domingo, 12 de setembro de 2010

É NECESSÁRIO DECIDIR

Uma decisão pode determinar todo futuro de uma pessoa, até mesmo o seu destino. E esta hora, caro leitor, o tempo desta leitura, poderá ser a hora de decisão da tua vida. Há hoje milhões que são quase cristãos. Quase, mas não inteiramente. Eles estão convencidos, conhecem o evangelho, crêem nele, amam-no e até mesmo o defendem. Estão quase do lado de dentro da porta, mas ainda fora. Em Atos 25, lemos de um homem que por pouco não se fez cristão. Este homem esteve face a face com a verdade do evangelho pregada por um apóstolo de Cristo. Declarou-se convencido da verdade, quase decidido a segui-lo e, então, recuou e penetrou nas trevas.
A história é esta: o apóstolo São Paulo era um prisioneiro dos romanos. Porcio Festo, sendo governador da Judéia, queria saber que acusação transmitir a César a respeito do apóstolo, que apelara para o imperador, direito que tinha por ser cidadão romano. Enquanto aguardava o navio para transferir São Paulo e outros presos para Roma, Festo teve a oportunidade de ouvir o apóstolo proclamar sua fé perante os principais homens da cidade, incluindo o Rei Agripa II, o último dos Herodes, e Berenice, sua irmã, que o visitavam. Festo expôs o caso de São Paulo ao rei, descreveu as circunstâncias que levaram o preso a apelar para César. Numa audiência anterior, os inimigos do apóstolo haviam comparecido, mas não apresentaram as acusações que Festo esperava, e, sim, para usar as palavras dele mesmo “algumas questões referentes à sua própria religião e, particularmente a certo morto, chamado Jesus, que Paulo afirmava estar vivo”. Atos 25:19. Relatando Festo essas coisas, Agripa interessou-se no caso e disse: “Eu também gostaria de ouvir esse homem!” Foram feitos planos para uma reunião no dia seguinte. A pompa dessa reunião pode ser facilmente imaginada: Festo com sua guarda romana; as ricas vestimentas dos hóspedes; as brilhantes armaduras e espadas dos comandantes e soldados. A cena era deveras magnificente. A essa reunião São Paulo foi introduzido algemado. Que contraste! Agripa e Berenice, possuidores do poder e glória do mundo! Mas a história relata que esses soberanos eram corruptos no coração e no procedimento. Ante esses representantes do mundo pagão estava o servo de Deus sem riquezas, sem posição e aparentemente sem amigos; um preso por causa da fé no Filho de Deus. Mas o Céu estava interessado nele. Ao seu lado, embora invisíveis, estavam anjos de Deus. Houvesse a glória de um desses anjos se manifestado, e o orgulho da realeza teria empalidecido.
Festo deve ter apontado para São Paulo ao declarar que o povo de Jerusalém exigia a sua morte. Esclareceu, porém, que não achara nele coisa digna de morte, e uma vez que o preso apelara para Augusto, resolvera mandá-lo a Roma. Prosseguiu: “Contudo, a respeito dele nada tenho de positivo que escreva ao soberano. Por isso eu o trouxe a vossa presença, e mormente a tua, ó rei Agripa, para que feita a argüição, tenha eu alguma coisa que escrever.” Então Agripa deu permissão ao preso para falar em sua própria defesa. O brilho daquela assembléia não embaraçou São Paulo. Bem sabia ele, quão pouco significa diante de Deus, a vestimenta, a riqueza, a projeção social. Nem por um momento sequer foi a sua coragem entediada pelo poder e pompa terrenos. “Tenho-me por feliz, ó rei Agripa”, disse ele, “pelo privilégio de hoje na tua presença, poder produzir a minha defesa de todas as acusações feitas contra mim pelos judeus.” Então narrou a história da sua conversão. Falou da sua própria obstinada descrença quanto à fé de Jesus, o Redentor do mundo. Descreveu a visão celestial e, como a princípio, ela o encheu de terror, mas, depois, demonstrou-se a fonte da maior consolação. Então, ele esboçou diante do rei os principais acontecimentos da vida de Cristo na Terra. São Paulo testificou de que o Messias das profecias do Velho Testamento já tinha aparecido na pessoa de Jesus Cristo. Mostrou que as Escrituras do Velho Testamento apontavam para Jesus e declaravam que o Messias ou Cristo apareceria como um homem entre os homens, que Ele deveria sofrer, ser rejeitado e morto. São Paulo mostrou que na vida de Jesus todas as especificações dessas velhas profecias, dadas mediante santos homens da antiguidade, a começar de Moisés, incluindo todos os profetas, haviam tido cumprimento. A fim de remir um mundo perdido, o divino Filho de Deus suportou a cruz, desprezando o opróbrio, e subiu ao Céu, triunfante sobre a morte e a sepultura. “Por que”, perguntou o apóstolo, “se julga incrível entre vós que Deus ressuscite os mortos?” A ressurreição estava no plano de Deus e cumpria as profecias feitas séculos antes. A multidão ouviu absorta as palavras do apóstolo ao proclamar ele sua fé e narrar suas experiências. Subitamente, porém, pregando São Paulo sobre o seu tema favorito, foi ele interrompido por Festo, que exclamou: “Estás louco, Paulo! As muitas letras te fazem delirar!”. Paulo, porém, respondeu: “Não estou louco, ó excelentíssimo Festo. Pelo contrário, digo palavras de verdade e de bom senso. Porque tudo isso é do conhecimento do rei, a quem me dirijo com franqueza, pois, estou persuadido de que nenhuma destas coisas lhe é oculta, porquanto nada se passou aí nalgum recanto.” Então, dirigindo-se a Agripa, fez-lhe a pergunta: “Crês ó rei Agripa, os profetas?” E ele mesmo respondeu: “Eu sei que crês!”.
Essa interrogação do apóstolo deve ter sacudido o rei. Por um momento Agripa deve ter esquecido a brilhante assembléia, suas ambições pessoais, suas intrigas políticas, a dignidade do trono. Deve ter pensado só no que acabara de ouvir: as grandes verdades da palavra profética, com as quais estava, de fato, familiarizado. Agripa via apenas um humilde embaixador de Deus. Involuntariamente disse: “Por pouco me persuades a me fazer cristão!”. Expressando seu ardente desejo para com os seus ouvintes, São Paulo respondeu: “Assim Deus permitisse que por pouco ou por muito, não apenas tu ó rei, porém todos os que hoje me ouvem se tornassem tais qual eu sou, exceto estas cadeias!” Não há dúvida de que Festo, Agripa, Berenice e outros podiam com justiça levar as cadeias que ligavam São Paulo, pois a julgar pelo que afirma a história eram culpados de muitas ofensas e até de graves crimes. Naquele dia eles ouviram oferecimento de salvação gratuita no nome de Cristo, e um deles, pelo menos, quase foi movido a aceitá-la. Como seu coração deve ter anelado pelo perdão oferecido, pela liberdade proclamada, mas Agripa pôs de lado a misericórdia oferecida, recusando aceitar a cruz de um Redentor crucificado. A reunião terminou. Os altos dignitários se dispersaram, e ao saírem, disseram entre si: “Esse homem nada tem feito passivo de pena de morte ou prisão.” “Este homem”, disse Agripa a Festo, “bem podia ser solto se não tivesse apelado para César”. Ao deixar ele a sala, desfez-se a última esperança de salvação. O quase cristão volveu costas a Cristo, ali representado pelo Seu apóstolo. A sua falta de decisão foi uma decisão negativa contra Cristo. Alguém pode chegar muito perto de Deus e, contudo, nunca render a alma ao Senhor. O Salvador estava perto de Agripa, àquele dia. Era necessário dar apenas um passo, mas Agripa não deu esse passo. Ele estava perto de uma decisão como, talvez, tu estejas agora, caro leitor, mas não decidiu.
Gostaria de dizer algumas palavras aos jovens que lêem este artigo, neste momento. Decidir-se por Cristo cedo na vida é de grande importância. Os que isto fazem têm oportunidade de trabalhar para o Senhor enquanto são moços, cheios de ambição, entusiasmo, energia e vida. Meu caro jovem: amas a vida, queres ser feliz? Então dedica-te hoje, a esta coisa certa e segura que é o serviço de Deus.
Há muitos anos na Escócia, um ministro do Senhor orou para que alguém aceitasse a Jesus durante um sermão que pregava. A oração foi atendida. Alguém decidiu-se por Cristo. Esse alguém era tão só um menino, o pequeno Bob, ou Betinho como diríamos nós. Mas o menino era Robert Moffat, que veio a ser um pioneiro da obra missionária na África. Ao relatar ele mais tarde, quando em gozo de férias no seu país, que de onde vivia na África podia se ver, em qualquer dia claro, a fumaça de mil vilas onde o nome de Cristo nunca fora ouvido, a chama do amor pela África acendeu-se no coração de um jovem estudante, David Livingstone, que se tornou o mais famoso missionário no grande continente. Outro estudante leu a história de Livinsgtone e veio a ser também um missionário na África. E assim, em grande parte, como resultado da decisão de um menino, todo um continente foi iluminado com o evangelho.
Amigo, quando a luz brilha em nossa face devemos segui-la. Se o ensino de Cristo vem a ti das Escrituras não o rejeites. Acaso, como Agripa, estás quase persuadido? Lembra que quase não é bastante. Quase estar com Deus equivale a não estar com o Senhor; quase decidir equivale a não decidir; quase dizer sim, equivale a dizer não; quase salvo equivale a totalmente perdido. Deus não nos chama para sermos quase cristãos, mas totalmente cristãos. E há perigo em demorar. Festo e Agripa não decidiram então, e aparentemente não decidiram jamais.
Quando o Paquete Steephen Hwittme bateu numa rocha próxima da costa da Irlanda e ficou por uns momentos preso à rocha, todos os passageiros que prontamente saltaram e se colocaram sobre a rocha foram salvos. Os que hesitaram e permaneceram a bordo pereceram, pois, logo após, uma grande onda levantou o navio e o fez soçobrar.
Caro leitor, dá-te pressa em abandonar a nau do pecado que avança para o naufrágio. Põe os teus pés na Rocha Eterna. Firma-te no Salvador Jesus Cristo que diz: “O que vem a Mim de modo nenhum o lançarei fora.”
Que Deus nos abençoe!

0 comentários:

Postar um comentário

  ©Gotas de Conhecimento - Todos os direitos reservados.

Template by Dicas Blogger | Topo