sábado, 19 de fevereiro de 2011

QUAL A IMPORTÂNCIA DA LEI?

Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz.” Colossenses 2:14.

Antes de respondermos à pergunta temática, precisamos esclarecer algo importante: que lei foi cravada na cruz e por que azo? Qual a essência da pregação de Paulo? Precisamos sair de Colossenses e viajarmos para o Gênesis. No capítulo 12 vemos discorrer um diálogo entre o Criador e Abraão. Como vemos, a promessa divina, dita ao pai da fé, estende-se a TODAS as famílias da Terra. A luz do evangelho deveria chegar a todos os confins do planeta, alcançar a todas as nações pagãs, e o depositário desse dom, o mordomo das boas-novas, era o próprio povo de Deus. Através dele a salvação deveria chegar ao conhecimento de todas as raças, sem distinção. Contudo, embora isso tivesse sido delineado inteligivelmente por Deus, o Seu povo não cumpriu a missão que lhe fora designada, e o declínio espiritual foi a conseqüência natural. Os profetas eram os instrumentos usados pelo Céu na tentativa de resgatar a fé de Israel, entretanto, tais enviados eram maltratados, desdenhados e mesmo mortos. À medida que se distanciavam de Deus sua concepção de Sua vontade era obliterada e, conseguintemente, mergulhavam mais e mais nas trevas, já não discerniam corretamente as profecias, eram presas fáceis de Satanás. Se o povo de Deus estava envolto em trevas, como chegaria a luz aos povos circunvizinhos?
Quando Cristo veio ao mundo, teve muito trabalho para levar os Seus discípulos a desaprenderem o que haviam assimilado ao longo dos anos pela errônea doutrina dos judeus. Para eles os gentios não eram dignos de receberem nenhuma dádiva do Céu, estavam totalmente perdidos, alienados do favor divino. E isso precisava ser mudado na mente dos Seus seguidores. Certa vez, então, uma mulher cuja filha estava possuída pelo demônio, recorreu a Cristo em busca da cura de sua filha. As Escrituras nos dizem que ela clamava, enquanto seguia a Cristo, e Ele parecia não se importar. E os discípulos incomodados sugeriram ao Mestre despedi-la porque ela vinha gritando atrás deles. Jesus, então, decide atender à mulher e em resposta a sua petição, Ele lhe responde de maneira aparentemente áspera e com um certo tom de menoscabo. “Cachorrinhos” foi o termo usado por Ele para cognominar àquela mulher aflita. Por que Cristo agiu dessa forma tão hostil? Na verdade, o Salvador estava a dar uma lição para os Seus discípulos enquanto provava a fé daquela mulher. Tratando-a assim, Ele não estaria agindo de comum e esperado pelos discípulos? Não foi assim que aprenderam a lidar com os estrangeiros à promessa? Cristo, entrementes, não despediu àquela mulher que havia buscado a Sua ajuda, e de modo adverso ao esperado pelos discípulos, atendeu a oração daquele ser sofredor, derramando as bênçãos dos Céus sobre o seu lar entristecido pelo infortúnio que vivenciava. Tal episódio deveria ter sido o suficiente para os discípulos entenderem que todos, sem exceção, faziam parte do plano de Deus.
Anos mais tarde, está Pedro hospedado na casa de Simão, e sentiu fome. No interlúdio em que aprontavam sua refeição, ele teve uma visão, a qual se repetiu por três vezes. Ele viu um lençol coberto de animais e ouviu uma voz que lhe dizia para matar e comer. Por três vezes ele retrucou dizendo que nunca comeu coisa alguma comum ou imunda. A voz, no entanto, por três vezes, advertiu a Pedro: “Não faças tu comum ou imundo ao que Deus purificou.” Atos 10:15.
Alguns de nós temos crido que o episódio aqui tem a ver com o alimento, e erroneamente interpretam a Palavra de Deus. Se lessem todo o capítulo, concluiriam que o mote em alusão refere-se aos gentios, povos tidos pelos judeus como indignos de pertencerem à aliança judaica. Nos primeiros versículos do capítulo 10 de Atos, o Livro Sagrado nos revela que havia um homem pagão, chamado de Cornélio, que era temente a Deus, e em sua experiência religiosa, teve um contato com um anjo que lhe afirmara terem sido suas orações ouvidas por Deus e que ele deveria procurar por Pedro, indicando-lhe onde encontrar o apóstolo.
Aquela visão antecedeu a chegada dos servos de Cornélio à pousada onde Pedro se encontrava. O Espírito Santo revelou ao apóstolo que ele deveria acompanhar àqueles homens. Chegando Pedro à casa de Cornélio, recordou aos presentes que não era lícito ele, judeu, juntar-se ou chegar-se a estrangeiros, tidos por gentios pelos judeus. Pedro, em seguida, pergunta-lhe o que desejam. Daí Cornélio narra-lhe de tudo que acontecera e o diálogo que tivera com o anjo. Atônito, Pedro exclama: “Reconheço por verdade que Deus não faz acepção de pessoas; mas que Lhe é agradável aquele que, em qualquer nação, o teme e faz o que é justo.” Pedro começa, assim, a sua pregação e mal a conclui, o Espírito Santo caiu sobre os presentes, deixando-o maravilhado juntamente com os que o acompanharam. As Escrituras nos dizem: “Maravilharam-se de que o dom do Espírito Santo se derramasse sobre os gentios.” Atos 10:45. Estava, de fato, a visão de Pedro, o lençol com diversos animais, relacionada com animais, literalmente? Ele mesmo responde: “E disse-lhes: vós bem sabeis que não é lícito a um homem judeu ajuntar-se ou chegar-se a estrangeiros; mas Deus mostrou-me que a nenhum homem chame comum ou imundo.” Atos 10:28. Pedro aprendeu a lição.
Voltemos para Colossenses. Paulo está a pregar para uma platéia de pessoas que eram tidas como indignas pelos judeus de participarem do concerto divino – os gentios. Paulo fora designado por Deus para transmitir as mensagens de salvação aos que estavam por natureza fora do concerto. Ele, agora convertido, sabia que o sacrifício de Cristo no calvário invalidava todos os rituais religiosos israelitas, tais como a páscoa, a festa dos tabernáculos, dentre outras. Ele sabia que essas cerimônias devidamente escritas por Moisés, por ordem divina, não mais teriam valor, pois elas todas apontavam para o Cordeiro que já havia sido oferecido em prol da raça pecadora. Todos os ritos simbólicos haviam chegado ao seu fim. Ao morrer o Salvador, o véu do templo, como que manifestação de Deus quanto à inutilidade dos serviços do templo, foi rasgado de alto a baixo por mãos invisíveis. Era a irrefutável prova de que a lei cerimonial teria alcançado o seu propósito: encaminhar as mentes dos adoradores ao verdadeiro Cordeiro.
Por que as Escrituras asseveram que “a cédula era contra nós” e que “de alguma maneira nos era contrária”? Contra nós quem? Contrária de que forma? Lembremos que as conseqüências do declínio espiritual do povo de Deus, resultaram na ferrenha discriminação e odioso pré-conceito para com os povos pagãos. Estes não eram circuncidados, não participavam das festas anuais, “estavam sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo.” Efésios 2:12. Agora, tendo sido esclarecido o propósito de Deus quanto ao múnus dado a Israel – propalar a mensagem de salvação a todas as nações – Paulo anuncia o que há muito deveria ter sido feito pela nação judaica: os gentios também eram dignos de participarem da aliança eterna. A cédula contendo as ordenanças rituais do culto ao Deus Todo-Poderoso, por interpretação egoísta dos judeus, privava os gentios. Vindo Cristo e morrendo na cruz do Calvário, tais cédulas foram banidas, extintas, e a luz chegou, ainda que tardia, a um povo que vivia nas trevas, iluminando-lhes o entendimento e lhes concedendo alento espiritual. Daí Paulo asserir veementemente que “Ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a parede de separação que estava no meio, na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz, e pela cruz reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades.” Efésios 2:14 a 16. A morte do Salvador possibilitou o enxerto dos gentios na Videira, promovendo-lhes o usufruto das bênçãos do reino, assim como os próprios ramos naturais.
O versículo acima nos diz claramente que a inimizade, ou seja, o que mantinha os gentios fora da comunidade de Israel, estava associada à lei cerimonial, por isso as Escrituras enfatizarem “a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças”. A lei moral, que está intrinsecamente ligada ao caráter de Deus, continua em vigor. E como podemos aceitar isso? Quando, empós o discurso de Pedro no Pentecostes, a multidão perguntou aos apóstolos o que devia fazer, Pedro respondeu: “ARREPENDEI-VOS”. Diante dos atenienses, Paulo adverte solenemente: “Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, e em todo o lugar, que se ARREPENDAM.” Atos 17:30.
O apóstolo Paulo já estava a desfrutar da nova aliança, e como ele admoesta aos seus ouvintes a se arrependerem de seus pecados? Se a lei moral também foi abolida, resta dizer que não há mais transgressão; e se não há transgressão, não há necessidade para nos arrependermos de coisa alguma, pois o pecado é a transgressão da lei. Será que não percebemos que a existência do monte Calvário está diretamente conectada ao Monte Sinai, e vice-versa. Abolindo Deus a Sua santa lei, necessariamente perde-se o brilho do Calvário. A cruz é a prova de que a lei de Deus não pode de maneira nenhuma ser ab-rogada, pois ela exige a morte do transgressor. Se Deus tivesse que abolir a lei, por que não o fez antes da morte de Cristo? Assim não teria sacrificado o Seu Filho. O fato de ter Cristo morrido por nós, não resolve tudo. Se assim fosse tudo acabaria ali, mas o Livro Sagrado nos mostra que a guerra cósmica ainda não acabou; ele nos revela que homens e mulheres terão que demonstrar durante sua existência, de que lado desejam permanecer até que tudo se cumpra. E isso nós o fazemos com uma vida de obediência ou desobediência. Paulo nos diz que Deus “recompensará cada um segundo as suas obras; a saber: A vida eterna aos que, com perseverança em fazer bem, procuram glória, honra e incorrupção; mas a indignação e a ira aos que são contenciosos, DESOBEDIENTES À VERDADE e OBEDIENTES À INIQUIDADE.” Romanos 2:6 a 8.
Não se vislumbra aí inércia, como alguns julgam ser a fé. Somos salvos pela fé, porém a prática de uma vida de obediência à lei de Deus é o fruto dessa fé. Será que não existe nenhuma afinidade entre os frutos do Espírito Santo em Gálatas 5:22 e os dez mandamentos? Reflitamos. Começa por amor; amor é a base da lei, lembra? “O cumprimento da lei é o amor.” Romanos 13:10. Bem, se eu amar ao meu Deus de todo o meu coração, de toda a minha alma, e de todo o meu pensamento, o que advirá por conseqüência? Sentirei gozo e alegria em minha vida; naturalmente praticarei a bondade provinda da benignidade que habita o meu interior; minha fé será como um grão de mostarda, sempre crescente e firme; serei como Cristo, manso; terei domínio próprio sobre todas as minhas emoções e desejos.
Sim, as palavras de Cristo são irrefutáveis: “Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim ab-rogar, MAS CUMPRIR.” Mateus 5:17. E ao aludir à falsa doutrina dos fariseus, Ele preveniu: “Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos, POR MENOR QUE SEJA, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os CUMPRIR E ENSINAR será chamado grande no reino dos céus.” Mateus 5:19. E completa: “Porque vos digo que, se a vossa justiça NÃO EXCEDER A DOS ESCRIBAS E FARISEUS, DE MODO NENHUM ENTRAREIS NO REINO DOS CÉUS.” Mateus 5:20. Todos os seguidores de Cristo devem cumprir como Ele cumpriu em Sua vida os mandamentos de Deus, os dez mandamentos. Por tal razão, o apóstolo João em sua primeira carta nos recomenda: “Aquele que diz que está nele, também DEVE ANDAR COMO ELE ANDOU.” I João 2:6.

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