terça-feira, 14 de setembro de 2010

A EXPERIÊNCIA INDISPENSÁVEL

Entrar no reino de Deus é a mais acariciada esperança de quantos têm fé numa existência futura, mas só há uma porta para ele. Ricos e pobres, grandes e pequenos, membros da igreja ou estranhos a ela, todos têm de provar o novo nascimento. São de Jesus as palavras: “Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.” São João 3:3. O homem a quem Jesus disse isto, Nicodemos, era um príncipe dos judeus, membro do respeitado Tribunal do Sinédrio. Nicodemos pensou que Jesus falava do nascimento natural e perguntou: “Como pode um homem nascer, sendo velho? Acaso deve ele voltar ao seio materno e vir ao mundo a segunda vez?” Respondendo, Jesus mostrou não ser esse o Seu pensamento. Disse Ele: “O que é nascido da carne, é carne.” Nascer de pais humanos é nascer da carne. Quantas vezes um homem pudesse nascer de pais humanos tantas vezes seria carne, “e o pendor da carne”, diz a Escritura “é inimizade contra Deus, pois, não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo o pode estar”. O autor sagrado conclui: “Portanto, os que estão na carne, não podem agradar a Deus”. Romanos 8:7 e 8.
Não era, pois, do nascimento natural que Jesus falava. O que o Salvador tinha em mente era uma renovação ou transformação espiritual. Quando Nicodemos perguntou como podia um homem nascer, sendo velho, Jesus repetiu a mesma idéia noutras palavras, com a evidente intenção de esclarecer o que antes dissera: “Em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.” São João 3:5. Notemos: o novo nascimento é nascimento da água, e água aqui representa o batismo e a lavagem espiritual que o batismo simboliza. O novo nascimento é também nascimento do Espírito, do Espírito Santo. Nascer de novo quer, pois, dizer provar uma miraculosa transformação espiritual operada pelo Espírito Santo. Com efeito, outro sentido da palavra do original grego anoqen, traduzida por nascer de novo, é nascer de cima. O novo nascimento é transformação operada por Deus.
Três passos são necessários para o novo nascimento. O primeiro deles é o arrependimento. Respondendo à pergunta “que faremos, irmãos?”, feita pela multidão tocada pelo Espírito Santo no Pentecostes, São Pedro disse: “Arrependei-vos!” Atos 2:38. Arrependimento implica reconhecimento do pecado, tristeza pelo mal-feito e desejo de abandoná-lo. O segundo passo é a confissão. O verdadeiro arrependimento leva à confissão do mal-feito. A confissão deve ser feita sem rodeios. A Escritura diz: “O que encobre as suas transgressões jamais prosperará, mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia.” Provérbios 28:13. “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça.” I São João 1:9. O terceiro passo é consagração a Deus. Para que a transformação se dê, é necessário dispor-se o homem a fazer Deus o centro da vida, em vez do próprio eu. Jesus disse: “Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento, de toda a tua força.” São Marcos 12:30. O coração inteiro tem de render-se a Deus, ou do contrário não se poderá jamais operar a transformação, pela qual é restaurada em nós a Sua semelhança. Essa submissão a Deus não é cega e forçada. Não é para ficar o homem sujeito a um domínio irrazoável. Ela é razoável, voluntária, e feita com a consciência de que nela está o segredo da libertação do homem.
Quando esses passos são dados com fé, opera-se a transformação. Cumpre-se a promessa da Escritura: “Então aspergirei água pura sobre vós e ficareis purificados. De todas as vossas imundícias, e de todos os vossos ídolos vos purificarei; dar-vos-ei coração novo, e porei dentro em vós espírito novo. Tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne. Porei dentro em vós o Meu espírito e farei que andeis nos Meus estatutos, guardeis os Meus juízos, e os observeis.” Ezequiel 37:25-27. Essa mudança da mente e coração é operada pelo Salvador Jesus Cristo mediante o Espírito Santo. São Paulo diz: “Porque a lei do espírito da vida em Cristo Jesus te livrou da lei do pecado e da morte.” Romanos 8:2. Mais: “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram, eis que se fizeram novas.” II Coríntios 5:17.
Disfarçando-se em mulher do povo, a rainha Vitória da Inglaterra visitou, certa vez, algumas fábricas de papel do seu país. Ao ser conduzida através de uma das fábricas, o guia fê-la entrar num compartimento cheio de fardos e sujos trapos. O aspecto era repulsivo e a rainha exclamou: “Oh! Para quê isto?” “Desses trapos”, esclareceu o guia, “fazemos o nosso mais lindo papel”. Posteriormente ele ficou sabendo que a visitante era a rainha. Providenciou para que a fábrica transformasse parte daqueles trapos em papel branco de fina qualidade, com o perfil da rainha em marca d’água. Então enviou o papel à rainha com as palavras: “Majestade estes são alguns dos trapos”. Antes imundos trapos, depois da ação do homem, lindo papel. Antes escravos do pecado, praticando toda a sorte de coisas ofensivas a Deus; depois da ação divina, novos homens e mulheres, com coração transformado, e fazendo o que agrada ao Céu. O apóstolo diz: “Ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas, nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores herdarão o reino de Deus. Tais fostes alguns de vós, mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados em o nome do Senhor Jesus Cristo, e no Espírito do nosso Deus.” I Coríntios 6:9-11.
A mudança da mente, o coração renovado é que constitui o novo nascimento. E quando prova essa mudança interior, operada miraculosamente pelo Espírito Santo, a vida que passa a viver dá testemunho dela. A nova vida é de imitação do santo exemplo de Cristo, vida de conformidade com os mandamentos de Deus. Tal é a experiência requerida para entrar no reino – a experiência indispensável. Não importa a nossa profissão de fé, nossa filiação religiosa. Alguém pode ser um membro da igreja e não ter provado o novo nascimento; alguém pode ser um ministro do Senhor e não ter nascido de novo, e a palavra de Jesus é clara e forte: “Se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus”. Já alcançaste, amigo, essa santa experiência? Operou Deus, em ti, o milagre desta transformação? Se é que não, porque não a buscas de Deus?
Como alcançamos o novo nascimento? Nicodemos quis saber isso e perguntou ao Senhor: “Como pode suceder isso?” Jesus respondeu: “E do modo por que Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado, para que todo o que nele crer tenha a vida eterna.” São João 3:14 e 15. Quando muitos dos filhos de Israel agonizavam no deserto, mordidos pelas serpentes ardentes, Deus instruiu Moisés a levantar uma serpente de metal, e dizer ao povo que olhando para ela, viveriam. Sabia o povo que não havia virtude na serpente, mas no que ela simbolizava. A serpente era símbolo de Cristo. Que acontece quando olhamos para Cristo, por nós levantado na cruz, quando cremos nEle como nosso Salvador e O recebemos no coração? O Espírito de Deus, mediante a fé, produz uma nova vida na alma; os pensamentos e desejos são postos em obediência à vontade de Cristo. O coração e o espírito são novamente criados à imagem dAquele que opera em nós para sujeitar a Si mesmo todas as coisas. Então a lei de Deus é escrita na mente e no coração, e podemos dizer com Cristo: “Deleito-me em fazer a Tua vontade, ó Deus Meu!”
Durante os anos de sua mocidade, o Doutor R. A. Torrey, tornou-se um incrédulo confesso que zombava das Escrituras, de Deus, de Cristo, do Céu e de toda a doutrina cristã. A mãe se preocupava com ele, orava por ele, apelava ao filho para deixar o caminho do mau. Cansando-se dos apelos maternos, o rapaz decidiu sair de casa, e disse à mãe que ela jamais o veria outra vez. A mãe acompanhou o filho até a porta e depois até fora, no portão, apelando e chorando. Ao despedisse, disse-lhe: “Filho, quando chegares à hora mais escura da tua vida, e tudo parecer-te perdido, se honestamente apelares para o Deus de tua mãe, serás ajudado.” O moço caiu mais e mais na descrença e pecado. Um dia, quando sozinho num quarto de hotel, sem poder dormir, cansado dos pecados, cansado da vida, ele resolveu levantar-se, tomar o revólver e, para usar suas próprias palavras, “acabar com essa farsa chamada vida humana”. Ao saltar da cama para praticar esse desatino, vieram-lhe à mente as palavras da mãe: “Filho, quando chegar a tua hora mais escura, apela em sinceridade ao Deus de tua mãe e serás ajudado”. Prostrando-se junto à cama, ele disse: “Ò Deus de minha mãe! Se existe um tal ser, eu quero luz. Se me a deres, não me importa como, segui-la-ei.” Deus ouviu a oração. O moço voltou ao lar transformado e veio a ser um famoso evangelista.
Prezado amigo, qualquer que seja a tua condição, se creres em Cristo como teu Salvador, e a Ele apelares com fé serás socorrido, serás mudado, transformado pelo Espírito Santo. Provarás o novo nascimento – a experiência indispensável para entrada no Céu.
E agora, despedindo-nos, dizemos:
O Senhor te abençoe e te guarde; o Senhor faça resplandecer o Seu rosto sobre ti e tenha misericórdia de ti; o Senhor sobre ti levante o Seu rosto e te dê a paz.”

Pastor Roberto Rabello





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domingo, 12 de setembro de 2010

É NECESSÁRIO DECIDIR

Uma decisão pode determinar todo futuro de uma pessoa, até mesmo o seu destino. E esta hora, caro leitor, o tempo desta leitura, poderá ser a hora de decisão da tua vida. Há hoje milhões que são quase cristãos. Quase, mas não inteiramente. Eles estão convencidos, conhecem o evangelho, crêem nele, amam-no e até mesmo o defendem. Estão quase do lado de dentro da porta, mas ainda fora. Em Atos 25, lemos de um homem que por pouco não se fez cristão. Este homem esteve face a face com a verdade do evangelho pregada por um apóstolo de Cristo. Declarou-se convencido da verdade, quase decidido a segui-lo e, então, recuou e penetrou nas trevas.
A história é esta: o apóstolo São Paulo era um prisioneiro dos romanos. Porcio Festo, sendo governador da Judéia, queria saber que acusação transmitir a César a respeito do apóstolo, que apelara para o imperador, direito que tinha por ser cidadão romano. Enquanto aguardava o navio para transferir São Paulo e outros presos para Roma, Festo teve a oportunidade de ouvir o apóstolo proclamar sua fé perante os principais homens da cidade, incluindo o Rei Agripa II, o último dos Herodes, e Berenice, sua irmã, que o visitavam. Festo expôs o caso de São Paulo ao rei, descreveu as circunstâncias que levaram o preso a apelar para César. Numa audiência anterior, os inimigos do apóstolo haviam comparecido, mas não apresentaram as acusações que Festo esperava, e, sim, para usar as palavras dele mesmo “algumas questões referentes à sua própria religião e, particularmente a certo morto, chamado Jesus, que Paulo afirmava estar vivo”. Atos 25:19. Relatando Festo essas coisas, Agripa interessou-se no caso e disse: “Eu também gostaria de ouvir esse homem!” Foram feitos planos para uma reunião no dia seguinte. A pompa dessa reunião pode ser facilmente imaginada: Festo com sua guarda romana; as ricas vestimentas dos hóspedes; as brilhantes armaduras e espadas dos comandantes e soldados. A cena era deveras magnificente. A essa reunião São Paulo foi introduzido algemado. Que contraste! Agripa e Berenice, possuidores do poder e glória do mundo! Mas a história relata que esses soberanos eram corruptos no coração e no procedimento. Ante esses representantes do mundo pagão estava o servo de Deus sem riquezas, sem posição e aparentemente sem amigos; um preso por causa da fé no Filho de Deus. Mas o Céu estava interessado nele. Ao seu lado, embora invisíveis, estavam anjos de Deus. Houvesse a glória de um desses anjos se manifestado, e o orgulho da realeza teria empalidecido.
Festo deve ter apontado para São Paulo ao declarar que o povo de Jerusalém exigia a sua morte. Esclareceu, porém, que não achara nele coisa digna de morte, e uma vez que o preso apelara para Augusto, resolvera mandá-lo a Roma. Prosseguiu: “Contudo, a respeito dele nada tenho de positivo que escreva ao soberano. Por isso eu o trouxe a vossa presença, e mormente a tua, ó rei Agripa, para que feita a argüição, tenha eu alguma coisa que escrever.” Então Agripa deu permissão ao preso para falar em sua própria defesa. O brilho daquela assembléia não embaraçou São Paulo. Bem sabia ele, quão pouco significa diante de Deus, a vestimenta, a riqueza, a projeção social. Nem por um momento sequer foi a sua coragem entediada pelo poder e pompa terrenos. “Tenho-me por feliz, ó rei Agripa”, disse ele, “pelo privilégio de hoje na tua presença, poder produzir a minha defesa de todas as acusações feitas contra mim pelos judeus.” Então narrou a história da sua conversão. Falou da sua própria obstinada descrença quanto à fé de Jesus, o Redentor do mundo. Descreveu a visão celestial e, como a princípio, ela o encheu de terror, mas, depois, demonstrou-se a fonte da maior consolação. Então, ele esboçou diante do rei os principais acontecimentos da vida de Cristo na Terra. São Paulo testificou de que o Messias das profecias do Velho Testamento já tinha aparecido na pessoa de Jesus Cristo. Mostrou que as Escrituras do Velho Testamento apontavam para Jesus e declaravam que o Messias ou Cristo apareceria como um homem entre os homens, que Ele deveria sofrer, ser rejeitado e morto. São Paulo mostrou que na vida de Jesus todas as especificações dessas velhas profecias, dadas mediante santos homens da antiguidade, a começar de Moisés, incluindo todos os profetas, haviam tido cumprimento. A fim de remir um mundo perdido, o divino Filho de Deus suportou a cruz, desprezando o opróbrio, e subiu ao Céu, triunfante sobre a morte e a sepultura. “Por que”, perguntou o apóstolo, “se julga incrível entre vós que Deus ressuscite os mortos?” A ressurreição estava no plano de Deus e cumpria as profecias feitas séculos antes. A multidão ouviu absorta as palavras do apóstolo ao proclamar ele sua fé e narrar suas experiências. Subitamente, porém, pregando São Paulo sobre o seu tema favorito, foi ele interrompido por Festo, que exclamou: “Estás louco, Paulo! As muitas letras te fazem delirar!”. Paulo, porém, respondeu: “Não estou louco, ó excelentíssimo Festo. Pelo contrário, digo palavras de verdade e de bom senso. Porque tudo isso é do conhecimento do rei, a quem me dirijo com franqueza, pois, estou persuadido de que nenhuma destas coisas lhe é oculta, porquanto nada se passou aí nalgum recanto.” Então, dirigindo-se a Agripa, fez-lhe a pergunta: “Crês ó rei Agripa, os profetas?” E ele mesmo respondeu: “Eu sei que crês!”.
Essa interrogação do apóstolo deve ter sacudido o rei. Por um momento Agripa deve ter esquecido a brilhante assembléia, suas ambições pessoais, suas intrigas políticas, a dignidade do trono. Deve ter pensado só no que acabara de ouvir: as grandes verdades da palavra profética, com as quais estava, de fato, familiarizado. Agripa via apenas um humilde embaixador de Deus. Involuntariamente disse: “Por pouco me persuades a me fazer cristão!”. Expressando seu ardente desejo para com os seus ouvintes, São Paulo respondeu: “Assim Deus permitisse que por pouco ou por muito, não apenas tu ó rei, porém todos os que hoje me ouvem se tornassem tais qual eu sou, exceto estas cadeias!” Não há dúvida de que Festo, Agripa, Berenice e outros podiam com justiça levar as cadeias que ligavam São Paulo, pois a julgar pelo que afirma a história eram culpados de muitas ofensas e até de graves crimes. Naquele dia eles ouviram oferecimento de salvação gratuita no nome de Cristo, e um deles, pelo menos, quase foi movido a aceitá-la. Como seu coração deve ter anelado pelo perdão oferecido, pela liberdade proclamada, mas Agripa pôs de lado a misericórdia oferecida, recusando aceitar a cruz de um Redentor crucificado. A reunião terminou. Os altos dignitários se dispersaram, e ao saírem, disseram entre si: “Esse homem nada tem feito passivo de pena de morte ou prisão.” “Este homem”, disse Agripa a Festo, “bem podia ser solto se não tivesse apelado para César”. Ao deixar ele a sala, desfez-se a última esperança de salvação. O quase cristão volveu costas a Cristo, ali representado pelo Seu apóstolo. A sua falta de decisão foi uma decisão negativa contra Cristo. Alguém pode chegar muito perto de Deus e, contudo, nunca render a alma ao Senhor. O Salvador estava perto de Agripa, àquele dia. Era necessário dar apenas um passo, mas Agripa não deu esse passo. Ele estava perto de uma decisão como, talvez, tu estejas agora, caro leitor, mas não decidiu.
Gostaria de dizer algumas palavras aos jovens que lêem este artigo, neste momento. Decidir-se por Cristo cedo na vida é de grande importância. Os que isto fazem têm oportunidade de trabalhar para o Senhor enquanto são moços, cheios de ambição, entusiasmo, energia e vida. Meu caro jovem: amas a vida, queres ser feliz? Então dedica-te hoje, a esta coisa certa e segura que é o serviço de Deus.
Há muitos anos na Escócia, um ministro do Senhor orou para que alguém aceitasse a Jesus durante um sermão que pregava. A oração foi atendida. Alguém decidiu-se por Cristo. Esse alguém era tão só um menino, o pequeno Bob, ou Betinho como diríamos nós. Mas o menino era Robert Moffat, que veio a ser um pioneiro da obra missionária na África. Ao relatar ele mais tarde, quando em gozo de férias no seu país, que de onde vivia na África podia se ver, em qualquer dia claro, a fumaça de mil vilas onde o nome de Cristo nunca fora ouvido, a chama do amor pela África acendeu-se no coração de um jovem estudante, David Livingstone, que se tornou o mais famoso missionário no grande continente. Outro estudante leu a história de Livinsgtone e veio a ser também um missionário na África. E assim, em grande parte, como resultado da decisão de um menino, todo um continente foi iluminado com o evangelho.
Amigo, quando a luz brilha em nossa face devemos segui-la. Se o ensino de Cristo vem a ti das Escrituras não o rejeites. Acaso, como Agripa, estás quase persuadido? Lembra que quase não é bastante. Quase estar com Deus equivale a não estar com o Senhor; quase decidir equivale a não decidir; quase dizer sim, equivale a dizer não; quase salvo equivale a totalmente perdido. Deus não nos chama para sermos quase cristãos, mas totalmente cristãos. E há perigo em demorar. Festo e Agripa não decidiram então, e aparentemente não decidiram jamais.
Quando o Paquete Steephen Hwittme bateu numa rocha próxima da costa da Irlanda e ficou por uns momentos preso à rocha, todos os passageiros que prontamente saltaram e se colocaram sobre a rocha foram salvos. Os que hesitaram e permaneceram a bordo pereceram, pois, logo após, uma grande onda levantou o navio e o fez soçobrar.
Caro leitor, dá-te pressa em abandonar a nau do pecado que avança para o naufrágio. Põe os teus pés na Rocha Eterna. Firma-te no Salvador Jesus Cristo que diz: “O que vem a Mim de modo nenhum o lançarei fora.”
Que Deus nos abençoe!

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sábado, 11 de setembro de 2010

SALVAÇÃO EM TRÊS TEMPOS

Para todo seguidor de Cristo a salvação tem três tempos: primeiramente ela é um ato já consumado. Como escreveu São Paulo: “Quando, porém, se manifestou a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o Seu amor para com os homens, Ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo.” Tito 3:4 e 5. Em segundo lugar, ela é um processo em desenvolvimento, um processo presente. “Assim, pois, amados meus”, escreveu o mesmo São Paulo, “como sempre obedecestes, não só na minha presença, porém, muito mais agora, na minha ausência, desenvolvei (ou efetuai) a vossa salvação com temor e tremor.” Filipenses 2:12. Em terceiro lugar, a salvação envolve também um acontecimento futuro. O apóstolo São Pedro fala da salvação preparada para revelar-se no último tempo. I Pedro 1:5. Os teólogos dão as essas três fases os nomes de JUSTIFICAÇÃO, SANTIFICAÇÃO e GLORIFICAÇÃO.
A justificação é o livramento da culpa do pecado, e o ser feito justo à vista de Deus; a santificação é o livramento do domínio e poder do pecado; a glorificação é o livramento de toda a maldição do pecado – livramento da dor, da tristeza, da doença e da morte. A justificação apaga o negro registro de um passado de rebelião contra Deus; a santificação é a transformação e purificação do nosso presente caráter, da nossa vida presente; a glorificação introduz-nos a um maravilhoso futuro que será o eterno reino de Deus. A isso se referiu São Paulo ao escrever: “Quando Cristo, que é a nossa vida se manifestar, então vós também sereis manifestados com Ele em glória”. Colossenses 3:4. A ordem dessas três coisas vem por determinação divina e é imutável: JUSTIFICAÇÃO, SANTIFICAÇÃO, GLORIFICAÇÃO. Elas se acham na ordem em que estão porque não há outra ordem lógica em que as colocar – PERDÃO PARA O PENITENTE, SANTIFICAÇÃO PARA O PERDOADO E GLORIFICAÇÃO PARA O SANTIFICADO. Pessoa alguma pode ser santificada antes de ser justificada e pessoa alguma poderá ser glorificada antes de ser santificada. Essas três coisas são os três áureos elos da corrente celestial que ergue o crente em Cristo das profundezas da perdição para as alturas do favor divino, da escravidão de Satanás para o próprio trono de Deus.
Como pode um pecador ser justificado? A resposta está nestas palavras da Escritura: “A fim de que, justificados por graça, nos tornemos Seus herdeiros segundo a esperança da vida eterna.” Tito 3:7. Qualquer pecador pode, pois, ser justificado pela graça de Deus – o Seu não merecido favor para conosco. Lemos também: “Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo Seu sangue, seremos por Ele salvos da ira.” Romanos 5:9. Isso mostra que somos justificados pela graça de Deus e pelo sangue de Jesus. A Escritura diz mais: “Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé independentemente das obras da lei.” Romanos 3:28. Noutras palavras: somos justificados pela fé somente. Esta é a nossa parte: a fé; a parte de Cristo é o Seu sangue, a Sua vida que Ele deu por nós; e a parte de Deus é a Sua graça.
Como vemos, a justificação é algo que Deus faz por nós, por Seu amor e graça; a santificação é algo feito em nós pelo Espíritos Santo e a Palavra divina; a glorificação é algo feito a nós, pelo grande poder de Deus. Nós vamos a Cristo e somos justificados pela fé, devemos, então, começar a crescer na graça. Devemos ler as Escrituras cada dia, a alimentar-nos delas, assim como cotidianamente tomamos nossas refeições. Devemos contemplar a vida de Jesus dia a dia para “sermos transformados de glória em glória na Sua própria imagem, como pelo Senhor o Espírito.” II Coríntios 3:18.
O Espírito Santo opera no coração do homem. Ele é quem convence do pecado. O Espírito Santo é o grande Ensinador, é o guia do cristão, de maneira que pelo viver cristão, tornamo-nos cada vez mais semelhantes a Cristo e produzimos frutos de justiça. As obras que não podemos realizar na nossa própria força são feitas pelo poder do Espírito Santo. O alvo da vida cristã é a perfeição e isso nós aspiramos. Por isso oramos e a isso dedicamos a vida sem qualquer reserva, mediante a fé e a obediência, pois é esta é a vontade de Deus, a vossa santificação.
Uma vida verdadeiramente cristã, semelhante a que Jesus viveu, é o maior sermão que podemos pregar como cristãos. Se Cristo vive em nós pelo Espírito Santo, os homens serão atraídos a Ele. A grande cantora Adelina Patti foi certa vez passar um feriado numa cidade da França, e pediu ao agente do correio da sua cidade que encaminhasse para lá a sua correspondência. Alguns dias depois, ela foi ao correio da cidade francesa, e indagou do agente: “Tem o senhor alguma correspondência para Adelina Patti?” “Sim, tenho”, respondeu o agente. “Mas para entregá-la é necessário identificação.” A cantora exibiu um cartão de visita, mas o agente achou que isso não era bastante. “Que posso fazer?”, perguntou ela, de si para si. Ocorreu-lhe, então, a idéia de cantar, e ela começou a cantar. Em poucos momentos o correio se encheu de gente que ouvia arrebatada a sua bela voz. Ao terminar, ela perguntou ao agente “Está satisfeito? Acha que sou mesmo Adelina Patti?”, “Completamente satisfeito!”, disse o agente em tom de desculpa. “Só Adelina Patti cantaria dessa maneira!”, e entregou-lhe um maço de cartas.
Prezado leitor, o mundo desiludido de hoje diz a ti, e a mim, e a todo cristão: “Queremos ver a Jesus, queremos ver cristãos verdadeiros!” É o nosso privilégio alcançar já aqui neste mundo não só justificação, cancelamento dos pecados já cometidos, mas também santificação. É o nosso privilégio viver como é agradável ao Céu, viver uma vida que seja qual melodia de paz. Essa é a mensagem que devemos levar, esse é o cântico que o mundo espera ouvir. Quão admirável é esse cântico! Quão desejável harmonia de vidas cristãs que são bênçãos para os outros.
A verdadeira vida cristã é uma viagem do perdão para a glória. Primeiro nós vamos a Deus para alcançar perdão. Pela fé em Cristo somos justificados. Então, alimentamo-nos da Palavra de Deus, as Escrituras, e entretemos comunhão com o Céu pela oração. Exercitamo-nos no serviço cristão, na prática da doutrina de Deus, e assim crescemos na graça. Isso é santificação. Quando o Salvador vier em glória teremos a terceira grande mudança – seremos feitos semelhantes a Ele. O nosso corpo será transformado e revestido de imortalidade.
O perdão está inteiramente além das nossas forças. Podemos tão só recebê-lo. Na santificação, no viver diário, nós temos parte ativa a desempenhar. Deus nos dá tanto o querer como o realizar segundo a Sua boa vontade. Filipenses 2:13. Mas temos de usar esse querer; temos de colocá-lo do lado de Deus; temos de consagrar a vida ao serviço de Cristo. Então, Deus executa em nós o realizar, o perfazer. Assim a santificação, o viver diário vitorioso, o crescimento na graça, é o resultado de estar a nossa vontade submissa ao poder de Deus.
Para quantos se acham no pecado, para quantos sentem sua condenação e sua incapacidade de vencer o mal, a mensagem do Céu é: VEM. Vinde a Mim todos os que estais cansados. São Mateus 11:28. Vinde a Mim porque tudo já está preparado. São Lucas 14:17. Se alguém tem sede, disse Jesus, venha a Mim e beba. São João 7:37. O Espírito e a noiva dizem: Vem! Aquele que ouve, diga: Vem! Apocalipse 22:17. A mensagem não é FAZE, mas VEM; não é EXPERIMENTA, mas VEM; não é MELHORA A TUA VIDA, mas VEM. A ceia está pronta. Vem e come! A água está jorrando. Vem e bebe! O perdão está sendo oferecido. Vem e recebe-o! Esse é o primeiro passo.
Faze isso, amigo, tu que estás cansado, turbado e serás salvo. Faze isso e alcançarás perdão. Crê para salvação de tua alma. Dize como o filho pródigo, levantar-me-ei e irei ter com Meu Pai. Ou como o publicano: ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!
Que Deus nos abençoe!

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sábado, 4 de setembro de 2010

PAULO OU SAULO DE TARSO?

Referência Bíblica: Romanos 7:14-24.

Por que este tema é tão importante? O que, de fato, está em jogo quanto ao que compreendemos acerca dessa citação bíblica? Existe algo além do que a descrição da experiência espiritual do apóstolo Paulo? Ou será que estamos lidando com uma matéria que o diabo não está interessado que descubramos a sua essência, por ver ameaçado o seu poder sobre os humanos? Creio que ao longo desta leitura alcançaremos as respostas.
É assaz importante que esclareçamos que não existem contradições nas Escrituras Sagradas. Todos os seus textos se completam, harmonizam-se plenamente. Se porventura uma passagem não nos for de fácil compreensão, não devemos forçá-la a nossa interpretação, todavia buscar nos demais livros, outra passagem que lide sobre o mesmo assunto, onde com certeza encontraremos uma luz adicional, levando-nos ao cabal conhecimento do que a Inspiração nos pretende ensinar. Este método é o indicado pelo Todo-Poderoso, e Cristo mesmo se valeu desse princípio quando, na estrada para Emaús, tentava revelar aos seus desalentados discípulos que Ele havia ressuscitado, consoante o que diziam as profecias messiânicas.
Mas o que temos nos versos intrínsecos ao nosso tema que nos mova a atenção para além de uma experiência religiosa do apóstolo dos gentios? Hoje a cristandade acredita piamente que o homem possui duas naturezas, e nesses versos ancoram sua fé. Será isso um fato? Na verdade, sem percebermos, estaremos mergulhados num mar de contradições, se assim crermos.
Dissequemos o tema, verdadeiramente. Bem, se perguntarmos a todos os homens, genericamente falando, se todos nós somos filhos de Deus, que resposta obteremos? Obviamente que sim. Ninguém pretende encarar a cruel realidade de que somos escravos do diabo, muito menos filhos dele. Eu mesmo não gostaria, e tenho certeza que o caro leitor também não. Entretanto, há no Sagrado Livro alguma referência a essa pergunta? Tem ele uma resposta segura, sem nos deixar qualquer dúvida? A resposta é sim, inelutavelmente. Está escrito:

“Isto é, NÃO SÃO OS FILHOS DA CARNE QUE SÃO FILHOS DE DEUS, mas os filhos da promessa são contados como descendência.” Romanos 9:8. (Grifo Nosso).

Vemos nesse versículo claramente que há distinção entre os filhos da carne e os filhos da promessa ou filhos de Deus. Noutro falar: ou somos filhos da carne [escravos do diabo] ou filhos de Deus. Não podemos estar alistados nas duas famílias concomitantemente. É impossível. O nosso Salvador mesmo disse que ninguém PODE agradar a dois senhores. Ele não está falando do querer e, sim, do poder. Ele está se referindo peremptoriamente à impossibilidade. Assim, todos nós estamos a agradar ou a Deus ou a Satanás. Disso, nós não temos a menor dúvida.
Como estamos vivenciando uma guerra cósmica, da qual somos o alvo, devemos compreender que há duas forças antagônicas entre si, culminando, deste modo, em acirrada e ferrenha inimizade. E isso é mais que lógico: jamais Cristo será amigo de Satanás, nem vice-versa. Ou seja, Cristo e Satanás são e serão até o fim dessa guerra, combativos inimigos. E nós? Podemos estar incólumes a esse confronto cósmico? Evidente que não. Pois, como dantes falei, somos o alvo de ambos.
A palavra inimizade é citada pela primeira vez, nas Sagradas Escrituras, em Gênesis 3:15. Aqui está:

“E porei INIMIZADE entre TI e a MULHER, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.” Gênesis 3:15. (Grifo Nosso).

Dois inimigos jamais realizarão algo em comum acordo, de modo que haja aprazibilidade entre si. Jamais. Não há privança entre Cristo e Satanás. E aí está a sentença que determinou os dois campos espirituais depois da queda do homem. Deus pôs termo à obra do nosso arquiinimigo. Chegaria o tempo em que ele não mais teria poder sobre o homem, antes mesmo da segunda vinda de Cristo ao mundo.. Ora, se deveria haver inimizade entre o povo de Deus e Satanás, não teria cabimento imaginar que isso só ocorrerá quando da segunda vinda de Jesus, pois a palavra semente, no verso supracitado, vem depois do pronome pessoal do caso oblíquo TI e o substantivo feminino MULHER. E não poderia ser diferente, uma vez que Cristo [a semente da mulher] nasceria depois que o povo de Deus tivesse sido por Ele estabelecido. A ilação mais apropriada e certa é que Deus poria inimizade entre Satanás e o Seu povo antes mesmo do fim dos tempos.
Precisamos entender que o âmago do evangelho é justamente pôr o homem em liberdade, salvá-lo da escravidão imposta por Satanás, quando este fez cair nossos primeiros pais. Além da entrada da morte neste planeta, Adão permitiu que outra conseqüência afetasse o mundo: a herança de sua natureza decaída. Essa natureza decaída é aliada de Satanás. Por ela o homem é escravo a sua vontade sem poder-lhe resistir ao seu poder. Por essa razão, Cristo exclamou: “se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres.” João 8:36. O homem por si só não poderá escapar dessa condição – escravo do diabo, a menos que o Senhor Jesus Cristo o liberte.
A razão de muitos irmãos interpretarem os textos bíblicos de Romanos 7:14-24, como sendo Paulo, mesmo depois da conversão, é que enxergam aquela luta como sendo duas naturezas, quando esquecem que todo escravo deseja liberdade, na ocasião que descobre que não é livre. Para melhor entendermos, avocaremos aquele episódio relatado no capítulo 8, do versículo 28 ao 34, do livro de São Mateus. Existiam dois homens endemoninhados que viviam na região de Gadara. Eles tinham os sepulcros como moradas. Se lermos a história entenderemos, sem muito esforço, que Cristo fora ali por uma razão, única e exclusiva: libertar aqueles homens. Há a lúcida concepção de que ao verem Jesus, em seu íntimo, eles desejaram pedir auxílio ao Salvador, mas ao abrirem seus lábios para pronunciarem sua oração, um demônio falou em seu lugar. Por que Cristo, então, libertou aqueles homens do poder do maligno, se todos os curados precisaram expressar sua fé nEle a fim de obter a bênção? Todavia, Cristo ouviu a oração inaudível daqueles dois homens.
É difícil para qualquer ser humano aceitar que é dominado por Satanás. Afirmamos que fazemos o que queremos fazer. Porém não é assim que nos mostra o Criador. Vejamos outra evidência da palavra inimizade nas Escrituras Sagradas. Encontramo-la em Romanos 8:7. Analisemo-la:

“Porquanto A INCLINAÇÃO DA CARNE É INIMIZADE CONTRA DEUS, pois NÃO É SUJEITA À LEI DE DEUS, nem, em verdade, o pode ser.” Romanos 8:7. . (Grifo Nosso).

Noutra versão, o termo inclinação da carne é chamado de pendor da carne. Ambas as expressões não se referem à outra coisa senão à natureza decaída que herdamos de Adão, natureza escrava de Satanás, não mais sujeita à lei santa de Deus. É inadmissível pensarmos que Adão teve uma natureza adicionada a que ele tinha antes da queda. Ele não recebeu mais uma natureza. A sua natureza foi transformada. E como podemos afirmar isso? Os textos abaixo nos auxiliarão.

"Entäo FORAM ABERTOS os olhos de ambos, e CONHECERAM que estavam nus; e COSERAM folhas de figueira, e FIZERAM para si aventais." Gênesis 3:7. (Grifo Nosso).

O que vemos nesse verso não é uma natureza sendo somada à outra, todavia uma degradação da natureza pura que tinham. As suas ações comprovam que houve uma transformação de caráter empós a queda. Agiram em comum acordo com a mente degradada proveniente da sua desobediência. Não seria oportuna a passagem de Provérbios 23:7 – “Porque, como imagina em sua alma, assim ele é”? Vale dizer, eles sempre tiveram uma só natureza – uma antes da queda, outra depois da queda; uma pura, a outra degenerada. Lembremos que ao criar o homem Deus havia dito “façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança”. Gênesis 1:26. Será que não ouvimos há muito se falar que é através do evangelho que Deus pretende restaurar a Sua imagem no homem? E é isso mesmo. A imagem de Deus foi obliterada do homem. E que imagem é essa? As Escrituras nos dirão. Antes, porém, vejamos a definição de caráter prevista pela Pequena Enciclopédia de Moral e Civismo, 2ª Edição, Ano 1975, de autoria de Fernando Bastos de Ávila, reconhecida pelo então Ministério da Educação e Cultura.

“Do grego ‘charactér de ‘charássein’ = gravar. Etimologicamente, caráter quer dizer COISA GRAVADA.’” (Grifo Nosso).

Todos sabemos da importância do gene que transportamos. Gene, na definição da genética clássica, é a unidade fundamental da hereditariedade. Ele, então, é tudo o que somos. O genótipo é a gama de nossas qualidades, invisíveis, incluindo o nosso caráter; o fenótipo é a demonstração do que somos, sejam traços físicos ou moral. Noutro falar, fenótipo é a manifestação do genótipo. No gene constam todas as informações sobre o futuro ser. Grifei propositadamente as duas palavras regeneração (genótipo) e renovação (fenótipo), contidas na passagem abaixo. Creio, agora, que ela será melhor compreendida. Lembremo-nos, no entanto, que estamos tratando da parte moral do ser humano.

“Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, NOS SALVOU pela LAVAGEM DA REGENERAÇÃO E DA RENOVAÇÃO do Espírito Santo.” Tito 3:5. (Grifo Nosso).

Podemos entender agora como Deus pretende realizar sua obra miraculosa exposta no evangelho. Com a queda, Adão teve seu caráter [imagem], seu gene por assim dizer, degradado. “Portanto, os que estão na carne NÃO PODEM agradar a Deus.” Romanos 8:8. A Bíblia não diz não querem, mas não podem. Os filhos de Adão estão impossibilitados de obedecer a Deus, enquanto nessa condição, uma vez que ainda não entregaram a sua vida ao Salvador. Esse gene degradado, propenso ao pecado, conhecido pelas Escrituras como natureza pecaminosa é transmitida a todos os seus descendentes. Embora Cristo não tenha nascido do modo natural, como todos nós, Ele precisou assumir essa carga genética, sem, no entanto, ser contaminado por ela. Não nasceu com um gene degradado, seu caráter era puro, porém, para ser nosso Salvador, teria que ser como um de nós. E Ele sentiu o peso da degenerescência, resultado da queda de Adão.
Os que estão na carne” e “se viverdes segundo a carne” são expressões que Paulo utiliza para identificar aqueles que não nasceram de novo, ou seja, os filhos do primeiro Adão. Aludindo a isso, em Gálatas 5:19-22, Paulo define o viver dos filhos de Adão [os que estão na carne ou vivem segundo a carne] e os filhos de Deus [os nascidos de novo].
Assim sendo, somente através da obra miraculosa do Espírito Santo, é que Deus restaura a Sua imagem no homem. E esta obra, esta operação é o novo nascimento. A nova criatura recebe um novo gene (reGENEração). A justiça de Cristo é-nos concedida de dois modos: imputada e comunicada. A primeira é o título para o Céu; a segunda nos habilita a viver no Céu. ReGENEração – aqui se dá a imputação da justiça de Cristo. É instantânea. ReNOVAção – processo pelo qual se comunica a justiça ao crente, ou seja, SANTIFICAÇÃO. É gradual. “Se alguém está em Cristo, nova criatura é.” II Coríntios 5:17. “Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio.” Gálatas 5:22 e 23. Portanto, todo aquele que desejar nascer de novo e se dispuser, será gerado de novo pelo Espírito Santo. Receberá de Deus um novo gene, ou seja, um novo caráter. Ele terá uma nova mente, um novo propósito. Efetivar-se-á nele a operação já prometida por Deus:

“E dar-vos-ei UM CORAÇÃO NOVO, e porei dentro de vós UM ESPÍRITO NOVO; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne.” Ezequiel 36:26. (Grifo Nosso).

Se a Palavra de Deus emprega o vocábulo NOVO, tanto para o coração como para o espírito, significa substituição e não adição. Nosso coração é comumente usado nas Escrituras para representar os desígnios do homem, ou seja, o caráter do homem, o âmago do seu ser. Quanto ao homem natural, Deus assim se refere: “enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?” Jeremias 17:9. (Grifo Nosso). E porque afirmo que essa alusão é quanto ao homem natural e não ao que experimentou o novo nascimento? Porque a perversidade não está no rol dos frutos do Espírito Santo, está? Simplesmente não.
Só se não quisermos admitir, mas o poder de Deus é capaz de restaurar o Seu caráter no homem, antes decaído, todavia agora transformado pela ação miraculosa do Espírito Santo, dando-lhe uma mente que se compraz em fazer a vontade do Criador. A mente que lhe é concedida, tanto se harmoniza com a vontade de Deus, tanto se deleita em viver harmoniosamente com os princípios do Céu, que o apóstolo Paulo asseverou isso através de suas próprias palavras:

“Porque, quem conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo? MAS NÓS TEMOS A MENTE DE CRISTO.” I Coríntios 2:16. (Grifo Nosso).

Como podemos crer, por tudo que estudamos, que Romanos 7:14-24, onde vislumbramos uma mente totalmente escrava do diabo, possa ser atribuído a Paulo, o qual afirma ter a mente de Cristo, consoante o verso acima? Só se ele tivesse duas mentes. E isso é um absurdo.
O que João 1:12 nos acrescentaria a respeito disso? Citemos tal passagem e em seguida façamos uma breve abordagem sobre sua mensagem.

“Mas, A TODOS QUANTOS O RECEBERAM, DEU-LHES O PODER DE SEREM FEITOS FILHOS DE DEUS, AOS QUE CRÊEM NO SEU NOME.” João 1:12. (Grifo Nosso).

O que podemos aprender com essa passagem? Que aqueles que receberam a Cristo, ou melhor, os que entregaram a sua vida ao Salvador pela fé, os que creram em Seu nome, foram transformados pelo lavar regenerador e renovador do Espírito Santo. A estes Deus conferiu o poder de serem FEITOS Seus filhos. A palavra é FEITOS e não CONSIDERADOS. Considerar está mais para hipótese do que para realidade. Deus não se utiliza de faz-de-conta, meu caro amigo. A operação que é realizada pelo Espírito Santo é real, e é manifestada por Seu poder na vida de quem por Ele foi transformado. Por isso se faz necessário nascer de novo. Tal operação espiritual nos faz ressuscitar na nova família da fé.
Destarte, confrontando as duas passagens (João 1:12 e Romanos 9:8) chegamos à conclusão de que só são filhos de Deus aqueles que decidiram se submeter à operação do Espírito Santo – o novo nascimento.
O verbo morrer nos ajudará a entendermos que só possuímos uma só natureza. Em Romanos 6:23 entendemos que a morte só cabe a quem transgride a lei de Deus. E esse versículo está de comum acordo com Romanos 8:13. Este último nos diz que “se vivermos SEGUNDO A CARNE, morreremos”. Se Cristo diz que quem crê nEle “PASSOU da morte para a vida”, significa dizer que os que crêem, tem a vida eterna. Então, se temos duas naturezas, somos obrigados a concluir que oscilaremos até Jesus voltar entre a VIDA ETERNA e a PERDIÇÃO ETERNA. Porque está escrito:

“Porque, assim como TODOS MORREM EM ADÃO, assim também TODOS SERÃO VIVIFICADOS EM CRISTO.” I Coríntios 15:22. (Grifo Nosso).

Todos os que são filhos de Adão sofrerão a segunda morte, pois sobre eles paira a sentença mortal anunciada no Éden e revista em Romanos 6:23, por não terem aceitado o convite do Salvador. Não somente os ímpios, mas também os incrédulos, são filhos de Adão. Assim, podemos estar dentro da igreja, batizados, desempenhando algum cargo, sermos ministros do Senhor, e não termos sido de novo gerados. Isso é grave, mas é a pura verdade. Só seremos FEITOS FILHOS DE DEUS, quando por Ele formos gerados novamente. “Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele QUE NÃO NASCER DE NOVO, NÃO PODE VER o reino de Deus.” São João 3:3. A impossibilidade está bastante patente, não está?
E quanto à contradição falada no início dessa apresentação? Vejamos. Paulo em Romanos 7:14 diz – “mas EU SOU CARNAL, vendido sob o pecado”. Se Paulo não está falando de sua experiência antes da sua conversão, como ele poderia dizer em sua primeira carta aos Coríntios 3:1, que, aos irmãos que eram considerados carnais por suas atitudes impensadas, não lhes pôde falar como a espirituais?

“E eu, irmãos, NÃO VOS PUDE FALAR como a espirituais, MAS COMO A CARNAIS, como a meninos em Cristo.” I Coríntios 3:1. (Grifo Nosso).

E mais:

“Irmãos, se algum homem chegar a ser surpreendido nalguma ofensa, VÓS, QUE SOIS ESPIRITUAIS, encaminhai o tal com espírito de mansidão; olhando por ti mesmo, para que não sejas também tentado.” Gálatas 6:1. (Grifo Nosso).

Se confrontarmos as passagens (Romanos 7:14 e I Coríntios 3:1), iremos crer que Paulo está sendo contraditor ou hipócrita, pois ele não poderia falar a espirituais se ele era carnal, vendido sob o pecado, ou seja, escravo de Satanás. Neste caso, ele só poderia ser espiritual, ou seja, ter nascido de novo ao escrever aos irmãos espirituais em Corinto, que também provaram a mesma experiência. Ele mesmo afirma que a lei é espiritual. Nenhum homem natural discernirá o que está proposto entre Gênesis e Apocalipse, nesta condição. Então: Paulo era carnal ou espiritual? Como podemos admitir que num dado momento ele viaja até o terceiro céu e depois ele está escravo do diabo? É uma contradição e tanto, o leitor não acha?
Em Gálatas 6:1, Paulo não diz vós que estais espirituais e sim, vós que sois espirituais. Ou somos uma coisa ou outra. Não, só existe uma situação aceitável em face de tantas evidências bíblicas disponíveis. Não podemos agradar a Deus e a Satanás, concomitantemente. Não temos que insistir num assunto tão claro nas Sagradas Letras. Ou nós somos carnais ou espirituais, nunca os dois ao mesmo tempo. Nem trazemos conosco duas naturezas. Ou nascemos de novo ou ainda vivemos segundo a carne. Ou somos filhos de Deus ou somos filhos do diabo.
Nasci da união de dois gametas humanos, assim, provenho de Adão. Sou carnal. E agora ao me ver perante a santa lei de Deus, deparo-me com uma situação terrível de ser aceita: sou pecador. Ao tentar satisfazer os reclamos dessa lei, percebo que não posso. Descubro que em minha vida, com toda a educação refinada que recebi, com todo o aparato intelectual que tenho, é-me impossível obedecer aos reclamos divinos e que meus conhecimentos só tornam minha situação mais deplorável ainda. Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte? Vejo com tremenda tristeza que sou escravo de Satanás e preciso urgentemente entregar a minha vida sem reservas a Deus e pedir-Lhe que me perdoe os pecados e me impute a justiça de Cristo. Creio que Ele cumprirá a promessa contida em I João 1:9. Então, levanto-me e, por ter crido na Sua palavra, por crer que Ele me gerou de novo, sou transformado segundo a Sua imagem. Doravante já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. Ele cumpre em mim o querer e o efetuar. Sou uma nova criatura, cujos frutos podem ser vistos em Gálatas 5:22.
Porque não crer nessa maravilhosa dádiva do Céu? Dizemos que Deus é poderoso, porém tolhemos o Seu poder com a nossa falta de fé, como se Ele não fosse capaz de nos tornar semelhantes a Jesus, quando aqui viveu. Sem essa maravilhosa experiência, sem a regeneração espiritual dos que crêem, o evangelho é fraco e não poderoso.
E na tentativa, como que num último esforço, apresento ao caro leitor mais duas passagens, as quais iluminam todo nosso entendimento quanto à morte da nossa natureza carnal, quando realmente nos entregamos a Deus e somos, por Seu Espírito, transformados num novo ser. Esta é a primeira passagem:

E OS QUE SÃO DE CRISTO CRUCIFICARAM A CARNE COM AS SUAS PAIXÕES E CONCUPISCÊNCIAS.” Gálatas 5:24. (Grifo Nosso).

O verbo crucificaram está no passado e não no presente. Ora se morremos com Cristo, como podemos dizer que essa natureza carnal permanece viva, bastando esquecermos de ler a Palavra de Deus, para que ela volte a assumir? Não terá ocorrido que fomos enterrados vivos e achamos que fomos sepultados com Ele?
Na passagem seguinte, enfim, o apóstolo torna cognoscível que Romanos 7:14-24 só pode ser entendida como sendo sua experiência antes da sua conversão, na estrada de Damasco, pois contradiz total e veementemente suas declarações anteriores, ali previstas, se consideradas de modo contrário.

“Sabendo isto, QUE FOI CRUCIFICADO COM ELE O NOSSO VELHO HOMEM, para que O CORPO DO PECADO SEJA DESTRUÍDO, e NÃO SIRVAMOS O PECADO COMO ESCRAVOS.” Romanos 6:6. (Grifo Nosso).

Como Paulo que, segundo esses versículos, não serve mais o pecado como ESCRAVO, teve o velho homem CRUFICADO, em Romanos 7:20 afirma que o pecado HABITA nele? Ele não diz às vezes habita. Afinal o pecado foi destruído ou ainda vive, habitando nele? Parece contraditório não é? A palavra QUE, precedendo o verbo HABITA [que habita em mim], denota inquestionavelmente que há efetividade e não esporadicidade. Sim, será contraditório, a não ser que nos disponhamos a crer na simplicidade e magnificência existentes na Palavra de Deus – que Paulo já gozava da nova experiência com Cristo.
Lembremo-nos que os veios espirituais só serão revelados aos que crêem em Cristo, os que vivem uma experiência de inteira comunhão com o nosso Salvador, através do Seu Espírito. Portanto, peçamos a Deus agora mesmo que o novo nascimento seja uma realidade em nossa vida. Roguemos a Ele que nos transforme segundo a Sua imagem e assim possamos dizer como Paulo – “já não sou quem vive, mas Cristo vive em mim”.
Que Deus nos abençoe rica e poderosamente! Amém!

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