terça-feira, 14 de setembro de 2010

A EXPERIÊNCIA INDISPENSÁVEL

Entrar no reino de Deus é a mais acariciada esperança de quantos têm fé numa existência futura, mas só há uma porta para ele. Ricos e pobres, grandes e pequenos, membros da igreja ou estranhos a ela, todos têm de provar o novo nascimento. São de Jesus as palavras: “Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.” São João 3:3. O homem a quem Jesus disse isto, Nicodemos, era um príncipe dos judeus, membro do respeitado Tribunal do Sinédrio. Nicodemos pensou que Jesus falava do nascimento natural e perguntou: “Como pode um homem nascer, sendo velho? Acaso deve ele voltar ao seio materno e vir ao mundo a segunda vez?” Respondendo, Jesus mostrou não ser esse o Seu pensamento. Disse Ele: “O que é nascido da carne, é carne.” Nascer de pais humanos é nascer da carne. Quantas vezes um homem pudesse nascer de pais humanos tantas vezes seria carne, “e o pendor da carne”, diz a Escritura “é inimizade contra Deus, pois, não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo o pode estar”. O autor sagrado conclui: “Portanto, os que estão na carne, não podem agradar a Deus”. Romanos 8:7 e 8.
Não era, pois, do nascimento natural que Jesus falava. O que o Salvador tinha em mente era uma renovação ou transformação espiritual. Quando Nicodemos perguntou como podia um homem nascer, sendo velho, Jesus repetiu a mesma idéia noutras palavras, com a evidente intenção de esclarecer o que antes dissera: “Em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.” São João 3:5. Notemos: o novo nascimento é nascimento da água, e água aqui representa o batismo e a lavagem espiritual que o batismo simboliza. O novo nascimento é também nascimento do Espírito, do Espírito Santo. Nascer de novo quer, pois, dizer provar uma miraculosa transformação espiritual operada pelo Espírito Santo. Com efeito, outro sentido da palavra do original grego anoqen, traduzida por nascer de novo, é nascer de cima. O novo nascimento é transformação operada por Deus.
Três passos são necessários para o novo nascimento. O primeiro deles é o arrependimento. Respondendo à pergunta “que faremos, irmãos?”, feita pela multidão tocada pelo Espírito Santo no Pentecostes, São Pedro disse: “Arrependei-vos!” Atos 2:38. Arrependimento implica reconhecimento do pecado, tristeza pelo mal-feito e desejo de abandoná-lo. O segundo passo é a confissão. O verdadeiro arrependimento leva à confissão do mal-feito. A confissão deve ser feita sem rodeios. A Escritura diz: “O que encobre as suas transgressões jamais prosperará, mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia.” Provérbios 28:13. “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça.” I São João 1:9. O terceiro passo é consagração a Deus. Para que a transformação se dê, é necessário dispor-se o homem a fazer Deus o centro da vida, em vez do próprio eu. Jesus disse: “Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento, de toda a tua força.” São Marcos 12:30. O coração inteiro tem de render-se a Deus, ou do contrário não se poderá jamais operar a transformação, pela qual é restaurada em nós a Sua semelhança. Essa submissão a Deus não é cega e forçada. Não é para ficar o homem sujeito a um domínio irrazoável. Ela é razoável, voluntária, e feita com a consciência de que nela está o segredo da libertação do homem.
Quando esses passos são dados com fé, opera-se a transformação. Cumpre-se a promessa da Escritura: “Então aspergirei água pura sobre vós e ficareis purificados. De todas as vossas imundícias, e de todos os vossos ídolos vos purificarei; dar-vos-ei coração novo, e porei dentro em vós espírito novo. Tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne. Porei dentro em vós o Meu espírito e farei que andeis nos Meus estatutos, guardeis os Meus juízos, e os observeis.” Ezequiel 37:25-27. Essa mudança da mente e coração é operada pelo Salvador Jesus Cristo mediante o Espírito Santo. São Paulo diz: “Porque a lei do espírito da vida em Cristo Jesus te livrou da lei do pecado e da morte.” Romanos 8:2. Mais: “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram, eis que se fizeram novas.” II Coríntios 5:17.
Disfarçando-se em mulher do povo, a rainha Vitória da Inglaterra visitou, certa vez, algumas fábricas de papel do seu país. Ao ser conduzida através de uma das fábricas, o guia fê-la entrar num compartimento cheio de fardos e sujos trapos. O aspecto era repulsivo e a rainha exclamou: “Oh! Para quê isto?” “Desses trapos”, esclareceu o guia, “fazemos o nosso mais lindo papel”. Posteriormente ele ficou sabendo que a visitante era a rainha. Providenciou para que a fábrica transformasse parte daqueles trapos em papel branco de fina qualidade, com o perfil da rainha em marca d’água. Então enviou o papel à rainha com as palavras: “Majestade estes são alguns dos trapos”. Antes imundos trapos, depois da ação do homem, lindo papel. Antes escravos do pecado, praticando toda a sorte de coisas ofensivas a Deus; depois da ação divina, novos homens e mulheres, com coração transformado, e fazendo o que agrada ao Céu. O apóstolo diz: “Ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas, nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores herdarão o reino de Deus. Tais fostes alguns de vós, mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados em o nome do Senhor Jesus Cristo, e no Espírito do nosso Deus.” I Coríntios 6:9-11.
A mudança da mente, o coração renovado é que constitui o novo nascimento. E quando prova essa mudança interior, operada miraculosamente pelo Espírito Santo, a vida que passa a viver dá testemunho dela. A nova vida é de imitação do santo exemplo de Cristo, vida de conformidade com os mandamentos de Deus. Tal é a experiência requerida para entrar no reino – a experiência indispensável. Não importa a nossa profissão de fé, nossa filiação religiosa. Alguém pode ser um membro da igreja e não ter provado o novo nascimento; alguém pode ser um ministro do Senhor e não ter nascido de novo, e a palavra de Jesus é clara e forte: “Se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus”. Já alcançaste, amigo, essa santa experiência? Operou Deus, em ti, o milagre desta transformação? Se é que não, porque não a buscas de Deus?
Como alcançamos o novo nascimento? Nicodemos quis saber isso e perguntou ao Senhor: “Como pode suceder isso?” Jesus respondeu: “E do modo por que Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado, para que todo o que nele crer tenha a vida eterna.” São João 3:14 e 15. Quando muitos dos filhos de Israel agonizavam no deserto, mordidos pelas serpentes ardentes, Deus instruiu Moisés a levantar uma serpente de metal, e dizer ao povo que olhando para ela, viveriam. Sabia o povo que não havia virtude na serpente, mas no que ela simbolizava. A serpente era símbolo de Cristo. Que acontece quando olhamos para Cristo, por nós levantado na cruz, quando cremos nEle como nosso Salvador e O recebemos no coração? O Espírito de Deus, mediante a fé, produz uma nova vida na alma; os pensamentos e desejos são postos em obediência à vontade de Cristo. O coração e o espírito são novamente criados à imagem dAquele que opera em nós para sujeitar a Si mesmo todas as coisas. Então a lei de Deus é escrita na mente e no coração, e podemos dizer com Cristo: “Deleito-me em fazer a Tua vontade, ó Deus Meu!”
Durante os anos de sua mocidade, o Doutor R. A. Torrey, tornou-se um incrédulo confesso que zombava das Escrituras, de Deus, de Cristo, do Céu e de toda a doutrina cristã. A mãe se preocupava com ele, orava por ele, apelava ao filho para deixar o caminho do mau. Cansando-se dos apelos maternos, o rapaz decidiu sair de casa, e disse à mãe que ela jamais o veria outra vez. A mãe acompanhou o filho até a porta e depois até fora, no portão, apelando e chorando. Ao despedisse, disse-lhe: “Filho, quando chegares à hora mais escura da tua vida, e tudo parecer-te perdido, se honestamente apelares para o Deus de tua mãe, serás ajudado.” O moço caiu mais e mais na descrença e pecado. Um dia, quando sozinho num quarto de hotel, sem poder dormir, cansado dos pecados, cansado da vida, ele resolveu levantar-se, tomar o revólver e, para usar suas próprias palavras, “acabar com essa farsa chamada vida humana”. Ao saltar da cama para praticar esse desatino, vieram-lhe à mente as palavras da mãe: “Filho, quando chegar a tua hora mais escura, apela em sinceridade ao Deus de tua mãe e serás ajudado”. Prostrando-se junto à cama, ele disse: “Ò Deus de minha mãe! Se existe um tal ser, eu quero luz. Se me a deres, não me importa como, segui-la-ei.” Deus ouviu a oração. O moço voltou ao lar transformado e veio a ser um famoso evangelista.
Prezado amigo, qualquer que seja a tua condição, se creres em Cristo como teu Salvador, e a Ele apelares com fé serás socorrido, serás mudado, transformado pelo Espírito Santo. Provarás o novo nascimento – a experiência indispensável para entrada no Céu.
E agora, despedindo-nos, dizemos:
O Senhor te abençoe e te guarde; o Senhor faça resplandecer o Seu rosto sobre ti e tenha misericórdia de ti; o Senhor sobre ti levante o Seu rosto e te dê a paz.”

Pastor Roberto Rabello





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