segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

O Sábado - Foi Abolido ou Não?

Décio, eu até compreendo teu esforço para tentar explicar algo que pareça tão patente. Mas não precisamos ir tão longe para entendermos o que já é inteligível por si só, na passagem que tantos acham polêmica - Colossenses 2:16. Falaste sobre os dias de festas, mas esqueceste, meu amado Irmão, de que, embora as festas fixas tivessem seus nomes próprios e diferentes uns dos outros, algo lhes era comum: os sábados. Não há uma sequência lógica, como se quer apresentar, pois qual seria a finalidade – teológica? Nenhuma. Até porque se, de fato, fosse uma sequência lógica, não seria ano, mês e semana, porém ano, mês e dia, como fazemos com o nosso calendário. Trata-se de uma simples referência, meu caro Irmão, nada mais. A propósito: quando Cristo, abordado pelo jovem príncipe sobre o que fazer para herdar a salvação, recitou os mandamentos referentes ao próximo, Ele poderia tê-los mencionados numa sequência lógica, a saber, o quinto, o sexto, o sétimo e o oitavo. Em vez disso, vemos que Ele não se importou em narrá-los numa ordem aleatória. Primeiro Ele fez referência ao sexto, depois ao sétimo, em seguida o oitavo e aí Ele salta para o quinto, e resume todos no grande princípio – amarás o teu próximo como a ti mesmo.
Os autores sagrados citados por ti fizeram diferença entre os dias normais da festa e os dias consagrados, assim nominados de sábado. Todos eles, inclusive Paulo, citaram como em sequência – anual e mensal, todas as festas, e por último os sábados. Que sábados seriam esses? Não poderiam ser os semanais, pois fugiria da sequência lógica, se é que isso é tão importante assim. Tais sábados eram todos os que foram agregados a cada festa, tanto as anuais como as mensais. Muito embora tais dias sagrados já estivessem na contagem dos dias das festas epigrafadas, eram incomuns, eram separados dos demais pelos fins a eles inerentes. O povo de Deus teria que observar os dias de festa, entretanto, seu comportamento seria diferente naqueles dias estabelecidos como santos. E essa é a razão simples de reportar-se separadamente aos sábados dos demais dias de suas respectivas festas. Paulo, como os demais autores, evitou a repetição do vocábulo comum a todas as festas, senão ele teria que dizer "ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festas, ou da lua nova, ou pelo sábado da festa dos pães ázimos, ou pelo sábado da festa das primícias, ou pelo sábado da festa do Pentecoste", e assim por diante.
Se há uma necessária sequência lógica, devemos admitir que Paulo citou o comer antes do beber, por alguma razão lógica. Não há fundamento para a sequência lógica. E como posso asserir isso? O verso dezessete nos auxilia nessa questão. Antes, contudo, há mister de explanarmos o que significa a palavra sombra. Quando a luz incide sobre um objeto, projetando a sua sombra, podemos inferir facilmente que temos diante de nós o virtual e o real. O símbolo e o tipo. Jamais diremos que a sombra é o tipo, ou que o tipo é o símbolo. Assim, quando vemos o símbolo ou a sombra, vem a nossa mente a imagem do real, do tipo. Por se tratar de símbolos, as cerimônias apontavam para o seu tipo – um evento futuro. A páscoa apontava para o Cordeiro imolado para libertar o povo da escravidão do pecado, etc.. Como todas as cerimônias tinham o seu início com a páscoa, e daí as demais decorriam, assim a morte de Cristo daria início aos demais eventos, representados pelas demais festas. Sendo morto o Cordeiro pascal, as cerimônias perderiam o seu valor, pois a cadeia de eventos se seguiria ordenadamente – as primícias, o Pentecoste, as trombetas, o dia da expiação e os Tabernáculos.
Todas as sombras dariam o seu lugar para os seus tipos. Como todos sabem, a palavra sábado não significa sétimo dia, mas dia de repouso, e como sua separação foi para um fim santo, afirmamos, então, que o vocábulo sábado significa um dia santo. Quando Deus acabara a criação, Ele estabeleceu o sétimo dia como dia santo, pois nele o Criador descansou, o abençoou e o santificou. Como o sétimo dia foi configurado por Deus como dia santo, o sétimo dia é santo. E isso é irrevogável. Ele não é sombra, pois não existe um evento futuro que lhe seja o tipo. Ele não é cerimonial. Ele não foi inserido na lei escrita por Moisés e posta ao lado da arca, ele está contido na lei moral, a única que foi escrita pelo próprio Deus e posta dentro da arca. O sábado é o antídoto da evolução, pois sempre nos faz lembrar que o nosso Deus é o Criador do universo, que é Ele o nosso mantenedor, que é Ele o doador da vida. O dia de sábado é o único dia que recebeu nome específico, único dia que não tem fim, pois é contínuo, embora sofra a interrupção dos demais dias a ele intercalados. Como Satanás não pode apagar esse dia do rol de dias do calendário, introduziu sua contrafação – o Domingo. Muitos não sabem como foi designado o nome ao primeiro dia da semana, e, por sua vez, não sabem a razão desse cognome.
Todos nós sabemos o que significa arrebatamento, obviamente. Mas o que tem a ver o arrebatamento com o sábado. A princípio nada. Trago à baila tal assunto, por uma razão assaz esclarecedora. O arrebatamento do povo de Deus se dará da Terra para o Céu no dia da vinda de Cristo. Ser arrebatado, então, implica de um lugar para outro e em um determinado espaço de tempo. Em Apocalipse 1:10, o apóstolo João foi arrebatado pelo Espírito Santo no dia do Senhor. Indago: que dia era esse? As Escrituras não dizem que ele foi arrebatado PARA o dia do Senhor, todavia NO dia do Senhor. Num certo dia, a que o apóstolo irroga ser do Senhor, ele foi arrebatado pelo Espírito Santo. Tal passagem nos diz claramente que Deus tem um dia como Seu. Será qualquer dia? Não pode ser qualquer dia por que o artigo está no singular e é definido “O” e não indefinido “UM”. Trata-se, portanto, de UM ÚNICO dia da semana. Resta-nos saber que dia é esse? E a que dia da semana Deus tomou para Si? Não foi outro que não o SÁBADO, o sétimo dia. Lembremos que João é o mesmo discípulo amado de Jesus. Ora se Cristo tivesse realmente abolido a lei moral, incluindo o sábado, o apóstolo não seria contumaz em chamar dia do Senhor a um dia já abolido pelo Salvador.
O sábado é o sinal da santificação. Está escrito: “E também lhes dei os meus sábados, PARA QUE SERVISSEM DE SINAL entre Mim e eles; PARA QUE SOUBESSEM que eu sou O SENHOR QUE OS SANTIFICA.” Ezequiel 20:12. A simples fórmula por tantos usada – anos, meses, semanas, jamais destruirá aquilo que foi estabelecido por Deus. Uma simples forma de escrita não jogará por terra algo confirmado pelo sangue do Salvador – a imutabilidade de Sua lei. Sua morte é a maior prova de que a lei não pode ser ab-rogada, como Ele mesmo afirmara. E todo discípulo Seu, provará que O ama, guardando os Seus mandamentos, consoante o que está escrito em João 14:15. Abolir a lei, significa dizer que Deus puniu o pecado impensadamente em Seu Filho, quando poderia tê-la abolido antes da morte de Jesus. A mesma lei que exigiu a morte do Salvador, por ter Ele assumido o nosso lugar, é ainda a mesma lei que exige constantemente a vida de todo pecador. Se aceitarmos a Cristo e, por Seu poder, vivermos uma vida de retidão, de obediência aos dez mandamentos, sendo santificados pelo Espírito Santo, já não há condenação, pois o nosso viver satisfaz aos reclamos da lei.
Não nos iludamos, Irmãos, seremos julgados pelos dez mandamentos. Eles são o parâmetro dos nossos atos, dos nossos pensamentos, das nossas palavras, do nosso viver. Muitos dizem: os mandamentos são dois agora – amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo. Como isso se demonstra? Como mostro que amo a meu Deus acima de tudo? Não permitindo que nada ocupe o primeiro lugar na minha vida (1º mandamento); não fazendo imagens de escultura, nem a elas adorando (2º mandamento); não pronunciando o Seu nome em vão (3º mandamento); santificando o dia que Deus designou como Seu (4º mandamento). Como mostro que amo o meu semelhante como a mim mesmo? Honrando os meus pais (5º mandamento); respeitando a vida do meu próximo (6º mandamento); não induzindo meu próximo à prostituição (7º mandamento); não tomando pra mim o que não me pertence (8º mandamento); quando não falto com a verdade (9º mandamento), não desejando para mim aquilo que pertença ao meu próximo (10º mandamento).
Se admito que a lei foi abolida, terei que admitir também que estou livre para praticar qualquer coisa – adulterar, furtar, desrespeitar pai e mãe, etc., sem ser incomodado por Deus, pois assim como consta na nossa Carta Magna, no Inciso XXXIX do Art. 5º – Não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal, deverá ser aplicado na esfera espiritual. E como posso asseverar isso? “Porque onde não há lei também não há transgressão.” Romanos 4:15. Será que quem escreveu o dispositivo na Constituição Federal era religioso ou recebeu inspiração divina? O fundamento aqui é o mesmo. Como um juiz poderá atribuir uma pena a alguém, se sua prática não está prevista em lugar algum? De igual modo, como Deus punirá os “transgressores”? Com que fundamento haverá lago de fogo? Quem serão os que sofrerão sua pena, se as obras não poderão ser julgadas por não haver lei? Complicado, não?
Agora uma questão importante: Paulo, segundo o Irmão, atesta ter sido abolida, anulada a lei; que estamos numa nova dispensação, onde impera a fé. Será que nos deparamos com uma gritante contradição de Paulo ou estamos interpretando erroneamente a Palavra de Deus? No mesmo livro de Romanos, Paulo afirma categoricamente: “ANULAMOS, pois, a lei PELA FÉ? DE MANEIRA NENHUMA, antes ESTABELECEMOS a lei.” Romanos 3:31. De acordo com o dicionário Aurélio, estabelecer significa firmar, dentre outros sinônimos. Ora, se Paulo está confirmando que a fé FIRMA ou CONSOLIDA a lei, como, então, eu iria contradizer sua assertiva com um raciocínio ilógico, uma interpretação vaga, provinda de uma sequência de termos, cuja finalidade se restringe a tão-somente uma simples referência. Qual é a lei que a fé consolida? Se não pode ser a cerimonial, resta-nos aceitar que a lei em alusão é constitutiva dos dez mandamentos.
Sei que muitos dos leitores não concordarão com minhas asserções, mas não haverá razão pra isso, se se deixarem convencer pelo Espírito Santo. Na verdade, creio que Deus me concedeu participar deste tema por que alguém certamente lerá tais escritos e se convencerá de que não há outra forma de interpretação. Orai a Deus antes mesmo de refutar, a fim de que Ele possa revelar se escrevi ou não a verdade.
Que Deus nos abençoe a todos!

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sábado, 26 de fevereiro de 2011

Concupiscências Mundanas - O Que São?

O que significam as palavras de São Paulo: "Ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos neste presente século sóbria, e justa, e piamente"? Tito 2:12.

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sábado, 19 de fevereiro de 2011

O QUE CONTAMINA O HOMEM?

O que contamina o homem não é o que entra na boca, mas o que sai da boca, isso é o que contamina o homem.” Mateus 15:11.

Nobre Amigo Alberto, se nos debruçarmos sobre os textos que registram o diálogo existente entre Cristo e os fariseus e escribas, no capítulo 15 de Mateus, vamos perceber de relance que os inimigos do Senhor estavam preocupados com a higiene dos discípulos como se tivessem achado algo de errado no ministério do Salvador. Cristo não iria desperdiçar Seu tempo para falar de algo que não era necessário à alma daqueles fariseus e escribas. Assim como tratou com Nicodemos, fez com seus inquiridores. Ele foi direto ao ponto. Interessava-Lhe o anúncio do Reino dos Céus, pois o hábito de lavar as mãos seria uma mudança natural, empós o coração, corrompido pelo pecado, fosse transformado pelo Espírito Santo.
Jesus não se referia à contaminação do corpo, mas à da alma. Entretanto, Suas palavras não foram pronunciadas para que nos deleitemos em saborear comida imprópria ao nosso organismo. Sim, Deus é poderoso para purificar qualquer alimento impuro, mas com que propósito Ele faria isso? Tão somente por demonstração? Ou para agradar o nosso paladar? Se há mais abundância de alimentos edules e saudáveis, por que eu lançaria mão da liberdade e regozijo que Ele me dá, a fim de banquetear-me com algo, cuja nocividade já me foi tão claramente revelada e cientificamente comprovada. Que ganho terei?
Recentemente a medicina descobriu que não é o açúcar o responsável pelo diabetes adquirido. Durante muito tempo se acreditava que era o açúcar que abarrotava o sangue, a ponto de o pâncreas não mais suportar e ser necessária a complementação de insulina com o fito de equilibrar a glicose na corrente sanguínea. Por tempo assaz elástico o açúcar esteve sentado no banco dos réus, inocentemente.
Dr. Sang Lee, coreano, em suas pesquisas, descobriu que o nível de glicose era alterado na corrente não por conta do açúcar, todavia por outra substância: a gordura animal. Incrível, não? A gordura animal, segundo suas pesquisas, fazia com que as células conhecidas como campainhas, deixassem de funcionar, figuradamente, enferrujassem. Elas receberam essa alcunha por que são elas que avisam, alertam o cérebro da presença de açúcar no sangue. O cérebro, por sua vez, emite uma ordem ao pâncreas para que produza insulina na quantidade informada pelas campainhas. Não havendo essa comunicação, o nível de glicose sobe, e ao atingir um determinado percentual sem a intervenção do pâncreas, o sangue se torna espesso, aumentando a pressão arterial, além de outros males decorrentes. O reverso desse processo, ou seja, a supressão da gordura animal da dieta contribui paulatinamente para o reinício dos trabalhos das células campainhas, promovendo naturalmente o retorno do nível de glicose, uma vez que o pâncreas passa a ser acionado continuamente pelo cérebro, e, por conseqüência, a regularidade da pressão arterial.
O Dr. Sang Lee não fez nenhuma descoberta extraordinária. Há algum tempo ele tem sido um assíduo estudante das Sagradas Letras. Mas qual o nexo? Está escrito: “Estatuto perpétuo é pelas vossas gerações, em todas as vossas habitações: nenhuma gordura nem sangue algum comereis”. Levítico 3:17.
Essa não é uma recomendação cerimonial; seu sentido está amplamente voltado para a saúde e o bem-estar físico do ser humano. Tal passagem jaz na mesma atmosfera de I Coríntios 10:31: “Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus.” Indago: alimentando-me de modo ilícito, em pleno desacordo com as diversas recomendações do Senhor, como estarei honrando o Seu nome, quando não zelo pelo meu corpo que Lhe pertence? Faríamos bem em por Deus à prova quanto às reações do nosso organismo quando ingerimos algo que não está inserido no cardápio por Ele estabelecido em Levítico 11. Consideramos já ultrapassado, dizemos que isso foi para o antigo povo de Israel, mas cientificamente não conhecemos nada sobre os alimentos imundos. E quer aceitemos ou não, nenhuma oração por mais poderosa que seja, alterará Seus decretos, sem que haja um propósito definido por Ele, nunca por nós. Suas leis não são como barracas de mercado, onde escolhemos o que melhor nos agrada. “Obedecer é melhor do que o sacrificar.” I Samuel 15:22.
A carne de porco, por exemplo, não tem nada que oferecer ao corpo humano, senão doenças cardiovasculares, falando grosso modo, sem levar em conta o estrago que causa à corrente sanguínea e, por ela, aos vários órgãos do nosso corpo. A carne, máxime a vermelha, e tudo que ingerirmos, mesmo na inocência de acharmos que nada de mais estamos a fazer, redundará em acertos de contas com Aquele que nos fez. Sim, por que tudo que comemos resultará em um sangue de boa ou má qualidade. E é esse sangue que alimentará as células cerebrais. Se tais células receberem um sangue impuro, nossas faculdades mentais serão afetadas. E é justo isso que Deus pretende evitar, por que Ele sabe que se o nosso intelecto não estiver em condições de assimilar Suas verdades, consoante reveladas pelo Santo Espírito, correremos sérios riscos de interpretarmos de acordo com a nossa mente entorpecida, tornando-nos presas fáceis do arqui-inimigo. Na verdade, o alimento cárneo foi uma concessão condicional. Deus permitiu a Noé e aos seus alimentarem-se com carne animal pelo fato de ainda a vegetação não estar em condições de lhes atender às necessidades. “Não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?” Se não somos de nós mesmos, o que deveríamos fazer com o que não é nosso? No mínimo, perguntar a Quem nos pertence o que devemos fazer, pormenorizadamente. Não faríamos mal em argüir a Deus sobre a importância e validade de Levítico 11, antes de refutarmos.
Não temos que criar hipóteses quando Deus nos propõe o que é real. Enquanto os adversários do Mestre tentavam roubar Seu tempo com as conseqüências, Ele se voltava para a causa. O vestir, o ouvir, o falar, o comer, a cortesia, o bom trato, enfim, tudo em que há virtude é uma conseqüência, não uma causa. Foi por essa razão que Cristo desviou o diálogo para o que era mais importante. “Fariseu cego! limpa primeiro o interior do copo e do prato, para que também o exterior fique limpo.” Mateus 23:26. Estando o interior limpo, o exterior se purificará naturalmente, assim como o fermento age na massa. Quando o evangelho de Cristo atinge a alma, esta, passo a passo, reflete a vida do Salvador em todos os âmbitos. Nossos hábitos são polidos, nosso paladar purificado, nossos pensamentos enobrecidos, nosso vestir dignificado, nosso falar irrepreensível.
Não podemos dar frutos bons e maus, não podemos ser enquadrados em Gálatas 5:19 a 21 e em Gálatas 5:22, simultaneamente. Ou nossa inclinação é uma honra para Deus ou para Sua desonra. Ou somos Seus filhos ou somos escravos de Satanás. E a linha que separa as duas famílias é muito tênue, a qual nós só podemos discernir com os olhos lavados pelo Espírito Santo, estando a nossa mente incólume de qualquer entorpecente.
Que Deus nos abençoe ricamente!

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QUAL A IMPORTÂNCIA DA LEI?

Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz.” Colossenses 2:14.

Antes de respondermos à pergunta temática, precisamos esclarecer algo importante: que lei foi cravada na cruz e por que azo? Qual a essência da pregação de Paulo? Precisamos sair de Colossenses e viajarmos para o Gênesis. No capítulo 12 vemos discorrer um diálogo entre o Criador e Abraão. Como vemos, a promessa divina, dita ao pai da fé, estende-se a TODAS as famílias da Terra. A luz do evangelho deveria chegar a todos os confins do planeta, alcançar a todas as nações pagãs, e o depositário desse dom, o mordomo das boas-novas, era o próprio povo de Deus. Através dele a salvação deveria chegar ao conhecimento de todas as raças, sem distinção. Contudo, embora isso tivesse sido delineado inteligivelmente por Deus, o Seu povo não cumpriu a missão que lhe fora designada, e o declínio espiritual foi a conseqüência natural. Os profetas eram os instrumentos usados pelo Céu na tentativa de resgatar a fé de Israel, entretanto, tais enviados eram maltratados, desdenhados e mesmo mortos. À medida que se distanciavam de Deus sua concepção de Sua vontade era obliterada e, conseguintemente, mergulhavam mais e mais nas trevas, já não discerniam corretamente as profecias, eram presas fáceis de Satanás. Se o povo de Deus estava envolto em trevas, como chegaria a luz aos povos circunvizinhos?
Quando Cristo veio ao mundo, teve muito trabalho para levar os Seus discípulos a desaprenderem o que haviam assimilado ao longo dos anos pela errônea doutrina dos judeus. Para eles os gentios não eram dignos de receberem nenhuma dádiva do Céu, estavam totalmente perdidos, alienados do favor divino. E isso precisava ser mudado na mente dos Seus seguidores. Certa vez, então, uma mulher cuja filha estava possuída pelo demônio, recorreu a Cristo em busca da cura de sua filha. As Escrituras nos dizem que ela clamava, enquanto seguia a Cristo, e Ele parecia não se importar. E os discípulos incomodados sugeriram ao Mestre despedi-la porque ela vinha gritando atrás deles. Jesus, então, decide atender à mulher e em resposta a sua petição, Ele lhe responde de maneira aparentemente áspera e com um certo tom de menoscabo. “Cachorrinhos” foi o termo usado por Ele para cognominar àquela mulher aflita. Por que Cristo agiu dessa forma tão hostil? Na verdade, o Salvador estava a dar uma lição para os Seus discípulos enquanto provava a fé daquela mulher. Tratando-a assim, Ele não estaria agindo de comum e esperado pelos discípulos? Não foi assim que aprenderam a lidar com os estrangeiros à promessa? Cristo, entrementes, não despediu àquela mulher que havia buscado a Sua ajuda, e de modo adverso ao esperado pelos discípulos, atendeu a oração daquele ser sofredor, derramando as bênçãos dos Céus sobre o seu lar entristecido pelo infortúnio que vivenciava. Tal episódio deveria ter sido o suficiente para os discípulos entenderem que todos, sem exceção, faziam parte do plano de Deus.
Anos mais tarde, está Pedro hospedado na casa de Simão, e sentiu fome. No interlúdio em que aprontavam sua refeição, ele teve uma visão, a qual se repetiu por três vezes. Ele viu um lençol coberto de animais e ouviu uma voz que lhe dizia para matar e comer. Por três vezes ele retrucou dizendo que nunca comeu coisa alguma comum ou imunda. A voz, no entanto, por três vezes, advertiu a Pedro: “Não faças tu comum ou imundo ao que Deus purificou.” Atos 10:15.
Alguns de nós temos crido que o episódio aqui tem a ver com o alimento, e erroneamente interpretam a Palavra de Deus. Se lessem todo o capítulo, concluiriam que o mote em alusão refere-se aos gentios, povos tidos pelos judeus como indignos de pertencerem à aliança judaica. Nos primeiros versículos do capítulo 10 de Atos, o Livro Sagrado nos revela que havia um homem pagão, chamado de Cornélio, que era temente a Deus, e em sua experiência religiosa, teve um contato com um anjo que lhe afirmara terem sido suas orações ouvidas por Deus e que ele deveria procurar por Pedro, indicando-lhe onde encontrar o apóstolo.
Aquela visão antecedeu a chegada dos servos de Cornélio à pousada onde Pedro se encontrava. O Espírito Santo revelou ao apóstolo que ele deveria acompanhar àqueles homens. Chegando Pedro à casa de Cornélio, recordou aos presentes que não era lícito ele, judeu, juntar-se ou chegar-se a estrangeiros, tidos por gentios pelos judeus. Pedro, em seguida, pergunta-lhe o que desejam. Daí Cornélio narra-lhe de tudo que acontecera e o diálogo que tivera com o anjo. Atônito, Pedro exclama: “Reconheço por verdade que Deus não faz acepção de pessoas; mas que Lhe é agradável aquele que, em qualquer nação, o teme e faz o que é justo.” Pedro começa, assim, a sua pregação e mal a conclui, o Espírito Santo caiu sobre os presentes, deixando-o maravilhado juntamente com os que o acompanharam. As Escrituras nos dizem: “Maravilharam-se de que o dom do Espírito Santo se derramasse sobre os gentios.” Atos 10:45. Estava, de fato, a visão de Pedro, o lençol com diversos animais, relacionada com animais, literalmente? Ele mesmo responde: “E disse-lhes: vós bem sabeis que não é lícito a um homem judeu ajuntar-se ou chegar-se a estrangeiros; mas Deus mostrou-me que a nenhum homem chame comum ou imundo.” Atos 10:28. Pedro aprendeu a lição.
Voltemos para Colossenses. Paulo está a pregar para uma platéia de pessoas que eram tidas como indignas pelos judeus de participarem do concerto divino – os gentios. Paulo fora designado por Deus para transmitir as mensagens de salvação aos que estavam por natureza fora do concerto. Ele, agora convertido, sabia que o sacrifício de Cristo no calvário invalidava todos os rituais religiosos israelitas, tais como a páscoa, a festa dos tabernáculos, dentre outras. Ele sabia que essas cerimônias devidamente escritas por Moisés, por ordem divina, não mais teriam valor, pois elas todas apontavam para o Cordeiro que já havia sido oferecido em prol da raça pecadora. Todos os ritos simbólicos haviam chegado ao seu fim. Ao morrer o Salvador, o véu do templo, como que manifestação de Deus quanto à inutilidade dos serviços do templo, foi rasgado de alto a baixo por mãos invisíveis. Era a irrefutável prova de que a lei cerimonial teria alcançado o seu propósito: encaminhar as mentes dos adoradores ao verdadeiro Cordeiro.
Por que as Escrituras asseveram que “a cédula era contra nós” e que “de alguma maneira nos era contrária”? Contra nós quem? Contrária de que forma? Lembremos que as conseqüências do declínio espiritual do povo de Deus, resultaram na ferrenha discriminação e odioso pré-conceito para com os povos pagãos. Estes não eram circuncidados, não participavam das festas anuais, “estavam sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo.” Efésios 2:12. Agora, tendo sido esclarecido o propósito de Deus quanto ao múnus dado a Israel – propalar a mensagem de salvação a todas as nações – Paulo anuncia o que há muito deveria ter sido feito pela nação judaica: os gentios também eram dignos de participarem da aliança eterna. A cédula contendo as ordenanças rituais do culto ao Deus Todo-Poderoso, por interpretação egoísta dos judeus, privava os gentios. Vindo Cristo e morrendo na cruz do Calvário, tais cédulas foram banidas, extintas, e a luz chegou, ainda que tardia, a um povo que vivia nas trevas, iluminando-lhes o entendimento e lhes concedendo alento espiritual. Daí Paulo asserir veementemente que “Ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a parede de separação que estava no meio, na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz, e pela cruz reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades.” Efésios 2:14 a 16. A morte do Salvador possibilitou o enxerto dos gentios na Videira, promovendo-lhes o usufruto das bênçãos do reino, assim como os próprios ramos naturais.
O versículo acima nos diz claramente que a inimizade, ou seja, o que mantinha os gentios fora da comunidade de Israel, estava associada à lei cerimonial, por isso as Escrituras enfatizarem “a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças”. A lei moral, que está intrinsecamente ligada ao caráter de Deus, continua em vigor. E como podemos aceitar isso? Quando, empós o discurso de Pedro no Pentecostes, a multidão perguntou aos apóstolos o que devia fazer, Pedro respondeu: “ARREPENDEI-VOS”. Diante dos atenienses, Paulo adverte solenemente: “Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, e em todo o lugar, que se ARREPENDAM.” Atos 17:30.
O apóstolo Paulo já estava a desfrutar da nova aliança, e como ele admoesta aos seus ouvintes a se arrependerem de seus pecados? Se a lei moral também foi abolida, resta dizer que não há mais transgressão; e se não há transgressão, não há necessidade para nos arrependermos de coisa alguma, pois o pecado é a transgressão da lei. Será que não percebemos que a existência do monte Calvário está diretamente conectada ao Monte Sinai, e vice-versa. Abolindo Deus a Sua santa lei, necessariamente perde-se o brilho do Calvário. A cruz é a prova de que a lei de Deus não pode de maneira nenhuma ser ab-rogada, pois ela exige a morte do transgressor. Se Deus tivesse que abolir a lei, por que não o fez antes da morte de Cristo? Assim não teria sacrificado o Seu Filho. O fato de ter Cristo morrido por nós, não resolve tudo. Se assim fosse tudo acabaria ali, mas o Livro Sagrado nos mostra que a guerra cósmica ainda não acabou; ele nos revela que homens e mulheres terão que demonstrar durante sua existência, de que lado desejam permanecer até que tudo se cumpra. E isso nós o fazemos com uma vida de obediência ou desobediência. Paulo nos diz que Deus “recompensará cada um segundo as suas obras; a saber: A vida eterna aos que, com perseverança em fazer bem, procuram glória, honra e incorrupção; mas a indignação e a ira aos que são contenciosos, DESOBEDIENTES À VERDADE e OBEDIENTES À INIQUIDADE.” Romanos 2:6 a 8.
Não se vislumbra aí inércia, como alguns julgam ser a fé. Somos salvos pela fé, porém a prática de uma vida de obediência à lei de Deus é o fruto dessa fé. Será que não existe nenhuma afinidade entre os frutos do Espírito Santo em Gálatas 5:22 e os dez mandamentos? Reflitamos. Começa por amor; amor é a base da lei, lembra? “O cumprimento da lei é o amor.” Romanos 13:10. Bem, se eu amar ao meu Deus de todo o meu coração, de toda a minha alma, e de todo o meu pensamento, o que advirá por conseqüência? Sentirei gozo e alegria em minha vida; naturalmente praticarei a bondade provinda da benignidade que habita o meu interior; minha fé será como um grão de mostarda, sempre crescente e firme; serei como Cristo, manso; terei domínio próprio sobre todas as minhas emoções e desejos.
Sim, as palavras de Cristo são irrefutáveis: “Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim ab-rogar, MAS CUMPRIR.” Mateus 5:17. E ao aludir à falsa doutrina dos fariseus, Ele preveniu: “Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos, POR MENOR QUE SEJA, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os CUMPRIR E ENSINAR será chamado grande no reino dos céus.” Mateus 5:19. E completa: “Porque vos digo que, se a vossa justiça NÃO EXCEDER A DOS ESCRIBAS E FARISEUS, DE MODO NENHUM ENTRAREIS NO REINO DOS CÉUS.” Mateus 5:20. Todos os seguidores de Cristo devem cumprir como Ele cumpriu em Sua vida os mandamentos de Deus, os dez mandamentos. Por tal razão, o apóstolo João em sua primeira carta nos recomenda: “Aquele que diz que está nele, também DEVE ANDAR COMO ELE ANDOU.” I João 2:6.

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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

AO INSIGNE FREI FERNANDO

Meu Nobre Frei, bom dia!
Por que afirmo que a lei é o parâmetro para os nossos passos? Nossos atos serão julgados pela lei de Deus. Se a lei não fosse tão importante, não seria necessário Cristo vir ao mundo. Sua morte na cruz do Calvário é a maior prova de que a lei de Deus é imutável. Ela exige a morte do pecador, e Cristo assumiu a nossa culpa, Se fez pecador, para que, saldando a dívida com a Sua própria vida, pudéssemos ser salvos. Muitos de nós pensamos que tendo morrido Cristo, a lei já não tem mais lugar, foi extinta. Mas como ela poderia ser extinta? Devemos refletir o seguinte: se a lei pudesse ser abolida, vilipendiada, Deus a teria abolido antes da morte de Seu Filho, e não depois. É como se aplicássemos um castigo em alguém, por desobedecer ao código, e depois de aplicado, abolíssemos o código que promoveu o castigo. Então para que o castigo, uma vez que eu posso abolir o código? Não tem sentido.
Sendo assim, em que se baseia a fé? Onde ela entra nesse contexto? A fé é a parte do homem na salvação. Tudo o que o homem tem que fazer para ser salvo é ter fé em Jesus. Somos salvos pela graça de Deus, mediante a fé. Mas a fé sem as obras é morta. Porém, que obras são essas? Alguns acham que sejam obras de caridade, tão-somente. Em Gálatas 5:22 contém as obras da verdadeira conversão. A lista dos frutos do Espírito Santo na vida de quem é salvo em Cristo, começa com o AMOR. Por que o amor? A razão é encontrada em Romanos 13:10: “O cumprimento da lei é o amor.” Paulo assevera, em Romanos 3:31, que a fé estabelece a lei, não a anula. Se combinarmos esses dois versículos concluiremos que a obediência provém da fé. Noutro falar: pela fé recebemos o que não temos: poder para obedecer à lei de Deus.
Quando afirmei que a lei é o próprio Deus, não estava equivocado, pois todas as regras que estabelecemos, seja em nossa casa, seja em nosso escritório, ela traduz o que somos em nosso íntimo. Reflita sobre isso! Eu chego em sua casa e não estás. Sou recebido por teu irmão. Se eu lhe perguntar: “Como é o Frei Fernando – do que ele gosta e não gosta?” Certamente ele me dirá: “Olha, Fernando, não gosta quando põem os pés no centro; detesta quando se sentam no braço do sofá; gosta quando as pessoas demonstram cortesia.” Consideremos que isso seja verdade e que constitua a completude do teu ser, pois é certo que possas ter outros gostos além desses. Se teu irmão colocar isso numa folha de papel, eu terei a descrição do Frei Fernando, não concordas? Posso dizer que te conheço, sem ter visto tua pessoa. Posso até assegurar que sei como te agradar, sem que te desapontes comigo, já que tenho a lista daquilo que gostas e detestas.
Ora, o que eu tenho em minhas mãos são, nada mais nada menos, do que a transcrição do teu caráter. Tenho de forma escrita aquilo que não posso ver: o teu interior. Sei muito bem o que pode te entristecer ou irritar, como também sei o que te trará regozijo, satisfação. Assim é a lei de Deus. Quando lemos: “Não matarás” é por que Ele não se agrada da morte; “Honra a teu pai e a tua mãe” é por que Ele quer que respeitemos nossos pais e, por extensão, os mais velhos e as autoridades. E assim por diante. Quando olho para a lei, vejo o caráter de Deus em forma escrita; ela é a transcrição do Seu caráter. Não podemos olvidá-la, sem que O olvidemos; não podemos desprezá-la, sem que O desprezemos. Precisamos contemplá-la, pois por ela seremos julgados. Noutras palavras: seremos julgados pela porção que recebemos do Seu caráter, ao longo da jornada cristã. Disse São Paulo: “Por que os que ouvem a lei não são justos diante de Deus, mas os que PRATICAM a lei hão de ser justificados.” Romanos 2:13.
Em Apocalipse está escrito sobre o remanescente de Deus: “Bem-aventurados aqueles que guardam os seus mandamentos, para que tenham direito à árvore da vida, e possam entrar na cidade pelas portas.” Apocalipse 22:14. Vemos, portanto, que é exigido algo prático dos que pretendem se salvar – a obediência. A fé e a obediência andam juntas necessariamente, nunca separadas. Se tivermos fé, obedeceremos ao Pai.
É por esse azo que reitero: o Calvário não existe sem o Sinai, nem o Sinai sem o Calvário. Os dois se complementam. A lei é o próprio Deus.
Que Deus nos abençoe!

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