quinta-feira, 28 de abril de 2011

A Arma do Cristão

Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do Diabo;
porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes. Efésios 6:11 e 12.



Depois da morte de Estevão, a obra do Senhor cresceu galopantemente, e a perseguição muito contribuiu para isso. Dispersos os discípulos, eles pregavam aonde quer que fossem. O anúncio do evangelho alcançou Fenícia, Chipre e Antioquia. E “partiu, pois, Barnabé para Tarso, em busca de Saulo; e tendo-o achado, o levou para Antioquia. E durante um ano inteiro reuniram-se naquela igreja e instruíram muita gente; e em Antioquia os discípulos pela primeira vez foram chamados CRISTÃOS.” Atos 11:25 e 26.
Quantas vezes não contemplamos uma criança e não nos admiramos com a semelhança com os pais? Costumamos dizer: “puxou’ ao pai!”, ou “‘puxou’ à mãe!” Conhecemos como traços genéticos. São miniaturas de seus genitores. E era assim com os nossos primeiros pais, Adão e Eva, até que o pecado arruinou tudo. Mas graças a Deus que Cristo veio para desfazer as obras do diabo. I João 3:8. Ele tornou possível ao homem novamente refletir o Seu caráter, o próprio caráter do Pai. Àqueles que morreram com Cristo e com Ele ressuscitaram, revelam em seu viver a vida de Cristo. Olhar para eles é olhar para o Salvador. Foi nessa confiança que o apóstolo dos gentios pronunciou qual música aos ouvidos: “Sede, pois, meus imitadores, como EU SOU DE CRISTO.” I Coríntios 11:1. Essa é principal finalidade do evangelho: tornar-nos semelhantes ao nosso Salvador. E assim poderemos dizer: “sou cristão!” Todos que me virem agir, me ouvirem falar, comungarem comigo, perceberão que minha vida é uma reprodução da vida do meu Salvador. E assim tem que ser.
Como deve o cristão encarar o mundo? Certamente seus objetivos já não serão mais os mesmos. Ele agora fita, não as coisas daqui, todavia as que são de cima. Colossenses 3:2. A vida é totalmente descortinada para ele, e tudo passa ter novo sentido. Vai ao trabalho como todos vão; vai às compras como todos vão; conversa como todos conversam, contudo algumas coisas são diferentes e notáveis: seu vestuário, seus desejos, sua pureza, sua determinação. Concentra todas as suas faculdades em glorificar Àquele que o redimiu. Seu lema será sempre o dito de João Batista: “É necessário QUE ELE CRESÇA, e QUE EU DIMINUA.” João 3:30. Haverá uma indagação o acompanhando aonde quer que ele vá: “O que Jesus faria se estivesse em Meu lugar?
Empós nos debruçarmos sobre esses assuntos tão vitais, precisamos nos volver para o tema, que sugere algo mais do que imaginamos. Então, vamos nos ater a ele. Qual deve ser, então, a arma do cristão? Bem, o apóstolo Paulo dá a resposta mais adequada e fundamental para quem está envolvido com a guerra cósmica que ora é travada, não distante de nós, mas em nós mesmos. Assim ele nos diz: “ESTAI, pois, FIRMES, tendo CINGIDOS OS VOSSOS LOMBOS COM A VERDADE, e vestida A COURAÇA DA JUSTIÇA, e CALÇANDO OS PÉS COM a preparação do EVANGELHO da paz, tomando, sobretudo, O ESCUDO DA FÉ, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do maligno. Tomai também O CAPACETE DA SALVAÇÃO, e A ESPADA DO ESPÍRITO, que é a palavra de Deus; com toda a oração e súplica, ORANDO EM TODO TEMPO NO ESPÍRITO...” Efésios 6:14-18. Porque São Paulo nos declina todos esses apetrechos de guerra? Onde reside a sua convicção de que todo esse aparato militar será o suficiente para vencermos batalha após batalha, o príncipe das trevas? As respostas são bastante simples. Não pense o meu caro leitor que se trata de material novo. E nem poderia ser, pois, para ser usado em batalha teve que ser testado, experimentado ao máximo, a fim de garantir que ofereceria segurança, proteção plena para aqueles os usariam posteriormente. Esses apetrechos, amigo leitor, foram usados por nosso Salvador. Ele os provou por nós, e tendo garantido um futuro maravilhoso para nós por Sua cabal vitória, não os desfez, mas confirmou que os havia criado para nós podermos segui-Lo e vivermos eternamente com Ele. Sua voz pode ser ouvida suavemente: “Tende bom ânimo, Eu venci o mundo.” Venceu com que armas? Com essas mesmas aí supracitadas. E elas são nossas.
Como podemos entender, sob o prisma acima apresentado, o período antes da cruz? Por exemplo: Davi. Ele foi rei sobre Israel e governou, não poucas vezes, enfrentando bravamente as nações pagãs, debaixo de guerras sangrentas. Por que Davi não usou as armas espirituais, tão somente? Porque vemos que nesse período pré-cruz, aparenta haver aceitação de Deus em que um homem ceife a vida de seu semelhante, com Sua aquiescência, inclusive? Essas indagações foram formuladas por que muitas pessoas acreditam que hoje, um seguidor de Cristo, um cristão por assim dizer, pode fazer uso de uma arma de fogo, sob a alegação de que, como aqueles do passado, também necessitam defender-se, dividindo, assim, com Deus, a segurança de suas vidas. Deverá ser realmente assim? Veremos.
Jesus enfrentou dificuldades para incutir na mente do Seu povo a natureza do Seu reino. Os profetas prediziam tanto a Sua primeira como a Sua segunda vinda. A primeira, de forma humilde, nascido numa manjedoura; a segunda, de forma esplendorosa, em toda a Sua glória, na do Pai e na dos Seus anjos. Devido ao gradual declínio espiritual dos judeus, a luz pouco a pouco foi se apagando, até que passaram a usar luz natural. E na vida espiritual, a luz natural para nada serve, senão para nos encaminhar para as mais densas trevas. E foi isso que lhes ocorreu. Na escuridão espiritual em que se encontravam, interpretaram as Escrituras Sagradas como melhor lhes pareciam, e, assim, entenderam que as profecias que apontavam para a segunda vinda do Salvador, tinham aplicação para a Sua primeira. Erro gravíssimo que custou a salvação de muitos. Criam, portanto, que o Cristo viria para destruir os inimigos de Israel e estabelecer o Seu reino aqui, ainda em Seu tempo. Eis a razão da decepção e ira para com o Salvador, que avocava para Si os títulos reais. Quem deveria ser a glória dos judeus, foi-lhes vergonha e tropeço. Saiu-lhes dos Seus lábios, então, palavras carregadas de tristeza e repreensão: “Disse-lhes Ele: vós sois de baixo, eu sou de cima; vós sois deste mundo, EU NÃO SOU DESTE MUNDO.” João 8:23. Contundente mensagem, não? Ela também tem aplicação para nós? Claro que sim.
Lembram daquelas palavras pronunciadas para Nicodemos, sobre o nascer do Espírito ser uma exigência para todo ser humano que deseja entrar no Céu? João, o mesmo que escreveu o quarto evangelho, escreveu também três cartas, numa das quais ele afirma, corroborando as palavras de Cristo: “Porque todo o que é NASCIDO DE DEUS vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé.” I João 5:4. A que mundo Jesus e João se reportam, nos versículos expressos acima? Só não pode ser o planeta. Neste caso, temos que admitir que o enfoque é tudo que tem raiz mundana com um propósito mundano, sem vínculo nem afinidade alguma com Deus. Todas as coisas, sem exceção, ocupam lugar de um lado ou de outro, nesta guerra cósmica que nos cerca. Na verdade, feito um campo de batalha, temos minas explosivas espalhadas por todos os cantos, aguardando que algum soldado desinteressado assente os pés e sofra os efeitos do pecado. Nunca será demais julgarmos o que assistimos, o que comemos, o que pensamos, o que fazemos de nossas vidas. Tudo tem a ver com nossa salvação. Em nenhum momento poderemos descansar e dizer que nisso ou naquilo há isenção quanto ao conflito entre Deus e Satanás. Todas as coisas são símbolos, são bandeiras que tremulam em favor de um ou de outro exército, nunca em neutralidade. E o mastro somos nós.
No século IX os chineses inventaram a pólvora e isso promoveu uma revolução. A mistura básica que, sob a ação do fogo, explode, foi usada inicialmente para atirar pedras. Quatro séculos depois, os árabes aperfeiçoaram a idéia e passaram a fabricar canhões de madeira, reforçados com cintas de ferro. Então, no século XIV, surgiram os canhões de bronze, bem mais resistentes. “O canhão abriu as portas tanto para o armamento pesado como o individual”. João Fábio Bertonha, da Universidade Estadual de Maringá, Paraná. E a evolução bélica ganhou espaço em nosso planeta, arruinando a vida de muitos. Qual foi a finalidade da criação da arma de fogo? Cristã? Impossível. Mas alguém dirá: os anjos de Deus possuem arma; os servos de Deus do passado usavam armas, e até ceifaram vidas! Quando havia punição por tirar a vida do próximo? Não era quando o Senhor determinava que fossem exterminados alguns povos pagãos? Será que Samuel matou o rei Agague, como hoje um policial “cristão” mataria um homem delinqüente numa operação policial? Temos diante de nós situações análogas? Ouço alguém dizer: “Mas eu sou agente público e ele escolheu ser marginal! E eu vou morrer, é?
Teríamos nós condições de pronunciar o que Cristo disse: “Vós sois de baixo, Eu sou de cima; vós sois deste mundo, Eu não Sou deste mundo”? Nessas palavras nós vemos Cristo pondo uma linha divisória entre dois mundos – aquele onde Ele está e onde está o enganador. João afirmou que este mundo jaz no maligno. E o que provém do mundo, tem uma finalidade obscura, a saber, combater contra a alma. O mundo é o palco onde Satanás expõe, para cada plateia diferente, um teatro diferente. E em sua maioria, são tão muito bem camuflados com a faceta da fraternidade, que raríssimos sabem que estão sendo engodados. Mas não precisamos ser. Um pergunta simples nos ajuda bastante a descobrir a fonte de tudo que se nos apresenta como opção – qual é a finalidade desse negócio? Alguém poderá dizer: “mas isso é radicalismo! Não podemos ser radicais!” E como Deus trata com o pecado, não é sendo extremamente radical? Lê o que está escrito em Atos 5, o episódio que envolve Ananias e Safira, sua mulher. E não estamos no Velho Testamento. Teríamos um exemplo melhor sobre a extremada ação de Deus perante o pecado? Dificilmente.
Então indaguemos: de onde veio a arma de fogo – de Deus ou de Satanás? Qual foi a finalidade projetada? As respostas não nos levam a Cristo, em hipótese alguma. Sabemos de onde veio e para que fim ela foi fabricada. Contudo Deus não permitiu que Seus servos, no passado, fizessem uso de espadas e destruíssem aqueles que estavam em seu caminho? Mas o que estava em jogo ali? A todo custo Satanás empregou suas forças para destruir o berço do Salvador. Ele sabia que a vinda do Messias lhe custaria a existência, e por esse conhecimento, se determinou em frustrar o plano divino. E através de quem? Ora, nem Deus nem Satanás pegará em teu braço, obrigando-te a fazer isso ou aquilo, amigo leitor. Somos convidados a servi-los, e somos nós que escolhemos a quem desejamos servir. Ao longo da história vemos as incessantes batalhas travadas contra o povo de Deus com o intuito de exterminá-lo, e se Deus não Se manifestasse em favor do Seu representante, não restaria lembrança de Sua existência na raça humana. A ação do profeta Samuel, como tantas outras, eram efetivações dos juízos divinos. A ordem partia expressamente de Deus, não aleatoriamente, mas porque a vida daqueles que sofriam Seus juízos, já havia sido colocada na balança e achada em falta. Havia enchido o cálice do pecado. Gênesis 15:16.
Não podemos e nem devemos comparar os juízos de Deus com uma ação policial, em que é morto o marginal, sendo o agente publico um cristão. Paulo nos diz que devemos nos armar, mas nos recomenda vestirmo-nos com as “armas da luz”. Romanos 13:12. E não são poucos os cristãos que alegam que, por estarem imbuídos de autoridade constituída, tem a aceitação de Deus, não somente para usarem uma arma de fogo, como também para ceifarem a vida do seu próximo, se a situação o exigir, por exemplo, em legítima defesa. Será que o cristão e sua profissão estão separados? Não seria a sua profissão a seara onde ele deveria semear o evangelho do amor? E com que mecanismo? Como posso hoje estar no púlpito de um presídio, pregando sobre o amor de Deus, desejando a salvação das almas, e três dias depois, estou eu de serviço, armado de pistola, e me deparo com um delinqüente, e num triste desfecho, atinjo-o gravemente. Então, aproximo-me dele, e ainda agonizando, ele me fita nos olhos e me diz: “Mas não era o senhor que estava pregando para mim, há três dias? Qual pregação devo ouvir: aquela, onde o senhor me expôs o maravilhoso amor de Deus e Sua misericórdia, ou esta anunciada por este projétil em meu peito?” Seria cabido eu lhe dizer que ali, naquele momento, sou agente público e que ele colheu o que semeou? Como podemos, num dado instante, nos cobrir com as vestes da justiça do Redentor e depois, em face de nossa profissão, despirmo-nos dela, e agirmos segundo o nosso próprio pensamento, e ainda assim nos considerarmos como imitadores de Deus, consoante Efésios 5:1? É um disparate, caro leitor! Alguém, então, retrucará: “E eu, por acaso, vou morrer? Eu tenho que confiar em Deus, porém devo fazer a minha parte, me protegendo! Essa é a minha parte. Se sou policial militar e saio para o trabalho desarmado, e sem colete, eu estou tentando a Deus, estou pecando.” Mas está escrito: “Quem quiser salvar a sua vida, PERDÊ-LA-Á; mas quem perder a sua vida por amor de mim e do evangelho, SALVÁ-LA-Á.” Marcos 8:35. Será que a promessa de Deus contida no Salmo 34:7, será anulada porque houve uma situação para a qual o Senhor nosso Deus não fez provisão, Lhe passou despercebido, ou o Seu poder vai até a um determinado limite e a partir daí, ele falha?
Tudo quanto fazemos em casa, na igreja, ou no trabalho é julgado pela mesma instância do juízo divino. “Portanto, quer comais, quer bebais, ou façais OUTRA COISA QUALQUER, fazei tudo para a glória de Deus.” I Coríntios 10:31. Outra coisa qualquer significa que tudo está envolvido. As conseqüências, logicamente, são correspondentes às circunstâncias, mas Deus não distingue o policial do membro da igreja, se se trata da mesma pessoa. Ninguém poderá argumentar: “Nesta situação aqui não posso ser julgado como membro da igreja, ou pai de família, pois estou no exercício da minha profissão!” Pedro disse: “Antes importa OBEDECER A DEUS do que aos homens.” Atos 5:29. E Paulo explica: “Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia ira e da revelação do justo juízo de Deus, QUE RETRIBUIRÁ SEGUNDO AS SUAS OBRAS.” Romanos 2:5 e 6. Aqui o apóstolo ressalta o juízo de Deus com base nas obras que praticamos. Implica dizer, que as obras são os frutos, pelos quais revelamos a quem servimos, e não se pode extrair do mesmo coração que foi entregue a Deus para ser mudado a Sua semelhança, uma atitude que O desabone. Precisamos confessá-Lo diante dos homens, e confessar significa tornar patente, não só por palavras, todavia principalmente com os nossos atos. Qual será o parâmetro em que o juízo de Deus irá fundamentar o Seu veredicto? A resposta nós encontramos em Efésios 2:10. Lemos: “Porque somos feitura Sua, criados em Cristo Jesus PARA AS BOAS OBRAS, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas.” As boas obras que já estão preparadas são as obras de Cristo, Sua vida de obediência. São por elas que Deus mede nossas vidas a todo tempo. Se as nossas obras não forem reflexo das de Cristo, estaremos perdidos, não importa a nossa sinceridade.
E quanto a minha segurança? Quem a promoverá? As Escrituras respondem: “O anjo do Senhor acampa-se ao redor DOS QUE O TEMEM, e os livra.” Salmo 34:7. E qual a âncora dessa proteção para aqueles que temem, que obedecem a Deus? João responde: “Sabemos que TODO AQUELE QUE É NASCIDO DE DEUS não vive em pecado, antes, AQUELE [Cristo] que nasceu de Deus O GUARDA, E O MALIGNO NÃO LHE TOCA.” I João 5:18. E Paulo dá mais detalhes do modo como isso ocorre: “Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da Terra; PORQUE MORRESTES, e a VOSSA VIDA ESTÁ OCULTA JUNTAMENTE COM CRISTO, em Deus.” Colossenses 3:3.
Não precisamos temer, quando somos guardados por Aquele que não toscaneja, por Aquele que não dorme. Eis Suas palavras: “Se o Senhor não guardar a cidade, EM VÃO VIGIA A SENTINELA.” Salmo 127:1. Que segurança, então, poderemos oferecer para nós mesmos, quando a nossa luta não é contra a carne e o sangue, mas contra as potestades do ar, contra quem todo nosso esforço para promover nossa segurança é totalmente inútil. Não vale a pena recalcitrar. Ademais, por que andarmos preocupados? As crianças quando andam com seus pais, estão isentas de qualquer ansiedade porque confiam que estão protegidas, estão guardadas. Afinal, seus pais não estão ao seu lado? E é isso que Deus espera de nós: confiança plena nEle, porque Ele é digno de toda a nossa fé e de nosso louvor. Nada, nada de que precisemos, Ele Se esqueceu de cuidar por nós. “E o meu Deus, segundo as Suas riquezas, suprirá TODAS as vossas necessidades [inclusive nossa proteção] EM GLÓRIA, por meio de Cristo Jesus.” Filipenses 4:19.
Escondamo-nos, portanto, nEle e o maligno não nos tocará, pois a boca do Senhor o disse.
Que Deus nos abençoe!

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quinta-feira, 21 de abril de 2011

A Eleição de Deus - Parte 2

A Predestinação


Precisamos entender que todos nós, de certa forma, quando damos uma resposta a Deus em razão de Seu chamado, estamos a responder nas duas direções – para Deus e para Satanás. Nossas respostas têm duplo sentido. Se dissermos NÃO ao chamado divino, ou adiamos nossa entrega a Ele, concomitantemente estaremos dizendo SIM ao inimigo das almas, e vice-versa. Como um agricultor, Deus está a lançar Sua semente, mas há terrenos áridos que não oferece as condições necessárias para a sua germinação. Há possibilidade do terreno árido se transformar num fértil? Só sim. E isso depende tão-somente dele. Lembras da figueira sem fruto? Que providências foram adotadas? Por ela estar sem fruto, seu destino era ser cortada, mas o viticultor intercedeu por ela, pedindo ao seu senhor mais um ano, a fim de que neste interlúdio ele pudesse fazer alguma coisa para salvar aquela árvore do seu terrível destino. Essa é a obra do Espírito Santo no coração do impenitente: rogando a todo tempo para que se arrependa de sua transviada vida, oferecendo o Seu poder transformador.
Então surge o Faraó egípcio. Teria sido ele criado para ser manipulado, sem que seus desejos fossem levados em conta, feito uma marionete, sem vontade própria? Meditemos um pouco sobre a cruz. Ela era plano de Deus, antes mesmo da fundação do mundo. Como esse plano divino foi concretizado? O instrumento utilizado por Deus para efetivar o Seu plano de salvação foi o próprio homem, sim, os próprios algozes de Cristo. Não que Deus estivesse instigando os homens a assassinar Seu Filho, não, porém, a maldade humana era transformada em bondade para benefício de todos os seres humanos, em todos os tempos. Numa comparação assaz pálida e singular, seria como se alguém te oferecesse um limão. Um limão? Dirias. E aí, pesaroso, resmungarias, dizendo que não viu nenhum carinho, nenhuma demonstração de amor naquele limão. Enquanto falas, alguém te oferece um delicioso copo de limonada. E quando pensas em agradecer, escutas uma voz a te dizer: foi daquele limão que surgiu esta limonada! Eu creio que esclareceu um pouco a questão, não? Mas quem fez o limão? Ou melhor, Quem fez aqueles algozes de Cristo? O próprio Deus. No entanto, não foi Sua vontade que alguns se perdessem ou permanecessem no pecado. Eles eram livres para escolher o que queriam fazer de suas vidas. Deus, portanto, poderia afirmar que os fizera para concretizar o Seu plano de salvação. Entendes?
Romanos 13 nos mostra que Deus é quem estabelece as autoridades constituídas no mundo inteiro. É uma forma humana de explicar que nenhuma folha cai sem o seu consentimento. Na verdade, escolhemos quem vai assumir o cargo, mas o permitir vem de Deus. Temos que atentar para uma coisa muito importante: Satanás não tem coragem de expor a sua verdadeira identidade. Ele sabe que se os seus ardis forssem revelados, todos correriam para o Criador. Daí, para alcançar os seus mais vis desígnios, ele usa um disfarce. E assim levam os homens a crer que tudo quanto ocorre na natureza, no universo, tais como tsunamis, maremotos, terremotos, vem de Deus, de algum modo. E, dessa forma, distorce o caráter de Deus. Entretanto, malgrado lhe ser concedido realizar essa funesta obra, Deus mantém os prumos de Sua criação, da própria história humana. Nada foge ao Seu controle. E não foi diferente com Faraó.
Desde a transgressão de Adão, a humanidade tem sido dividida em dois grupos. E essa divisão não foi aleatória, foi consciencial. Estamos onde escolhemos estar. E como estamos participando ativamente de uma guerra cósmica, em que o objetivo principal é a revelação em nós mesmos, daquele a quem decidimos servir, os dois grupos também estão em conflito. Não existe comunhão entre os que nascem da carne e os que nascem do Espírito. Paulo fez menção disso em Gálatas. “Mas, como naquele tempo o que nasceu segundo a carne PERSEGUIA ao que nasceu segundo o Espírito, assim é também agora.” Gálatas 4:29. E assim será até a volta de Cristo, meu caro leitor. Essa guerra até lá, é inevitável. Vemos a morte de Abel provocada pelo irmão dele, Caim, como um evento desastroso, como de fato o foi, mas só isso. Não abrimos as cortinas para ver o que se passa por trás. Vislumbramos algo espantoso e que perdurará até o fim do conflito que nos envolve. Ali constitui a primeira tentativa de Satanás em destruir a linhagem da raça humana que trazia os traços do Criador, pois esse era e é o seu objetivo – banir a lembrança de Deus. Com a morte de Abel, Deus trouxe um outro ser que O representaria aqui neste planeta: Sete. Gênesis 4:25. E deste, sua semente tem se multiplicado.
Como Deus estabeleceu o Seu povo, Satanás tem procurado destruí-lo, dominando as mentes daqueles que se voluntariam servi-lo, inclusive os que pensam iludidamente que podem manter-se neutros nesta guerra.
Faraó não era um dos filhos de Deus, pois não fazia caso das ordens divinas enviadas por Moisés. Dessarte, podemos concluir sem muita dificuldade que ele era um soldado do exército do inimigo, era um agente de Satanás. Resistindo a palavra de Deus, Faraó se firmava nas fileiras comandadas pelo diabo. E não havia desculpa em fazer isso, pois Deus, através de Seu servo Moisés, revelou o Seu poder, as Suas maravilhas na tentativa de convencer o monarca a libertar o Seu povo. Porém, ao invés de mostrar humildade e reconhecimento do poder do Deus altíssimo, Faraó quis confrontá-Lo com as ilusórias magias de seus magos, com isso tentando desqualificar a palavra expressa do Criador. Mas Paulo não diz que foi Deus quem endureceu a Faraó? Como isso se explica? Se tivesse sido assim, como aceitar que temos livre arbítrio? Ou Faraó foi o único ser humano criado para um propósito que nem ele sabia, e, como consequência, não podia alterar o seu destino? Mil vezes, NÃO. Nenhum ser humano foi criado por Deus sem que lhe tenha sido oferecida a vida eterna por intermédio de Cristo. O Amor de Deus não tem falha, nem pecha. O Egito foi presenteado com a luz do Céu. A arqueologia já comprovou isso. Faraó, como qualquer outro homem descrente e ímpio, já se determinara em seu coração resistir a Deus.
Para entendermos as palavras do apóstolo Paulo, respeitante ao endurecimento do coração de Faraó, façamos mais uma comparação. Ela nos ajuda muito. Tomemos como exemplo a massa do vidraceiro e a manteiga. A massa do vidraceiro encontra-se em seu estado pastoso, e a manteiga, solidificada, congelada. Agora vamos expô-las ao sol. O que ocorre com ambas? Muito fácil de responder. A massa do vidraceiro tenderá ao endurecimento, enquanto que a manteiga ao derretimento. O sol aqueceu produzindo duas reações químicas diferentes. Indago, então: o sol é o responsável pelo que acontece às duas matérias em questão? Mas é claro que não. A ação do sol é uma só: aquecer. Em função do seu aquecimento, as matérias reagem. Podemos afirmar, portanto, que a transformação foi operada devido à reação natural de cada matéria. E assim se dá conosco ao ouvirmos a voz de Deus. Paulo, o mesmo apóstolo, faz referência a esse experimento envolvendo a massa do vidraceiro e a manteiga. Vê o que ele declara: “Pelo que, como diz o Espírito Santo: hoje, SE OUVIRDES A SUA VOZ, não ENDUREÇAIS os vossos corações, como na provocação, no dia da tentação no deserto.” Hebreus 3:7 e 8. As reações naturais que podemos exprimir, ao ouvirmos a voz de do Criador, são positivas ou negativas. Aceitamo-Lo ou não. Não aceitando ao reclamo divino, não há nenhuma esperança de melhor condição futura. A expectativa será sempre agravante. As trevas se tornarão cada vez mais densas. E tal foi a experiência vivida por Faraó, empós cada tentativa divina de chamá-lo ao arrependimento. E o que lhe ocorreu é um alerta para nós, hoje. Não devemos negligenciar a oportunidade que Deus nos oferece. Alguns dizem: “quando Deus me tocar, aí, sim, eu O seguirei.” Deus não nos chama através de rogos emotivos que apelem para as nossas emoções. As decisões tomadas sob o prisma das emoções nunca foram seguras, nem jamais serão. Se assim fosse, poderíamos dizer que Cristo não facilitou a vida do jovem e rico príncipe, quando lhe falou aberta e diretamente: “Vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu, depois vem, e segue-me.” Mateus 19:21. O que dirias tu, se estivesses no lugar desse rapaz? Que Cristo foi muito incisivo com ele? Dirias a Cristo que iria aguardar que Deus te tocasse futuramente? Hilário, não, sendo Ele o próprio Deus! Deus apela para a nossa razão, caro leitor. Ele quer que tomemos decisões seguras, levadas pela nossa razão, e a razão envolve reflexão, estudo, exame. Isaías nos diz como é o chamado de Deus: “Vinde, pois, e ARRAZOEMOS, diz o Senhor: ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, tornar-se-ão como a lã.” Isaías 1:18.
Sim, Faraó teve várias chances de ver que Quem estava tratando com ele não era um ancião com um bastão na mão. Ele sabia que era o próprio Deus dos hebreus que Se manifestava diante de sua face, por intermédio de Moisés. Contudo, decidiu se opor a Deus. Essa é a grande obra do pecado: o engano. O fascínio do pecado leva o homem a crer que não há vantagem alguma em servir a Deus. Leva o homem à perdição eterna, cujo início é o momento em que decide opor-se a Deus, não aceitando o Seu convite, resistindo a Sua vontade. Faraó decidiu ser massa de vidraceiro. Daí ficar mais claro que enquanto ele resistia, Deus manifestava Seu poder nele. E Paulo usa um verbo para mostrar que não era da vontade de Deus, destruir Faraó e os que com ele estavam. Deus poderia, se quisesse, com um sopro realizar essa obra. O apóstolo menciona que Deus “SUPORTOU com muita paciência”. A paciência de Deus é para o bem do homem e não para sua perdição. É certo que Se o sol não aquecer, não haverá endurecimento da massa, nem derretedura da manteiga. Se Deus não fizer ouvir a Sua voz não ocorrerá nenhuma reação nos seres humanos. Mas o Seu povo precisa ser resgatado. A este é dirigida a Sua voz. Deus procura por aqueles que, no seu íntimo, estão sequiosos por ouvir o Seu chamado. Entretanto, o Seu povo está entre os que não são Seus seguidores. Sua voz é ouvida por todos. Assim, uns endurecem, outros são derretidos.
Embora a linguagem utilizada por São Paulo nos faça entender que Deus se compadece de quem quer e tem misericórdia de quem quer, esse querer não é arbitrário, pois se não fosse por iniciativa divina, movida por Sua misericórdia, todo traço de amor, de afeição ou sensibilidade teriam sido extintos do ser humano, há muito tempo. E é por esta razão que o apóstolo diz que “não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus que usa de misericórdia.” Romanos 9:16. E, nesta misericórdia, Ele conclama a todos para aceitarem o Seu convite de estarem presentes na grande ceia do Cordeiro. Todavia, como está escrito, “muitos são chamados, mas poucos escolhidos.” Mateus 22:14. E como é efetuada essa escolha? Encontramos essa resposta em Romanos 9:7. Lemos: “Em Isaque será chamada a tua descendência.” Como assim? Já sabemos por que Isaque é a referência. O capítulo 8, versos 29 e 30, do Livro de Romanos, passagem já citada aqui, nos auxiliará nesse estudo, trazendo à luz como se dá a eleição de Deus.
Porque aos que dantes conheceu, também OS PREDESTINOU...” Por que predestinou? Predestinar não é traçar um destino antes do nascimento de um ser? Mas é isso mesmo. Deus já traçou um destino. E Ele fez isso na pessoa de Seu Filho, Jesus Cristo. As pegadas do Salvador são o único caminho que leva para o Céu. Para todos os que desejarem se salvar, há um destino a sua espera. E o que os leva a serem predestinados? O apóstolo Paulo nos mostra este processo numa sequência, consoante será apresentada a seguir.
E aos que predestinou, a estes também CHAMOU...” Como Deus chama? Ele o faz em secreto, somente para alguns ou faz ouvir Sua voz por todos? Jesus responde: “Não vim chamar justos, mas pecadores, AO ARREPENDIMENTO.” Lucas 5:32. Através de um hino, de um folheto, da irradiação de um programa evangélico, o Espírito Santo está convidando, chamando aos habitantes deste planeta para que se reconciliem com Deus. Mas nem todos aceitarão o convite? Por quê? Porque Deus não quer que todos sejam salvos? “Mas Deus, não levando em conta o tempo da ignorância, manda agora que TODOS OS HOMENS em todo lugar se ARREPENDAM.” Atos 17:30. O destino de cada ser humano será a materialização de sua própria escolha, perante o contínuo convite divino.
E aos que chamou, a estes também JUSTIFICOU...” Já sabemos o que é justificação. Ela pode ser chamada de perdão ou novo nascimento, pois no perdoar de Deus, Ele torna o pecador em justo, sem pecado. Este é o início do processo da salvação. Na justificação, como vemos, o homem é salvo da condenação do pecado. A justiça de Cristo lhe é imputada e isso ocorre instantaneamente. O passo seguinte à justificação, é a santificação, a qual parece ter sido suprimida por Paulo, na sequência que ele nos apresenta. No entanto, ela não foi esquecida. Esse processo que nos assemelha com o Salvador, é-nos expresso nas palavras “para serem CONFORMES à imagem de Seu Filho...” Este milagre paulatino, a santificação, é a justiça comunicada. O homem é salvo do domínio do pecado.
E aos que justificou, a estes também GLORIFICOU.” Aqui está a última parte do processo da salvação. Esta ocorrerá na segunda vinda de Cristo, a fim de buscar os Seus remidos. O homem, então, será salvo da maldição do pecado. Essa fase, diga-se de passagem, se reporta àqueles que estiverem sendo santificados. E é imperativo asseverar que não podemos, em hipótese alguma, alterar as fases da salvação. Primeiro somos justificados, depois santificados e, por fim, glorificados. Como vemos, ninguém entrará nos céus sem provar o novo nascimento. Assim adverte o Salvador: “Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, NÃO PODE entrar no reino de Deus.” João 3:5. Portanto, nosso esforço em fazer a vontade de Deus, por nossas próprias forças, incorre no mesmo erro dos judeus, e Paulo alude a isso no capítulo 10 de Romanos. No versículo 3 desse capítulo, ele diz: “Porquanto, não conhecendo a justiça de Deus, e procurando estabelecer a sua própria, não se sujeitaram à justiça de Deus.” Negavam Àquele que é a nossa justiça. E se não refletimos o Seu caráter, se não vivemos uma vida isenta de pecado, mesmo em pensamentos, é sinal que ainda não recebemos a justiça de Deus, como eles; ainda não nascemos de novo. Cristo foi incisivo quando disse: “Em verdade vos digo que se não vos converterdes e não vos fizerdes COMO CRIANÇAS, de modo algum entrareis no reino dos céus.” Mateus 18:3. Como uma criança reage em cada situação? Quando os seus pensamentos são impuros? Está ela preocupada com as coisas da vida? Se não nos assemelharmos a uma criança, continuamos debaixo da lei do pecado e caminhamos para a morte.
Vamos a mais um exemplo. Antes de o feijão ser jogado na panela é feita uma seleção. Alguns grãos são postos de lado, por estarem estragados, a fim de serem lançados fora. Aqueles que atendem aos requisitos de qualidade são os escolhidos para fazerem parte da refeição. Entretanto, o feijão nada pode fazer para alterar a sua condição. Na eleição de Deus, semelhantemente alguns de nós serão postos de lado para serem lançados no lago de fogo e enxofre. Mas não se dá conosco como ocorre com o feijão. Nós podemos alterar a nossa condição, antes do fechamento da porta da graça. Se alguém que vive dissolutamente e decide entregar a vida ao Salvador, suplica a Deus pelo perdão, e verdadeiramente se arrepende, Deus cumpre Sua promessa e lhe concede um novo começo, dá-lhe um viver santo, imputa-lhe o caráter de Cristo. Assim se dá a eleição de Deus. Ele nos escolhe porque escolhemos viver de acordo com a Sua vontade. A nossa eleição parte de nossa própria escolha. Não que sejamos eleitos por algo que fazemos, mas porque decidimos ser recriados conforme à imagem de Deus. Por esse azo o apóstolo Pedro pronunciou: “Portanto, irmãos, PROCURAI mais diligentemente FAZER FIRME a vossa vocação e ELEIÇÃO, porque, fazendo isto, NUNCA JAMAIS TROPEÇAREIS.” II Pedro 1:10. Nós somos os nossos próprios eleitores.
A eleição de Deus se efetiva com o novo nascimento, obra miraculosa da recriação do Espírito Santo, que transforma um pecador em um cidadão da Pátria celestial. O fator principal é o nosso consentimento. Deus nada poderá fazer pelo homem que relutar em receber o Seu poder. E o mesmo acontece com aquele que pensa abrir mão parcialmente de sua vida de pecado. Se o coração não for entregue por inteiro, o Espírito Santo será impedido de recriar o pecador em um novo ser.
Meu caro leitor, se formos gerados de novo, se nascermos do Espírito Santo, cuja mudança será evidenciada em todo o nosso viver, então, poderemos afirmar alegre e categoricamente que estamos entre os eleitos de Deus; fomos predestinados para sermos conformes à imagem do nosso Salvador.
A vida de Cristo é o mínimo que podemos oferecer a Deus como sacrifício aceitável, pois Ele foi a propiciação pelos nossos pecados. Seu exemplo constitui para o universo o modelo de vida que deve viver cada cidadão da Pátria celestial. Não menos do que isso Deus poderá aceitar. Não podemos nos enganar que só obteremos vitória sobre o pecado quando Cristo retornar a este planeta. Isso não é doutrina bíblica. Propiciação significa aquilo que é oferecido para satisfazer uma exigência imposta. A lei, depois da transgressão de Adão, exige a morte do transgressor ou uma vida perfeita. Sendo para nós impossível viver tal vida, Jesus foi proposto por Deus “como propiciação, pela fé, no Seu sangue..., PARA DEMONSTRAÇÃO DA SUA JUSTIÇA neste tempo presente, para que Ele seja justo e TAMBÉM JUSTIFICADOR daquele que tem fé em Jesus.” Romanos 3:25 e 26. Se O aceitarmos, se trocarmos a nossa vida pela Sua vida, crendo no Seu perdão, o Espírito Santo nos refaz e nos possibilita viver a vida que é exigida pela santa lei de Deus, pois, por Seu intermédio, Cristo vem viver no nosso coração, e o Seu viver, a Sua justiça, será demonstrada em cada passo que dermos. Poderemos dizer como Paulo disse: “já não sou quem vivo, MAS CRISTO VIVE EM MIM.” Gálatas 2:20. Essa é a boa nova do evangelho de Cristo: tornar-nos cidadãos do Céu; tornar-nos JUSTOS.
E este presente está ao teu alcance, nobríssimo leitor. Não estás fora do alcance do evangelho de Deus. Estejas onde estiveres, Ele irá ao teu encontro, sem Se importar por estares sujo da lama do pecado. Tudo que é preciso fazer é andar em direção a Ele, dando ouvidos a Sua voz, determinando em teu coração abandonar o mal. O milagre e a força vêm de Deus, mas a determinação é nossa. Não podemos mudar a cor da nossa pele, todavia podemos permitir que Ele o faça. O poder de escolha foi dado ao homem, cabe a ele exercê-lo. Decida servi-Lo e Ele te recriará. E assim poderás viver vida perfeita. É preciso apenas crer!
Que Deus nos abençoe!

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domingo, 17 de abril de 2011

A Eleição de Deus - Parte 1

A Presciência de Deus


A eleição é o processo pelo qual se escolhe o candidato para que possa representar o seu respectivo eleitor. A eleição de que tratam as Escrituras tem característica diferente e um fim diverso. Consiste de um processo seletivo, condicionado a um parâmetro previamente estabelecido, sendo que a escolha é promovida pelo próprio selecionado.
Temos a consciência de que Deus não Se contradiz e, por conseguinte, em Sua palavra não há contradição. Romanos 9 não poderia confrontar as verdades contidas na Bíblia sobre o caráter de Deus. “Deus é amor.” I João 4:8. Esse amor é revelado no livre arbítrio que Ele concedeu as suas criaturas. A própria queda de Lúcifer é uma das maiores provas, inconteste, por sinal, de que o poder de escolha, também chamado de força da vontade, impõe limites ao Criador. E é nesse elemento que o Seu amor se evidencia. Mas não é a cruz a maior prova do amor de Deus? A cruz revelou o que foi decidido no Getsêmane. Ela é um símbolo da última luta travada pelo Redentor do mundo. As gotas de sangue ali derramadas denotam quão grande batalha o Salvador teve que enfrentar. Ele teria que decidir: ser visto pelos Céus como pecador, e ser morto como tal, ou voltar ao seio do Pai, onde era servido pelos santos anjos de Deus. Mas em Sua mente estávamos nós, em nossa miserável condição, e ao ver que Seu sacrifício salvaria a muitos, por contemplar os frutos de Sua morte e ressurreição, devolveu-Lhe o ânimo que O fez caminhar pela Via Dolorosa. Foi Sua decisão que nos salvou. Nossa salvação começou no Getsêmane. A cruz foi a ratificação dela. O amor foi evidenciado numa decisão – salvar-nos a qualquer custo.
Como Romanos 9 poderia destruir toda essa maravilhosa manifestação do amor infinito de nosso Pai celestial? Jamais. Então, como entender sua hermética mensagem? Sendo Deus soberano e o Todo-Poderoso, goza de um atributo que só a Ele pertence: PRESCIÊNCIA. Por ela Deus sabe todas as coisas que irão acontecer. Na verdade, Deus não se limita no tempo, e é por essa razão que está escrito que, para Ele, um dia é como mil anos, e mil anos como um dia. II Pedro 3:8. Se o tempo fosse uma régua, nós estaríamos quase no seu fim, Adão no seu início e alguns em sua parte mediana. E Deus? Simplesmente a régua estaria em Sua mão. Quem sabe em Seu dedo mínimo!
Alguém poderia arriscar a seguinte pergunta: “já que Deus vê o futuro, por que, então, Ele oferece a salvação a quem Ele sabe que será um dos perdidos?” Ora, imaginemos que se alguém que será contado entre os perdidos, não recebesse a pregação do evangelho, por saber Deus de sua condição final, o que essa pessoa diria para o Criador? Quiçá: “quem garante que eu não iria me salvar, se eu tivesse ouvido o evangelho?” E a presciência de Deus não seria a melhor resposta. E por que não? Por que muitos dos que não têm essa prerrogativa passariam a duvidar da decisão divina. E isso seria um risco para o governo do Senhor. Qualquer governo que tenha suas bases alicerçadas na dúvida, caminha para o fracasso. Assim, Deus trata com o homem como se Ele mesmo fosse um homem, desprovido de Sua presciência. Para Adão, depois da queda, Ele indagou: “Onde estás?” Gênesis 3:9. E a Caim Ele perguntou: “Onde está Abel, teu irmão?” Gênesis 4:9. Foi por que Deus não sabia do paradeiro de Adão ou de Abel, que inquiriu, consoante os versos acima? Evidente que não. E dessa forma Ele age para que nenhuma desculpa seja pronunciada contra Sua justiça. Deus constituiu Davi como rei de Israel, sabendo de sua trama futura para matar Urias. E se o Criador dissesse a Davi que não o faria rei por causa de sua futura e homicida atitude? Arrancaria a confissão de Davi em louvor, ou causaria um dano a sua alma? Pensa bem! Ele é o Todo-Poderoso, entrementes, impõe limites a Si mesmo e lida com a humanidade como se de nada soubesse de suas quedas e vexames posteriores. Porque perdoa o homem, sabendo que, pouco depois, este estará a quebrar novamente a Sua lei, é uma das maiores provas de que, não só respeita o futuro como se não o antevisse, como também de que ama àquele que corre em busca de Seu perdão. Incontestável e inescrutável amor!
São Paulo inicia o capítulo 9 de Romanos, fazendo menção sobre a condição de seus patrícios. E faz um comentário muito importante, com aplicação inclusive para nós do século 21. Convém atentar para essas palavras: “Porque NEM TODOS os que são de Israel SÃO ISRAELITAS.” Verso 6. É uma contundente, porém, salvadora mensagem. Digo salvadora porque essa mensagem nos serve de alerta. Ora, se daqueles de onde descendeu Cristo, nem todos, de fato eram israelitas, e quanto a nós, gentios por natureza, que muitas vezes nos agarramos no nome da nossa denominação e não no Salvador? Agimos como muitos agiram no passado, e não percebemos isso. E como muitos deles se perderam, crendo estarem salvos, assim se dará também com muitos dentre nós. Incidentemente: Israel foi o nome dado a Jacó como símbolo de sua fé em Deus, assim como a circuncisão foi um símbolo dado a Abraão. Destarte, aqueles que vivessem a mesma fé deles seriam os verdadeiros israelitas, não por nascimento, mas por confissão de vida. Mesmo nós, de nacionalidades diferentes dos hebreus, somos gentios enxertados na Videira verdadeira, e por crermos no Salvador, somos israelitas. Assim está escrito, concernente a essa assertiva: “E, se sois de Cristo, ENTÃO SOIS DESCENDÊNCIA DE ABRAÃO, e herdeiros conforme a promessa.” Gálatas 3:29. E insisto em dizer que isso não é um faz de conta, é a mais pura verdade, isso é real. É assim que Deus nos considera, se crermos no Seu Filho.
E por que azo Deus se reporta a Isaque como sendo o canal por onde viria a descendência de Abraão? A resposta poderá ser nova para ti e até incisiva, caro leitor, mas é a mais doce verdade. Por alguns instantes, façamo-nos presentes e mudos espectadores enquanto assistimos Cristo e Nicodemos tratando de um assunto capital: como entrar no Reino de Deus? E depois de Cristo tentar explicar a Nicodemos, como o homem pode acessar a Sua graça e o Seu Reino, Ele desdobra ainda mais o assunto e diz: “Aquele que é NASCIDO DA CARNE é carne, o que é NASCIDO DO ESPÍRITO, é espírito.” João 3:6. Noutra palestra, expus detalhadamente como isso ocorre na vida do ser humano que decide entregar sua vida nas mãos do Salvador. Mas, voltando ao assunto. Há a declinação de dois nascimentos aqui. Se falamos de nascimento, falamos de família. Por assim dizer, temos duas famílias – uma carnal e outra espiritual. Elas são reais como o nosso Deus é real. Precisamos encarar isso com seriedade. Quando Paulo fala de Isaque, no livro de Gálatas, ele faz uma breve comparação com Ismael. Por quê? Vejamos. “Abraão teve dois filhos, um da escrava, e outro da livre. Todavia o que era da escrava NASCEU SEGUNDO A CARNE, mas, o que era da livre, POR PROMESSA.” Gálatas 4:22 e 23. O que significa a expressão por promessa? Em nenhum caso, a fé foi chamada à ação senão diante de um milagre. Em todas as ocasiões em que ela se fez necessária, o esforço humano se viu inútil. É o momento a que denominamos de IMPOSSÍVEL. Abraão não poderia posteriormente dizer que Isaque nasceu porque teve sua participação. A salvação não vem pelas obras, vem pela fé. Assim é mais que apropriado dizer: NÃO HÁ FÉ, SE NÃO HOUVER O IMPOSSÍVEL. O que segue a fé, é um milagre. O que estamos a compreender? Que Isaque não nasceu de modo natural como seu irmão Ismael. Este nasceu da carne, aquele do Espírito Santo. Sim, meu caro leitor, Isaque foi gerado pelo Espírito Santo. E como posso afirmar isso? Deixemos que Paulo mesmo declare: “Mas, como naquele tempo O QUE NASCEU SEGUNDO A CARNE [ISMAEL] perseguia AO QUE NASCEU SEGUNDO O ESPÍRITO [ISAQUE], assim é também agora.” Gálatas 4:29. Isaque ainda não tinha idade para crer, a fim de ser gerado de novo, como ocorre hoje, pois Ismael ainda era adolescente quando foi mandado embora com sua mãe. Concluímos, portanto, que Isaque foi gerado tal qual Jesus. E nisto consiste o plano divino: que todos os que herdarão o Reino com Cristo, sejam gerados da mesma forma como Ele o foi. E é por essa mesma razão que Ele é chamado de PRIMOGÊNITO. Ele foi o primeiro dentre tantos. Daí o apóstolo dizer àqueles que haviam experimentado o novo nascimento: “Ora vós, irmãos, sois filhos da promessa, COMO ISAQUE.” Gálatas 4:28.
Retornemos a Romanos 9. No versículo 7, São Paulo nos diz que a descendência de Abraão seria chamada em Isaque, e então no verso seguinte ele afirma bombasticamente: “NÃO SÃO OS FILHOS DA CARNE QUE SÃO FILHOS DE DEUS, mas os filhos da promessa são contados como descendência.” Versículo 8. Eis uma verdade que temos a necessidade de encarar. Existem, como já vimos, duas famílias, sendo uma carnal e outra espiritual, onde a primeira é o nosso berço. Temos que nascer na segunda, pelo Espírito Santo. Para nascermos na segunda, será preciso morrermos para a primeira. E isso é imprescindível. A semente precisa morrer primeiro para que possa, então, germinar.
No verso 10 de Romanos 9, o apóstolo faz um breve comentário sobre a gravidez de Rebeca, mãe dos gêmeos Esaú e Jacó. Citei seus nomes nessa ordem, em face do seu nascimento. Esaú, evidentemente era o mais velho e recaía sobre ele a bênção da primogenitura. Mas uma profecia foi dada a sua mãe: “O maior servirá o menor.” Romanos 9:12. Como dantes asserimos, Deus impõe limites a Ele mesmo. E é necessário assim enxergarmos, como o é realmente, para compreendermos o que significa uma profecia. Depois do que dissemos não poderemos declarar que profecia é algo que Deus diz que vai ocorrer por imposição de Sua vontade. Seria contraditório. Então o que é, de fato, profecia? Para facilitar nossa compreensão, vamos considerar o seguinte supositício episódio: tu estás assistindo a um filme com um amigo, a convite seu. Tu percebes que já assististe àquele vídeo, logo que algumas cenas te vêm à mente. E tu lhe adiantas que conheces o vídeo. Consideremos que teu amigo, então, te indague: “como é o desfecho desse filme?” E aí, tu narras todo o final. Mesmo assim, por não se mostrar satisfeito, o teu amigo assiste ao filme até seu final, e comprova que estavas certo. Nasce a pergunta: o fim do filme se deu por que o narraste ou por que a história seguiu o roteiro traçado pelos personagens da história, considerando que estes são reais? A resposta é a segunda alternativa, é lógico. A tua narração foi apenas a antecipação dos fatos, não a sua manipulação. O destino de cada ser humano é traçado por ele mesmo. Ainda que Deus controle os acontecimentos, sendo-Lhe necessário assim fazer, pois doutra sorte não restaria ninguém vivo, Ele se reserva em não mudar a tua e a minha vida, se não desejarmos. Se nós queremos o Céu e nos empenhamos em andar nessa direção, seguindo Suas instruções, é para lá que iremos. Contudo, se não quisermos a salvação, caminharemos certamente para o lago de fogo e enxofre. Então, qual a finalidade das profecias? Eu poderia citar dois objetivos básicos, embora importantes. 1. O desvendar do futuro promovido por Deus para o bem daqueles que O buscam (Gênesis 18:17); 2. Ancorar nossa fé na Sua presciência (João 14:29).
Agora entendemos que Deus revelou o fim do filme a Rebeca, e ainda que ela não tenha esperado que o filme se desdobrasse como devesse ser, e aí podemos afirmar que vemos a tentativa de Satanás em mudar a história para um fim trágico, Deus não permitiu que o filme sofresse alteração no seu roteiro. Mas por que o maior serviria o menor? Como vimos, Deus Se antecipou aos fatos, predizendo o futuro, não os manipulou. Em Sua presciência, Ele antevê nossas atitudes e nossas decisões, e nada pode fazer a não ser, instar junto ao nosso coração, através do Seu Espírito, a mudar o curso de nosso futuro. A decisão é nossa. A todos Ele diz, com a mesma veemência: “O céu e a terra tomo hoje por testemunhas contra ti DE QUE TE PUS DIANTE DE TI a vida e a morte, a bênção e a maldição; ESCOLHE, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência.” Deuteronômio 30:19.
Há uma passagem no capítulo 8 de Romanos que iluminará o nosso estudo. Antes, façamos mais uma aplicação: tu foste aprovado no vestibular e ansiosamente aguardas iniciar o ano letivo na universidade. A universidade, por sua vez, está aguardando os novos alunos. O que os seus dirigentes providenciaram, visando a tua chegada? Existe um planejamento curricular totalmente voltado para a mais perfeita ordem, durante os anos em que serás educado no teu seleto curso. Agora pergunto: tais providências teriam sido realizadas se não tivesses logrado êxito no vestibular? Claro que sim. A universidade não sabe que existes até fazeres parte do rol do seu corpo discente. Entretanto, os passos para tua conclusão já estão prontos, basta que alcances os objetivos previamente traçados pela unidade de ensino. Tudo dependerá de ti, inclusive a tua admissão nela. O Céu é a universidade que nos aguarda, caro leitor. Só há uma maneira de entrar nele – nascendo de novo. Mas não ocorre contra nossa vontade. O que nos aguarda, se aceitarmos o convite do Salvador? Os passos para a vitória já foram traçados por Ele durante Seus trinta e três anos e meio, e pela fé nos pertence. No fim do curso, pois a santificação é um processo educacional, receberemos o diploma – uma coroa brilhante. Creio que agora ficará mais fácil de compreender o texto bíblico a ser citado agora: Romanos 8:29 e 30. Ali está escrito: “Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes a imagem de Seu Filho, a fim de que Ele seja o primogênito entre muitos irmãos; e aos que predestinou, a estes também chamou, e aos que chamou, a estes também justificou, e aos que justificou, a estes também glorificou.” Aos que dantes conheceu, predestinou para serem conformes à imagem de Seu Filho. Todos somos chamados pela incessante e clamorosa voz do Espírito Santo para que nos arrependamos dos nossos pecados, porém o atender é nosso. Ninguém decidirá forçosamente. Seu apelo é suave e aguarda o retorno voluntário do filho pródigo. Se ao diretor da universidade fosse dado o poder de saber quem seriam os seus futuros alunos, ele diria: “para estes já está tudo pronto a fim de que alcancem o sonho de suas vidas: o tão sonhado diploma universitário.” Estaria ele, com essas palavras, discriminando os candidatos, escolhendo uns e desprezando os outros? Claro que não. Ele estava apenas antevendo os fatos, sem alterá-los. Deus sabe quem são os Seus, é lógico, mas o homem é quem será o único responsável pela decisão que tomar, seja aceitando a Cristo, seja rejeitando-O. A predestinação mencionada no texto acima não tem a conotação de um destino pré-determinado, independentemente da vontade do homem. Não haveria amor nisso. Ela representa aquilo que não subiu ao coração humano, e que está a espera de todo o que nEle crer. Se eu me dispuser a aceitar a Cristo, ingresso nessa universidade, cujo diploma é a vida eterna. Sou predestinado a chegar até o fim, se eu não desistir antes da conclusão do curso. Se minha vontade não fosse importante nesse processo, não interferisse no meu destino, Cristo não diria: “Mas quem PERSEVERAR até o fim, esse será salvo.” Mateus 24:13. Esse versículo anula a predestinação a que muitos se referem – uns nasceram para isso e outros para aquilo, e não há como mudar seu destino. Se há poder de escolha ou livre arbítrio, não há predestinação involuntária. Vemos, agora, que nós mesmos nos predestinamos, através de nossa própria escolha, para aquilo que queremos ser no futuro – semelhantes a Cristo ou a Satanás.
No versículo 30 desse mesmo capítulo (8) de Romanos, contemplamos uma sequência lógica: o desencadear do processo da salvação. “E aos que predestinou, a estes também chamou, e aos que chamou, a estes também justificou, e aos que justificou, a estes também glorificou.” Mais um exemplo para compreendermos o versículo acima. O leitor entra numa biblioteca onde estão vinte pessoas, e pergunta aos presentes: quantos gostariam de ouvir a palavra de Deus por cinco minutos? Quantos o leitor acha que aceitariam o convite? Alguns, dificilmente. Mas se a pergunta fosse: quantos aceitam um sorvete gelado? E se no lugar do sorvete o leitor oferecesse um iPod Nano? Haveria uma clara diferença entre os números, não? Se tais convites fossem estendidos a um universo maior de pessoas, ainda assim o número dos simpatizantes com a primeira inquirição seria assaz reduzido. Deus identificaria, antes mesmo de formulares as perguntas, quem seriam as pessoas que estariam dispostas a ouvi-Lo. Deus anteviu Seus ouvintes, e quando Sua voz soou através dos teus lábios, leitor, só aqueles se ofereceram, aqueles mesmos vistos anteriormente por Deus, foram os que se dirigiram pra ti, dispostos a ouvir a Palavra do Senhor. Todos ouviram o teu apelo, mas somente uns se dispuseram a te atender. E assim é na vida real. Deus faz soar a Sua voz, mas sabe por Sua presciência quem são os que voluntariamente O ouvirão. “As Minhas ovelhas ouvem a Minha voz, e Eu as conheço, e elas Me seguem.” João 10:27. Aos que O ouvem, Deus justifica, ocorrendo daí a santificação, e, por fim, a glorificação, se houver perseverança até o fim. A glorificação se concretizará no dia da volta do Senhor Jesus.
E quanto a Deus só ter misericórdia de quem Lhe aprouver? Estaria implícito aí que Deus negará Sua misericórdia para um pecador que busca o arrependimento? Claro que não. Nada somos nem nada temos. A nossa salvação, mesmo tendo nós participação nela, começa com Deus. De fato, se Deus não tivesse tomado a iniciativa de nos resgatar, estaríamos todos perdidos. Aludindo a isso, João nos diz: “Nós amamos, porque Ele nos amou primeiro.” I João 4:19. O que João está nos dizer é que amamos por conseqüência de Deus ter derramado o Seu amor em nós, PRIMEIRO. Tudo depende dEle. Ele é quem nos dá a vida, a respiração e todas as coisas. Atos 17:25. Contudo, quem é recíproco à misericórdia de Deus? Somente aqueles que O amam, que guardam os Seus mandamentos. “Se amais, GUARDAREIS os Meus mandamentos.” João 14:15. Todos os que são Seus filhos, o são por livre e espontânea vontade. São eles que usufruem de todas as bênçãos espirituais, pois lhes são concedidas por Cristo, a Quem aceitaram como Seu Salvador pessoal.
Nós entramos na graça de Deus quando entregamos nossa vida a Cristo, porquanto Ele mesmo é a Porta da graça. Romanos 5:2. E o Seu convite para entrares no Seu descanso ainda está de pé, caro leitor. Não te demores, não O deixes esperando. Não permitas que o teu coração seja endurecido pelo engano do pecado, adiando a tua decisão. Vai a Ele hoje, agora. A promessa é: “O que vem a Mim, DE MANEIRA NENHUMA O DESPREZAREI.” João 6:37.
Que Deus nos abençoe!

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A Eleição de Deus

Para que o propósito de Deus segundo a eleição permanecesse firme. Romanos 9:11.


Meu caro leitor, alguma vez já perguntaste por que a Bíblia não foi escrita de modo mais simples, cuja compreensão não fosse tão difícil como ocorre com determinadas passagens? Por que alguns textos não são tão claros quanto parecem ou achávamos que deveriam ser? Bem, devemos, antes de tudo, ter em mente que todas as coisas foram criadas por Deus com um propósito definido. Não existe aleatoriedade no que Ele faz. As pessoas têm o costume de falar que tudo que vem fácil, com a mesma facilidade desaparece. Semelhantemente, as pérolas do Céu não estão escondidas na superfície, onde qualquer incauto a poderia encontrar e por não lhe atribuir o seu valor devido, a desprezaria, mas numa profundidade planejada por Deus que Lhe sirva de termômetro da nossa disposição, da nossa perseverança. Se persistirmos em escavar, mesmo sob o sofrimento das mãos calejadas, por fim alcançaremos aquilo que tanto almejávamos – a nossa liberdade. “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” João 8:32. Veremos que não foi em vão a nossa luta.
Hoje trataremos de um desses assuntos tidos como polêmicos, pela maioria daqueles que se debruçam sobre o Livro Sagrado: o capítulo 9 de Romanos. Ele nos traz uma intrigante mensagem: ELEIÇÃO. Dividiremos o estudo em duas partes: 1. A Presciência de Deus; 2. A Predestinação.
A princípio essa palavra – eleição – aparenta mortificar o que encontramos em João 3:16: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” Se há eleição, como poderá haver amor? Como entender que aqueles que habitarão o Céu, lá estarão por porque decidiram, durante suas vidas, entregar-se ao Salvador, se Romanos 9 parece realçar que não temos escolha a fazer? Há quem diga até, que nossa escolha não importa, uma vez que Deus já elegeu os que herdarão a vida eterna! Seria isso verdade? Veremos.
Que Deus nos abençoe no estudo deste tema tão importante para nós que aguardamos alegremente a Sua vinda.
Deleita-te em Deus!

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segunda-feira, 11 de abril de 2011

A Glória de Deus

Portanto, quer comais quer bebais, ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para glória de Deus. I Coríntios 10:31.


O que vem a ser a glória de Deus? Far-nos-á bem buscarmos o conceito divino para o vocábulo GLÓRIA, segundo o contexto do versículo bíblico temático. Diferentemente do que muitos pensam, glória não significa apenas fama ou sucesso, como se deu com José. Quando Ele se fez reconhecer pelos seus irmãos, ele disse: “Fareis, pois, saber a meu pai toda a MINHA GLÓRIA no Egito; e tudo o que tendes visto; e apressar-vos-eis a fazer descer meu pai para cá.” Gênesis 45:13. Ele havia conquistado fama em todo o Egito, pela sabedoria que lhe fora concedida por Deus; ele se tornou a segunda pessoa no mundo, uma vez que o Egito, em sua época, era a nação que sobrepujava as demais. A glória a que José se reporta aqui não é a glória que encontramos no texto bíblico principal.
Há outra referência à palavra glória. Encontramo-la em Êxodo 16:10. Assim está escrito: “E quando Arão falou a toda a congregação dos filhos de Israel, estes olharam para o deserto, e eis que a GLÓRIA do Senhor, apareceu na nuvem.” Nessa narrativa, temos outro significado para glória – o resplendor do Senhor, Sua manifestação. Existem outras passagens bíblicas que poderíamos citar, mas irei me ater ao tema, sob o prisma do verso que lhe serve de sustentáculo.
Como ponto de partida para entendermos o que Paulo está a nos dizer em I Coríntios 10:31, precisamos trazer à baila aquele incidente onde Moisés postulou a Deus ver a Sua glória. Ele disse: “Rogo-Te que me MOSTRES A TUA GLÓRIA!” Êxodo 33:18. Glória aqui não poderia ser fama, pois não faria sentido, nem tampouco o resplendor de Deus, pois diversas vezes Moisés houvera presenciado tal manifestação, mormente quando subiu para receber as tábuas da lei. Portanto, a fim de robustecer essa narrativa, leiamos com atenção a resposta que Deus oferta a Moisés. O Senhor falou para Moisés: “Eu farei PASSAR toda a Minha bondade diante de ti, e te proclamarei o Meu nome Jeová.” Verso 19. A resposta divina revela que a pretensão de Moisés não era ver outra coisa senão algo que demonstrasse o interior do Seu Criador, a natureza do Seu caráter.Até onde sabemos, bondade é um substantivo abstrato que necessita de um elemento concreto, pelo qual possa ser demonstrada.
O verbo passar, dentre outras definições, e neste caso, em específico, significa mostrar, evidenciar, exibir. Todavia, como exibir algo abstrato sem as suas ações correspondentes? Deus teria que realizar algum ato de bondade, ou numa visão mostrar a Seu servo Moisés, Suas benevolências em prol do ser humano. Mas o que tem a ver a bondade e a proclamação do nome Jeová, com o vocábulo glória? Estaria falando Deus de assunto diverso ao do pedido de Moisés?
Chegada a hora, Deus manifestou a Sua glória perante Moisés. Mas os detalhes desse encontro são importantes para que entendamos a que Moisés estava se referindo com o seu pedido. Assim lemos: “Tendo o Senhor passado perante Moisés, proclamou: Jeová, Jeová, Deus misericordioso e compassivo, tardio em irar-se e grande em beneficência e verdade; que usa de beneficência com milhares; que perdoa a iniqüidade, a transgressão e o pecado; que de maneira alguma terá por inocente o culpado; que visita a iniqüidade dos pais sobre os filhos e sobre os filhos dos filhos até a terceira e quarta geração.” Êxodo 34:6 e 7. Não foi em relação ao resplendor de Deus, que Moisés pronunciou essas palavras. Na verdade, temos aí uma resumida descrição do caráter do Todo-Poderoso. E Moisés, movido pelo Espírito Santo, proclamou o nome Jeová, ele foi o próprio instrumento por quem Deus fez cumprir a Sua promessa. De que forma Deus fez passar a Sua bondade diante de Moisés? Ele mesmo é a fonte da bondade, pois nEle vivemos, e nos movemos, e existimos. Atos 17:28. Ao passar Deus, portanto, diante dos olhos de Seu servo, o Espírito Santo revelou-lhe o caráter de Deus de maneira sintetizada. E como Deus proclamaria o Seu nome Jeová? Pelos próprios lábios de Seu servo. O que temos aqui? A revelação e a proclamação do caráter do nosso Deus.
O Livro Sagrado nos ensina que Cristo veio à Terra para desfazer as obras do diabo. I João 3:8. Dentre tantas, a principal obra do inimigo foi destruir a imagem de Deus no homem criado. Desse modo, todas as ações deste revelariam não mais semelhança com o Ser supremo, mas com o príncipe das trevas. E dia após dia, pensava o diabo apagar tudo que no homem lembrasse o Seu Criador, até que, por fim, aniquilasse de vez da raça a humana os traços dAquele que, com amor eterno, a teria criado com Suas próprias mãos. Mas graças a Deus que seu intuito foi plenamente obliterado. Entretanto, o estado do homem natural não realça os traços morais do Senhor do Universo, e eis a razão por que está escrito: “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus.” Romanos 3:23. O maior dano à alma provocado pelo pecado é a dessemelhança moral com o Criador. E isso só é possível reverter mediante o lavar purificador com o sangue do Cordeiro.
A essência do capítulo 10 de I Coríntios é o testemunho do cristão perante seus irmãos cuja fé não é tão robusta quanto a sua. Ali o apóstolo Paulo recomenda que algumas atitudes sejam suprimidas quando isso tem a ver com assuntos que não tenham tanta importância para a salvação, mas que poderiam ser causa de tropeço para os fracos na fé. Noutro falar: a carne sacrificada aos ídolos, para aqueles que sabiam que ela nada tinha de ruim em si mesma, não os deixaria de fora do céu, caso eles decidissem comer. Isso, contudo, era uma questão teológica muito séria para os fracos na fé, já que acreditavam piamente que tal carne não deveria fazer parte do cardápio do cristão, pelo fato de ela ter sido sacrificada a um ídolo. Isso era uma abominação para eles. Então, Paulo admoesta aos que crêem que podem comer daquela carne, que não o façam na presença dos fracos na fé, a fim de que esse ato não ponha em risco a salvação deles, por ser tal assunto um tropeço. Aqui se pretende enaltecer o amor fraternal, o altruísmo, traço moral do Salvador.
Por este azo – a revelação do caráter de Deus – Paulo diz àqueles que são fortes na fé que tudo que vierem a fazer, além do comer e do beber, nisso Deus seja proclamado, seja revelado o Seu caráter. Porquanto a suma do evangelho é a restauração do caráter de Deus no homem recriado pelo Espírito Santo. Tal obra miraculosa arranca estupefação de Satanás. Ele não consegue entender como isso é possível. Incidentemente: a guerra cósmica iniciada no Céu consiste basicamente em uma luta pelo domínio da mente do homem, com o propósito de implantar nele o caráter de quem lhe for permitido vencer. Deus ou Satanáso vencedor somos nós quem decidimos através do nosso livre arbítrio.
Assim como por Moisés foi proclamado o caráter de Deus, tal reação deve ser vista naqueles que nos contemplam. Deles devemos ser reconhecidos, em face de nosso proceder cristão, que temos estado com Jesus, e possamos exprimir tal qual São Paulo: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim.” Gálatas 2:20.
Todas as nossas ações, todos os nossos pensamentos, todo o nosso falar, devem refletir o caráter do Deus a Quem servimos. Ele quer ser visto em nós, quer ser reproduzido em nós. O processo com que concretiza tal milagre no ser humano é chamado nas Escrituras de SANTIFICAÇÃO. O agente que promove esse processo é o Santo Espírito de Deus, em colaboração com o homem. Nesse processo, o homem é chamado a participar; não é uma obra unicamente divina, pois o que lhe impulsiona é o poder de escolha que foi confiado ao homem. Em cada passo da vida, empós ser revelada a vontade de Deus pelo Espírito Santo, há mister de que o homem decida se quer continuar a jornada ou se pretende abrir mão do Céu e permanecer com o objeto de sua escolha. Decidindo o homem por avançar, o Espírito Santo lhe comunica nova justiça, tornando-o mais parecido com o Seu Redentor e o processo continua. Quem assim perseverar, será salvo.
Alguns crêem que o homem nada tem a fazer depois que aceita o Salvador, que a salvação vem sem qualquer esforço do homem para alcançar semelhança com Cristo. No entanto, Paulo nos recomenda: “Efetuai a vossa salvação com temor e tremor.” Filipenses 2:12. Se ele nos diz efetuai significa que não temos que esperar tão-somente por Deus, de braços cruzados. Nessa fase da salvação – a santificação – nossa colaboração com o Espírito Santo é imprescindível. Podemos dizer sem medo de errar que a santificação é a educação do homem, ministrada pelo Espírito Santo, cuja matéria é a restauração do caráter de Deus, cujo livro utilizado são as Sagradas Letras, com o objetivo de preparar, aqui mesmo na Terra, antes da volta do Salvador, cidadãos que deverão reinar no Céu com Ele e que futuramente serão seus co-herdeiros quando Ele estabelecer o Seu reino neste planeta.
Lembremos, entrementes, que a santificação não poderá ser desenvolvida sem que o homem seja recriado por Deus. Não havendo esse milagre, o milagre da JUSTIFICAÇÃO, onde o homem é tornado JUSTO por Deus, o processo da santificação não poderá ser desencadeado. E todo esforço humano aqui é inútil. Alguns estão a lutar contra o pecado sem ter experimentado o milagre do novo nascimento e não alcançam perfeição de caráter, não se tornam semelhantes a Cristo. A prova de que nascemos de novo, de que fomos JUSTIFICADOS é a nossa própria vida transformada. Se não vivemos como Jesus viveu, é um sinal de que ainda não nascemos do Espírito Santo e que continuamos escravos de Satanás, não importa nossa condição social, não importa quem somos na igreja. Ser justificado é ser transformado à semelhança do Salvador. É um ato instantâneo de Deus. Os passos daquele que foi justificado são a reflexão das pegadas do Filho de Deus. Isso ocorre porque o Espírito Santo, concedido ao homem no ato da justificação, é Quem faz com que Cristo seja reproduzido na vida do crente. Essa obra é gradativa. Se Cristo viveu sem pecar, a vida de quem nasce de novo e é santificado diariamente, é uma vida isenta de pecado, pois “aquele que diz que permanece nEle, esse DEVE ANDAR ASSIM COMO Ele andou.” I João 2:6. E Cristo não transgrediu a lei de Deus. Não precisamos nos enganar.
Tudo que falamos, pensamos ou dizemos tem relação direta com a nossa salvação, pois implica em glorificar ou não a Deus. E foi para esse fim que Jesus veio ao mundo – tornar possível ao homem caído, destituído do caráter divino, ser novamente participante da natureza divina. Glorificamos a Deus em nosso viver, quando permitimos que Jesus seja visto em nós. Em Romanos 8:29, Paulo declara veementemente o que já dantes afirmamos. Vejamos:
Porque os que dantes conheceu, também os predestinou PARA SEREM CONFORMES À IMAGEM DE SEU FILHO, a fim de que ele seja O PRIMOGÊNITO entre muitos irmãos.” Romanos 8:29. Se Ele é o primogênito, significa dizer que os Seus irmãos são semelhantes a Ele e vivem como Ele viveu. Essa é a família espiritual.
O que nos resta fazer para que o propósito de Deus seja concretizado em nossas vidas? Precisamos urgentemente nascer dEle, mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo. Tito 3:5. Precisamos pedir essa bênção, e pedir com fé, sem dEle duvidar. Nossas forças de nada valerão, serão totalmente inúteis. Se não formos a Ele e Lhe pedirmos que nos torne justos, nunca seremos santificados, e, por conseguinte, não seremos glorificados na Sua vinda. Estaremos perdidos.
Insto, neste momento, para que o leitor busque a Deus, se é que a tua vida não reflete a vida do Salvador, se é que ainda não foste transformado e convertido em criança, a fim de que Ele te conceda o que está prometido em Romanos 5:17o dom da justiça. Deus anela dar-te, no ato do perdão, um novo viver, um viver que Ele aprova: a própria vida que Cristo viveu e que só ela te habilita ao Céu.
Que Deus nos abençoe!


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sexta-feira, 1 de abril de 2011

Nossas Justiças – Trapos de Imundície!

Pois todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia. Isaías 64:6.

O que é justiça? Essa palavra tem definições diferentes para as esferas onde são utilizadas. No âmbito humano, sobrepõe-se aquilo que está de conformidade com o direito. Ao parlamentar que é flagrado desviando dinheiro público, aguardamos que seja-lhe aplicada a justiça. No âmbito espiritual, justiça tem um significado específico. Ela traduz o reconhecimento do mérito de alguém ou de algo. Reconhecer o mérito importa a existência de um código ou de uma lei, como parâmetro. Não se estabelece o mérito aleatoriamente. Além do mais, há mister da presença do julgador desse mérito.
Tudo quanto fazemos, nossas ações e pensamentos, são julgados por Deus. “O Senhor sonda os corações.” Provérbios 21:2. Quando Deus criou o homem, o fez segundo Sua imagem e semelhança. E aqui estão implícitos o caráter e a personalidade. A causa e a consequência. Com a transgressão o caráter de Deus não mais se refletiria no homem. Os atos deste não mais se moldariam no padrão divino. E esta deficiência seria vista em todos os descendentes naturais do primeiro homem. “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus.” Romanos 3:23. Todas as nossas ações, portanto, são julgadas à luz do caráter de Deus. A Sua glória mencionada no versículo bíblico acima é o Seu caráter. Em sua condição natural o homem se encontra destituído desse caráter e por consequência todas as suas ações, inclusos os mais profundos pensamentos, não glorificam ao Criador. Eis, portanto, a obra do evangelho – restaurar o caráter de Deus em cada ser humano.
É contundente para um homem generoso ouvir que suas obras, por mais bondosas que sejam, não são contadas para a salvação. E por que razão? Por que os nossos atos, que têm a finalidade de ajudar ao próximo, não são levados em conta, antes de aceitarmos o Salvador no coração? Sem o homem ter sido por Deus transformado em um novo ser, segundo a Sua imagem e semelhança, nenhuma obra sua será aceita pelo Criador. E por que isso? Seria tirania ou capricho de Deus?
Quando o nosso primeiro pai terrestre transgrediu a ordem do Senhor, a seiva da vida que fluía em seu ser, foi estagnada, dando lugar à corrupção de sua alma. Ainda que arrependido e trazido de volta ao seio do Pai, seu retorno à sensatez não evitou que o mal se disseminasse nos seus descendentes. “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, PORQUANTO TODOS PECARAM.” Romanos 5:12. E assim todos nasceriam escravos do pecado por natureza, até que, conscientes dessa condição e do plano de Deus para o seu resgate, tomassem a decisão de aceitar as condições desse plano e pudessem gozar da presença do Senhor, nascendo dEle mesmo, por intermédio do Seu Espírito.
Viver sem ter aceito a Cristo no coração, caracterizado pela mudança demonstrada na jornada da vida, significa estar morto. Primordialmente nascemos da carne, e por necessidade, temos que nascer de Deus. Ou estamos inseridos na família da carne ou na família espiritual. Os que não nasceram de cima ainda estão mortos aos olhos de Deus, e por essa razão suas obras não são aceitas por Ele, pois a adoração que Lhe é agradável é aquela que vem dos que vivem e vivem por Seu Espírito. Aqueles que são carnais são incapacitados de fazer algo que agrade a Deus. “Portanto, os que estão na carne NÃO PODEM agradar a Deus.” Romanos 8:8. Eles até tentam, têm o desejo, mas nenhuma oferta, sacrifício ou adoração é aceita por Deus. É impossível nessa condição. “Deus é espírito; e importa que os Seus adoradores o adorem em espírito e em verdade.” “Porque são estes que o Pai procura para Seus adoradores.” João 4:24, 23. Jesus disse a Nicodemos que “o que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito.” João 3:6.
Eis a razão por que temos que nascer do Espírito, pois os que provêm dEle, todos os que são por Ele gerados, são justos. Não são justos por alguma coisa que tenham feito, mas pelas coisas que foram feitas por Cristo. “NÃO POR OBRAS DE JUSTIÇA PRATICADAS POR NÓS, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo.” Tito 3:5. Entretanto, o fato de entregarem suas vidas a Deus, aceitando a Cristo como Senhor de seus destinos, eles são feitos justos, são feitos filhos de Deus. Seus pecados são apagados, e são vistos como se nunca houvessem transgredido a lei do Senhor. A isto as Escrituras chamam de justificação. São Paulo, aludindo a essa experiência, a da justificação, disse: “JUSTIFICADOS, pois, MEDIANTE A FÉ, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo.” Romanos 5:1.
O vocábulo justiça provém da mesma raiz de justo. No contexto bíblico justiça são os atos daquele que é justo. “Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e também justificador DAQUELE QUE TEM FÉ em Jesus.” Romanos 3:26. Deus não negará essa bênção a ninguém que aceite Seu Filho, entregando-lhe o coração para que seja purificado, pois aí está a essência do Seu plano de salvação. A salvação não será completa se o pecador alcançar apenas o perdão dos pecados sem receber o que precisa para vencer o pecado – o dom da justiça. Essa justiça, é a própria justiça de Cristo que é imputada naquele que decide viver para Deus. “Se, pela ofensa de um e por meio de um só, reinou a morte, muito mais OS QUE RECEBEM a abundância da graça e O DOM DA JUSTIÇA, reinarão em vida por meio de um só, a saber, Jesus Cristo.” Romanos 5:17.
Agora podemos entender por que Isaías falou que nossas justiças, nossas boas obras, são como trapos de imundícia. A lei exige muito mais do que podemos oferecer, mas graças a Deus que Jesus, vindo do Céu, viveu vida perfeita, sem pecado, e voltou ao Pai para oferecer-Lhe o Seu sacrifício. Tendo sido aceito, possibilitou a todo pecador que se arrependa e queira viver em obediência à lei de Deus, o poder de viver conforme Ele mesmo viveu, de andar como Ele mesmo andou, de produzir os mesmos frutos que Ele mesmo produziu, pelo Espírito Santo que é concedido no mesmo instante que justifica o pecador. Ele é a nossa justiça. “E este é o nome de que será chamado: O SENHOR JUSTIÇA NOSSA.” Jeremias 23:6.
O Espírito Santo, é a garantia de nossa esperança. Ele em nós, somos mais que vencedores, somos habilitados a viver no padrão dos cidadãos do Céu, aguardando, regozijados, a tão anelada vinda do Salvador. “Mas o fruto do Espírito é: o amor, o gozo, a paz, a longanimidade, a benignidade, a bondade, a fidelidade, a mansidão, o domínio próprio.” Gálatas 5:22. Tais serão os frutos vistos em nós se formos por Ele gerados novamente. As obras que realizaremos depois de nossa conversão serão as obras de Cristo, não as nossas, pois somos novas criaturas Suas. Essas obras foram preparadas por Ele para que fossem imputadas àquele que nascer de novo. “Pois somos feitura dEle, CRIADOS EM CRISTO JESUS PARA BOAS OBRAS, AS QUAIS DEUS DE ANTEMÃO PREPAROU PARA QUE ANDÁSSEMOS NELAS.” Efésios 2:10. Cristo já deixou pegadas prontas a fim de que, guiados pelo Espírito Santo, não façamos pegadas novas, mas andemos em novidade de vida por sobre as Suas própria pegadas. Assim, quem nos vê, verá a Jesus.
Não precisamos nos preocupar com o que faremos para nos salvar. Cristo já fez tudo por nós. Nossa parte é entregar o coração para ser transformado, crendo que seremos aceitos por Ele, e a partir daí cooperar com o Espírito Santo, através do poder que nos será concedido empós o novo nascimento. Só precisamos crer em Sua promessa, crer que ela será cabalmente cumprida em nós, e seremos novamente gerados segundo a Sua imagem e semelhança. Nossas justiças não mais serão trapos de imundícia, pois a Sua própria justiça será imputada em nós e a nós comunicada dia após dia. O Pai olhará para nós como olha para o próprio Redentor, e poderemos nos alegrar em ouvir Sua doce voz a nos dizer: “Este é meu filho amado, em quem me comprazo.”
Que Deus nos abençoe!

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