sábado, 11 de dezembro de 2010

VIVER COMO CRISTO VIVEU!

Teremos que esperar até que Cristo venha, a fim de termos nosso caráter transformado? Teremos que esperar até que, na Sua vinda, possamos receber o poder de ter uma vida santa como requer a Sua santa lei? Se assim pensarmos, vivemos em perigo; perigo de perdermos nossa salvação, crendo que estamos salvos, pois quando Ele vier só os que foram santificados por Sua santa Palavra subirão aos céus, glorificados.
Precisamos entender que a salvação ocorre em três tempos na vida do cristão: 1. Na sua conversão ele é salvo da culpa do pecado; 2. Na sua nova experiência ele é salvo do domínio do pecado; aqui ele desenvolve, com o poder do Espírito Santo, um caráter santo, e; 3. Na vinda do Salvador, ele será salvo da maldição do pecado; será glorificado e preparado para habitar na presença do Criador em toda a Sua glória.
Mas parece que estamos mais propensos a crer que é mais fácil para Deus ressuscitar mortos do que habilitar o homem a viver uma vida tão santa quanta a que o Salvador demonstrou em Sua primeira vinda. Estamos sempre afirmando que o Mestre era de certa forma diferente de nós, ou seja, que Ele tinha determinada vantagem sobre nós. Entretanto, não percebemos que qualquer vantagem que Cristo tivesse sobre nós, tal fator seria suficiente para desqualificá-Lo como Salvador do homem, e o próprio Satanás alegaria isso em seu favor. Afirmar tal coisa é apresentar desculpas perante o Criador de uma experiência religiosa deficiente.
Mas em que a maioria dos professos cristãos fundamenta sua incredulidade de que não temos condições de viver uma vida santa, tal como é requerida pela santa Lei da Liberdade? Onde crêem que as Escrituras sustentam que só poderemos viver uma experiência constante e vitoriosa, sem o cai-levanta, apenas depois da segunda vinda do Salvador? Dentre tantas passagens, I João 1:8 e 10 são as mais citadas. Assim rezam tais passagens:

Verso 8: Se dissermos que não temos pecado, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós.

Verso 10: Se dissermos que não temos pecado, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós.

De relance parece haver repetição nessas passagens bíblicas, assim como ocorre em Provérbios 26:4 e 26:5. Lede. Qual o risco de tomarmos uma única passagem que seja, sem compararmos com outros textos, muitas vezes predecessores, consecutivos ou ambos os casos? A que atribuímos o surgimento de tantas religiões? Não é mormente a essa prática de se estabelecer comumente como verdade a uma passagem isolada? Que tal se comparássemos o que o apóstolo Paulo disse ao carcereiro “crê, e serás salvo, tu e a tua casa” com o que diz São Tiago “até os demônios crêem, e tremem”! Será o Diabo salvo por que crê? Carecemos entender as Escrituras como elas mesmas se discernem, pelo poder do Espírito Santo, quando por Ele clamamos no desiderato de cumprirmos a vontade de Deus. Um pouco aqui, um pouco ali, assim ensinam as Escrituras Sagradas.
O que, então, o apóstolo João nos quer revelar nas passagens bíblicas acima citadas? Não é o que evidentemente está escrito? Sim, se não compararmos às passagens que a elas antecedem e sucedem, pois a chave está nos versículos antecessores, especificamente. Devemos ter em mente que, sendo as Sagradas Letras cabalmente inspiradas pelo Espírito Santo, não é concebível haver entre elas antagonismo. Tem que haver comunhão de Gênesis ao Apocalipse.
Analisemos, a princípio, o que João quis asserir quando disse “Filhinhos, estas coisas vos escrevo para que não pequeis”. Parece conflitar com o que cremos, não é verdade? Pois fomos ensinados que não há condições de um homem, mesmo renovado, usufruir de uma vida sem pecado, até mesmo em pensamento. “Isso é impossível!”, afirmam alguns. Entretanto, quando a mulher adúltera estava a sós com o Salvador, ouviu dos Seus lábios: “Vá e NÃO PEQUES MAIS!” Não pecar mais? A mulher poderia Lhe perguntar: “Mestre, como poderei eu viver sem pecar?” Lembremos que João presenciou o fato, e ouviu tais palavras ditas por Jesus. Ele sabia que isso era possível, se crermos que o poder da Palavra de Deus se manifestará em nós. A medida da nossa fé é o que determina a realização de um milagre.
Para entendermos I João 1:8 é necessário lermos o versículo anterior. No verso 7, João nos apresenta a maravilhosa graça de vivermos na presença do Senhor, de vivermos na luz. Todavia, Ele realça que tal coisa só se torna possível mediante o sangue de Cristo derramado na cruz do Calvário. Mas alguém poderá aventurar em dizer: “Mas a minha vida é correta, tenho um caráter polido. Por que eu necessitaria de um Salvador?” E quantos hoje assim não se expressam! O que diria Paulo a tais pessoas? “Mas a Escritura encerrou TUDO debaixo do pecado, para que a promessa pela fé em Jesus Cristo fosse dada AOS CRENTES”. Gálatas 3:22. E outra vez: “Porque TODOS pecaram e destituídos estão DA GLÓRIA DE DEUS”. Romanos 3:23. E quanto a João, o que ele diria? “Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós.” Eis o sentido das palavras de João, as quais comungam perfeitamente com as ditas por Paulo. Sim, ainda que o viver de um homem seja irrepreensível, sendo nascido de pais humanos, a condenação do pecado ainda pairaria sobre ele. Eis a razão do novo nascimento. O novo ser é gerado pela palavra viva e que é para sempre, mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo. Noutras palavras: nascer de novo é nascer de cima, ser recriado.
Faz-se necessário a todo ser vivente que vem ao mundo provar dessa experiência ou do contrário não entrará no reino de Deus, não gozará a vida eterna. Ele precisa ser RECRIADO. Mas ao ser recriado, o homem continua com sua velha natureza pendente para o pecado? A isso muitos confundem com o poder de escolha. O fato de um recém-nascido espiritual ter o poder de escolher desistir de sua jornada à Canaã celestial, muitos atribuem isso à natureza pecaminosa. Não conseguem entender que é tão natural para um carnal ter inclinação ao pecado quanto é natural para um espiritual, nascido de novo, ter inclinação para as coisas celestiais. O carnal é corrompido pelas concupiscências que há no mundo e por conta disso, caminha para a morte; o espiritual é santificado pela Palavra de Deus, através do Espírito Santo, que lhe concede vida e vida em abundância. Mas não significa que perdeu o seu livre arbítrio. Sua natureza foi transformada. Por ter sido recriado, Paulo o chama apropriadamente de NOVA CRIATURA.
São Paulo diz: “Estai, pois, firmes NA LIBERDADE com que Cristo nos libertou, e näo torneis a colocar-vos debaixo DO JUGO DA SERVIDÃO.” Gálatas 5:1. A que liberdade Paulo está se referindo? Não pode ser outra senão a do pecado, do domínio do pecado. Diletos irmãos, Cristo na cruz nos possibilitou vivermos uma vida santa sem pecado, pois é preciso, antes de Sua vinda, Seu povo estar se habilitando a viver no Céu, aqui mesmo neste mundo corrompido. A santificação começa aqui e não no Céu. Muitos que acreditam que a santificação só terá início quando Jesus voltar, serão confundidos na Sua vinda, serão rejeitados por Cristo. Paulo acrescenta: “Mas agora, LIBERTADOS DO PECADO, e FEITOS SERVOS DE DEUS, tendes O VOSSO FRUTO PARA SANTIFICAÇÃO, e por fim a vida eterna.” Romanos 6:22. Compara os dois versículos (Gálatas 5:1 com Romanos 6:22)! Fala de liberdade e de jugo de servidão. Antes servos do pecado, depois servos de Deus, cuja servidão é voluntária e por amor. E que fruto para santificação é esse senão a obediência requerida por Deus. A obediência cujo nível esteja abaixo do padrão deixado por Cristo não é aceitável por Deus, meus irmãos. E tal nível é possível ser alcançado se formos novamente gerados pelo Espírito Santo e por Ele guiados. É um milagre, pois naturalmente isso não é possível ser efetuado. Todavia, tal milagre só ocorre se estivermos dispostos a crer, crer sem duvidar, que Deus nos recriará assim como o fez com tantos, pelo mesmo poder que recriou paralíticos, leprosos, cegos, mudos e coxos. Todas essas curas têm o objetivo de nos fazer olhar para além das possibilidades, para o mundo do impossível, pois NÃO HÁ FÉ SE HÃO HOUVER O IMPOSSÍVEL.
É por essa razão crucial que João declara que se não assumirmos que somos pecadores não alcançaremos o perdão de Deus. Em seguida, João aponta a atitude a ser esboçada por aquele que se convence de que carece de um Salvador: a promessa divina prescrita em I João 1:9. Ela foi citada justo entre as duas passagens aparentemente conflitantes (I João 1:8 e 10). Empós apresentar o caminho, o remédio, mediante a promessa de Deus, João parece tornar a repetir a advertência anteriormente mencionada, mas há um detalhe que precisamos nos ater. É mister, entrementes, mencionar que será sempre louvável e de bom alvitre, utilizarmos uma gramática para compreendermos melhor as Escrituras Sagradas. I João 1:10 pode ser encontrado nas três versões abaixo, porém todas focalizam o mesmo fim, têm o mesmo significado, embora escritas diferentes. Vejamos:

1. Se dissermos que NÃO TEMOS (verbo auxiliar ter - presente) PECADO (verbo pecar - particípio), fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós;

2. Se dissermos que NÃO TEMOS (verbo auxiliar ter - presente) COMETIDO (verbo cometer - particípio) PECADO (substantivo), fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós;

3. Se dissermos que NÃO PECAMOS (verbo pecar – pretérito e não presente), fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós.

Nas duas primeiras encontramos o verbo PECAR auxiliado pelo verbo TER, assaz utilizado pela língua portuguesa como verbo auxiliar, como neste caso. O vocábulo PECADO, na verdade não é um substantivo, como muitos crêem, mas a conjugação do verbo pecar no particípio. Assim, para não perder o sentido e melhor esclarecer o que o apóstolo João está afirmando, surgiu outra versão com a inserção do verbo COMETER, adicionando-se o substantivo PECADO, pois o que se quer dizer é que se dissermos que não temos cometido pecado (indicando passado), fazemo-Lo mentiroso. Note: a Escritura não diz “nos fazemos mentirosos”, mas “fazemo-Lo mentiroso”. Fazemos a quem mentiroso? A resposta só pode ser Deus, pois qual é a sua promessa em I João 1:9? “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça.” Ou seja, Deus está afirmando nas Sagradas Letras que para sermos transformados, purificados, precisamos confessar os nossos pecados, e assim recebemos o Seu perdão e o poder de sermos feitos Seus filhos, livres do domínio do pecado. Daí se dissermos que não temos pecados para serem confessados, que não precisamos de transformação, chamamos a Deus de mentiroso e anulamos o sacrifício de Cristo. Este é o motivo da citação de I João 1:10. A errônea idéia de que João está afirmando que ainda pecamos depois de nascidos de Deus, vem da interpretação que se dá a terceira versão do versículo em referência (I João 1:10). Analisemo-la:
4. Se dissermos que NÃO PECAMOS (verbo pecar – pretérito, e não presente), fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós.

A conjugação do verbo pecar, falar, cantar, dentre outros de mesma raiz, na primeira pessoa do plural (nós) nos tempos presente e pretérito (passado), corresponde à mesma forma verbal. Eis a razão por que muitos se confundem com esta passagem, pois crêem que João esteja falando no presente, enquanto ele está falando no passado. A versão King James Version nos auxilia sobremodo nessa questão. Reza da seguinte forma: If we say that we HAVE NOT SINNED, we make him a liar, and his word is not in us. Percebamos que há dois verbos HAVE (presente) e SINNED (particípio), e não um verbo e um substantivo, como no versículo oito (8). E notemos também que o segundo verbo está no particípio, ou seja, garantindo que o segundo verbo teve sua ação confirmada no passado.
Faz alguma diferença ser presente ou passado no verso a que estamos aludindo? Claro. Se João estivesse dizendo no presente, aí, sim, o homem gerado de novo não seria liberto do domínio do pecado, viveria o conhecido cai-levanta dos cristãos hodiernos, porém ao ditar o verbo no passado, João está confirmando o cumprimento da promessa de I João 1:9 naquele que nasce de novo, que foi recriado, pois segundo suas próprias palavras “E QUALQUER que nele tem esta esperança PURIFICA-SE A SI MESMO, COMO TAMBÉM ELE É PURO.” I João 3:3. Veja a congruência dessas palavras com as de I João 1:9: “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos PERDOAR OS PECADOS, e NOS PURIFICAR DE TODA A INJUSTIÇA.” São os dois atos recriadores de Deus. Purificando-nos de toda a injustiça (pecado), Deus inverte o que está escrito em Romanos 3:23, noutro falar, a Sua glória é restaurada em nós, pois essa glória é o Seu próprio caráter. Nesse momento dá-se início ao processo chamado SANTIFICAÇÃO que age somente sobre os que provaram o novo nascimento. Tal processo é o inverso de um outro – CORRUPÇÃO. Os que sofrem tal processo são os que não produzem os frutos contidos em Gálatas 5:22, os quais, mesmo dentro da igreja, mesmo sendo um ministro, encontram-se nas trevas, sem esperança e sem Deus no mundo.
Não devemos olvidar que foi Jesus Quem pronunciou “Haja luz”. E por que isso foi escrito? Apenas para sabermos que Ele é o Criador e como se deu a criação? Se o único propósito de Deus fosse esse, não teria o alcance pretendido. Precisamos enxergar, meus caros irmãos, que o objetivo mor da evidência do ato criador de Deus É GERAR FÉ nos seres caídos DE QUE ELE PODE RECRIAR TUDO NOVAMENTE. Quando Ele disse HAJA LUZ, a Bíblia nos diz que HOUVE LUZ. Seu poder ainda é o mesmo e o será para sempre. Ele é Deus. Não podemos mensurar o que Ele pode fazer. Sua palavra é lei. Eis o leproso em seu estado de putrefação. Por ouvir os fatos que enalteciam o poder do Filho de Deus, do Seu poder recriador, sua fé cresceu e ele creu que o Salvador, se quisesse, poderia Lhe restaurar a saúde e a vida. E correu aos pés de Cristo. CORREU CERTO DE QUE OBTERIA O FAVOR DO SALVADOR. O que aconteceu em seguida? Ele foi recriado. O mesmo poder que no princípio emanou dos lábios do nosso amado Criador, restaurou a vida daquele moribundo pecador.
São Pedro e São Judas comungam com a maravilhosa boa nova de que podemos e temos que viver uma vida de obediência tal qual a que Jesus viveu quando aqui esteve. Demonstrando como se dá o processo da santificação, São Pedro enumera sete passos nos quais deve empenhar-se aquele que foi recriado por Deus, e conclui: “Portanto, irmãos, procurai fazer cada vez mais firme a vossa vocação e eleição; porque, fazendo isto, NUNCA JAMAIS TROPEÇAREIS. Nunca e jamais, irmãos, são sinônimos, todavia esses advérbios são empregados juntos quando se pretende enfatizar, robustecer o que se afirma. Judas no versículo 24 nos diz: “Ora, àquele que é poderoso PARA VOS GUARDAR DE TROPEÇAR, e apresentar-vos IRREPREENSÍVEIS, com alegria, PERANTE A SUA GLÓRIA.” Irrepreensíveis perante Deus, que sonda os corações? Seria ousadia de João ou estaria ele testificando de sua experiência cristã quando disse: “Nisto é perfeito o amor para conosco, para que NO DIA DO JUÍZO tenhamos confiança; PORQUE, QUAL ELE É, SOMOS NÓS TAMBÉM NESTE MUNDO”?
Ninguém que tenha buscado ao Senhor por uma bênção restauradora foi atendido sem que um imprescindível elemento estivesse presente – a . A Escritura diz que ao passar Paulo por um coxo de nascença “fixando nele os olhos, e vendo QUE TINHA FÉ PARA SER CURADO”, efetuou um milagre e o coxo saltou e andou (Atos 14:9 e 10). O próprio São Paulo escreveu “É NECESSÁRIO que aquele que se APROXIMA de Deus, CREIA que Ele existe e que SE TORNA GALARDOADOR DOS QUE O BUSCAM” E São Tiago diz “peça-a (o que necessita a tua alma), porém, COM FÉ, EM NADA DUVIDANDO... NÃO PENSE TAL HOMEM QUE RECEBERÁ DE DEUS ALGUMA COISA.” E isso está relacionado com nossa salvação também, irmãos. Se não tivermos a fé suficiente para recebermos o batismo do Espírito Santo, que é o penhor do novo nascimento, não entraremos no descanso do Senhor, não seremos salvos.
Mas não há lugar para a angústia se achamos que nossa fé é raquítica a ponto de nos impedir de recebermos tal bênção. Deus nos apresenta a solução: “A FÉ VEM PELO OUVIR, E O OUVIR PELA PALAVRA DE DEUS.” Romanos 10:17. Estudando as Escrituras Sagradas e dela nos apoderando, ela gera fé em nós, a fé necessária para entrarmos na graça pela Porta – Cristo. Tudo Ele proveu para que possamos alcançar aquilo que Ele sabe que precisamos desesperadamente para passar da morte para a vida, pois Cristo assim nos diz “Aquele que não nascer de novo não PODE ver o reino de Deus.”
Que Deus nos abençoe!

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