segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

O Sábado - Foi Abolido ou Não?

Décio, eu até compreendo teu esforço para tentar explicar algo que pareça tão patente. Mas não precisamos ir tão longe para entendermos o que já é inteligível por si só, na passagem que tantos acham polêmica - Colossenses 2:16. Falaste sobre os dias de festas, mas esqueceste, meu amado Irmão, de que, embora as festas fixas tivessem seus nomes próprios e diferentes uns dos outros, algo lhes era comum: os sábados. Não há uma sequência lógica, como se quer apresentar, pois qual seria a finalidade – teológica? Nenhuma. Até porque se, de fato, fosse uma sequência lógica, não seria ano, mês e semana, porém ano, mês e dia, como fazemos com o nosso calendário. Trata-se de uma simples referência, meu caro Irmão, nada mais. A propósito: quando Cristo, abordado pelo jovem príncipe sobre o que fazer para herdar a salvação, recitou os mandamentos referentes ao próximo, Ele poderia tê-los mencionados numa sequência lógica, a saber, o quinto, o sexto, o sétimo e o oitavo. Em vez disso, vemos que Ele não se importou em narrá-los numa ordem aleatória. Primeiro Ele fez referência ao sexto, depois ao sétimo, em seguida o oitavo e aí Ele salta para o quinto, e resume todos no grande princípio – amarás o teu próximo como a ti mesmo.
Os autores sagrados citados por ti fizeram diferença entre os dias normais da festa e os dias consagrados, assim nominados de sábado. Todos eles, inclusive Paulo, citaram como em sequência – anual e mensal, todas as festas, e por último os sábados. Que sábados seriam esses? Não poderiam ser os semanais, pois fugiria da sequência lógica, se é que isso é tão importante assim. Tais sábados eram todos os que foram agregados a cada festa, tanto as anuais como as mensais. Muito embora tais dias sagrados já estivessem na contagem dos dias das festas epigrafadas, eram incomuns, eram separados dos demais pelos fins a eles inerentes. O povo de Deus teria que observar os dias de festa, entretanto, seu comportamento seria diferente naqueles dias estabelecidos como santos. E essa é a razão simples de reportar-se separadamente aos sábados dos demais dias de suas respectivas festas. Paulo, como os demais autores, evitou a repetição do vocábulo comum a todas as festas, senão ele teria que dizer "ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festas, ou da lua nova, ou pelo sábado da festa dos pães ázimos, ou pelo sábado da festa das primícias, ou pelo sábado da festa do Pentecoste", e assim por diante.
Se há uma necessária sequência lógica, devemos admitir que Paulo citou o comer antes do beber, por alguma razão lógica. Não há fundamento para a sequência lógica. E como posso asserir isso? O verso dezessete nos auxilia nessa questão. Antes, contudo, há mister de explanarmos o que significa a palavra sombra. Quando a luz incide sobre um objeto, projetando a sua sombra, podemos inferir facilmente que temos diante de nós o virtual e o real. O símbolo e o tipo. Jamais diremos que a sombra é o tipo, ou que o tipo é o símbolo. Assim, quando vemos o símbolo ou a sombra, vem a nossa mente a imagem do real, do tipo. Por se tratar de símbolos, as cerimônias apontavam para o seu tipo – um evento futuro. A páscoa apontava para o Cordeiro imolado para libertar o povo da escravidão do pecado, etc.. Como todas as cerimônias tinham o seu início com a páscoa, e daí as demais decorriam, assim a morte de Cristo daria início aos demais eventos, representados pelas demais festas. Sendo morto o Cordeiro pascal, as cerimônias perderiam o seu valor, pois a cadeia de eventos se seguiria ordenadamente – as primícias, o Pentecoste, as trombetas, o dia da expiação e os Tabernáculos.
Todas as sombras dariam o seu lugar para os seus tipos. Como todos sabem, a palavra sábado não significa sétimo dia, mas dia de repouso, e como sua separação foi para um fim santo, afirmamos, então, que o vocábulo sábado significa um dia santo. Quando Deus acabara a criação, Ele estabeleceu o sétimo dia como dia santo, pois nele o Criador descansou, o abençoou e o santificou. Como o sétimo dia foi configurado por Deus como dia santo, o sétimo dia é santo. E isso é irrevogável. Ele não é sombra, pois não existe um evento futuro que lhe seja o tipo. Ele não é cerimonial. Ele não foi inserido na lei escrita por Moisés e posta ao lado da arca, ele está contido na lei moral, a única que foi escrita pelo próprio Deus e posta dentro da arca. O sábado é o antídoto da evolução, pois sempre nos faz lembrar que o nosso Deus é o Criador do universo, que é Ele o nosso mantenedor, que é Ele o doador da vida. O dia de sábado é o único dia que recebeu nome específico, único dia que não tem fim, pois é contínuo, embora sofra a interrupção dos demais dias a ele intercalados. Como Satanás não pode apagar esse dia do rol de dias do calendário, introduziu sua contrafação – o Domingo. Muitos não sabem como foi designado o nome ao primeiro dia da semana, e, por sua vez, não sabem a razão desse cognome.
Todos nós sabemos o que significa arrebatamento, obviamente. Mas o que tem a ver o arrebatamento com o sábado. A princípio nada. Trago à baila tal assunto, por uma razão assaz esclarecedora. O arrebatamento do povo de Deus se dará da Terra para o Céu no dia da vinda de Cristo. Ser arrebatado, então, implica de um lugar para outro e em um determinado espaço de tempo. Em Apocalipse 1:10, o apóstolo João foi arrebatado pelo Espírito Santo no dia do Senhor. Indago: que dia era esse? As Escrituras não dizem que ele foi arrebatado PARA o dia do Senhor, todavia NO dia do Senhor. Num certo dia, a que o apóstolo irroga ser do Senhor, ele foi arrebatado pelo Espírito Santo. Tal passagem nos diz claramente que Deus tem um dia como Seu. Será qualquer dia? Não pode ser qualquer dia por que o artigo está no singular e é definido “O” e não indefinido “UM”. Trata-se, portanto, de UM ÚNICO dia da semana. Resta-nos saber que dia é esse? E a que dia da semana Deus tomou para Si? Não foi outro que não o SÁBADO, o sétimo dia. Lembremos que João é o mesmo discípulo amado de Jesus. Ora se Cristo tivesse realmente abolido a lei moral, incluindo o sábado, o apóstolo não seria contumaz em chamar dia do Senhor a um dia já abolido pelo Salvador.
O sábado é o sinal da santificação. Está escrito: “E também lhes dei os meus sábados, PARA QUE SERVISSEM DE SINAL entre Mim e eles; PARA QUE SOUBESSEM que eu sou O SENHOR QUE OS SANTIFICA.” Ezequiel 20:12. A simples fórmula por tantos usada – anos, meses, semanas, jamais destruirá aquilo que foi estabelecido por Deus. Uma simples forma de escrita não jogará por terra algo confirmado pelo sangue do Salvador – a imutabilidade de Sua lei. Sua morte é a maior prova de que a lei não pode ser ab-rogada, como Ele mesmo afirmara. E todo discípulo Seu, provará que O ama, guardando os Seus mandamentos, consoante o que está escrito em João 14:15. Abolir a lei, significa dizer que Deus puniu o pecado impensadamente em Seu Filho, quando poderia tê-la abolido antes da morte de Jesus. A mesma lei que exigiu a morte do Salvador, por ter Ele assumido o nosso lugar, é ainda a mesma lei que exige constantemente a vida de todo pecador. Se aceitarmos a Cristo e, por Seu poder, vivermos uma vida de retidão, de obediência aos dez mandamentos, sendo santificados pelo Espírito Santo, já não há condenação, pois o nosso viver satisfaz aos reclamos da lei.
Não nos iludamos, Irmãos, seremos julgados pelos dez mandamentos. Eles são o parâmetro dos nossos atos, dos nossos pensamentos, das nossas palavras, do nosso viver. Muitos dizem: os mandamentos são dois agora – amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo. Como isso se demonstra? Como mostro que amo a meu Deus acima de tudo? Não permitindo que nada ocupe o primeiro lugar na minha vida (1º mandamento); não fazendo imagens de escultura, nem a elas adorando (2º mandamento); não pronunciando o Seu nome em vão (3º mandamento); santificando o dia que Deus designou como Seu (4º mandamento). Como mostro que amo o meu semelhante como a mim mesmo? Honrando os meus pais (5º mandamento); respeitando a vida do meu próximo (6º mandamento); não induzindo meu próximo à prostituição (7º mandamento); não tomando pra mim o que não me pertence (8º mandamento); quando não falto com a verdade (9º mandamento), não desejando para mim aquilo que pertença ao meu próximo (10º mandamento).
Se admito que a lei foi abolida, terei que admitir também que estou livre para praticar qualquer coisa – adulterar, furtar, desrespeitar pai e mãe, etc., sem ser incomodado por Deus, pois assim como consta na nossa Carta Magna, no Inciso XXXIX do Art. 5º – Não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal, deverá ser aplicado na esfera espiritual. E como posso asseverar isso? “Porque onde não há lei também não há transgressão.” Romanos 4:15. Será que quem escreveu o dispositivo na Constituição Federal era religioso ou recebeu inspiração divina? O fundamento aqui é o mesmo. Como um juiz poderá atribuir uma pena a alguém, se sua prática não está prevista em lugar algum? De igual modo, como Deus punirá os “transgressores”? Com que fundamento haverá lago de fogo? Quem serão os que sofrerão sua pena, se as obras não poderão ser julgadas por não haver lei? Complicado, não?
Agora uma questão importante: Paulo, segundo o Irmão, atesta ter sido abolida, anulada a lei; que estamos numa nova dispensação, onde impera a fé. Será que nos deparamos com uma gritante contradição de Paulo ou estamos interpretando erroneamente a Palavra de Deus? No mesmo livro de Romanos, Paulo afirma categoricamente: “ANULAMOS, pois, a lei PELA FÉ? DE MANEIRA NENHUMA, antes ESTABELECEMOS a lei.” Romanos 3:31. De acordo com o dicionário Aurélio, estabelecer significa firmar, dentre outros sinônimos. Ora, se Paulo está confirmando que a fé FIRMA ou CONSOLIDA a lei, como, então, eu iria contradizer sua assertiva com um raciocínio ilógico, uma interpretação vaga, provinda de uma sequência de termos, cuja finalidade se restringe a tão-somente uma simples referência. Qual é a lei que a fé consolida? Se não pode ser a cerimonial, resta-nos aceitar que a lei em alusão é constitutiva dos dez mandamentos.
Sei que muitos dos leitores não concordarão com minhas asserções, mas não haverá razão pra isso, se se deixarem convencer pelo Espírito Santo. Na verdade, creio que Deus me concedeu participar deste tema por que alguém certamente lerá tais escritos e se convencerá de que não há outra forma de interpretação. Orai a Deus antes mesmo de refutar, a fim de que Ele possa revelar se escrevi ou não a verdade.
Que Deus nos abençoe a todos!

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