segunda-feira, 7 de março de 2011

Comer a Carne de Cristo e Beber o Seu Sangue

Quem come a Minha carne e bebe o Meu sangue permanece em Mim e Eu nele. João 6:56.

Escolhi esse tema em virtude de alguns irmãos terem dificuldade de interpretá-lo, assim como os discípulos, quando ouviram tais palavras dos próprios lábios do nosso Irmão mais velho. Com a graça do Pai, não precisaremos dizer: “Duro é este discurso, quem o pode ouvir?” João 6:60.
Mas o que nosso Salvador teve em mente ao dizer aos Seus ouvintes, quando proferiu essa mensagem?Uma multidão estava à procura de Cristo, e conseguiram encontrá-Lo no outro lado do mar. Quantos de nós também não estamos a Sua procura, não é mesmo? E por que O procuravam? O azo que deveria ser sublime, perdera-se em interesses egoístas e terrenos. O Salvador não representava para eles o Cordeiro de Deus, mas Aquele que saciaria suas necessidades temporais. Buscavam-nO com o fito de obter uma vantagem terrena, passageira. Indago tempestivamente: estamos nós a Sua procura com o intuito de obtermos algo temporal, efêmero, egoísta? Ou será que vamos até Ele porque queremos fugir do pensamento de que poderemos estar entre os perdidos por ocasião de Sua volta? Qual será o motivo que nos move até Cristo?
Antes de respondermos, focalizando uma sólida resposta, encetaremos o nosso estudo a partir do versículo 25, do mesmo Capítulo 6.
A essa multidão, as palavras que Cristo usou como resposta aparentam ríspidas, deselegantes, mas eram palavras ditas com a intenção de lhes aguçar o espírito, levando-lhes à reflexão sobre suas vidas, sobre seus destinos. Ele respondeu: “Em verdade, em verdade vos digo que me buscais, não porque vistes sinais, MAS PORQUE COMESTES DO PÃO E VOS SACIASTES.” João 6:26. O Salvador, então, os repreende quanto ao alimento pelo qual deveriam estar labutando. Não pelo que perece, que não saciaria verdadeiramente a sua alma. Por que era tão importante para Jesus que dessem ouvidos a Sua voz?
Vivemos numa guerra cósmica, onde as nossas decisões determinam QUEM se fará refletir em nós, se Cristo, ou Satanás. Não somos de nós mesmos, como pensamos erroneamente. A falta de domínio próprio é a maior prova disso. E feito uma moeda, são as nossas decisões, pois se não decidimos por Cristo, estamos decidindo por Satanás. E somos nós quem escolhemos aquele que terá o domínio do nosso coração. Não podemos perder tempo com nada trivial, nada que nos impeça de recebermos o dom da justiça. E não poucos se iludem que podem adotar uma postura neutra nessa guerra. Não entendem o âmago das palavras de Cristo, denotando a impossibilidade de estarmos neutros nessa luta – “NINGUÉM PODE servir a dois senhores, porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro.” Mateus 6:24.
Quanto custou essa guerra para o Todo-Poderoso? São Paulo nos dá uma pista. Ele nos diz que Cristo, “PELO GOZO QUE LHE ESTAVA PROPOSTO, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus.” Hebreus 12:2. A que gozo o apóstolo se refere? O mesmo que o anjo mostrara no Getsêmane, quando em agonia – NÓS. Nossa salvação constituiu o ânimo que Ele precisava para enfrentar o opróbrio dos homens, a ignominiosa morte de cruz. Cada mau trato sofrido na Via Dolorosa, em direção ao Calvário, era suportado porque não nos tirava de Sua mente um instante sequer.
Cristo deixou os Céus, decidido a morrer em lugar de uma raça que não O amava, mas que era obra de Suas mãos. Ele se dispôs a trocar os palácios reais, onde era servido pelos anjos, pelas poeirentas estradas do mundo, sem ter onde reclinar a cabeça, a fim de promover ao homem a chance de poder novamente usufruir da presença do eterno Deus. Ele, “sendo rico, por amor de vós SE FEZ POBRE, para que pela sua pobreza, fôsseis enriquecidos.” II Coríntios 8:9.
Ninguém, senão o próprio Deus, poderia resgatar o homem de sua miserável condição. Nem mesmo um anjo, com toda a pureza que possua, seria apto a esse sacrifício, pois uma vez que a lei representa o próprio caráter de Deus, outro ser, além dEle mesmo, não poderia oferecer o preço requerido pela magnitude dessa lei. Assim necessitou Deus encarnar de modo a criar um meio de escape para o homem, em face da condenação pairante.
Ainda que o sacrifício de Cristo tenha alcançado inestimável dimensão, não poderemos ser beneficiados por ele se o coração lhe for entregue com reservas. Nada será operado em nós, nem o poderá ser. É uma tremenda cilada crermos que podemos estar de mãos dadas com algo reprovado por Deus e ainda assim alcançarmos Suas bênçãos. A linha que separa os mundos onde Cristo e Satanás reinam é tão tênue, que somente com o auxílio do Espírito Santo conseguiremos discernir. Já vimos que não podemos estar com um pé em cada lado dessa linha, porém se insistirmos em abraçar o que concerne a ambos os reinos, enganadamente estaremos a servir totalmente ao arqui-inimigo, achando que estamos a servir a Deus.
Não há como negar isso. E quantas coisas, pequeninas, banais, são a causa de tropeço de muitos que professam estar seguindo os passos do Mestre. Não apreendem a natureza de Suas transparentes palavras: “Se alguém quer VIR APÓS MIM, NEGUE-SE A SI MESMO, tome cada dia a sua cruz, E SIGA-ME.” Lucas 9:23. Nosso amado Jesus havia declarado “Eu sou o CAMINHO, e a verdade, e a vida.” João 14:6. Não há outro caminho, portanto, para o Céu. Ele é a Porta de entrada. Assim, ir após Cristo significa seguir estritamente as Suas pegadas, sem se desviar nem para a direita, nem para a esquerda. E isso implica não só abnegação, contudo máxime renúncia. Negar-se a si mesmo é o preço que nos é requerido por nossa salvação. Temos que abrir mão de tudo que nos impede de receber Cristo, do contrário Ele não poderá nos transformar segundo a Sua imagem. Planos terão que ser postos de lado, desejos deverão ser esquecidos, estilo de vida deverá ser mudado, filosofia de vida terá que ser reformada. Tudo isso significa negação a si mesmo.
Se ainda relutamos em abandonar alguma coisa nociva à nossa alma, Deus não poderá agir em nosso favor. Continuaremos, então, nos contentando com um pão que não é o celestial, estaremos tentando saciar a nossa sede com algo que nos fará sentir sede novamente, persistiremos em oferecer ao nosso espírito, paliativos que nos façam sentir que caminhamos para o Céu. Precisamos aceitar a verdade como ela é. Não existe outro meio de salvação. Tudo deve render lugar a Cristo, todas as coisas devem estar subordinadas a Ele, se desejarmos, realmente, segui-Lo. Ele renunciou tudo, e não menos do que tudo é exigido de nós. O leproso não pediu a cura de um membro do seu corpo, pois não seria efetivada a verdadeira cura. Todo o seu corpo foi submetido ao poder restaurador de Cristo. Assim é conosco.
A obra da salvação consistiria basicamente em uma segunda chance para a raça humana, na pessoa de Cristo. Por esse azo Ele é chamado de último Adão. Ele é o nosso recomeço. Ele teria que viver aqui na Terra sem se valer do Seu poder criador em Seu próprio benefício. Vale dizer, Cristo teria que aprender a viver como um homem comum, sendo Deus. A nossa parte é exatamente o contrário – vivermos aqui permitindo que Ele seja formado paulatinamente em nós, ou seja, Deus insta com o homem para que este permita que Seu caráter seja nele reedificado. Cristo participou da nossa natureza a fim de que, por Seus méritos, pudéssemos, resgatados do poder do pecado, participarmos da natureza divina. Nosso Salvador “nos chamou por sua própria glória e virtude; pelas quais Ele nos tem dado as suas preciosas e grandíssimas promessas, para que por elas VOS TORNEIS PARTICIPANTES DA NATUREZA DIVINA, havendo escapado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo.” II Pedro 1:3 e 4.
As Escrituras Sagradas constituem a revelação do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo. Se ainda procrastinamos em viver para a Sua glória, se rejeitamos o Seu chamado para renunciarmos tudo por Ele, não teremos o direito nem o privilégio de chamá-Lo de Irmão, pois temos negado que Seu caráter seja reproduzido em nós. Por outro lado, se permitirmos que o Espírito Santo nos transforme em filhos e filhas de Deus, abrindo mão de nós mesmos, abandonando-nos aos Seus cuidados, tornando-nos obedientes aos Seus mandamentos, fervorosos praticantes de Sua palavra, poderemos dizer sem medo de errar que somos cidadão do Céu, poderemos afirmar categoricamente que nos alimentamos de Sua carne e bebemos de Seu sangue.
Que Deus nos abençoe!

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