enquanto está perto.Isaías 55:6.
 Que Deus nos abençoe!

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sexta-feira, 13 de maio de 2011

Como Vencer a Ansiedade?

 Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus.Filipenses 4:6 e 7.



Ansiedade. Este é um mal que atinge a quase todas as pessoas. E, segundo pesquisas mais recentes, tem sido a responsável pela emersão de uma série de doenças. Onde reside a sua causa? Como vencer este mal? Hoje nos debruçaremos neste assunto, onde cogitaremos sobre a solução eficaz para este problema universal.
Desde a entrada do pecado no mundo, Satanás tem laborado incansavelmente para extinguir da face do Universo, qualquer coisa que lembre o Criador. Como variante de seu nefasto plano, desenvolveu uma estratégia com o intuito de alcançar aqueles que houvessem resistido ao seu primeiro ataque. Se não lhe era possível banir da mente dos homens a lembrança de Deus, tentaria levá-los a vê-Lo de modo distorcido. E esta variante foi mais eficaz que o plano original. O que lhe interessa hoje não é que as pessoas não saibam que existe Deus, mas que O vejam com uma imagem por ele [Satanás] criada. Se alcançasse tal objetivo, estaria satisfeito. Assim sendo, cada ato divino em relação ao homem, o diabo tentou, ao longo da história, obscurecê-lo na mente dos incautos, fazendo Deus parecer um tirano. Certamente esse foi o estratagema que usou para enganar os anjos que foram expulsos com ele. Este é o seu verbo preferido: ENGANAR.
Ainda hoje, não poucas pessoas têm feito comparação entre Cristo, revelado no Novo Testamento, e Deus revelado no Velho Testamento. E aos seus olhos enfatizam que há uma abismal diferença entre ambos. Dizem: “Deus parecia impaciente e severo no Velho Testamento, enquanto no Novo, manso e suave.” E era tudo o que o diabo queria ouvir. E daí, separando os dois concertos, ou testamentos, ele poria em vantagem os seus ardis, pois o Velho e o Novo Testamentos são inseparáveis, e assim devem ser. O objetivo principal de Satanás, por trás de seu insaciável desejo de distorcer o caráter de Deus, consiste em não revelar o seu próprio, porque quanto mais o caráter de Deus for exposto, o seu, em contrapartida será mostrado em sua terrível, antagônica e original forma, pois a luz não comunga com as trevas, e a luz a tudo revela. Sendo Deus pregado aos homens, sendo o Seu amor anunciado as Suas criaturas, a natureza do mal se revestirá de sua própria vestidura, e isso frustraria os intentos do inimigo. Eis a razão do seu inesgotável empenho.
Ademais, cabe a nós sabermos algo muito importante. O Deus do Velho Testamento é o mesmo do Novo. Lemos em Gênesis: “No princípio CRIOU DEUS os céus e a terra.” Capítulo 1, versículo 1. E no Evangelho de João: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, E O VERBO ERA DEUS... E O VERBO SE FEZ CARNE, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai.” Capítulo 1, versículos 1 e 14. Cristo é o mesmo personagem divino tanto no Velho como no Novo Testamento. Ele é o Criador de todas as coisas. “Todas as coisas foram feitas por intermédio dEle, e sem Ele NADA do que foi feito se fez.” João 1:3. E por esse motivo, Ele disse: “Antes que Abraão existisse, EU SOU.” João 8:58. Essa foi a mesma identidade que usou para que Moisés apresentasse ao povo: “Assim  dirás aos olhos de Israel: EU SOU me enviou a vós.” Êxodo 3:14.
Quais os efeitos que os planos do inimigo da luz deveriam produzir? Façamos uma simples ilustração. Digamos que alguém fale constantemente para uma criança, que não vive na presença de seus pais, que estes não a amam, que não querem conhecê-la e nem se preocupam com o seu bem estar. Agora aquela criança, que já é um adulto, como se comportará, se porventura lhe forem apresentados os seus pais? Dificilmente irá crer numa só palavra que disserem, ainda que derramem lágrimas. A criança fora arrancada do seio de seus pais, e estes a procuraram durante toda a vida, mas a acharam já formada, educada de maneira a hostilizá-los, caso fosse futuramente por eles encontrada. Esses pais terão que labutar persistentemente para que tenham a chance de convencer seu filho sobre o amor que sempre nutriram e a angústia que lhes roubou o sono, enquanto por ele procuravam.
Creio que essa ilustração nos dê uma idéia, ainda que pálida, de como os fatos se desenrolaram desde a queda dos nossos primeiros pais. Não é à toa que está escrito: “Veio para o que era Seu, mas os Seus não O receberam.” João 1:11. A cegueira espiritual a que Satanás levou o povo de Deus, fez com que não enxergasse Aquele que nasceu numa manjedoura como o Filho Unigênito de Deus. Rejeitando-O, renegaram a luz. Israel deveria cumprir a missão de expandir a luz ao mundo pagão, tornando Deus conhecido por todos os arredores e cantos do mundo, mas a incredulidade crescente, a dureza de seus corações fizeram com que mais e mais se distanciassem dAquele que houvera sido o Seu Guia e Protetor. Achando-se livres, eram escravos de Satanás; achando-se repletos de luz, estavam mergulhados em densas e tenebrosas trevas. Preparavam, sem perceberem, o espírito de rebelião contra o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.
Não obstante o constante declínio espiritual do homem e sua rebeldia, Deus dispôs todo o Céu a favor da salvação da raça caída. Dentre tantos objetivos, pelos quais o Filho de Deus Se manifestou ao mundo, enfocaremos a revelação do verdadeiro caráter de Deus, assaz obliterado pelo inimigo. O próprio Deus se vestiu de ser humano, com o propósito de, estando entre os homens, mostrar a verdadeira face do Criador. Quando Felipe postulou a Jesus: “Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta”, Jesus respondeu: “Filipe, há tanto tempo estou convosco, e não Me tens conhecido? Quem Me vê a Mim vê o Pai; como dizes tu: mostra-nos o Pai?” João 14:8 e 9.
Cristo veio também para revelar que a verdadeira sede da alma, só poderia ser saciada em Sua presença. Apresentou-Se como sendo a Água da vida e o Pão do Céu. Utilizou aquilo que corresponde o principal alimento do corpo, para representar o que seria o principal alimento da alma: ELE MESMO. Em conversação com uma mulher diante do poço de Jacó, disse: “Mas aquele que beber da água que Eu lhe der NUNCA TERÁ SEDE; pelo contrário, a água que Eu lhe der se fará nele uma fonte de água que jorre para a vida eterna.” João 4:14. Deus ao criar o homem, não o fez sem que houvesse uma relação entre ambos. Deus criou uma atmosfera de amor que deveria envolver Criador e criatura. Ele proveu o homem de sentimentos, capacitando-o para amar, com a necessidade de ser amado também. Mas a entrada do pecado afastou o homem do Seu Criador, impossibilitando-o de desfrutar diretamente daquela maravilhosa presença, como dantes. Com isso o suprimento da necessidade da alma foi interrompido, e tal lacuna não pode ser preenchida por nada, senão pela presença de Deus, através do Espírito Santo.
Mais que urgentemente precisamos nos reconciliar com o nosso Pai celestial. Não podemos continuar tentando saciar a sede da alma com o que é terreno, passageiro. Não chegaremos a nenhum lugar, senão à morte eterna. Nosso ser reclama continuamente por Deus, pois de Suas mãos fomos gerados. Entrementes, em nossa condição natural jamais desfrutaremos de Sua presença. É necessário nos submetermos a um milagre realizado pelo Seu Espírito, a fim de que, gerados de novo, possamos entrar no Seu descanso. Eis o convite do Salvador: “Vinde a Mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e Eu vos aliviarei... E achareis descanso para as vossas almas.” Mateus 11:28. Não há outro lugar, a não ser na presença de Cristo, onde nossas almas alcançarão a paz, o descanso que tanto aspira.
E quanto a Judas? Ele não desfrutava da presença do Salvador? E os demais discípulos, não viviam em estrita ligação com o Mestre? Como não corresponderam ao amor infinito? Porque eles eram carnais, vendidos sob o pecado. Eles eram filhos do primeiro Adão, e, por conseqüência, não podiam, ainda que quisessem, obedecer ou agradar a Deus. Eles necessitavam morrer para si mesmos, a fim de que, neles, o último Adão, Jesus, vivesse. Estar ao lado de Cristo não é suficiente. Ele precisa viver em nós. E isso só ocorre em nossas vidas se nascermos no Reino de Deus. Esta é a maior necessidade de todo ser humano: nascer de cima, nascer de Deus. Paulo diz: “Pelo que, se alguém está em Cristo, NOVA CRIATURA é; as coisas antigas já passaram; eis que se tornaram novas.” II Coríntios 5:17. Noutra versão diz assim: “as coisas velhas já passaram; eis que TUDO se fez novo.” Estar em Cristo é mais que está próximo a Ele, ou viver em comunhão com Ele; significa Ele viver em nós. E isso não conseguimos por nossos próprios esforços, nem pela mais polida educação. Isso vem por um milagre, unicamente. Nossos esforços só terão valor depois que formos refeitos em um novo ser. Este novo ser se esforça e consegue, pelo poder que vem de Cristo, mediante o Espírito Santo que lhe é concedido como penhor, como garantia da nossa esperança.
Atenda, caro leitor, ao chamado de Cristo. Ele quer que sejamos quais crianças que não estão preocupadas com as coisas da vida, não andam ansiosas pelo vestir ou pelo comer, ou por coisa qualquer, porque sabem que seus pais não lhes deixarão faltar nada. O homem natural não possui essa virtude de descansar totalmente no Criador, pois a fé herdada do primeiro Adão é fraca e é aniquilada na hora negra da vida. A fé de Cristo, a que Ele mesmo criou e a consumou com Seu viver, é a fé que Deus nos quer dar, com o novo nascimento, a fim de que possamos alcançar a mesma vitória que Jesus alcançou. Pois a essa fé se reporta São Paulo, quando diz: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a NA FÉ DO FILHO DE DEUS, o qual me amou, e se entregou a Si mesmo por mim.” Gálatas 2:20.
Podemos tomar remédio para diminuir o estresse, a ansiedade, a angústia, porém nenhum remédio trará a cura; ele servirá como um paliativo, cuja função é esconder ou mascarar o problema que se alastra pela mente do homem. E nenhum remédio é mais eficaz do que a presença do Santo Espírito de Deus em nossos corações. Gálatas 5:22 nos declina todos os frutos dEle provindos: “AMOR, ALEGRIA, PAZ, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, domínio próprio.” Destaquei as três qualidades que mais facilmente se denotará naquele que foi gerado novamente, as quais constituem o antídoto contra qualquer problema psicológico ou psíquico que ora atingem o ser humano.
Os nascidos de Deus têm o privilégio de reclamarem de Seu Pai o cumprimento de Suas maravilhosas e grandíssimas promessas, dentre as quais algumas podemos citar, onde versam os cuidados paternos de Deus. Eis algumas delas:
O anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que O TEMEM, e os livra.” Salmo 34:7;
 Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum PORQUE TU ESTÁS COMIGO.” Salmo 23:4;
O Senhor É MEU PASTOR; nada me faltará.” Salmo 23:1;
 E o meu Deus, segundo a Sua riqueza em glória, HÁ DE SUPRIR EM CRISTO JESUS, cada uma de vossas necessidades.” Filipenses 4:19.
Ninguém que decida se entregar a Deus de corpo e alma será por Ele vilipendiado. Fomos comprados por Seu amor, e em todo momento Seus braços estão abertos para nos receber, não importa quem somos nós, ou o quanto estamos distantes dEle. Nada pode obstaculizar ao homem de receber o perdão de Deus, salvo o seu próprio orgulho, ou descaso. “Todo o que o Pai me dá esse virá a Mim; e o que vem a Mim, DE MANEIRA NENHUMA O LANÇAREI FORA.” João 6:37. Todo o Céu está a nosso favor, a fim de que nos reconciliemos com Deus e possamos desfrutar de Suas bênçãos, uma vez que elas SÓ SÃO DERRAMADAS para aqueles que não vivem mais para si mesmos, “mas para Aquele que por eles morreu e ressuscitou.” II Coríntios 5:15.  “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou COM TODAS AS BÊNÇÃOS ESPIRITUAIS nas regiões celestes EM CRISTO.” Efésios 1:3.
No coração regenerado não há lugar para ansiedade, estresse ou problemas de ordem psicológica, pois onde há paz, alegria e amor provindos do seio do Pai, há repouso, segurança, confiança nos ternos cuidados de Deus. “Humilha-te, pois, sob a potente mão de Deus, para que em tempo oportuno vos exalte, LANÇANDO sobre Ele toda a vossa ANSIEDADE, PORQUE ELE TEM CUIDADO DE VÓS.” I Pedro 5:6 e 7. Só precisamos deixar que nossa alma seja refrigerada pelo Espírito de Deus; só precisamos escolher viver para Aquele que tudo fez, faz e fará, até o nosso último suspiro, para nos resgatar das mãos de Satanás. No entanto, Ele impõe limites ao Seu incomensurável poder, respeitando a nossa decisão. Ele não quer que O sirvamos contra a nossa vontade, todavia nos convida a recebê-Lo no coração, pois que Sua própria vida decidiu entregá-la por nós, sofrendo a pena que era nossa, a fim de que pudéssemos receber o tratamento a que Ele tinha direito, tratamento de filhos e filhas de Deus. E Sua voz ainda pode ser ouvida clara e veementemente: “Torna-te para Mim, PORQUE EU TE REMI.” Isaías 44:22.
Sim, meu caro leitor, a reconciliação com Deus é o remédio eficaz para a ansiedade, pois ela produz a paz que excede todo o entendimento, e essa paz, o mundo e todas as suas paixões não são capazes de nos oferecer, porquanto ela é o efeito natural do ato perdoador de Deus, que nos transforma em seres semelhantes a Ele próprio. “Sendo, pois, JUSTIFICADOS pela fé, TEMOS PAZ com Deus.” Romanos 5:1. “Mas todos nós, com rosto descoberto, REFLETINDO como um espelho A GLÓRIA DO SENHOR, SOMOS TRANSFORMADOS de glória em glória NA MESMA IMAGEM, como PELO ESPÍRITO DO SENHOR.” II Coríntios 3:18. Como está escrito: “Ele é a nossa paz.” Efésios 2:14. Dá a tua alma, o que ela de fato necessita: CRISTO!
Que Deus nos abençoe!

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quarta-feira, 4 de maio de 2011

Fé ou Presunção?


Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem.
Hebreus 11:1.


Carreguei durante toda a minha juventude uma dúvida sobre um assunto que aparenta ser relativamente cognoscível, de fácil conhecimento e compreensão: . Ouvia muitas pregações a respeito, mas não me satisfaziam. Tratavam da fé como se ela fosse confiança cega, ou, então, como algo apresentado tão-somente no campo teórico, e assaz vulnerável. A fé surgia como a solução dos problemas, entrementes, seu raio de ação era muito curto, e, embora com a configuração de uma fortaleza, ela se mostrava fraca. Apelava-se para a fé, contudo alicerçava-se a esperança no terreno. Então, o que é fé? Como ela atua em nossa vida e quais os seus efeitos?
Arquimedes, matemático e físico grego que viveu antes de Cristo, disse um dia: “dêem-me uma alavanca suficientemente grande, um ponto de apoio, e eu moverei o mundo”. Essa alavanca existe, e se chama fé, o ponto de apoio é Deus, e quem deve manejar a alavanca és tu, sou eu. Ao sair Adão das mãos do Deus vivo, ele era completo, era perfeito. Sua confiança em Deus era inabalável. Cedendo, então, ao pecado, todo o seu ser foi afetado, mormente a fé. E por que ela é tão essencial assim? A fé é para a nossa alma, como as mãos para o corpo. Com ela nos agarramos na Rocha; por ela, Deus nos torna mais fortes que o arquiinimigo. Ele foge de nós. Herdamos de Adão, portanto, uma fé imperfeita e falha por natureza. Ela se dobra diante das tempestades da vida; apega-se ao crível, visível e possível. Essa fé, sem percebermos, exercitamos todos os dias de nossas vidas. Ao pegarmos um táxi, por exemplo, depositamos fé no taxista de que ele nos levará ao nosso destino; o taxista tem fé de que nós iremos lhe pagar o preço ao final da corrida. De fato, Deus criou o homem com a faculdade de crer, de confiar.
A entrada do pecado em nosso planeta, alterou drasticamente o comportamento da natureza, todos sabemos disso. Dentre tantas coisas, um elemento foi inserido na natureza humana: a dúvida. Ela teve seu berço no anjo caído e, tendo o homem cedido a sua tentação, dele recebeu essa mesma macabra faculdade. Há quem diga que a dúvida é necessária, mas não sabem que ela mina a fé. A fé e a dúvida são rivais, e não podem ocupar o mesmo espaço no coração. Assim, ou somos incrédulos ou crentes. Certo dia, Jesus ordenou a Pedro, a pedido deste, que ele fosse ao Seu encontro, andando por sobre as águas. As Escrituras afirmam que Pedro inicialmente andou sobre as águas, assim como o Seu Mestre. Mas, ao ouvir o barulho do vento, teve medo, e afundou. Rogou desesperadamente que Jesus o ajudasse, e prontamente o Salvador o atendeu, trazendo-o para a superfície. O que vemos aqui? A fé sendo esmagada pela dúvida. E, aí, Cristo suavemente repreende a Pedro: “Por que duvidaste, homem de pequena fé?” Mateus 14:31. Homem de pequena fé. Essa frase parece ter sido uma constante nos lábios de Jesus. Pouquíssimas vezes O vemos alegrar-Se com a manifestação de uma fé robusta. Qual a razão da escassez de uma fé que redundasse em gozo, satisfação, prazer no Filho de Deus?
Pelo que pudemos ver, existem duas qualidades de fé: a forte e a fraca. Esta é natural para todo filho de Adão, os nascidos da carne; aquela está incluída no dom da justiça imputada ao que crê, quando se dá a justificação, os nascidos do Espírito. A fé de quem nasce no Reino de Deus não É do tamanho de um grão de mostarda, como muitos pensam, mas COMO um grão de mostarda. Quando Cristo fez essa comparação, não se referia a tamanho, mas à espécie. Ele se referia a sua própria fé. Jesus veio ao mundo para ser a segunda chance da humanidade, Ele Se voluntariou a isso. Cada passo que Ele deu, foi devidamente planejado, minudentemente arquitetado, a fim de que o homem não errasse o caminho para o Céu, onde Ele agora está. Por essa razão, Ele falou de Si mesmo: “Eu Sou o CAMINHO.” Noutras palavras, Ele estava dizendo: “Prestai atenção em Mim, porque como faço, como digo, como penso, é a única forma de agradar ao Pai. E só podereis assim fazer se Me aceitardes em vosso coração como Senhor da vossa vida.”
É possível ter a fé que Jesus teve? Graças a Deus, eternamente sim. Em Gálatas 5:22, lemos: “Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, , mansidão, domínio próprio.” Em algumas versões, encontramos a palavra fidelidade no lugar de . Na verdade, fé abrange os dois significados: e fidelidade. Estão intrinsecamente unidas. Aquele que nasce de novo, não só crer em Deus, como também cumpre o seu voto em relação a Cristo. Indago: por que a fé vem como um dom do Espírito Santo, se a pessoa já tinha fé antes de ser novamente gerada? A resposta é simples: a fé que ela tinha antes de ser transformada por Deus era uma fé defeituosa, que não se mantinha firme. O homem quando é regenerado, ele o é por completo. E que fé é essa que vem como um dom? Paulo nos responde no Livro de Hebreus. “Olhando firmemente para o AUTOR e CONSUMADOR da , JESUS.” Hebreus 12:2. Por que Autor e Consumador? Por que Ele não só criou a fé necessária para qualquer um que deseje viver eternamente, Ele também a consumou, ou seja, a estabeleceu, a consolidou. Com que finalidade? Para ofertá-la ao pecador arrependido, de modo que ele possa alcançar a mesma vitória que Cristo alcançou quando aqui viveu. O Espírito Santo é quem derrama as nove qualidades no novo ser criado, e consequentemente Cristo é reproduzido paulatinamente na vida de quem nasce de cima. E, assim, apropriadamente, Jesus explica que a fé necessita crescer. O novo ser irá se alimentar das porções pastosas das Escrituras, e na medida em que ele cresce, sua alimentação vai se tornando mais sólida, e sua fé corresponderá a sua estatura. E como se dá o crescimento da fé? Bem, Paulo e Judas nos oferecem a resposta: “De sorte, que a fé VEM PELO OUVIR, e o ouvir pela PALAVRA DE CRISTO.” Romanos 10:17. “Mas vós, amados, edificando-vos sobre a vossa santíssima fé, ORANDO no Espírito Santo.” Judas 1:20. O Espírito nos guia a toda verdade; Ele nos dá a disposição para ler as Escrituras, nos dá o desejo de buscarmos a Deus em oração, e assim, estudando a Palavra de Deus e perseverando na oração, a nossa fé cresce, feito a semente da mostarda, a qual se torna uma grande árvore. E essa fé é robusta, pois é a mesma preparada pelo próprio Filho de Deus.
Ficou claro que a fé faz parte da vida daquele que foi gerado novamente. E por essa razão o Livro Sagrado nos diz que o justo viverá pela fé. Ele viverá na total dependência de Deus Pai, assim como viveu o nosso Salvador Jesus Cristo, sem com nada se abalar, sem por nada sentir ansiedade. Ele disse: “Não estejais ansiosos quanto à vossa vida.” Mateus 6:25. E Paulo reflete: “Não andeis ansiosos por coisa alguma.” Filipenses 4:6. Vê que a fé é a mesma, tanto de Cristo, como a de Paulo?
Existe, no entanto, a sósia da fé, que a muitos confundem: a presunção. Esta não é divina. É uma contrafação, e, por ela, Satanás tem levados muitos ao calabouço da escuridão espiritual. Temos um exemplo típico dessa falsa fé. Saul havia sido orientado por Samuel que não oferecesse holocausto, mas que aguardasse pelo seu retorno. Vendo a situação vexatória que o apertava, e não aparecendo o profeta no tempo aprazado, decidiu oferecer o holocausto. Mal ele acabava de realizar aquela oferenda, Samuel lhe apareceu. Saul foi repreendido severamente pelo Senhor, através do Seu profeta. A fé não é meia-fé, ela o é por inteiro. Não temos que, segundo o nosso entendimento, mudar aquilo que foi determinado e claramente exposto por Deus, mesmo que pareça contrário à lógica. Isso não é fé, é presunção. A presunção é moldada pelas circunstâncias envolventes, a fé, não; a presunção não se ancora na expressa Palavra de Deus, a fé, sim. A presunção cogita a interpretação mais adequada da mensagem divina, a fé, o que está escrito. A presunção é vacilante, a fé se mantém firme nas promessas de Deus.
Como exemplo de fé, reportemo-nos a George Miller, grande evangelista inglês. Ele estava de viagem para Quebec, Canadá. Havia um compromisso marcado para sábado, numa determinada igreja. O navio em que se encontrava foi envolto por um denso nevoeiro e necessitou diminuir sua marcha, quase parando. Miller foi até o convés e assim se dirigiu ao Capitão: “Vim para lhe informar que, sábado que vem, eu preciso estar em Quebec. Em 50 anos nunca faltei a um compromisso, e não ocorrerá desta vez.” Retrucou-lhe o Capitão: “Mas o senhor não está vendo este denso nevoeiro?” “Não.”, respondeu Miller, e completou: “Eu não vejo este nevoeiro, porque os meus olhos estão fixos no Deus que governa todas as circunstâncias da minha vida.” E aí Miller convidou o Capitão para irem à cabine a fim de fazerem uma oração a Deus. Incrédulo o Capitão seguiu o pregador. Na cabine, Miller iniciou a sua oração: “Senhor, sabes que eu preciso estar em Quebec, no próximo sábado. Faz com que este nevoeiro se dissipe em cinco minutos. Em nome de Jesus. Amém!” Quando o Capitão ia iniciar a sua oração, foi interrompido por Miller, que lhe disse: “Não precisa orar. Primeiro porque eu sei que o senhor não acredita que Deus fará desaparecer este nevoeiro. E segundo porque creio que Ele já o fez. Vamos lá em cima!” E qual não foi a surpresa do Capitão ao ver o tempo totalmente limpo, sem nevoeiro. Este episódio mudou a vida daquele Capitão.
Como podemos estabelecer a diferença entre fé e presunção? Imaginemos que alguém segue de um ponto de ônibus para a sua casa. Tal pessoa chega num trecho em que há duas opções de ela chegar até o seu destino. Uma mais distante que a outra. Quando, então, ela atinge esse ponto, aparece-lhe alguém em seu caminho e lhe alvitra não seguir pelo mais curto, pois foi visto um homem suspeito naquela rua. Ela pensa consigo: “Se eu for pela outra, vou demorar cerca de quinze minutos a mais. É muito tempo, diante dos meus compromissos. A Bíblia diz que o anjo do Senhor se acampa ao redor dos que O temem, e os livra. Vou por aqui mesmo e Deus vai me proteger.” É fato que as Escrituras nos trazem essa promessa. Mas pergunto: essa atitude pode ser traduzida por fé? Não temos um exemplo desses nos Escritos Sagrados, que mostram como devemos agir nessas circunstâncias? Encontramo-lo em Mateus 4:5-7. Satanás propõe a Cristo saltar do pináculo do templo, sob a alegação de estar prevista a promessa de Salmo 91:11 e 12. A promessa existe, mas a ordem de Deus para saltar do pináculo do templo, não. Com isso aprendemos que não devemos forçar a providência divina quando a situação oferece saída evidente, quando a prova não foi promovida por Deus. No Livro de Romanos Paulo nos admoesta: “Tudo o que não provém de fé, É PECADO.” Romanos 14:23. Se conhecemos a vontade de Deus, e insistimos por adequar um texto a uma situação, onde é clara e inequívoca a sua aplicação, e assim agimos, transgredimos a Sua lei, pecamos. Não podemos exigir proteção divina para quando assim agirmos, e temos que assumir as conseqüências dos nossos levianos e impensados atos.
A tentação no deserto é a mais importante lição sobre o cuidado que devemos ter quanto à interpretação que damos às Escrituras Sagradas. Percebemos que as Sagradas Letras podem nos servir de salvação ou de perdição, somos nós quem decidimos. A própria Bíblia foi usada por Satanás com o fim de induzir Cristo ao pecado. Isso nos quer dizer que não há segurança em tentarmos interpretar a Bíblia, adequá-La, antes, porém, devemos suplicar a Deus pela unção do Seu Espírito para que Ele nos revele qual a Sua vontade, a fim de seguirmos para o Céu, sem o risco de estarmos sendo enganados quanto ao sentido. Precisamos entender que enfrentaremos a mesma tentação sofrida por Cristo, e aí, como discernir as ciladas do diabo, quando ele nos propuser o Sagrado Livro como esteio de seus argumentos? Reflita sobre isso!
A presunção ignora as advertências de Deus quanto aos perigos que há durante nossa jornada para o Céu. O presunçoso não vê a importância de Provérbios 3:7, não vislumbra a placa de perigo iminente contida em Provérbios 14:12, não reconhece a pérola de Jeremias 10:23. O presunçoso desobedece a Deus, na convicção de que Lhe apraz. É escravo de Satanás, crendo que é livre no Senhor. Caminha para a morte, no desejo de viver eternamente. No entanto, a fé foi criada para o justo, e justo é todo aquele que é recriado por Deus, mediante o Espírito Santo, por ocasião do Seu perdão. Necessariamente o justo recebe a fé que não tinha, antes fraca, vacilante, agora robusta, persistente. Entrelaçando conversação com o nosso Deus, ela cresce feito a semente da mostarda. Sua ação promove a recepção da constante presença do Espírito do Senhor, por quem é derramado o Seu amor em nossos corações. Lemos: “O amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.” Romanos 5:5. Derramando o amor em nós recebemos o atributo divino, participamos da Sua natureza, e, por conseqüência natural, guardamos os Seus mandamentos. “Se Me amais, guardareis o Meus mandamentos.” João 14:15. E Paulo comunga deste princípio citado por Cristo: “O cumprimento da lei é o amor.” Romanos 13:10.
Sim, caro leitor, a fé estabelece um relacionamento harmonioso entre Deus e o homem, “pois é necessário que aquele que se aproxima de Deus, creia que Ele existe e que Se torna galardoador dos que O buscam.” Hebreus 11:6 (up). A fé consolida a lei de Deus. Na verdade, a obediência é fruto da fé. “Anulamos, pois, a lei pela fé? De modo nenhum, antes confirmamos a lei.” Romanos 3:31. Se quisermos receber de Deus a Sua aprovação quanto ao que Lhe ofertamos, a fé se torna imprescindível, pois “sem fé é IMPOSSÍVEL agradar-Lhe.” Hebreus 11:6 (pp).
Caro leitor, nossa salvação está atrelada à fé, porquanto é a nossa parte no plano de Deus. Ela não só é necessária no princípio de nossa carreira, porém em todas fases da vida, pois o justo viverá da fé. Ela é preciosíssima, de valor incomensurável, e podemos assim inferir quando ouvimos Paulo falar: “Combati o bom combate, acabei a carreira, GUARDEI A FÉ.” II Timóteo 4:7. Corramos a carreira que nos está proposta. Recebamos no coração as palavras de João, que disse: “Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo, e ESTA É A VITÓRIA que vence o mundo: A NOSSA FÉ.” I João 5:4.
Alguém disse: “crê nas tuas crenças que se baseiam na Palavra de Deus, e duvida das tuas dúvidas que vêm da enfermidade, do desespero, dos desapontamentos ou desobediência. A dúvida paralisa, a fé vitaliza.” Assim, nobre leitor, por difícil que te pareça o que Deus promete, não ponhas interrogação onde Ele pôs ponto final, pois a fé, no dizer de alguém, vê o invisível, crê no incrível e recebe o impossível.
Que Deus nos abençoe!



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