sexta-feira, 1 de abril de 2011

Nossas Justiças – Trapos de Imundície!

Pois todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia. Isaías 64:6.

O que é justiça? Essa palavra tem definições diferentes para as esferas onde são utilizadas. No âmbito humano, sobrepõe-se aquilo que está de conformidade com o direito. Ao parlamentar que é flagrado desviando dinheiro público, aguardamos que seja-lhe aplicada a justiça. No âmbito espiritual, justiça tem um significado específico. Ela traduz o reconhecimento do mérito de alguém ou de algo. Reconhecer o mérito importa a existência de um código ou de uma lei, como parâmetro. Não se estabelece o mérito aleatoriamente. Além do mais, há mister da presença do julgador desse mérito.
Tudo quanto fazemos, nossas ações e pensamentos, são julgados por Deus. “O Senhor sonda os corações.” Provérbios 21:2. Quando Deus criou o homem, o fez segundo Sua imagem e semelhança. E aqui estão implícitos o caráter e a personalidade. A causa e a consequência. Com a transgressão o caráter de Deus não mais se refletiria no homem. Os atos deste não mais se moldariam no padrão divino. E esta deficiência seria vista em todos os descendentes naturais do primeiro homem. “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus.” Romanos 3:23. Todas as nossas ações, portanto, são julgadas à luz do caráter de Deus. A Sua glória mencionada no versículo bíblico acima é o Seu caráter. Em sua condição natural o homem se encontra destituído desse caráter e por consequência todas as suas ações, inclusos os mais profundos pensamentos, não glorificam ao Criador. Eis, portanto, a obra do evangelho – restaurar o caráter de Deus em cada ser humano.
É contundente para um homem generoso ouvir que suas obras, por mais bondosas que sejam, não são contadas para a salvação. E por que razão? Por que os nossos atos, que têm a finalidade de ajudar ao próximo, não são levados em conta, antes de aceitarmos o Salvador no coração? Sem o homem ter sido por Deus transformado em um novo ser, segundo a Sua imagem e semelhança, nenhuma obra sua será aceita pelo Criador. E por que isso? Seria tirania ou capricho de Deus?
Quando o nosso primeiro pai terrestre transgrediu a ordem do Senhor, a seiva da vida que fluía em seu ser, foi estagnada, dando lugar à corrupção de sua alma. Ainda que arrependido e trazido de volta ao seio do Pai, seu retorno à sensatez não evitou que o mal se disseminasse nos seus descendentes. “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, PORQUANTO TODOS PECARAM.” Romanos 5:12. E assim todos nasceriam escravos do pecado por natureza, até que, conscientes dessa condição e do plano de Deus para o seu resgate, tomassem a decisão de aceitar as condições desse plano e pudessem gozar da presença do Senhor, nascendo dEle mesmo, por intermédio do Seu Espírito.
Viver sem ter aceito a Cristo no coração, caracterizado pela mudança demonstrada na jornada da vida, significa estar morto. Primordialmente nascemos da carne, e por necessidade, temos que nascer de Deus. Ou estamos inseridos na família da carne ou na família espiritual. Os que não nasceram de cima ainda estão mortos aos olhos de Deus, e por essa razão suas obras não são aceitas por Ele, pois a adoração que Lhe é agradável é aquela que vem dos que vivem e vivem por Seu Espírito. Aqueles que são carnais são incapacitados de fazer algo que agrade a Deus. “Portanto, os que estão na carne NÃO PODEM agradar a Deus.” Romanos 8:8. Eles até tentam, têm o desejo, mas nenhuma oferta, sacrifício ou adoração é aceita por Deus. É impossível nessa condição. “Deus é espírito; e importa que os Seus adoradores o adorem em espírito e em verdade.” “Porque são estes que o Pai procura para Seus adoradores.” João 4:24, 23. Jesus disse a Nicodemos que “o que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito.” João 3:6.
Eis a razão por que temos que nascer do Espírito, pois os que provêm dEle, todos os que são por Ele gerados, são justos. Não são justos por alguma coisa que tenham feito, mas pelas coisas que foram feitas por Cristo. “NÃO POR OBRAS DE JUSTIÇA PRATICADAS POR NÓS, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo.” Tito 3:5. Entretanto, o fato de entregarem suas vidas a Deus, aceitando a Cristo como Senhor de seus destinos, eles são feitos justos, são feitos filhos de Deus. Seus pecados são apagados, e são vistos como se nunca houvessem transgredido a lei do Senhor. A isto as Escrituras chamam de justificação. São Paulo, aludindo a essa experiência, a da justificação, disse: “JUSTIFICADOS, pois, MEDIANTE A FÉ, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo.” Romanos 5:1.
O vocábulo justiça provém da mesma raiz de justo. No contexto bíblico justiça são os atos daquele que é justo. “Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e também justificador DAQUELE QUE TEM FÉ em Jesus.” Romanos 3:26. Deus não negará essa bênção a ninguém que aceite Seu Filho, entregando-lhe o coração para que seja purificado, pois aí está a essência do Seu plano de salvação. A salvação não será completa se o pecador alcançar apenas o perdão dos pecados sem receber o que precisa para vencer o pecado – o dom da justiça. Essa justiça, é a própria justiça de Cristo que é imputada naquele que decide viver para Deus. “Se, pela ofensa de um e por meio de um só, reinou a morte, muito mais OS QUE RECEBEM a abundância da graça e O DOM DA JUSTIÇA, reinarão em vida por meio de um só, a saber, Jesus Cristo.” Romanos 5:17.
Agora podemos entender por que Isaías falou que nossas justiças, nossas boas obras, são como trapos de imundícia. A lei exige muito mais do que podemos oferecer, mas graças a Deus que Jesus, vindo do Céu, viveu vida perfeita, sem pecado, e voltou ao Pai para oferecer-Lhe o Seu sacrifício. Tendo sido aceito, possibilitou a todo pecador que se arrependa e queira viver em obediência à lei de Deus, o poder de viver conforme Ele mesmo viveu, de andar como Ele mesmo andou, de produzir os mesmos frutos que Ele mesmo produziu, pelo Espírito Santo que é concedido no mesmo instante que justifica o pecador. Ele é a nossa justiça. “E este é o nome de que será chamado: O SENHOR JUSTIÇA NOSSA.” Jeremias 23:6.
O Espírito Santo, é a garantia de nossa esperança. Ele em nós, somos mais que vencedores, somos habilitados a viver no padrão dos cidadãos do Céu, aguardando, regozijados, a tão anelada vinda do Salvador. “Mas o fruto do Espírito é: o amor, o gozo, a paz, a longanimidade, a benignidade, a bondade, a fidelidade, a mansidão, o domínio próprio.” Gálatas 5:22. Tais serão os frutos vistos em nós se formos por Ele gerados novamente. As obras que realizaremos depois de nossa conversão serão as obras de Cristo, não as nossas, pois somos novas criaturas Suas. Essas obras foram preparadas por Ele para que fossem imputadas àquele que nascer de novo. “Pois somos feitura dEle, CRIADOS EM CRISTO JESUS PARA BOAS OBRAS, AS QUAIS DEUS DE ANTEMÃO PREPAROU PARA QUE ANDÁSSEMOS NELAS.” Efésios 2:10. Cristo já deixou pegadas prontas a fim de que, guiados pelo Espírito Santo, não façamos pegadas novas, mas andemos em novidade de vida por sobre as Suas própria pegadas. Assim, quem nos vê, verá a Jesus.
Não precisamos nos preocupar com o que faremos para nos salvar. Cristo já fez tudo por nós. Nossa parte é entregar o coração para ser transformado, crendo que seremos aceitos por Ele, e a partir daí cooperar com o Espírito Santo, através do poder que nos será concedido empós o novo nascimento. Só precisamos crer em Sua promessa, crer que ela será cabalmente cumprida em nós, e seremos novamente gerados segundo a Sua imagem e semelhança. Nossas justiças não mais serão trapos de imundícia, pois a Sua própria justiça será imputada em nós e a nós comunicada dia após dia. O Pai olhará para nós como olha para o próprio Redentor, e poderemos nos alegrar em ouvir Sua doce voz a nos dizer: “Este é meu filho amado, em quem me comprazo.”
Que Deus nos abençoe!

2 comentários:

Elisangela 22 de abril de 2013 11:38  

Grande benção essa reflexão. Que Deus abençõe ricamente esse ministério. Precisamos de palavra pura.

Gonçalves 22 de abril de 2013 13:34  

Elisângela, boa noite!
Que Deus possa te abençoar por teu coração ter sido tocado pela mensagem acima apresentada. Vivemos nos últimos momentos deste planeta, e nesse emaranhado mundo de doutrinas, carecemos do Espírito Santo para nos fazer discernir onde está a verdadeira e sã doutrina, que nos fará caminhar nas pegadas de Cristo e nos levará rumo ao Céu. Errar a direção, ainda que por um nanômetro, significa ser confundido pelo Salvador, quando Ele vier.
A verdade é que eu, tu, todos nós precisamos abrir o nosso coração para uma verdade pouco popular: A PROVA DE QUE NASCEMOS DE NOVO É O VIVER DE CRISTO MANIFESTADO DIARIAMENTE EM NOSSA VIDA. Seremos filhos de Deus, só e somente só, se a vida de Seu filho for refletida em nós, se o Seu caráter refletir a sua glória através de nós.
Fico feliz por tua compreensão e deleite, orando a Deus que te conceda a bênção, se ainda não a alcançaste, de já estar vivendo nessa maravilhosa plenitude por Ele designada para cada um de nós, habilitando-nos, pelo Espírito Santo, a viver como se já estivéssemos na Sua própria presença.
Que Deus te abençoe, portanto! Irmão Edson.

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