sábado, 26 de março de 2011

Por Que Preciso de Um Salvador?

Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus. Romanos 3:23.

Qual a razão mor de que necessitamos urgentemente de um Salvador? O fato de sermos pessoas bem-quistas pela sociedade, adotarmos bons princípios morais em nosso viver, praticarmos as boas obras que mitigam a fome dos desfavorecidos, nada disso significa comodidade espiritual diante da exigência divina quanto ao juízo que aguarda cada ser humano. Alguém poderá ter um caráter ilibado, irrepreensível, mas jamais lhe será capaz expiar a pecha moral praticada no passado. Nenhum mortal, provindo do berço do primeiro Adão, terá como se livrar, por si só, dessa condição esmagadora.
As Escrituras são bem claras quando distinguem as duas famílias existentes na Terra: a carnal e a espiritual. Elas são tão reais quanto o sol e as estrelas. Está escrito: “Isto é, NÃO SÃO OS FILHOS DA CARNE que são filhos de Deus; MAS OS FILHOS DA PROMESSA são contados como descendência.” Romanos 9:8. E essa verdade precisa ser assimilada cabalmente, pois nos custará caro um comportamento apático quanto ao assunto, custará a nossa própria vida. A família carnal consiste nos filhos provindos do primeiro Adão. Primeiro? Sim. A Bíblia menciona o vocábulo Adão não só para representar o pai da raça humana, o primeiro homem criado por Deus do pó da Terra, como também para representar a Cristo, gerado pelo Espírito Santo, como o último Adão. Assim está escrito: “O PRIMEIRO homem, ADÃO, tornou-se alma vivente; o ÚLTIMO ADÃO, espírito vivificante.” I Coríntios 15:45.
Todos nós nascemos naturalmente dos nossos pais terrestres, isso é lógico. Por conta disso, os traços hereditários são-nos transmitidos, mormente as tendências morais. Nesta fase da vida, somos filhos do primeiro Adão. Tendo Adão transgredido a lei de Deus, lá no paraíso, o seu ato desencadeou vários efeitos, os quais foram sentidos no universo, na natureza e na própria humanidade. Assim, Adão fez recair sobre todos os seus descendentes o domínio e a condenação do pecado. Todo descendente seu, com exceção de Cristo, é escravo do pecado e está condenado à morte. Ninguém pode escapar dessa condição sem o auxílio do alto. Infelizmente, atestar que nada tem a ver com o pecado original não muda nossa situação, muito menos seremos livres do pecado pela excelência da boa educação. Portanto, nascer de nossos pais terrestres já é suficiente para trazermos conosco essa dura e indesejável realidade: somos escravos do pecado e caminhamos para a morte. E sem a intenção de querer tornar essa realidade mais dramática ainda, temos que encarar algo mais assombroso – se somos escravos do pecado, então estamos sob escravidão satânica. Esta é uma verdade que ninguém, ninguém aceitará de bom grado. Mas é isso mesmo. Adão permitiu que seus descendentes fossem escravizados pelo arqui-inimigo, estivessem sujeitos a sua vontade.
Se o caro leitor tem dificuldade para aceitar tal matéria, queira refletir sobre o dia de ontem, por exemplo, e tenta lembrar-se de algum momento em que tenha feito algo que a consciência, como uma faca, o acusou. Podemos afirmar, se quisermos, que isso ocorreu por que não somos perfeitos. E a que nos leva a nossa imperfeição? Ela nos impele a fazermos quase tudo de modo infenso aos nossos princípios morais. Noutro dizer: não fazemos o que realmente queríamos fazer. Ora, se não fazemos o que não queríamos fazer, essa vontade que em nós impera pertence a quem, então? Só há uma resposta – Deus ou Satanás. E tal resposta é óbvia.
Nascer dos nossos pais terrestres significa nascer da carne e esse fato foge ao nosso querer. Não desejamos ter nascido, apenas temos que aceitar esse acontecimento. Decorre que, se permanecermos nessa família, na família carnal, sofreremos a morte, para a qual não há ressurreição. Como disse o nosso Salvador, necessitamos urgentemente nascer de novo, nascermos de cima, sermos gerados de novo pelo Espírito Santo. Este é o requisito indispensável para a salvação. Veja o que diz o Livro Sagrado:
O que é nascido da carne É CARNE, e o que é nascido do Espírito É ESPÍRITO.” João 3:6.
Mais:
Porque SE VIVERDES SEGUNDO A CARNE, haveis de morrer; mas, SE PELO ESPÍRITO [Espírito Santo] mortificardes as obras do corpo, VIVEREIS.” Romanos 8:13.
A todos quantos vêm ao mundo, Deus se encarrega de cientificar da guerra cósmica em que estão totalmente envolvidos, independentemente de sua anuência, e dá-lhes o conhecimento do evangelho com o propósito de que, ouvindo o Seu apelo, se arrependam e possam escapar do juízo final. Assim como não houve esforço algum de nossa parte para colaborar com o nosso nascimento aqui na Terra, de igual maneira nossos esforços não poderão colaborar para que nasçamos de cima, no Reino dos Céus. No entanto, se a nossa vontade não foi consultada se queríamos nascer de nossos pais ou não, no Reino dos Céus nossa vontade é o que decide. E ninguém poderá nascer de novo se não for pelos méritos de Jesus Cristo.
Na verdade, não pertencemos a nós mesmos e somos iludidos pelo tentador a crer que temos a liberdade de fazermos de nossas vidas o que bem entendemos, quando, irrefletidamente, estamos a realizar a sua vontade, e nessa vontade, acrescentamos pecado a pecado, permanecendo sob a ira de Deus. Por esse azo é que São Paulo nos diz que todos morrem em Adão, ou seja, se nossa condição não for mudada por Deus, se não nascermos na família espiritual, caminhamos para a morte. “Mas”, poderia alguém questionar, “nós não somos mortais mesmo e não iremos morrer um dia? Para responder tal indagação, precisamos perguntar: o que é a morte? Acertadamente responderíamos “cessação da vida”. Entretanto, a que estaríamos nos referindo – ao fatídico episódio que ceifou a vida daquele nosso ente querido? Poderia ser, mas não é. Seria, se Cristo não tivesse vindo ao mundo e morrido por nós.
Deus havia advertido a Adão que NO DIA em que ele comesse do fruto proibido, ele morreria. Porém não vemos Adão cair morto assim que o seu pecado é consumado. Como entender, então, o que significa a morte? Pensemos num galho de uma árvore frutífera. Se nos fosse possível ver a seiva percorrendo o seu trajeto da raiz até aquele galho, entenderíamos que o galho está vivo por que a seiva do tronco lhe concede os nutrientes necessários para mantê-lo viçoso e produzindo frutos. Agora, o imaginem sendo cortado, alienado daquela árvore. A seiva vitalizadora não mais percorrerá os vasos daquele galho e ele está sentenciado à morte.
Em Romanos 6:23 está escrito que o salário do pecado é a morte. No entendimento de muitos a morte aí referida é o que ocorre quando uma fatalidade retira dos seios de uma família um dos seus membros. Como dantes foi expresso, seria se não houvesse o plano da salvação. O plano de Deus deu um novo significado àquela trágica ocorrência, e transferiu a morte para o futuro, antecedida por um juízo. Ao assumir Cristo o pecado de todos os descendentes de Adão, fazendo-Se Ele mesmo transgressor em nosso lugar, teria Ele que ser punido com a morte, pois esta é a sentença para o transgressor. Entretanto, sendo a Sua vida uma oferta que ultrapassou as exigências da lei divina, tornou-Se o nosso Salvador, tendo-O Deus ressuscitado dos mortos. A ressurreição de Cristo foi a consolidação de que não devemos mais considerar a morte como antes víamos. O salário do pecado, a morte, constitui-se, então, o lago de fogo, também chamado de segunda morte. Esta morte não cogita ressurreição. Esta sim, é a sentença de Romanos 6:23.
Em verdade, em verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, E CRÊ naquele que me enviou, TEM A VIDA ETERNA e não entra em juízo, MAS JÁ PASSOU DA MORTE PARA A VIDA.” João 5:24.
Seria um contrassenso considerarmos o homem recriado, nascido de Deus, um mortal. O Salvador afirmou que aquele que O recebe passa da morte para a vida. Os verbos crer e ter não estão no futuro, mas no presente. Isto nos permite dizer que se hoje alguém recebe Cristo em Seu coração, cujos efeitos são vistos em seu novo viver, passa da morte para a vida; tal pessoa TEM a vida eterna. Como ainda não acabou a guerra cósmica iniciada no Céu, a vida eterna fica condicionada à perseverança em continuarmos marchando com Cristo até o término da luta contra o pecado, por assim dizer, na Sua volta.
Mas aquele QUE PERSEVERAR ATÉ O FIM, ESSE será salvo.” Mateus 10:24.
Quando alguém morre, deixa de existir para os homens, não para Deus. Referindo-se a Lázaro, já morto vários dias, Cristo disse: “Lázaro, o nosso amigo, DORME, mas vou despertá-lo do sono.” João 11:11. O Salvador também disse: “Mas que os mortos hão de ressurgir, o próprio Moisés o mostrou, na passagem a respeito da sarça, quando chama ao Senhor; Deus de Abraão, e Deus de Isaque, e Deus de Jacó. Ora, ele não é Deus de mortos, mas de vivos; PORQUE PARA ELE TODOS [os justos mortos] VIVEM.” Lucas 20:37 e 38.
Aqueles que se recusam entregar sua vida a Deus ou adiam tal decisão, permanecem mortos aos Seus olhos, pois sobre eles a sua ira permanece. “Ele vos vivificou, ESTANDO VÓS MORTOS nos vossos delitos e pecados.” Efésios 2:1. Deus por Sua misericórdia mantém-lhes respirando a fim de que possam tomar a decisão de servi-Lo antes que a medida de seus pecados alcance o limite estabelecido. É por essa razão que é uma temeridade viver sem Deus, sem aceitar a Cristo como Salvador, pois quando o fôlego for retirado, não haverá mais chance para decidirem mudar sua condição. O juízo já terá sido decretado. Notemos as palavras de Cristo:
Porquanto Deus enviou o Seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por Ele. Quem nEle crê não é julgado, O QUE NÃO CRÊ JÁ ESTÁ JULGADO, porquanto não crê no nome do Unigênito Filho de Deus.” João 3:17 e 18.
O nosso respirar não é prova de que estamos vivos. Respiramos por que Deus estabeleceu, por Sua misericórdia, um tempo para que decidamos sobre o que queremos fazer da nossa vida. Mas não sabemos quando esse tempo terá fim, e poderá ser hoje, amanhã, agora. Esta, pois, é a nossa terrível situação, se não houver uma intervenção divina, e ela só ocorrerá com a nossa permissão, com a nossa decisão. Essa intervenção só é possível a nós, porque um dia Alguém determinou dar a Sua vida no lugar da nossa, morrendo em nosso lugar – Cristo Jesus.
Sendo que nossas boas obras não alterarão nossa presente condição, é necessário, portanto, nascer no Reino de Deus, nascer dEle. E como isso é possível? Como podemos nascer do último Adão, e assim passarmos da morte para a vida, usufruindo de todas as bênçãos espirituais? Em que consiste o novo nascimento? Há como sabermos se nascemos de novo ou não?
A fim de compreendermos como é possível nascer no Reino de Deus, vamos nos debruçar em dois casos concretos: 1. A serpente no deserto; 2. A cura do paralítico. Nestes dois eventos o Criador nos apresenta como passamos de uma família para outra. Nascemos do último Adão sob o mesmo processo por que foram curados os israelitas ao olharem para a serpente.
Quando o povo foi mordido pelas serpentes no deserto, Deus determinou a Moisés que fizesse uma serpente de metal, a pusesse numa haste, e dissesse ao povo que todos os que olhassem para aquela serpente seriam curados. Não havia nenhuma virtude na serpente, mas ao olhar para ela com fé, o milagre da cura ocorria. Olhar era o bastante. Nenhuma outra ação era requerida daquele que desejava ser curado. Aqui não entra o esforço humano, pois ele é inútil. Do mesmo modo temos que olhar para a cruz do Calvário e crer que o Salvador saldou a nossa dívida, carregando sobre Si os nossos pecados. Se crermos que agora Deus não só nos perdoará, todavia irá mais além, dar-nos-á um novo coração, uma nova mente, me fará um novo ser, recriado pelo Seu Espírito, o milagre ocorrerá.
E quanto ao paralítico? Ele é descido numa cama por um buraco feito no telhado. O que ele poderá fazer para sair daquela cama e andar? Nada. Seus esforços nenhuma vantagem lhe acrescentarão. E esse princípio serve para o leproso, para o cego, para o mudo, para o coxo. A cura do paralítico, como as demais, não foi registrada tão-somente para louvarmos e enaltecermos o nome de Deus. Há um propósito ainda maior. O paralítico representa cada um de nós, assim como os demais desfavorecidos. E sua impossibilidade de levantar-se e andar por seus próprios meios, representa a nossa impossibilidade de sermos diferentes do que somos, de sermos quem queremos ser. Toda tentativa para melhorar a sua condição seria embalde. Ele dependia de um ato do Criador – um milagre. Sabemos que o milagre só ocorre quando sua motivação se faz presente, e essa motivação é a fé. E agora, face a face, Cristo diz ao paralítico “levanta-te, toma a tua cama e vai para a tua casa.” Tal qual o paralítico, precisamos desesperadamente estar na presença do Senhor e pedir que nos cure da nossa doença espiritual; como o paralítico, nós devemos crer piamente que as palavras de Cristo não serão ditas aleatoriamente, elas têm poder, Ele quer nos ver curados. Não há espaço para a dúvida. A dúvida anula o cumprimento da promessa de Deus. O poder de Deus só foi manifesto no paralítico porque sua fé foi atuante. Bastou ao paralítico crer que o Salvador o havia curado instantaneamente, mesmo que ele não estivesse sentindo nenhuma comichão em seu corpo. Ele creu contra a esperança. E do mesmo modo, não precisamos duvidar se Ele fará o mesmo por nós. Esse é o principal objetivo do evangelho – ver o homem absolvido da condenação do pecado e livre do seu domínio. E o que é exigido de nós? Crer que Ele cumprirá a promessa prescrita em I João 1:9. Ali Ele nos promete duas coisas inseparáveis. Uma é o perdão dos nossos pecados, a outra é a nossa purificação. Perdão e justificação são a mesma coisa. Se o homem é perdoado, ele é justificado. Sendo justificado por Deus, ele é visto perante os Seus olhos, sem pecado, ou melhor, como se nunca houvesse pecado na vida, pois, pertencem-lhes, pela fé, os méritos do Salvador. Deus vê esse homem como vê o próprio Filho. A vida sem pecado que Cristo viveu aqui na Terra é creditada àquele que decidiu entregar o coração a Deus. Tal pessoa produzirá os frutos do Espírito Santo. Não mais terá inclinação para o pecado, pois o Espírito Santo habita nele agora, não o pecado. Tal homem andará nas pegadas de Cristo, reproduzindo o caráter do nosso Salvador, sendo transformado a Sua própria imagem. Se estas mudanças não ocorrerem, não fomos perdoados. Esta é a segunda parte da promessa – a purificação [santificação]. A santificação é o processo que se inicia assim que o homem é justificado. “Segui a paz com todos, e a SANTIFICAÇÃO, sem a qual NINGUÉM verá o Senhor.” Hebreus 12:14.
O evangelho de Cristo não só nos oferece o perdão, como também a purificação de nosso ser. Deus quer nos perdoar e nos tornar em Seus filhos e filhas, capazes de viver uma vida sem pecado. Tudo que temos que fazer é crer somente. Cristo crucificado e ressurreto é a nossa garantia de que se formos a Deus em busca do dom da justiça, aquilo que não temos para viver em estrita obediência aos Seus mandamentos, Ele nos concederá. O evangelho de Cristo veio anunciar a obra da RECRIAÇÃO de Deus. Ele veio desfazer as obras do diabo. O vaso quebrado por si só não se refaz em um vaso novo, cabe ao Oleiro a restauração.
Mesmo quem está na igreja, seja ministro ou membro, pode não ter nascido de novo e estar perdido, pensando que está salvo. O novo nascimento produz os frutos do Espírito Santo, transforma o homem em uma criança, cuja mente é pura, cujo caráter é sem mácula, cujos pensamentos são puros, cujo coração descansa plenamente em seus tutores. Se ainda não somos como crianças, não devemos nos desesperar, pois o Céu está a nosso favor e tudo nosso Deus fará para que possamos nascer em Seu reino, e viver vida perfeita. Devemos ir a Ele do jeito como estamos: moribundos, sujos, maltrapilhos. Em Sua presença devemos expor nossos pecados, confiando em Sua disposição de nos perdoar, e sairemos de Sua câmara totalmente restaurados, prontos para viver uma vida que Lhe agrada, pois o Espírito Santo será concedido ao crê no Salvador, como garantia, segundo está escrito: “No qual também vós, tendo ouvido a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, E TENDO NELE TAMBÉM CRIDO, fostes SELADOS COM O ESPÍRITO SANTO da promessa, O QUAL é o PENHOR da nossa herança, para redenção da possessão de Deus, para o louvor da sua glória.” Efésios 1:13 e 14.
O Espírito Santo levará o homem a reproduzir gradativamente a mesma vida do Salvador. E tudo isso é de graça, não temos que fazer nada por nós mesmos, só temos que crer nEle e nos fará de novo, não como um faz-de-conta, porém verdadeiramente, por Seu poder. E isso está ao teu alcance, nobríssimo leitor. Hoje mesmo tu poderás ir ao Salvador, confessar os teus pecados e pedir-Lhe que seja realizada a obra da recriação do teu ser. Se fizeres isso sem duvidar em teu coração, nascerás no Reino de Deus, serás feito filho do Altíssimo, co-participante da natureza divina, co-herdeiro com Cristo. Ele habitará em ti por Seu Espírito e te fará andar em Suas pegadas; Ele te fará ser semelhante a Ele mesmo. Tudo só depende de nossa disposição de servi-Lo e de crer em Seu amor galardoador. Não perca tempo. O que poderia ser mais precioso do que uma vida isenta de pecado? É preciso apenas crer.
Que Deus nos abençoe!

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