domingo, 26 de dezembro de 2010

AO IRMÃO GILSON!

Caro Irmão Gilson Medeiros, bom dia!

Quando Cristo predisse que um terremoto e uma evidente queda de estrelas anunciariam o tempo do fim, acha o Irmão que Satanás ficaria inerte e deixaria que a humanidade assistisse livremente tais sinais e assim cresse nas Escrituras? Claro que não. E por ser impostor, como sempre o foi, tratou de confundir a mente dos incautos com a contrafação da verdade. Com a permissão de Deus, Satanás pode muito bem manipular a natureza em prol dos seus desígnios. E assim ele agiu. Muitos terremotos circundaram aquele predito por Cristo e com isso conseguiu o diabo arrefecer a fé de milhões, pondo dúvida se era realmente uma profecia e qual dos acontecimentos era o cumprimento dela. Da mesma maneira se deu com o chuveiro de estrelas. E será assim até a vinda do nosso Salvador. A própria vinda de Cristo, Ellen White diz que ele tentará imitar, embalde. Para os que estudam o Sagrado Livro não haverá dificuldade em distinguir a verdade do erro. E por que existem tantas religiões? Não tem o mesmo fundamento – confundir? Satanás está por trás de movimentos sensacionalistas, que levam multidões ao falso arrependimento. Vivem por um momento num estado de glória e logo se vêem em trevas, desesperadas. Avivamentos nascem aqui e acolá por conta da emoção e dela tão-somente. E por que isso? Não precisamos nos convencer de que Satanás estuda as Escrituras, pois isso é mais claro que o cristal. Ele quer acompanhar todos os acontecimentos proféticos para tentar enganar até, se possível fora, os escolhidos. Assim, com um movimento aqui outro ali, sem a manifestação do Espírito Santo, ele tenta confundir a mente dos sinceros seguidores do evangelho para que não tomem conhecimento de uma verdade tão presente e por demais maravilhosa. Por que o evangelho tem o significado de boas-novas? Seriam essas boas-novas a mensagem do perdão de Deus? O perdão divino não nos confere poder, Irmão Gilson. Então o que consideraríamos ser boas-novas?
O que de fato nos anuncia o tema JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ? Paulo em Romanos nos ajuda bastante. "JUSTIFICADOS, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo." Romanos 5:1. O que é ser justificado? Tornado justo. A Bíblia assevera que só há um Justo: Cristo. Tornar Deus um pecador em um homem justo, significa algo mais do que uma simples figura. Algo considerado, de fato, uma boa-nova. Paulo está nos dizendo que a promessa estabelecida em I João 1:9, será cumprida, pois Deus é fiel. Lembremo-nos que a fé só tem finalidade de existência se houver antes dela, uma promessa. Pois, em que ancorar a fé, se nada antes tenha sido prometido ou pronunciado? E vemos também que ao entrar a fé em ação, algo acontece. E não é natural, é sobrenatural, pois a fé foi criada com o fito de agarrar-se no IMPOSSÍVEL. Note que todas as vezes que foi necessária a intervenção da fé, um milagre aconteceu. E sem fé nada ocorre. Por que Elias precisou se deslocar para fora do arraial, para fora de Israel, a fim de ser alimentado por uma viúva pagã? Diríamos: por que Deus o determinou. Mas o que havia por trás dessa determinação divina? O Salvador nos responde: “Em verdade vos digo que muitas viúvas existiam em Israel nos dias de Elias, quando o céu se cerrou por três anos e seis meses, de sorte que em toda a terra houve grande fome.” Lucas 4:25. No versículo 24 Ele nos esclarece: INCREDULIDADE. E quando proferiu tais palavras, os religiosos do Seu tempo se iraram contra Ele. E Paulo enfatiza a incredulidade como a principal causa da rejeição, por parte de Deus, quanto ao Seu povo como nação. A FALTA DE FÉ DESAGRADA A DEUS. Afasta-nos dEle. Paulo estava caminhando e viu um coxo de nascença, e diz a Escritura que ele fitou os olhos naquele homem e viu que ele TINHA FÉ PARA SER CURADO. Esta é a razão da cura. Ninguém recebia o dom divino se não fizesse uso da fé. A FÉ É A MÃO QUE AGARRA AS DÁDIVAS DE DEUS.
Voltemos ao assunto. Paulo em Romanos 5:1 está fazendo menção de um milagre. Veja: ele se refere a Cristo, em I Coríntios 15:45, como sendo o último Adão. Porquê? O primeiro Adão foi o começo da humanidade; o último Adão, Cristo, o recomeço. Um representa a obra da criação; o outro, da recriação. Quando Cristo disse a Nicodemos: “Necessário vos é nascer de novo.” João 3:7, Ele não estava falando de um faz-de-conta. Deus não é deus de faz-de-conta. O Salvador não estava falando por parábolas ou enigmas. Ele estava falando da obra da recriação de Deus. Como Cristo foi formado no ventre de Maria? Sabemos que foi o Espírito Santo que operou aquele milagre. E é da mesma obra que Jesus está falando, Irmão. Quando recorremos a Deus em busca de perdão, com o sincero desejo de abandonar o mau, Deus cumpre a promessa prevista em I João 1:9. Ali estão contidas duas bênçãos. Uma é o perdão dos nossos pecados. Todos eles são apagados, anulados. Somos vistos por Deus como se nunca houvéssemos pecado. A outra é o que precisamos, para viver uma vida santa e irrepreensível perante Ele e o mundo que nos cerca. Ele nos purifica. Noutras palavras: Ele nos torna puro como Cristo é puro. Instantaneamente recebemos o dom da justiça, o poder para vencer. Somos libertos do domínio do pecado. É por isso que Paulo diz: “Nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus.” Romanos 8:1.
O anjo disse a Maria que o nome do Redentor seria JESUS. E por qual azo? O anjo responde: “Porque Ele SALVARÁ O SEU POVO DOS PECADOS DELES.” Mateus 1:21. Livres do pecado, Cristo vem viver em nosso coração através do Espírito Santo, que é o penhor do novo nascimento. E assim o nosso viver será semelhante ao dEle próprio. “Aquele que diz que permanece nEle, esse deve também andar ASSIM COMO Ele andou.” I João 2:6. Andar COMO Cristo andou? E como Cristo andou? Guardando os mandamentos de Deus. Precisamos entender que Jesus só pode ser aceito por Deus como nosso Redentor, em virtude do Seu viver aqui na Terra ter satisfeito à santa lei de Deus. Se o Seu viver não fosse segundo o que requeria a lei, nós estaríamos perdidos. Sendo assim, um viver abaixo do modelo deixado por Cristo não é aceitável por Deus. E isso é possível, por um milagre operado por Deus. Salvar-nos do poder do pecado foi a principal razão da vinda de Cristo ao mundo, Irmão. Se assim não fosse ela teria sido em vão. Nascer de novo, portanto, é nascer de Deus, cuja operação é realizada pelo Espírito Santo. E São Pedro nos diz mais detalhadamente, Irmão Gilson, como ocorre: “SENDO DE NOVO GERADOS, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela PALAVRA DE DEUS, viva e que permanece para sempre.” I Pedro 1:23. Que semente corruptível é essa a que ele faz menção? São os gametas sexuais humanos, meu irmão. Pedro está nos dizendo que o novo nascimento não é uma obra da qual o humano participe, como ocorre na fecundação do óvulo pelo espermatozóide. Deus quer operar um milagre. Transformar-nos de pecadores em homens santos, que se comprazem em andar seguindo as pegadas do Mestre. Homens cuja inclinação é para as coisas do Espírito, tão naturalmente como era a inclinação para as coisas da carne, antes do milagre. A única ferramenta humana imprescindível na realização desse milagre é tão-somente a FÉ. Eis a razão do tema ser: JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ. Sermos tornados justos por um milagre que Deus opera em nós, recriando-nos a Sua imagem, QUANDO CREMOS que o fará. Foi o que ocorreu com os efésios. “Em quem também vós estais, DEPOIS QUE OUVISTES A PALAVRA DA VERDADE, o EVANGELHO da vossa salvação; e, TENDO NELE TAMBÉM CRIDO, FOSTES SELADOS COM O ESPÍRITO SANTO DA PROMESSA.” Efésios 1:13. Só recebemos o Espírito Santo quando nascemos de novo. Ele é quem nos enche de amor, elemento crucial para obedecermos aos mandamentos de Deus. “O cumprimento da lei É O AMOR.” Romanos 13:10. E o Espírito Santo é o veículo por onde o amor é derramado em nossos corações. Romanos 5:5. Confira. E por que acha o Irmão que Satanás não gosta desse tema? Por que ele sabe que se tal tema for bem compreendido, os que estiverem dispostos a crer no poder recriador de Deus serão livres do domínio do pecado, do seu domínio. Não serão robôs, pois o poder de escolha ainda existirá como nunca deixará de existir, havendo, portanto, a possibilidade de tal homem renascido desejar abandonar a vida da fé e voltar aos seus prazeres anteriores. Mas será uma decisão sua. Porém isso não impede, entrementes, do cumprimento da palavra do nosso Deus que diz, no Salmo 121:3: “Ele NÃO PERMITIRÁ que os teus pés vacilem.” Se caímos é porque Deus deixou de cumprir a Sua promessa, Irmão? Se Deus dissesse pro Irmão: “Gilson, Eu não permitirei que os teus pés vacilem!”, o irmão duvidaria de Sua palavra, como fez Pedro? Ou perguntaria: “Mas, Senhor, não sou eu um pecador?” Não importa o que somos, Irmão, importa o que Deus nos diz. E se Ele nos diz que nos transformará em homens capazes de vencer o pecado, mesmo em pensamento, é por que Ele tem poder para isso. Agora, o poder de Deus, em relação ao homem, sempre esteve limitado pela medida da nossa resposta. E essa resposta é chamada nas Escrituras de FÉ. Pedro afundou por que DUVIDOU da palavra que lhe foi dita por Cristo. Olhou para as circunstâncias. Se olharmos para nós, impediremos os nossos olhos de verem o que Deus pode fazer POR NÓS e EM NÓS. Por nós, apagando os nossos pecados; e em nós, transformando-nos em verdadeiros filhos de Deus. Homens e mulheres que vivem diante dEle sem cometer pecado. É possível sim, Irmão, viver uma vida isenta de pecado, em pleno 2010, mesmo em pensamento. Caso contrário, Pedro não diria tão clara e abertamente: “Portanto, irmãos, procurai fazer cada vez mais firme a vossa vocação e eleição; porque, fazendo isto, NUNCA JAMAIS TROPEÇAREIS.” Será que Pedro não exagerou de propósito quando usou duas palavras sinônimas: NUNCA e JAMAIS?
A mensagem é muito forte, não é Irmão Gilson. Mas é o que Deus está propondo para nós, Irmão. Nossos esforços só são válidos após o novo nascimento. Devemos atender primeiro ao VINDE, e então, ao nos submetermos ao milagre do Espírito Santo, Ele nos GERA DE NOVO. O termo NOVA CRIATURA, de II Coríntios 5:17, soa melhor, agora, ao Irmão? Nascidos de novo, crescemos até a estatura de Cristo, alimentando-nos da Sua palavra, da oração e da pregação do evangelho, mantendo acesa a nossa fé nEle. Aqui, no processo da santificação, os nossos esforços são valiosos, pois colaboramos com o Espírito Santo na edificação de um caráter semelhante ao de Cristo, pois sem a santificação “NINGUÉM VERÁ O SENHOR”. Hebreus 12:14.
Cristo virá para buscar os que estão vivendo como Ele viveu. Só serão glorificados os que foram santificados. E só serão santificados os que provaram do novo nascimento - A OBRA RECRIADORA DE DEUS. As palavras de Cristo ainda ecoam: CRÊ SOMENTE!
Que Deus nos abençoe!
Irmão Edson.

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domingo, 12 de dezembro de 2010

A PROFECIA DE GÊNESIS 3:15


É verdade que já ouvimos inúmeras pregações não só sobre esta passagem, como tantas outras. "Porei INIMIZADE entre ti e a mulher, entre o teu descendente e o seu descendente. Este te ferira a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar." Gênesis 3:15.
Muitas vezes lemos esta passagem e não percebemos a sua mensagem principal. Lembremo-nos que se trata da primeira profecia bíblica. Deus está asserindo aqui que Ele tomaria providências para que fosse erigido um muro - a INIMIZADE. O que isso tem a ver com o viver sem pecado?
Para que possas entender melhor, vamos sair do Gênesis e nos situarmos em Romanos 5:19 - Pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores. O pecado de Adão resultou na degeneração do caráter de Deus, não só nele, como também em todos os seus descendentes. Então, a sua natureza, agora decaída, não tinha forças para resistir a Satanás, ou seja, Adão ao desobedecer voluntariamente a uma ordem expressa de Deus, submeteu-se ao domínio do Diabo. E esse domínio, o Diabo teria sobre todos os descendentes de Adão. Os homens seriam escravos do pecado. Deus entra em cena para resgatar o homem. Estabelece os sacrifícios de animais inocentes, os quais simbolizavam o sacrifício substituinte de Seu Filho, no futuro. Satanás não compreendeu o significado daquele ritual. Ao menos, no princípio.
O que significa Cristo para a humanidade? Responderíamos: o Salvador, lógico! Mas esta não é uma resposta teologicamente plena, ela é mais que sucinta, ela é o fim. Precisamos entender seu começo. Adão foi o princípio da humanidade. Ele foi criado perfeito e detinha o caráter e a personalidade divinos. A imortalidade, entrementes, era-lhe condicional. Ele teria que passar pela prova. Sabemos do resultado. O que Deus pretendeu, portanto, ao anunciar o evangelho ao casal, escravo de Satanás? Oferecer-lhe uma segunda chance. A eles em particular? Não. A toda humanidade, pois o processo reprodutivo não seria estagnado. A terra se encheria dos humanos. Do casal foi requerida fé no Salvador vindouro, e sua decisão em aceitar o plano, permitiu a Deus agir em prol da raça caída.
Viajemos no tempo e assistamos o nascimento do menino Jesus. Houve festa nos corações dos que esperavam pelo cumprimento da profecia – a primeira vinda de Cristo. Qual o significado dela? A segunda chance para a humanidade. Como, assim, segunda chance? Em Cristo a humanidade teve novo começo. É como se tudo tivesse começado do zero. E assim foi pra Deus. E Satanás soube disso tempos depois, e por essa razão se empenhou em desqualificar Cristo quanto a Sua missão. Há alguma passagem bíblica que nos evidencie tal recomeço? Sim. I Coríntios 15:45. As Escrituras denominam Cristo como último Adão. Ele é o Recomeço.
Como é consabido, todos os descendentes de Adão sofreram a condenação do pecado. Nenhum ser humano poderia se libertar desse jugo de escravidão. Por esse azo, o nosso Salvador não poderia advir de modo similar, ou seja, gerado pela semente corruptível de Adão. Era necessário um milagre. Tal obra miraculosa, operada no ventre de Maria, foi realizada pelo poder do Espírito Santo. Malgrado Sua dupla natureza, Cristo era divino-humano, Ele teria que viver sob as mesmas condições de um ser humano normal. Noutro falar: Cristo teria que viver sob a dependência total do Pai celeste. Caso contrário, Ele não poderia ser o nosso Salvador. O próprio Satanás requereria isso. Cristo deveria ser posto na posição de Adão. NEle, a humanidade recomeçaria a sua existência. Existência? Sim. A humanidade morrera no jardim quando Adão transgrediu a ordem divina, lembras? Eis a principal razão do Sagrado Livro chamar Cristo de último Adão.
Depois de cumprida com êxito a Sua missão, Cristo subiu ao Pai para apresentar a Sua oferta propiciatória. Era necessário o crivo do Pai celeste, aprovando a Sua vida de obediência, à luz da Sua santa lei. O fato de haver Cristo aparecido aos discípulos, quando eles estavam trancados no cenáculo com medo dos judeus, era a prova de que Sua vida na Terra foi aceita como a obediência requerida pela Lei, quebrantada por Adão e seus descendentes. Sacrifício perfeito. Esta obra propiciava ao homem penitente, receber de Deus o que ele precisava para vencer – o dom da Justiça, possibilitando-lhe viver perante Deus tal qual Jesus viveu aqui na Terra. E como se daria isso? Por um milagre.
Lembremos que em Hebreus, São Paulo atribui a Cristo a autoria da fé, e Lhe acrescenta o titulo de Consumador da fé. O nosso Salvador proveu tudo que seria necessário para que o homem caído pudesse ser o que deveria ser: perfeito. A fé seria a parte que caberia ao homem desempenhar no plano da salvação. No trato de Deus com o homem, o milagre ocorre por interferência da fé. Ela precisa estar presente. Do contrário nada ocorre. Como dantes falei, todos os que foram curados por Cristo necessitaram exercer fé no Salvador. São Paulo diz em Hebreus 11:6 – “De fato, SEM FÉ É IMPOSSÍVEL AGRADAR A DEUS, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que Ele existe e que Se torna galardoador dos que O buscam.” Vê a importância da fé? Não é à toa que em Apocalipse ela é comparada ao ouro provado no fogo (Apocalipse 3:18).
Mas o que é fé? Falamos tanto em fé, mas não sabemos na verdade do que estamos falando, pois em quase todas as situações de prova, até fazemos menção dela, mas não a permitimos interagir. Temos nas Escrituras a sua definição: “Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem.” Hebreus 11:1. Esta é parte teórica. Eis Noé construindo a arca. Não chovia naquele tempo, o orvalho descia e regava a Terra. Segundo o mandamento de Deus, Noé passou cento e vinte anos pregando àquele povo rebelde, embalde. E para quê a arca, se não havia uma nuvem de chuva sequer? Noé ESTAVA CERTO de que iria chover e CONVICTO DO DILÚVIO UNIVERSAL. Percebes a parte prática aí? A fé tem sempre dois aspectos: um reside no nosso interior e o outro se manifesta em nossos atos. Assim, logicamente, a fé vem antes do milagre. É mister o passo firme da fé a fim de que o milagre ocorra. Sempre foi assim e sempre o será. Mas há ainda outro detalhe importante. Antes da fé, para que ela tem razão de ser, faz-se necessário a existência de uma promessa divina, pois a fé é a âncora da alma. Através dela firmamo-nos nas promessas de Deus. Então é assim – PROMESSA>FÉ>MILAGRE. Esse é o trio da salvação. Não existe salvação sem que a fé esteja cabalmente envolvida. Mais uma história: “Segunda vez foi Jesus a Caná da Galiléia, onde da água fizera vinho. E havia ali um nobre, cujo filho estava enfermo em Cafarnaum. Ouvindo este que Jesus vinha da Judéia para a Galiléia, foi ter com ele, e rogou-lhe que descesse, e curasse o seu filho, porque já estava à morte. Entäo Jesus lhe disse: Se näo virdes sinais e milagres, näo crereis. Disse-lhe o nobre: Senhor, desce, antes que meu filho morra. Disse-lhe Jesus: Vai, o teu filho vive. E O HOMEM CREU na palavra que Jesus lhe disse, E PARTIU. E descendo ele logo, saíram-lhe ao encontro os seus servos, e lhe anunciaram, dizendo: O teu filho vive. Perguntou-lhes, pois, a que hora se achara melhor. E disseram-lhe: Ontem às sete horas a febre o deixou. Entendeu, pois, o pai que era aquela hora a mesma em que Jesus lhe disse: O teu filho vive; e creu ele, e toda a sua casa.” São João 4:46-53. Ele creu e partiu. Partiu na certeza de que as palavras de Cristo se cumpririam na íntegra. Ele não duvidou de Sua promessa, e o milagre aconteceu. Não houve surpresa de sua parte quando lhe informaram sobre a restauração da saúde e da vida de seu filho, porque ele já sabia que assim seria. E o mesmo é exigido de nós. NÃO DEVEMOS COLOCAR UMA INTERROGAÇÃO ONDE DEUS PÔS UM PONTO FINAL. Devemos ouvir e atender a Sua voz: CRÊ SOMENTE. Acredito que agora, empós falarmos sobre a importância da fé e o seu papel fundamental na salvação, estejas pronto para entender o desfecho desta mensagem.
São Paulo, em sua carta aos Romanos, nos faz entender que nem todas os seres humanos são filhos de Deus. Ele afirma categoricamente que se vivermos segundo a carne morreremos. O que ele está a dizer com a expressão viver segundo a carne? Quem são os que vivem segundo a carne? Paulo mesmo nos encaminha para a resposta. Em Romanos 9:8 ele nos diz que “não são os filhos da carne que são filhos de Deus, mas os filhos da promessa são contados como descendência”. E em I Coríntios 15:22, lemos “Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo.” Vemos que existem duas famílias aqui: a da carne e a da promessa. A carnal nascida de Adão e a espiritual nascida de Cristo. Embora muitos não creiam, Paulo nos mostra explicitamente do versículo quinze até o vinte e três de Romanos 7, a experiência dos que ainda vivem na carne. É fácil considerarmos isso, pois em Romanos 8:8 ele testifica que “os que estão na carne NÃO PODEM agradar a Deus.” Não se trata de desejo, todavia de impossibilidade. É duro admitirmos isso, mas não há outra saída. Se vivemos num cai-levanta, se não apresentamos diante de Deus um caráter puro, se em nosso viver não satisfazemos a Sua santa lei, mesmo em pensamento, é uma prova inequívoca de que ainda estamos na carne. E se assim permanecermos não seremos salvos, estaremos entre os perdidos, independentemente dos dízimos devolvidos, dos cultos freqüentados, dos cargos que assumimos na igreja. Foi por isso que Cristo disse a Nicodemos que “aquele que não nascer de novo, NÃO PODE entrar no reino de Deus.”
Por que caminhamos para a morte, se estivermos na carne? Por causa dos frutos. Os frutos dos filhos de Adão são os descritos em Gálatas 5:19 a 21. Sobre eles pairam a condenação da lei – a morte. E porque os carnais não podem agradar a Deus? Pelo fato de serem escravos do pecado e, por conseguinte, escravos de Satanás. Os filhos da carne obedecem-lhe a voz. Por natureza, ainda que não queiram, eles são inimigos de Deus. São inimigos por não poderem obedecer a Deus e, sim, a Satanás. Para Deus não adiantará professar amá-Lo sem uma vida de obediência como é requerida por Sua lei. Não é o nosso desejo ou nossa boa intenção, que nos caracterizam como filhos de Deus, mas nossos atos. Nossos frutos ou atos manifestam se somos filhos de Deus ou filhos da carne. Se somos filhos da carne somos, em toda a essência, inimigos de Deus, pois “a inclinação da carne é INIMIZADE contra Deus, pois NÃO É SUJEITA À LEI DE DEUS, nem, em verdade, o pode ser.” Romanos 8:7. É por esse motivo que o apóstolo Paulo em Romanos 8:8 confirma sem vacilar que os filhos da carne sofrem a impossibilidade de agradar a Deus, ou seja, de obedecer aos Seus mandamentos.
Assim evocamos Gênesis 3:15. A promessa nele contida é “POREI INIMIZADE entre ti [Satanás] e a mulher [povo de Deus], entre a tua semente [filhos da carne] e o seu descendente [Cristo]. Este [Cristo] te [Satanás] ferirá a cabeça [na cruz do Calvário] e tu [Satanás] Lhe [Cristo] ferirás o calcanhar [através de Judas, efetuando a traição].” O que esta passagem tem a ver com a vida sem pecado? Penso eu que não preciso responder. Satanás sabia que o homem caído seria seu escravo, inimigo de Deus, não podendo obedecer a Sua lei. Satanás sabia que os frutos produzidos pelo homem, seu escravo, desagradariam ao Criador e lhe traria inevitavelmente a morte. A sentença POREI INIMIZADE era demais para ele compreender. Como o homem poderia ser liberto do seu domínio? Ser seu inimigo significaria ser amigo de Deus, estar do lado do Criador, não por palavras, mas máxime por uma vida de estrita obediência à santa lei da liberdade. Em Gênesis 3:15 Deus anteviu, por sua ubiqüidade, a eficácia do Seu plano mediante a pessoa de Cristo e isto representava uma geração de homens e mulheres, que pela fé, viveriam tal qual Seu filho viveu, pois Cristo mesmo viveria através deles por intermédio do Espírito Santo. São João assim declara: “E a todos QUANTOS O RECEBERAM deu-lhes o PODER de serem feitos FILHOS DE DEUS.”
Só poderemos ser filhos de Deus por um milagre realizado pelo Espírito Santo. Ele opera esse milagre em nós se tão somente crermos que tal milagre se realizará em nós. Parece simples, não é? Mas é. Tudo que precisamos fazer é ter fé. Lembras do trinômio [promessa-fé-milagre]? Era assim que se dava nas curas que Cristo operava. Os coxos, os surdos, os paralíticos, os leprosos não tiveram que fazer nada a não ser crer, crer que Sua palavra se cumpriria neles. E receberam a bênção. Não será diferente conosco. Romanos 5:17 diz que Deus quer nos dar o DOM DA JUSTIÇA. Justiça é o que a lei requer. Por assim dizer, Deus nos quer dar o poder para obedecê-Lo, quer nos dar JUSTIÇA.
Não percebemos que a investida do inimigo sobre Adão teve êxito, por conta da incredulidade? Não percebemos que Deus rejeitou Israel, como nação, por conta da incredulidade? Não percebemos que a viúva de Sarepta foi escolhida por Deus, por conta da incredulidade das viúvas de Israel? A fé é determinante. Viver sem pecar é demais para mim e para ti, para todos os homens, porém não para Deus. E esse é o objetivo principal da vinda de Cristo ao mundo. Pensemos em Abraão. Como se deu o nascimento de Isaque? De modo natural? Não. Quiçá muitos de nós não saibamos, mas o nascimento de Isaque teve a mesma natureza do nascimento de Cristo. Lede Gálatas 4:29. Ele não nasceu por força da união de gametas humanos. Isaque foi um milagre. Deus prometeu, Abraão creu, Isaque nasceu. Vê o trinômio em ação aqui?
Sim, tudo o que devemos fazer é crer na promessa de Deus. Lembra-te de que Ele é fiel e tem interesse em cumprir tal promessa em ti também, pois esta é a Sua vontade. Esforçarmo-nos para ter uma vida de pureza, antes de ter provado dessa experiência, o novo nascimento, é semelhante à luta da mosca para sair da teia de aranha – quanto mais se mexe mais se enrosca e se torna presa fácil para o adversário. Não temos que nos esforçar antes, temos que ir a Ele. Cristo não diz “Melhora a tua vida e depois vem!”, mas “Vinde [como estiveres]... e Eu vos aliviarei”. Nosso esforço é válido depois de nascermos, pois devemos cooperar com o Espírito Santo na edificação do novo caráter. E em que promessa devo crer inicialmente? Ela se encontra em I João 1:9 – “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça.” Tantas vezes lemos este versículo, mas não tivemos fé que Deus cumpriria a Sua promessa. Nesse verso Deus nos promete livrar-nos da culpa, apagando os nossos pecados, mas não somente isso. Somente o perdão dos pecados não nos habilita a viver uma vida de vitória. Entra, portanto, a segunda parte da promessa – NOS PURIFICAR DE TODA A INJUSTIÇA. Injustiça é pecado. Deus está prometendo nos purificar do que o pecado nos causou. O que ele nos causou? Destituiu-nos da imagem de Deus; tornou-nos escravos do Diabo. Deus está nos prometendo tornar-nos Seus filhos, com poder para Lhe obedecer como Cristo obedeceu. Esta é a promessa. Falta a nossa parte – . Se estivermos dispostos a Lhe obedecer, se formos a Ele sem reservas, com sinceridade de coração, misturados com a fé necessária, não sairemos de Sua presença sem a bênção. O que diz São Pedro a respeito disso? Leia atentamente: “Sendo DE NOVO GERADOS, não de semente corruptível, mas da incorruptível [como Isaque, como Cristo], PELA PALAVRA DE DEUS, viva, e que permanece para sempre.” I Pedro 1.23. Somos gerados de novo, e isso não é um faz-de-conta, é real porque Deus é real. Ele nos gera pelo mesmo poder que dava vida aos mortos, pelo mesmo poder que criou os mundos. Ele disse HAJA LUZ e HOUVE LUZ. Se creres, sem duvidar no coração, que Ele te gerará de novo, Ele fará de ti uma NOVA CRIATURA, o milagre será operado em ti como o foi em tantos quantos creram, sem duvidar. Pois foi a isso que se referiu São Paulo quando escreveu aos Efésios: “Com o fim de sermos para louvor da sua glória, nós os que primeiro esperamos em Cristo; em quem também vós estais, DEPOIS QUE OUVISTES A PALAVRA DA VERDADE, O EVANGELHO DA VOSSA SALVAÇÃO; e, TENDO NELE TAMBÉM CRIDO, FOSTES SELADOS COM O ESPÍRITO SANTO DA PROMESSA.” Capítulo 1, versículos 12 e 13.
Não é de admirar que Paulo tenha dito: “Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, ASSIM TAMBÉM ANDEMOS NÓS EM NOVIDADE DE VIDA... Sabendo isto: que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, E NÃO SIRVAMOS O PECADO COMO ESCRAVOS”. Romanos 4:4, 6.
A bênção te espera, caro amigo. Precisas crer que Deus não mudou nem o Seu poder enfraqueceu. De nossa geração Deus exige a mesma conduta que exigiu de Cristo quando esteve na Terra. Sua vida é o padrão moral requerido pelo Céu. Não podemos nos iludir de que poderemos entrar no Céu com um caráter defeituoso. Satanás está por trás da idéia de que só alcançaremos santidade quando Jesus voltar, porque ele sabe que se assim crermos perderemos a salvação. Ele teme que depositemos fé nas promessas de Deus, por isso trabalha sempre com a dúvida, e aponta para os nossos fracassos como prova de que é impossível guardar a lei de Deus. Ele sabe que o poder de Deus se manifestará em nós se crermos que o nosso Criador cumprirá o que prometeu, como fez Abraão que creu contra a esperança. A mesma fé é requerida por nós. Quando Cristo voltar levará os que tiveram esperança nEle, os que purificaram-se a si mesmos, COMO TAMBÉM Ele é puro. I João 3:3.
Meu desiderato é que Deus possa te fazer compreender essa maravilhosa mensagem, inspirando fé nas promessas do Salvador, erguendo-te da dúvida, criando em teu coração a determinação de buscá-Lo no intuito de receber o tão desejável e imprescindível DOM DA JUSTIÇA.
Que Deus te abençoe!

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sábado, 11 de dezembro de 2010

VIVER COMO CRISTO VIVEU!

Teremos que esperar até que Cristo venha, a fim de termos nosso caráter transformado? Teremos que esperar até que, na Sua vinda, possamos receber o poder de ter uma vida santa como requer a Sua santa lei? Se assim pensarmos, vivemos em perigo; perigo de perdermos nossa salvação, crendo que estamos salvos, pois quando Ele vier só os que foram santificados por Sua santa Palavra subirão aos céus, glorificados.
Precisamos entender que a salvação ocorre em três tempos na vida do cristão: 1. Na sua conversão ele é salvo da culpa do pecado; 2. Na sua nova experiência ele é salvo do domínio do pecado; aqui ele desenvolve, com o poder do Espírito Santo, um caráter santo, e; 3. Na vinda do Salvador, ele será salvo da maldição do pecado; será glorificado e preparado para habitar na presença do Criador em toda a Sua glória.
Mas parece que estamos mais propensos a crer que é mais fácil para Deus ressuscitar mortos do que habilitar o homem a viver uma vida tão santa quanta a que o Salvador demonstrou em Sua primeira vinda. Estamos sempre afirmando que o Mestre era de certa forma diferente de nós, ou seja, que Ele tinha determinada vantagem sobre nós. Entretanto, não percebemos que qualquer vantagem que Cristo tivesse sobre nós, tal fator seria suficiente para desqualificá-Lo como Salvador do homem, e o próprio Satanás alegaria isso em seu favor. Afirmar tal coisa é apresentar desculpas perante o Criador de uma experiência religiosa deficiente.
Mas em que a maioria dos professos cristãos fundamenta sua incredulidade de que não temos condições de viver uma vida santa, tal como é requerida pela santa Lei da Liberdade? Onde crêem que as Escrituras sustentam que só poderemos viver uma experiência constante e vitoriosa, sem o cai-levanta, apenas depois da segunda vinda do Salvador? Dentre tantas passagens, I João 1:8 e 10 são as mais citadas. Assim rezam tais passagens:

Verso 8: Se dissermos que não temos pecado, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós.

Verso 10: Se dissermos que não temos pecado, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós.

De relance parece haver repetição nessas passagens bíblicas, assim como ocorre em Provérbios 26:4 e 26:5. Lede. Qual o risco de tomarmos uma única passagem que seja, sem compararmos com outros textos, muitas vezes predecessores, consecutivos ou ambos os casos? A que atribuímos o surgimento de tantas religiões? Não é mormente a essa prática de se estabelecer comumente como verdade a uma passagem isolada? Que tal se comparássemos o que o apóstolo Paulo disse ao carcereiro “crê, e serás salvo, tu e a tua casa” com o que diz São Tiago “até os demônios crêem, e tremem”! Será o Diabo salvo por que crê? Carecemos entender as Escrituras como elas mesmas se discernem, pelo poder do Espírito Santo, quando por Ele clamamos no desiderato de cumprirmos a vontade de Deus. Um pouco aqui, um pouco ali, assim ensinam as Escrituras Sagradas.
O que, então, o apóstolo João nos quer revelar nas passagens bíblicas acima citadas? Não é o que evidentemente está escrito? Sim, se não compararmos às passagens que a elas antecedem e sucedem, pois a chave está nos versículos antecessores, especificamente. Devemos ter em mente que, sendo as Sagradas Letras cabalmente inspiradas pelo Espírito Santo, não é concebível haver entre elas antagonismo. Tem que haver comunhão de Gênesis ao Apocalipse.
Analisemos, a princípio, o que João quis asserir quando disse “Filhinhos, estas coisas vos escrevo para que não pequeis”. Parece conflitar com o que cremos, não é verdade? Pois fomos ensinados que não há condições de um homem, mesmo renovado, usufruir de uma vida sem pecado, até mesmo em pensamento. “Isso é impossível!”, afirmam alguns. Entretanto, quando a mulher adúltera estava a sós com o Salvador, ouviu dos Seus lábios: “Vá e NÃO PEQUES MAIS!” Não pecar mais? A mulher poderia Lhe perguntar: “Mestre, como poderei eu viver sem pecar?” Lembremos que João presenciou o fato, e ouviu tais palavras ditas por Jesus. Ele sabia que isso era possível, se crermos que o poder da Palavra de Deus se manifestará em nós. A medida da nossa fé é o que determina a realização de um milagre.
Para entendermos I João 1:8 é necessário lermos o versículo anterior. No verso 7, João nos apresenta a maravilhosa graça de vivermos na presença do Senhor, de vivermos na luz. Todavia, Ele realça que tal coisa só se torna possível mediante o sangue de Cristo derramado na cruz do Calvário. Mas alguém poderá aventurar em dizer: “Mas a minha vida é correta, tenho um caráter polido. Por que eu necessitaria de um Salvador?” E quantos hoje assim não se expressam! O que diria Paulo a tais pessoas? “Mas a Escritura encerrou TUDO debaixo do pecado, para que a promessa pela fé em Jesus Cristo fosse dada AOS CRENTES”. Gálatas 3:22. E outra vez: “Porque TODOS pecaram e destituídos estão DA GLÓRIA DE DEUS”. Romanos 3:23. E quanto a João, o que ele diria? “Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós.” Eis o sentido das palavras de João, as quais comungam perfeitamente com as ditas por Paulo. Sim, ainda que o viver de um homem seja irrepreensível, sendo nascido de pais humanos, a condenação do pecado ainda pairaria sobre ele. Eis a razão do novo nascimento. O novo ser é gerado pela palavra viva e que é para sempre, mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo. Noutras palavras: nascer de novo é nascer de cima, ser recriado.
Faz-se necessário a todo ser vivente que vem ao mundo provar dessa experiência ou do contrário não entrará no reino de Deus, não gozará a vida eterna. Ele precisa ser RECRIADO. Mas ao ser recriado, o homem continua com sua velha natureza pendente para o pecado? A isso muitos confundem com o poder de escolha. O fato de um recém-nascido espiritual ter o poder de escolher desistir de sua jornada à Canaã celestial, muitos atribuem isso à natureza pecaminosa. Não conseguem entender que é tão natural para um carnal ter inclinação ao pecado quanto é natural para um espiritual, nascido de novo, ter inclinação para as coisas celestiais. O carnal é corrompido pelas concupiscências que há no mundo e por conta disso, caminha para a morte; o espiritual é santificado pela Palavra de Deus, através do Espírito Santo, que lhe concede vida e vida em abundância. Mas não significa que perdeu o seu livre arbítrio. Sua natureza foi transformada. Por ter sido recriado, Paulo o chama apropriadamente de NOVA CRIATURA.
São Paulo diz: “Estai, pois, firmes NA LIBERDADE com que Cristo nos libertou, e näo torneis a colocar-vos debaixo DO JUGO DA SERVIDÃO.” Gálatas 5:1. A que liberdade Paulo está se referindo? Não pode ser outra senão a do pecado, do domínio do pecado. Diletos irmãos, Cristo na cruz nos possibilitou vivermos uma vida santa sem pecado, pois é preciso, antes de Sua vinda, Seu povo estar se habilitando a viver no Céu, aqui mesmo neste mundo corrompido. A santificação começa aqui e não no Céu. Muitos que acreditam que a santificação só terá início quando Jesus voltar, serão confundidos na Sua vinda, serão rejeitados por Cristo. Paulo acrescenta: “Mas agora, LIBERTADOS DO PECADO, e FEITOS SERVOS DE DEUS, tendes O VOSSO FRUTO PARA SANTIFICAÇÃO, e por fim a vida eterna.” Romanos 6:22. Compara os dois versículos (Gálatas 5:1 com Romanos 6:22)! Fala de liberdade e de jugo de servidão. Antes servos do pecado, depois servos de Deus, cuja servidão é voluntária e por amor. E que fruto para santificação é esse senão a obediência requerida por Deus. A obediência cujo nível esteja abaixo do padrão deixado por Cristo não é aceitável por Deus, meus irmãos. E tal nível é possível ser alcançado se formos novamente gerados pelo Espírito Santo e por Ele guiados. É um milagre, pois naturalmente isso não é possível ser efetuado. Todavia, tal milagre só ocorre se estivermos dispostos a crer, crer sem duvidar, que Deus nos recriará assim como o fez com tantos, pelo mesmo poder que recriou paralíticos, leprosos, cegos, mudos e coxos. Todas essas curas têm o objetivo de nos fazer olhar para além das possibilidades, para o mundo do impossível, pois NÃO HÁ FÉ SE HÃO HOUVER O IMPOSSÍVEL.
É por essa razão crucial que João declara que se não assumirmos que somos pecadores não alcançaremos o perdão de Deus. Em seguida, João aponta a atitude a ser esboçada por aquele que se convence de que carece de um Salvador: a promessa divina prescrita em I João 1:9. Ela foi citada justo entre as duas passagens aparentemente conflitantes (I João 1:8 e 10). Empós apresentar o caminho, o remédio, mediante a promessa de Deus, João parece tornar a repetir a advertência anteriormente mencionada, mas há um detalhe que precisamos nos ater. É mister, entrementes, mencionar que será sempre louvável e de bom alvitre, utilizarmos uma gramática para compreendermos melhor as Escrituras Sagradas. I João 1:10 pode ser encontrado nas três versões abaixo, porém todas focalizam o mesmo fim, têm o mesmo significado, embora escritas diferentes. Vejamos:

1. Se dissermos que NÃO TEMOS (verbo auxiliar ter - presente) PECADO (verbo pecar - particípio), fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós;

2. Se dissermos que NÃO TEMOS (verbo auxiliar ter - presente) COMETIDO (verbo cometer - particípio) PECADO (substantivo), fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós;

3. Se dissermos que NÃO PECAMOS (verbo pecar – pretérito e não presente), fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós.

Nas duas primeiras encontramos o verbo PECAR auxiliado pelo verbo TER, assaz utilizado pela língua portuguesa como verbo auxiliar, como neste caso. O vocábulo PECADO, na verdade não é um substantivo, como muitos crêem, mas a conjugação do verbo pecar no particípio. Assim, para não perder o sentido e melhor esclarecer o que o apóstolo João está afirmando, surgiu outra versão com a inserção do verbo COMETER, adicionando-se o substantivo PECADO, pois o que se quer dizer é que se dissermos que não temos cometido pecado (indicando passado), fazemo-Lo mentiroso. Note: a Escritura não diz “nos fazemos mentirosos”, mas “fazemo-Lo mentiroso”. Fazemos a quem mentiroso? A resposta só pode ser Deus, pois qual é a sua promessa em I João 1:9? “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça.” Ou seja, Deus está afirmando nas Sagradas Letras que para sermos transformados, purificados, precisamos confessar os nossos pecados, e assim recebemos o Seu perdão e o poder de sermos feitos Seus filhos, livres do domínio do pecado. Daí se dissermos que não temos pecados para serem confessados, que não precisamos de transformação, chamamos a Deus de mentiroso e anulamos o sacrifício de Cristo. Este é o motivo da citação de I João 1:10. A errônea idéia de que João está afirmando que ainda pecamos depois de nascidos de Deus, vem da interpretação que se dá a terceira versão do versículo em referência (I João 1:10). Analisemo-la:
4. Se dissermos que NÃO PECAMOS (verbo pecar – pretérito, e não presente), fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós.

A conjugação do verbo pecar, falar, cantar, dentre outros de mesma raiz, na primeira pessoa do plural (nós) nos tempos presente e pretérito (passado), corresponde à mesma forma verbal. Eis a razão por que muitos se confundem com esta passagem, pois crêem que João esteja falando no presente, enquanto ele está falando no passado. A versão King James Version nos auxilia sobremodo nessa questão. Reza da seguinte forma: If we say that we HAVE NOT SINNED, we make him a liar, and his word is not in us. Percebamos que há dois verbos HAVE (presente) e SINNED (particípio), e não um verbo e um substantivo, como no versículo oito (8). E notemos também que o segundo verbo está no particípio, ou seja, garantindo que o segundo verbo teve sua ação confirmada no passado.
Faz alguma diferença ser presente ou passado no verso a que estamos aludindo? Claro. Se João estivesse dizendo no presente, aí, sim, o homem gerado de novo não seria liberto do domínio do pecado, viveria o conhecido cai-levanta dos cristãos hodiernos, porém ao ditar o verbo no passado, João está confirmando o cumprimento da promessa de I João 1:9 naquele que nasce de novo, que foi recriado, pois segundo suas próprias palavras “E QUALQUER que nele tem esta esperança PURIFICA-SE A SI MESMO, COMO TAMBÉM ELE É PURO.” I João 3:3. Veja a congruência dessas palavras com as de I João 1:9: “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos PERDOAR OS PECADOS, e NOS PURIFICAR DE TODA A INJUSTIÇA.” São os dois atos recriadores de Deus. Purificando-nos de toda a injustiça (pecado), Deus inverte o que está escrito em Romanos 3:23, noutro falar, a Sua glória é restaurada em nós, pois essa glória é o Seu próprio caráter. Nesse momento dá-se início ao processo chamado SANTIFICAÇÃO que age somente sobre os que provaram o novo nascimento. Tal processo é o inverso de um outro – CORRUPÇÃO. Os que sofrem tal processo são os que não produzem os frutos contidos em Gálatas 5:22, os quais, mesmo dentro da igreja, mesmo sendo um ministro, encontram-se nas trevas, sem esperança e sem Deus no mundo.
Não devemos olvidar que foi Jesus Quem pronunciou “Haja luz”. E por que isso foi escrito? Apenas para sabermos que Ele é o Criador e como se deu a criação? Se o único propósito de Deus fosse esse, não teria o alcance pretendido. Precisamos enxergar, meus caros irmãos, que o objetivo mor da evidência do ato criador de Deus É GERAR FÉ nos seres caídos DE QUE ELE PODE RECRIAR TUDO NOVAMENTE. Quando Ele disse HAJA LUZ, a Bíblia nos diz que HOUVE LUZ. Seu poder ainda é o mesmo e o será para sempre. Ele é Deus. Não podemos mensurar o que Ele pode fazer. Sua palavra é lei. Eis o leproso em seu estado de putrefação. Por ouvir os fatos que enalteciam o poder do Filho de Deus, do Seu poder recriador, sua fé cresceu e ele creu que o Salvador, se quisesse, poderia Lhe restaurar a saúde e a vida. E correu aos pés de Cristo. CORREU CERTO DE QUE OBTERIA O FAVOR DO SALVADOR. O que aconteceu em seguida? Ele foi recriado. O mesmo poder que no princípio emanou dos lábios do nosso amado Criador, restaurou a vida daquele moribundo pecador.
São Pedro e São Judas comungam com a maravilhosa boa nova de que podemos e temos que viver uma vida de obediência tal qual a que Jesus viveu quando aqui esteve. Demonstrando como se dá o processo da santificação, São Pedro enumera sete passos nos quais deve empenhar-se aquele que foi recriado por Deus, e conclui: “Portanto, irmãos, procurai fazer cada vez mais firme a vossa vocação e eleição; porque, fazendo isto, NUNCA JAMAIS TROPEÇAREIS. Nunca e jamais, irmãos, são sinônimos, todavia esses advérbios são empregados juntos quando se pretende enfatizar, robustecer o que se afirma. Judas no versículo 24 nos diz: “Ora, àquele que é poderoso PARA VOS GUARDAR DE TROPEÇAR, e apresentar-vos IRREPREENSÍVEIS, com alegria, PERANTE A SUA GLÓRIA.” Irrepreensíveis perante Deus, que sonda os corações? Seria ousadia de João ou estaria ele testificando de sua experiência cristã quando disse: “Nisto é perfeito o amor para conosco, para que NO DIA DO JUÍZO tenhamos confiança; PORQUE, QUAL ELE É, SOMOS NÓS TAMBÉM NESTE MUNDO”?
Ninguém que tenha buscado ao Senhor por uma bênção restauradora foi atendido sem que um imprescindível elemento estivesse presente – a . A Escritura diz que ao passar Paulo por um coxo de nascença “fixando nele os olhos, e vendo QUE TINHA FÉ PARA SER CURADO”, efetuou um milagre e o coxo saltou e andou (Atos 14:9 e 10). O próprio São Paulo escreveu “É NECESSÁRIO que aquele que se APROXIMA de Deus, CREIA que Ele existe e que SE TORNA GALARDOADOR DOS QUE O BUSCAM” E São Tiago diz “peça-a (o que necessita a tua alma), porém, COM FÉ, EM NADA DUVIDANDO... NÃO PENSE TAL HOMEM QUE RECEBERÁ DE DEUS ALGUMA COISA.” E isso está relacionado com nossa salvação também, irmãos. Se não tivermos a fé suficiente para recebermos o batismo do Espírito Santo, que é o penhor do novo nascimento, não entraremos no descanso do Senhor, não seremos salvos.
Mas não há lugar para a angústia se achamos que nossa fé é raquítica a ponto de nos impedir de recebermos tal bênção. Deus nos apresenta a solução: “A FÉ VEM PELO OUVIR, E O OUVIR PELA PALAVRA DE DEUS.” Romanos 10:17. Estudando as Escrituras Sagradas e dela nos apoderando, ela gera fé em nós, a fé necessária para entrarmos na graça pela Porta – Cristo. Tudo Ele proveu para que possamos alcançar aquilo que Ele sabe que precisamos desesperadamente para passar da morte para a vida, pois Cristo assim nos diz “Aquele que não nascer de novo não PODE ver o reino de Deus.”
Que Deus nos abençoe!

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sábado, 16 de outubro de 2010

A Mais Admirável Dádiva de Deus

Se pela ofensa de um e por meio de um só, reinou a morte, muito mais os que recebem a abundância da graça e o dom da justiça, reinarão em vida por meio de um só, a saber, Jesus Cristo. Romanos 5:17.


Como harmonizar a minha vida com Deus? Esta é a mais importante de todas as perguntas. Sabemos que não somos o que devíamos ser. Lá bem no fundo do nosso coração há uma noção do certo e do errado que Deus dá a cada indivíduo. E à luz dessa noção, muita clara e forte nos que conhecem as Escrituras, a consciência nos diz freqüentemente: “Isto não está certo! O que fizeste é ofensivo ao Deus santo e justo que está no Céu”, ou na linguagem das Escrituras “O que fizeste é pecado!”. Esta é a condição de todos; ela nos vem do pai da raça. Quando Adão pecou desenvolveu-se nele uma natureza contrária a Deus, inimiga da justiça e retidão. Essa natureza, escrava do pecado, passou a todos os homens e leva todos a pecar. “O pendor da carne”, escreveu São Paulo, “é inimizade contra Deus, pois, não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo o pode estar. Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus.” Romanos 8:7 e 8.
Somos pecadores, estamos em rebelião contra Deus, e porque essa é a nossa condição temos sobre nós uma sentença de morte, caminhamos para a morte. O mesmo São Paulo escreveu “O salário do pecado é a morte.” Romanos 6:23. É impossível ao homem mudar essa condição: deixar de ser o que é. Aqui a educação e o esforço próprio nada valem. A educação ao passar dos anos, disse alguém, tão só aumentam o tamanho do egoísta, do avarento, do amante dos prazeres. É impossível também alcançar salvação pelas boas obras que pratiquemos. Esmolas, sacrifícios, esforço próprio para agradar a Deus não nos compram salvação. O bem da salvação, diz a Escritura, não vem de obras. Efésios 2:8 e 9.
Qual é, pois, a nossa esperança? Deus nos quer dar a salvação; quer nos dar novo começo. Ele nos dá novo começo no Seu Filho. “Se pela ofensa de um [Adão] e por meio de um só reinou a morte, muito mais os que recebem a abundância da graça e o dom da justiça, reinarão em vida por meio de um só, a saber: Jesus Cristo.” Romanos 5:17. Notemos: o apóstolo fala aqui do dom da justiça; dádiva, presente da justiça. Deus nos quer dar, presentear o que nos falta – justiça. Mas como é isso possível? Fecha Deus os olhos ao pecado e declara o culpado inocente? Não. Se o fizesse Ele comprometeria a estabilidade do Seu governo. Para poder salvar o homem Deus castigou, puniu o pecado. Puniu-o em Si mesmo, ou mais especificamente na pessoa do Seu Filho. ”O Senhor fez cair sobre Ele a iniqüidade de nós todos.” Isaías 53:6. Cristo assumiu a nossa culpa; o Inocente se fez culpado, e recebeu o castigo que era nosso. “Mas Ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre Ele, e pelas Suas pisaduras fomos sarados.” Isaías 53:5. Tendo o pecado sido castigado em Cristo, tendo a justiça sido satisfeita, Deus pode agora estender perdão ao pecador arrependido que aceita o sacrifício de Seu Filho, como feito em seu favor. Deus considera a morte de Jesus como se fosse a do que crê no Salvador. Ele cancela a dívida, perdoa os seus pecados. Cumpre-se para com tal pecador a promessa da Escritura: “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça.” I São João 1:9. Na Sua ação reabilitadora do homem, Deus faz uma obra completa; lança todos os nossos pecados nas profundezas do mar (Miquéias 7:19); afasta de nós as nossas transgressões quanto dista o oriente do ocidente (Salmo 103:12); apaga as nossas transgressões e dos nossos pecados não mais Se lembra (Isaías 43:25).
Deus não só apaga os pecados que cometemos, Ele põe a nosso crédito a perfeição de Seu Filho, a justiça de Cristo, e aparecemos diante dEle como se nunca houvéssemos pecado. A condenação desaparece. “Agora, pois”, escreveu São Paulo, “já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus.” Romanos 8:1. Ainda mais: Deus vai um passo além. Ele cria no homem uma nova mente; dá-lhe novo propósito, novo rumo, novo viver. “E, assim”, diz a Escritura, “se alguém está em Cristo é nova criatura; as coisas antigas passaram, eis que se fizeram novas.” II Coríntios 5:17. Mediante o Espírito Santo, Cristo vem viver no coração, e a vida do crente torna-se mais e mais qual a vida do Seu Salvador. “Estou crucificado com Cristo”, escreveu São Paulo, aludindo a essa experiência, “logo, já não sou quem vive, mas Cristo vive em mim.” Gálatas 2:19 e 20. Maravilhoso! A velha vida de pecado cessa; já não sou eu, pecador, quem vive, nova vida tem começo, a vida que Deus aprova, Cristo vive em mim.
Assim, o que Cristo fez na cruz possibilitou-nos passar da condição de pecadores, inimigos de Deus, para a condição de filhos; possibilitou-nos passar da morte para a vida. O excelente comentário da vida de Jesus, intitulado O Desejado de Todas as Nações, que recomendamos aos nossos leitores, diz: “Cristo foi tratado como nós merecíamos para que pudéssemos receber o tratamento a que Ele tinha direito; foi condenado por nossos pecados, nos quais não tinha participação, para que fôssemos justificados por Sua justiça, na qual não tínhamos parte. Sofreu a morte que nos cabia, para que recebêssemos a vida que a Ele pertencia. Pelas Suas pisaduras fomos sarados.”
Que requer Deus da nossa parte para nos dar o inapreciável bem da salvação? Ele requer fé. Fé no Senhor Jesus Cristo como divino-humano Salvador do homem; fé em que o imaculável Filho de Deus assumiu os nossos pecados e expiou a nossa culpa, dando a Sua vida no lugar da nossa. Esta é a segurança que nos dão as Escrituras: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, para que todo o que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” São João 3:16.
Quão admirável, caros amigos, para nos dar o maior dos bens – perdão, salvação, vida eterna, Deus não exige pagamento, sacrifício, boas obras. Ele pede fé. Pede o que todos podem dar. Não que a fé tenha em si mesma virtude salvadora; Jesus Cristo é Quem salva, mas a fé se apropria dos Seus méritos.
Nas Escrituras a justiça de Cristo, ou o bem da salvação, de uma nova vida, é comparada a uma pérola de grande valor. Para possuí-la devemos preferir Cristo a tudo o mais, sobrepô-Lo a tudo o mais. São dEle mesmo as palavras: “o reino dos Céus é também semelhante a um que negocia e procura boas pérolas. E tendo achado uma pérola de grande valor, vendeu tudo que possuía e a comprou.” São Mateus 13:45 e 46. Embora a salvação não possa ser comprada, pois, como vimos, é dádiva de Deus alcançada pela fé, não obstante ela custa tudo o que o homem tem; tudo o que ele tem de mau. Para obtê-la devemos abrir mão de tudo que nos impede de receber Cristo, como fez São Paulo que disse: “Mas o que para mim era lucro”, a sua privilegiada posição no judaísmo, “isso considerei perda por causa de Cristo; sim, deveras considero tudo como perda por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor, por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo, e ser achado nEle, não tendo justiça própria que procede da lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus baseada na fé.” Filipenses 3:7-9.
Amigo, quanto estás disposto a renunciar por Cristo? Renuncia a tudo e terás os infinitos bens do Céu; terás perdão e justificação e vida eterna.

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terça-feira, 14 de setembro de 2010

A EXPERIÊNCIA INDISPENSÁVEL

Entrar no reino de Deus é a mais acariciada esperança de quantos têm fé numa existência futura, mas só há uma porta para ele. Ricos e pobres, grandes e pequenos, membros da igreja ou estranhos a ela, todos têm de provar o novo nascimento. São de Jesus as palavras: “Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.” São João 3:3. O homem a quem Jesus disse isto, Nicodemos, era um príncipe dos judeus, membro do respeitado Tribunal do Sinédrio. Nicodemos pensou que Jesus falava do nascimento natural e perguntou: “Como pode um homem nascer, sendo velho? Acaso deve ele voltar ao seio materno e vir ao mundo a segunda vez?” Respondendo, Jesus mostrou não ser esse o Seu pensamento. Disse Ele: “O que é nascido da carne, é carne.” Nascer de pais humanos é nascer da carne. Quantas vezes um homem pudesse nascer de pais humanos tantas vezes seria carne, “e o pendor da carne”, diz a Escritura “é inimizade contra Deus, pois, não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo o pode estar”. O autor sagrado conclui: “Portanto, os que estão na carne, não podem agradar a Deus”. Romanos 8:7 e 8.
Não era, pois, do nascimento natural que Jesus falava. O que o Salvador tinha em mente era uma renovação ou transformação espiritual. Quando Nicodemos perguntou como podia um homem nascer, sendo velho, Jesus repetiu a mesma idéia noutras palavras, com a evidente intenção de esclarecer o que antes dissera: “Em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.” São João 3:5. Notemos: o novo nascimento é nascimento da água, e água aqui representa o batismo e a lavagem espiritual que o batismo simboliza. O novo nascimento é também nascimento do Espírito, do Espírito Santo. Nascer de novo quer, pois, dizer provar uma miraculosa transformação espiritual operada pelo Espírito Santo. Com efeito, outro sentido da palavra do original grego anoqen, traduzida por nascer de novo, é nascer de cima. O novo nascimento é transformação operada por Deus.
Três passos são necessários para o novo nascimento. O primeiro deles é o arrependimento. Respondendo à pergunta “que faremos, irmãos?”, feita pela multidão tocada pelo Espírito Santo no Pentecostes, São Pedro disse: “Arrependei-vos!” Atos 2:38. Arrependimento implica reconhecimento do pecado, tristeza pelo mal-feito e desejo de abandoná-lo. O segundo passo é a confissão. O verdadeiro arrependimento leva à confissão do mal-feito. A confissão deve ser feita sem rodeios. A Escritura diz: “O que encobre as suas transgressões jamais prosperará, mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia.” Provérbios 28:13. “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça.” I São João 1:9. O terceiro passo é consagração a Deus. Para que a transformação se dê, é necessário dispor-se o homem a fazer Deus o centro da vida, em vez do próprio eu. Jesus disse: “Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento, de toda a tua força.” São Marcos 12:30. O coração inteiro tem de render-se a Deus, ou do contrário não se poderá jamais operar a transformação, pela qual é restaurada em nós a Sua semelhança. Essa submissão a Deus não é cega e forçada. Não é para ficar o homem sujeito a um domínio irrazoável. Ela é razoável, voluntária, e feita com a consciência de que nela está o segredo da libertação do homem.
Quando esses passos são dados com fé, opera-se a transformação. Cumpre-se a promessa da Escritura: “Então aspergirei água pura sobre vós e ficareis purificados. De todas as vossas imundícias, e de todos os vossos ídolos vos purificarei; dar-vos-ei coração novo, e porei dentro em vós espírito novo. Tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne. Porei dentro em vós o Meu espírito e farei que andeis nos Meus estatutos, guardeis os Meus juízos, e os observeis.” Ezequiel 37:25-27. Essa mudança da mente e coração é operada pelo Salvador Jesus Cristo mediante o Espírito Santo. São Paulo diz: “Porque a lei do espírito da vida em Cristo Jesus te livrou da lei do pecado e da morte.” Romanos 8:2. Mais: “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram, eis que se fizeram novas.” II Coríntios 5:17.
Disfarçando-se em mulher do povo, a rainha Vitória da Inglaterra visitou, certa vez, algumas fábricas de papel do seu país. Ao ser conduzida através de uma das fábricas, o guia fê-la entrar num compartimento cheio de fardos e sujos trapos. O aspecto era repulsivo e a rainha exclamou: “Oh! Para quê isto?” “Desses trapos”, esclareceu o guia, “fazemos o nosso mais lindo papel”. Posteriormente ele ficou sabendo que a visitante era a rainha. Providenciou para que a fábrica transformasse parte daqueles trapos em papel branco de fina qualidade, com o perfil da rainha em marca d’água. Então enviou o papel à rainha com as palavras: “Majestade estes são alguns dos trapos”. Antes imundos trapos, depois da ação do homem, lindo papel. Antes escravos do pecado, praticando toda a sorte de coisas ofensivas a Deus; depois da ação divina, novos homens e mulheres, com coração transformado, e fazendo o que agrada ao Céu. O apóstolo diz: “Ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas, nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores herdarão o reino de Deus. Tais fostes alguns de vós, mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados em o nome do Senhor Jesus Cristo, e no Espírito do nosso Deus.” I Coríntios 6:9-11.
A mudança da mente, o coração renovado é que constitui o novo nascimento. E quando prova essa mudança interior, operada miraculosamente pelo Espírito Santo, a vida que passa a viver dá testemunho dela. A nova vida é de imitação do santo exemplo de Cristo, vida de conformidade com os mandamentos de Deus. Tal é a experiência requerida para entrar no reino – a experiência indispensável. Não importa a nossa profissão de fé, nossa filiação religiosa. Alguém pode ser um membro da igreja e não ter provado o novo nascimento; alguém pode ser um ministro do Senhor e não ter nascido de novo, e a palavra de Jesus é clara e forte: “Se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus”. Já alcançaste, amigo, essa santa experiência? Operou Deus, em ti, o milagre desta transformação? Se é que não, porque não a buscas de Deus?
Como alcançamos o novo nascimento? Nicodemos quis saber isso e perguntou ao Senhor: “Como pode suceder isso?” Jesus respondeu: “E do modo por que Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado, para que todo o que nele crer tenha a vida eterna.” São João 3:14 e 15. Quando muitos dos filhos de Israel agonizavam no deserto, mordidos pelas serpentes ardentes, Deus instruiu Moisés a levantar uma serpente de metal, e dizer ao povo que olhando para ela, viveriam. Sabia o povo que não havia virtude na serpente, mas no que ela simbolizava. A serpente era símbolo de Cristo. Que acontece quando olhamos para Cristo, por nós levantado na cruz, quando cremos nEle como nosso Salvador e O recebemos no coração? O Espírito de Deus, mediante a fé, produz uma nova vida na alma; os pensamentos e desejos são postos em obediência à vontade de Cristo. O coração e o espírito são novamente criados à imagem dAquele que opera em nós para sujeitar a Si mesmo todas as coisas. Então a lei de Deus é escrita na mente e no coração, e podemos dizer com Cristo: “Deleito-me em fazer a Tua vontade, ó Deus Meu!”
Durante os anos de sua mocidade, o Doutor R. A. Torrey, tornou-se um incrédulo confesso que zombava das Escrituras, de Deus, de Cristo, do Céu e de toda a doutrina cristã. A mãe se preocupava com ele, orava por ele, apelava ao filho para deixar o caminho do mau. Cansando-se dos apelos maternos, o rapaz decidiu sair de casa, e disse à mãe que ela jamais o veria outra vez. A mãe acompanhou o filho até a porta e depois até fora, no portão, apelando e chorando. Ao despedisse, disse-lhe: “Filho, quando chegares à hora mais escura da tua vida, e tudo parecer-te perdido, se honestamente apelares para o Deus de tua mãe, serás ajudado.” O moço caiu mais e mais na descrença e pecado. Um dia, quando sozinho num quarto de hotel, sem poder dormir, cansado dos pecados, cansado da vida, ele resolveu levantar-se, tomar o revólver e, para usar suas próprias palavras, “acabar com essa farsa chamada vida humana”. Ao saltar da cama para praticar esse desatino, vieram-lhe à mente as palavras da mãe: “Filho, quando chegar a tua hora mais escura, apela em sinceridade ao Deus de tua mãe e serás ajudado”. Prostrando-se junto à cama, ele disse: “Ò Deus de minha mãe! Se existe um tal ser, eu quero luz. Se me a deres, não me importa como, segui-la-ei.” Deus ouviu a oração. O moço voltou ao lar transformado e veio a ser um famoso evangelista.
Prezado amigo, qualquer que seja a tua condição, se creres em Cristo como teu Salvador, e a Ele apelares com fé serás socorrido, serás mudado, transformado pelo Espírito Santo. Provarás o novo nascimento – a experiência indispensável para entrada no Céu.
E agora, despedindo-nos, dizemos:
O Senhor te abençoe e te guarde; o Senhor faça resplandecer o Seu rosto sobre ti e tenha misericórdia de ti; o Senhor sobre ti levante o Seu rosto e te dê a paz.”

Pastor Roberto Rabello





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domingo, 12 de setembro de 2010

É NECESSÁRIO DECIDIR

Uma decisão pode determinar todo futuro de uma pessoa, até mesmo o seu destino. E esta hora, caro leitor, o tempo desta leitura, poderá ser a hora de decisão da tua vida. Há hoje milhões que são quase cristãos. Quase, mas não inteiramente. Eles estão convencidos, conhecem o evangelho, crêem nele, amam-no e até mesmo o defendem. Estão quase do lado de dentro da porta, mas ainda fora. Em Atos 25, lemos de um homem que por pouco não se fez cristão. Este homem esteve face a face com a verdade do evangelho pregada por um apóstolo de Cristo. Declarou-se convencido da verdade, quase decidido a segui-lo e, então, recuou e penetrou nas trevas.
A história é esta: o apóstolo São Paulo era um prisioneiro dos romanos. Porcio Festo, sendo governador da Judéia, queria saber que acusação transmitir a César a respeito do apóstolo, que apelara para o imperador, direito que tinha por ser cidadão romano. Enquanto aguardava o navio para transferir São Paulo e outros presos para Roma, Festo teve a oportunidade de ouvir o apóstolo proclamar sua fé perante os principais homens da cidade, incluindo o Rei Agripa II, o último dos Herodes, e Berenice, sua irmã, que o visitavam. Festo expôs o caso de São Paulo ao rei, descreveu as circunstâncias que levaram o preso a apelar para César. Numa audiência anterior, os inimigos do apóstolo haviam comparecido, mas não apresentaram as acusações que Festo esperava, e, sim, para usar as palavras dele mesmo “algumas questões referentes à sua própria religião e, particularmente a certo morto, chamado Jesus, que Paulo afirmava estar vivo”. Atos 25:19. Relatando Festo essas coisas, Agripa interessou-se no caso e disse: “Eu também gostaria de ouvir esse homem!” Foram feitos planos para uma reunião no dia seguinte. A pompa dessa reunião pode ser facilmente imaginada: Festo com sua guarda romana; as ricas vestimentas dos hóspedes; as brilhantes armaduras e espadas dos comandantes e soldados. A cena era deveras magnificente. A essa reunião São Paulo foi introduzido algemado. Que contraste! Agripa e Berenice, possuidores do poder e glória do mundo! Mas a história relata que esses soberanos eram corruptos no coração e no procedimento. Ante esses representantes do mundo pagão estava o servo de Deus sem riquezas, sem posição e aparentemente sem amigos; um preso por causa da fé no Filho de Deus. Mas o Céu estava interessado nele. Ao seu lado, embora invisíveis, estavam anjos de Deus. Houvesse a glória de um desses anjos se manifestado, e o orgulho da realeza teria empalidecido.
Festo deve ter apontado para São Paulo ao declarar que o povo de Jerusalém exigia a sua morte. Esclareceu, porém, que não achara nele coisa digna de morte, e uma vez que o preso apelara para Augusto, resolvera mandá-lo a Roma. Prosseguiu: “Contudo, a respeito dele nada tenho de positivo que escreva ao soberano. Por isso eu o trouxe a vossa presença, e mormente a tua, ó rei Agripa, para que feita a argüição, tenha eu alguma coisa que escrever.” Então Agripa deu permissão ao preso para falar em sua própria defesa. O brilho daquela assembléia não embaraçou São Paulo. Bem sabia ele, quão pouco significa diante de Deus, a vestimenta, a riqueza, a projeção social. Nem por um momento sequer foi a sua coragem entediada pelo poder e pompa terrenos. “Tenho-me por feliz, ó rei Agripa”, disse ele, “pelo privilégio de hoje na tua presença, poder produzir a minha defesa de todas as acusações feitas contra mim pelos judeus.” Então narrou a história da sua conversão. Falou da sua própria obstinada descrença quanto à fé de Jesus, o Redentor do mundo. Descreveu a visão celestial e, como a princípio, ela o encheu de terror, mas, depois, demonstrou-se a fonte da maior consolação. Então, ele esboçou diante do rei os principais acontecimentos da vida de Cristo na Terra. São Paulo testificou de que o Messias das profecias do Velho Testamento já tinha aparecido na pessoa de Jesus Cristo. Mostrou que as Escrituras do Velho Testamento apontavam para Jesus e declaravam que o Messias ou Cristo apareceria como um homem entre os homens, que Ele deveria sofrer, ser rejeitado e morto. São Paulo mostrou que na vida de Jesus todas as especificações dessas velhas profecias, dadas mediante santos homens da antiguidade, a começar de Moisés, incluindo todos os profetas, haviam tido cumprimento. A fim de remir um mundo perdido, o divino Filho de Deus suportou a cruz, desprezando o opróbrio, e subiu ao Céu, triunfante sobre a morte e a sepultura. “Por que”, perguntou o apóstolo, “se julga incrível entre vós que Deus ressuscite os mortos?” A ressurreição estava no plano de Deus e cumpria as profecias feitas séculos antes. A multidão ouviu absorta as palavras do apóstolo ao proclamar ele sua fé e narrar suas experiências. Subitamente, porém, pregando São Paulo sobre o seu tema favorito, foi ele interrompido por Festo, que exclamou: “Estás louco, Paulo! As muitas letras te fazem delirar!”. Paulo, porém, respondeu: “Não estou louco, ó excelentíssimo Festo. Pelo contrário, digo palavras de verdade e de bom senso. Porque tudo isso é do conhecimento do rei, a quem me dirijo com franqueza, pois, estou persuadido de que nenhuma destas coisas lhe é oculta, porquanto nada se passou aí nalgum recanto.” Então, dirigindo-se a Agripa, fez-lhe a pergunta: “Crês ó rei Agripa, os profetas?” E ele mesmo respondeu: “Eu sei que crês!”.
Essa interrogação do apóstolo deve ter sacudido o rei. Por um momento Agripa deve ter esquecido a brilhante assembléia, suas ambições pessoais, suas intrigas políticas, a dignidade do trono. Deve ter pensado só no que acabara de ouvir: as grandes verdades da palavra profética, com as quais estava, de fato, familiarizado. Agripa via apenas um humilde embaixador de Deus. Involuntariamente disse: “Por pouco me persuades a me fazer cristão!”. Expressando seu ardente desejo para com os seus ouvintes, São Paulo respondeu: “Assim Deus permitisse que por pouco ou por muito, não apenas tu ó rei, porém todos os que hoje me ouvem se tornassem tais qual eu sou, exceto estas cadeias!” Não há dúvida de que Festo, Agripa, Berenice e outros podiam com justiça levar as cadeias que ligavam São Paulo, pois a julgar pelo que afirma a história eram culpados de muitas ofensas e até de graves crimes. Naquele dia eles ouviram oferecimento de salvação gratuita no nome de Cristo, e um deles, pelo menos, quase foi movido a aceitá-la. Como seu coração deve ter anelado pelo perdão oferecido, pela liberdade proclamada, mas Agripa pôs de lado a misericórdia oferecida, recusando aceitar a cruz de um Redentor crucificado. A reunião terminou. Os altos dignitários se dispersaram, e ao saírem, disseram entre si: “Esse homem nada tem feito passivo de pena de morte ou prisão.” “Este homem”, disse Agripa a Festo, “bem podia ser solto se não tivesse apelado para César”. Ao deixar ele a sala, desfez-se a última esperança de salvação. O quase cristão volveu costas a Cristo, ali representado pelo Seu apóstolo. A sua falta de decisão foi uma decisão negativa contra Cristo. Alguém pode chegar muito perto de Deus e, contudo, nunca render a alma ao Senhor. O Salvador estava perto de Agripa, àquele dia. Era necessário dar apenas um passo, mas Agripa não deu esse passo. Ele estava perto de uma decisão como, talvez, tu estejas agora, caro leitor, mas não decidiu.
Gostaria de dizer algumas palavras aos jovens que lêem este artigo, neste momento. Decidir-se por Cristo cedo na vida é de grande importância. Os que isto fazem têm oportunidade de trabalhar para o Senhor enquanto são moços, cheios de ambição, entusiasmo, energia e vida. Meu caro jovem: amas a vida, queres ser feliz? Então dedica-te hoje, a esta coisa certa e segura que é o serviço de Deus.
Há muitos anos na Escócia, um ministro do Senhor orou para que alguém aceitasse a Jesus durante um sermão que pregava. A oração foi atendida. Alguém decidiu-se por Cristo. Esse alguém era tão só um menino, o pequeno Bob, ou Betinho como diríamos nós. Mas o menino era Robert Moffat, que veio a ser um pioneiro da obra missionária na África. Ao relatar ele mais tarde, quando em gozo de férias no seu país, que de onde vivia na África podia se ver, em qualquer dia claro, a fumaça de mil vilas onde o nome de Cristo nunca fora ouvido, a chama do amor pela África acendeu-se no coração de um jovem estudante, David Livingstone, que se tornou o mais famoso missionário no grande continente. Outro estudante leu a história de Livinsgtone e veio a ser também um missionário na África. E assim, em grande parte, como resultado da decisão de um menino, todo um continente foi iluminado com o evangelho.
Amigo, quando a luz brilha em nossa face devemos segui-la. Se o ensino de Cristo vem a ti das Escrituras não o rejeites. Acaso, como Agripa, estás quase persuadido? Lembra que quase não é bastante. Quase estar com Deus equivale a não estar com o Senhor; quase decidir equivale a não decidir; quase dizer sim, equivale a dizer não; quase salvo equivale a totalmente perdido. Deus não nos chama para sermos quase cristãos, mas totalmente cristãos. E há perigo em demorar. Festo e Agripa não decidiram então, e aparentemente não decidiram jamais.
Quando o Paquete Steephen Hwittme bateu numa rocha próxima da costa da Irlanda e ficou por uns momentos preso à rocha, todos os passageiros que prontamente saltaram e se colocaram sobre a rocha foram salvos. Os que hesitaram e permaneceram a bordo pereceram, pois, logo após, uma grande onda levantou o navio e o fez soçobrar.
Caro leitor, dá-te pressa em abandonar a nau do pecado que avança para o naufrágio. Põe os teus pés na Rocha Eterna. Firma-te no Salvador Jesus Cristo que diz: “O que vem a Mim de modo nenhum o lançarei fora.”
Que Deus nos abençoe!

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sábado, 11 de setembro de 2010

SALVAÇÃO EM TRÊS TEMPOS

Para todo seguidor de Cristo a salvação tem três tempos: primeiramente ela é um ato já consumado. Como escreveu São Paulo: “Quando, porém, se manifestou a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o Seu amor para com os homens, Ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo.” Tito 3:4 e 5. Em segundo lugar, ela é um processo em desenvolvimento, um processo presente. “Assim, pois, amados meus”, escreveu o mesmo São Paulo, “como sempre obedecestes, não só na minha presença, porém, muito mais agora, na minha ausência, desenvolvei (ou efetuai) a vossa salvação com temor e tremor.” Filipenses 2:12. Em terceiro lugar, a salvação envolve também um acontecimento futuro. O apóstolo São Pedro fala da salvação preparada para revelar-se no último tempo. I Pedro 1:5. Os teólogos dão as essas três fases os nomes de JUSTIFICAÇÃO, SANTIFICAÇÃO e GLORIFICAÇÃO.
A justificação é o livramento da culpa do pecado, e o ser feito justo à vista de Deus; a santificação é o livramento do domínio e poder do pecado; a glorificação é o livramento de toda a maldição do pecado – livramento da dor, da tristeza, da doença e da morte. A justificação apaga o negro registro de um passado de rebelião contra Deus; a santificação é a transformação e purificação do nosso presente caráter, da nossa vida presente; a glorificação introduz-nos a um maravilhoso futuro que será o eterno reino de Deus. A isso se referiu São Paulo ao escrever: “Quando Cristo, que é a nossa vida se manifestar, então vós também sereis manifestados com Ele em glória”. Colossenses 3:4. A ordem dessas três coisas vem por determinação divina e é imutável: JUSTIFICAÇÃO, SANTIFICAÇÃO, GLORIFICAÇÃO. Elas se acham na ordem em que estão porque não há outra ordem lógica em que as colocar – PERDÃO PARA O PENITENTE, SANTIFICAÇÃO PARA O PERDOADO E GLORIFICAÇÃO PARA O SANTIFICADO. Pessoa alguma pode ser santificada antes de ser justificada e pessoa alguma poderá ser glorificada antes de ser santificada. Essas três coisas são os três áureos elos da corrente celestial que ergue o crente em Cristo das profundezas da perdição para as alturas do favor divino, da escravidão de Satanás para o próprio trono de Deus.
Como pode um pecador ser justificado? A resposta está nestas palavras da Escritura: “A fim de que, justificados por graça, nos tornemos Seus herdeiros segundo a esperança da vida eterna.” Tito 3:7. Qualquer pecador pode, pois, ser justificado pela graça de Deus – o Seu não merecido favor para conosco. Lemos também: “Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo Seu sangue, seremos por Ele salvos da ira.” Romanos 5:9. Isso mostra que somos justificados pela graça de Deus e pelo sangue de Jesus. A Escritura diz mais: “Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé independentemente das obras da lei.” Romanos 3:28. Noutras palavras: somos justificados pela fé somente. Esta é a nossa parte: a fé; a parte de Cristo é o Seu sangue, a Sua vida que Ele deu por nós; e a parte de Deus é a Sua graça.
Como vemos, a justificação é algo que Deus faz por nós, por Seu amor e graça; a santificação é algo feito em nós pelo Espíritos Santo e a Palavra divina; a glorificação é algo feito a nós, pelo grande poder de Deus. Nós vamos a Cristo e somos justificados pela fé, devemos, então, começar a crescer na graça. Devemos ler as Escrituras cada dia, a alimentar-nos delas, assim como cotidianamente tomamos nossas refeições. Devemos contemplar a vida de Jesus dia a dia para “sermos transformados de glória em glória na Sua própria imagem, como pelo Senhor o Espírito.” II Coríntios 3:18.
O Espírito Santo opera no coração do homem. Ele é quem convence do pecado. O Espírito Santo é o grande Ensinador, é o guia do cristão, de maneira que pelo viver cristão, tornamo-nos cada vez mais semelhantes a Cristo e produzimos frutos de justiça. As obras que não podemos realizar na nossa própria força são feitas pelo poder do Espírito Santo. O alvo da vida cristã é a perfeição e isso nós aspiramos. Por isso oramos e a isso dedicamos a vida sem qualquer reserva, mediante a fé e a obediência, pois é esta é a vontade de Deus, a vossa santificação.
Uma vida verdadeiramente cristã, semelhante a que Jesus viveu, é o maior sermão que podemos pregar como cristãos. Se Cristo vive em nós pelo Espírito Santo, os homens serão atraídos a Ele. A grande cantora Adelina Patti foi certa vez passar um feriado numa cidade da França, e pediu ao agente do correio da sua cidade que encaminhasse para lá a sua correspondência. Alguns dias depois, ela foi ao correio da cidade francesa, e indagou do agente: “Tem o senhor alguma correspondência para Adelina Patti?” “Sim, tenho”, respondeu o agente. “Mas para entregá-la é necessário identificação.” A cantora exibiu um cartão de visita, mas o agente achou que isso não era bastante. “Que posso fazer?”, perguntou ela, de si para si. Ocorreu-lhe, então, a idéia de cantar, e ela começou a cantar. Em poucos momentos o correio se encheu de gente que ouvia arrebatada a sua bela voz. Ao terminar, ela perguntou ao agente “Está satisfeito? Acha que sou mesmo Adelina Patti?”, “Completamente satisfeito!”, disse o agente em tom de desculpa. “Só Adelina Patti cantaria dessa maneira!”, e entregou-lhe um maço de cartas.
Prezado leitor, o mundo desiludido de hoje diz a ti, e a mim, e a todo cristão: “Queremos ver a Jesus, queremos ver cristãos verdadeiros!” É o nosso privilégio alcançar já aqui neste mundo não só justificação, cancelamento dos pecados já cometidos, mas também santificação. É o nosso privilégio viver como é agradável ao Céu, viver uma vida que seja qual melodia de paz. Essa é a mensagem que devemos levar, esse é o cântico que o mundo espera ouvir. Quão admirável é esse cântico! Quão desejável harmonia de vidas cristãs que são bênçãos para os outros.
A verdadeira vida cristã é uma viagem do perdão para a glória. Primeiro nós vamos a Deus para alcançar perdão. Pela fé em Cristo somos justificados. Então, alimentamo-nos da Palavra de Deus, as Escrituras, e entretemos comunhão com o Céu pela oração. Exercitamo-nos no serviço cristão, na prática da doutrina de Deus, e assim crescemos na graça. Isso é santificação. Quando o Salvador vier em glória teremos a terceira grande mudança – seremos feitos semelhantes a Ele. O nosso corpo será transformado e revestido de imortalidade.
O perdão está inteiramente além das nossas forças. Podemos tão só recebê-lo. Na santificação, no viver diário, nós temos parte ativa a desempenhar. Deus nos dá tanto o querer como o realizar segundo a Sua boa vontade. Filipenses 2:13. Mas temos de usar esse querer; temos de colocá-lo do lado de Deus; temos de consagrar a vida ao serviço de Cristo. Então, Deus executa em nós o realizar, o perfazer. Assim a santificação, o viver diário vitorioso, o crescimento na graça, é o resultado de estar a nossa vontade submissa ao poder de Deus.
Para quantos se acham no pecado, para quantos sentem sua condenação e sua incapacidade de vencer o mal, a mensagem do Céu é: VEM. Vinde a Mim todos os que estais cansados. São Mateus 11:28. Vinde a Mim porque tudo já está preparado. São Lucas 14:17. Se alguém tem sede, disse Jesus, venha a Mim e beba. São João 7:37. O Espírito e a noiva dizem: Vem! Aquele que ouve, diga: Vem! Apocalipse 22:17. A mensagem não é FAZE, mas VEM; não é EXPERIMENTA, mas VEM; não é MELHORA A TUA VIDA, mas VEM. A ceia está pronta. Vem e come! A água está jorrando. Vem e bebe! O perdão está sendo oferecido. Vem e recebe-o! Esse é o primeiro passo.
Faze isso, amigo, tu que estás cansado, turbado e serás salvo. Faze isso e alcançarás perdão. Crê para salvação de tua alma. Dize como o filho pródigo, levantar-me-ei e irei ter com Meu Pai. Ou como o publicano: ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!
Que Deus nos abençoe!

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sábado, 4 de setembro de 2010

PAULO OU SAULO DE TARSO?

Referência Bíblica: Romanos 7:14-24.

Por que este tema é tão importante? O que, de fato, está em jogo quanto ao que compreendemos acerca dessa citação bíblica? Existe algo além do que a descrição da experiência espiritual do apóstolo Paulo? Ou será que estamos lidando com uma matéria que o diabo não está interessado que descubramos a sua essência, por ver ameaçado o seu poder sobre os humanos? Creio que ao longo desta leitura alcançaremos as respostas.
É assaz importante que esclareçamos que não existem contradições nas Escrituras Sagradas. Todos os seus textos se completam, harmonizam-se plenamente. Se porventura uma passagem não nos for de fácil compreensão, não devemos forçá-la a nossa interpretação, todavia buscar nos demais livros, outra passagem que lide sobre o mesmo assunto, onde com certeza encontraremos uma luz adicional, levando-nos ao cabal conhecimento do que a Inspiração nos pretende ensinar. Este método é o indicado pelo Todo-Poderoso, e Cristo mesmo se valeu desse princípio quando, na estrada para Emaús, tentava revelar aos seus desalentados discípulos que Ele havia ressuscitado, consoante o que diziam as profecias messiânicas.
Mas o que temos nos versos intrínsecos ao nosso tema que nos mova a atenção para além de uma experiência religiosa do apóstolo dos gentios? Hoje a cristandade acredita piamente que o homem possui duas naturezas, e nesses versos ancoram sua fé. Será isso um fato? Na verdade, sem percebermos, estaremos mergulhados num mar de contradições, se assim crermos.
Dissequemos o tema, verdadeiramente. Bem, se perguntarmos a todos os homens, genericamente falando, se todos nós somos filhos de Deus, que resposta obteremos? Obviamente que sim. Ninguém pretende encarar a cruel realidade de que somos escravos do diabo, muito menos filhos dele. Eu mesmo não gostaria, e tenho certeza que o caro leitor também não. Entretanto, há no Sagrado Livro alguma referência a essa pergunta? Tem ele uma resposta segura, sem nos deixar qualquer dúvida? A resposta é sim, inelutavelmente. Está escrito:

“Isto é, NÃO SÃO OS FILHOS DA CARNE QUE SÃO FILHOS DE DEUS, mas os filhos da promessa são contados como descendência.” Romanos 9:8. (Grifo Nosso).

Vemos nesse versículo claramente que há distinção entre os filhos da carne e os filhos da promessa ou filhos de Deus. Noutro falar: ou somos filhos da carne [escravos do diabo] ou filhos de Deus. Não podemos estar alistados nas duas famílias concomitantemente. É impossível. O nosso Salvador mesmo disse que ninguém PODE agradar a dois senhores. Ele não está falando do querer e, sim, do poder. Ele está se referindo peremptoriamente à impossibilidade. Assim, todos nós estamos a agradar ou a Deus ou a Satanás. Disso, nós não temos a menor dúvida.
Como estamos vivenciando uma guerra cósmica, da qual somos o alvo, devemos compreender que há duas forças antagônicas entre si, culminando, deste modo, em acirrada e ferrenha inimizade. E isso é mais que lógico: jamais Cristo será amigo de Satanás, nem vice-versa. Ou seja, Cristo e Satanás são e serão até o fim dessa guerra, combativos inimigos. E nós? Podemos estar incólumes a esse confronto cósmico? Evidente que não. Pois, como dantes falei, somos o alvo de ambos.
A palavra inimizade é citada pela primeira vez, nas Sagradas Escrituras, em Gênesis 3:15. Aqui está:

“E porei INIMIZADE entre TI e a MULHER, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.” Gênesis 3:15. (Grifo Nosso).

Dois inimigos jamais realizarão algo em comum acordo, de modo que haja aprazibilidade entre si. Jamais. Não há privança entre Cristo e Satanás. E aí está a sentença que determinou os dois campos espirituais depois da queda do homem. Deus pôs termo à obra do nosso arquiinimigo. Chegaria o tempo em que ele não mais teria poder sobre o homem, antes mesmo da segunda vinda de Cristo ao mundo.. Ora, se deveria haver inimizade entre o povo de Deus e Satanás, não teria cabimento imaginar que isso só ocorrerá quando da segunda vinda de Jesus, pois a palavra semente, no verso supracitado, vem depois do pronome pessoal do caso oblíquo TI e o substantivo feminino MULHER. E não poderia ser diferente, uma vez que Cristo [a semente da mulher] nasceria depois que o povo de Deus tivesse sido por Ele estabelecido. A ilação mais apropriada e certa é que Deus poria inimizade entre Satanás e o Seu povo antes mesmo do fim dos tempos.
Precisamos entender que o âmago do evangelho é justamente pôr o homem em liberdade, salvá-lo da escravidão imposta por Satanás, quando este fez cair nossos primeiros pais. Além da entrada da morte neste planeta, Adão permitiu que outra conseqüência afetasse o mundo: a herança de sua natureza decaída. Essa natureza decaída é aliada de Satanás. Por ela o homem é escravo a sua vontade sem poder-lhe resistir ao seu poder. Por essa razão, Cristo exclamou: “se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres.” João 8:36. O homem por si só não poderá escapar dessa condição – escravo do diabo, a menos que o Senhor Jesus Cristo o liberte.
A razão de muitos irmãos interpretarem os textos bíblicos de Romanos 7:14-24, como sendo Paulo, mesmo depois da conversão, é que enxergam aquela luta como sendo duas naturezas, quando esquecem que todo escravo deseja liberdade, na ocasião que descobre que não é livre. Para melhor entendermos, avocaremos aquele episódio relatado no capítulo 8, do versículo 28 ao 34, do livro de São Mateus. Existiam dois homens endemoninhados que viviam na região de Gadara. Eles tinham os sepulcros como moradas. Se lermos a história entenderemos, sem muito esforço, que Cristo fora ali por uma razão, única e exclusiva: libertar aqueles homens. Há a lúcida concepção de que ao verem Jesus, em seu íntimo, eles desejaram pedir auxílio ao Salvador, mas ao abrirem seus lábios para pronunciarem sua oração, um demônio falou em seu lugar. Por que Cristo, então, libertou aqueles homens do poder do maligno, se todos os curados precisaram expressar sua fé nEle a fim de obter a bênção? Todavia, Cristo ouviu a oração inaudível daqueles dois homens.
É difícil para qualquer ser humano aceitar que é dominado por Satanás. Afirmamos que fazemos o que queremos fazer. Porém não é assim que nos mostra o Criador. Vejamos outra evidência da palavra inimizade nas Escrituras Sagradas. Encontramo-la em Romanos 8:7. Analisemo-la:

“Porquanto A INCLINAÇÃO DA CARNE É INIMIZADE CONTRA DEUS, pois NÃO É SUJEITA À LEI DE DEUS, nem, em verdade, o pode ser.” Romanos 8:7. . (Grifo Nosso).

Noutra versão, o termo inclinação da carne é chamado de pendor da carne. Ambas as expressões não se referem à outra coisa senão à natureza decaída que herdamos de Adão, natureza escrava de Satanás, não mais sujeita à lei santa de Deus. É inadmissível pensarmos que Adão teve uma natureza adicionada a que ele tinha antes da queda. Ele não recebeu mais uma natureza. A sua natureza foi transformada. E como podemos afirmar isso? Os textos abaixo nos auxiliarão.

"Entäo FORAM ABERTOS os olhos de ambos, e CONHECERAM que estavam nus; e COSERAM folhas de figueira, e FIZERAM para si aventais." Gênesis 3:7. (Grifo Nosso).

O que vemos nesse verso não é uma natureza sendo somada à outra, todavia uma degradação da natureza pura que tinham. As suas ações comprovam que houve uma transformação de caráter empós a queda. Agiram em comum acordo com a mente degradada proveniente da sua desobediência. Não seria oportuna a passagem de Provérbios 23:7 – “Porque, como imagina em sua alma, assim ele é”? Vale dizer, eles sempre tiveram uma só natureza – uma antes da queda, outra depois da queda; uma pura, a outra degenerada. Lembremos que ao criar o homem Deus havia dito “façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança”. Gênesis 1:26. Será que não ouvimos há muito se falar que é através do evangelho que Deus pretende restaurar a Sua imagem no homem? E é isso mesmo. A imagem de Deus foi obliterada do homem. E que imagem é essa? As Escrituras nos dirão. Antes, porém, vejamos a definição de caráter prevista pela Pequena Enciclopédia de Moral e Civismo, 2ª Edição, Ano 1975, de autoria de Fernando Bastos de Ávila, reconhecida pelo então Ministério da Educação e Cultura.

“Do grego ‘charactér de ‘charássein’ = gravar. Etimologicamente, caráter quer dizer COISA GRAVADA.’” (Grifo Nosso).

Todos sabemos da importância do gene que transportamos. Gene, na definição da genética clássica, é a unidade fundamental da hereditariedade. Ele, então, é tudo o que somos. O genótipo é a gama de nossas qualidades, invisíveis, incluindo o nosso caráter; o fenótipo é a demonstração do que somos, sejam traços físicos ou moral. Noutro falar, fenótipo é a manifestação do genótipo. No gene constam todas as informações sobre o futuro ser. Grifei propositadamente as duas palavras regeneração (genótipo) e renovação (fenótipo), contidas na passagem abaixo. Creio, agora, que ela será melhor compreendida. Lembremo-nos, no entanto, que estamos tratando da parte moral do ser humano.

“Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, NOS SALVOU pela LAVAGEM DA REGENERAÇÃO E DA RENOVAÇÃO do Espírito Santo.” Tito 3:5. (Grifo Nosso).

Podemos entender agora como Deus pretende realizar sua obra miraculosa exposta no evangelho. Com a queda, Adão teve seu caráter [imagem], seu gene por assim dizer, degradado. “Portanto, os que estão na carne NÃO PODEM agradar a Deus.” Romanos 8:8. A Bíblia não diz não querem, mas não podem. Os filhos de Adão estão impossibilitados de obedecer a Deus, enquanto nessa condição, uma vez que ainda não entregaram a sua vida ao Salvador. Esse gene degradado, propenso ao pecado, conhecido pelas Escrituras como natureza pecaminosa é transmitida a todos os seus descendentes. Embora Cristo não tenha nascido do modo natural, como todos nós, Ele precisou assumir essa carga genética, sem, no entanto, ser contaminado por ela. Não nasceu com um gene degradado, seu caráter era puro, porém, para ser nosso Salvador, teria que ser como um de nós. E Ele sentiu o peso da degenerescência, resultado da queda de Adão.
Os que estão na carne” e “se viverdes segundo a carne” são expressões que Paulo utiliza para identificar aqueles que não nasceram de novo, ou seja, os filhos do primeiro Adão. Aludindo a isso, em Gálatas 5:19-22, Paulo define o viver dos filhos de Adão [os que estão na carne ou vivem segundo a carne] e os filhos de Deus [os nascidos de novo].
Assim sendo, somente através da obra miraculosa do Espírito Santo, é que Deus restaura a Sua imagem no homem. E esta obra, esta operação é o novo nascimento. A nova criatura recebe um novo gene (reGENEração). A justiça de Cristo é-nos concedida de dois modos: imputada e comunicada. A primeira é o título para o Céu; a segunda nos habilita a viver no Céu. ReGENEração – aqui se dá a imputação da justiça de Cristo. É instantânea. ReNOVAção – processo pelo qual se comunica a justiça ao crente, ou seja, SANTIFICAÇÃO. É gradual. “Se alguém está em Cristo, nova criatura é.” II Coríntios 5:17. “Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio.” Gálatas 5:22 e 23. Portanto, todo aquele que desejar nascer de novo e se dispuser, será gerado de novo pelo Espírito Santo. Receberá de Deus um novo gene, ou seja, um novo caráter. Ele terá uma nova mente, um novo propósito. Efetivar-se-á nele a operação já prometida por Deus:

“E dar-vos-ei UM CORAÇÃO NOVO, e porei dentro de vós UM ESPÍRITO NOVO; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne.” Ezequiel 36:26. (Grifo Nosso).

Se a Palavra de Deus emprega o vocábulo NOVO, tanto para o coração como para o espírito, significa substituição e não adição. Nosso coração é comumente usado nas Escrituras para representar os desígnios do homem, ou seja, o caráter do homem, o âmago do seu ser. Quanto ao homem natural, Deus assim se refere: “enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?” Jeremias 17:9. (Grifo Nosso). E porque afirmo que essa alusão é quanto ao homem natural e não ao que experimentou o novo nascimento? Porque a perversidade não está no rol dos frutos do Espírito Santo, está? Simplesmente não.
Só se não quisermos admitir, mas o poder de Deus é capaz de restaurar o Seu caráter no homem, antes decaído, todavia agora transformado pela ação miraculosa do Espírito Santo, dando-lhe uma mente que se compraz em fazer a vontade do Criador. A mente que lhe é concedida, tanto se harmoniza com a vontade de Deus, tanto se deleita em viver harmoniosamente com os princípios do Céu, que o apóstolo Paulo asseverou isso através de suas próprias palavras:

“Porque, quem conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo? MAS NÓS TEMOS A MENTE DE CRISTO.” I Coríntios 2:16. (Grifo Nosso).

Como podemos crer, por tudo que estudamos, que Romanos 7:14-24, onde vislumbramos uma mente totalmente escrava do diabo, possa ser atribuído a Paulo, o qual afirma ter a mente de Cristo, consoante o verso acima? Só se ele tivesse duas mentes. E isso é um absurdo.
O que João 1:12 nos acrescentaria a respeito disso? Citemos tal passagem e em seguida façamos uma breve abordagem sobre sua mensagem.

“Mas, A TODOS QUANTOS O RECEBERAM, DEU-LHES O PODER DE SEREM FEITOS FILHOS DE DEUS, AOS QUE CRÊEM NO SEU NOME.” João 1:12. (Grifo Nosso).

O que podemos aprender com essa passagem? Que aqueles que receberam a Cristo, ou melhor, os que entregaram a sua vida ao Salvador pela fé, os que creram em Seu nome, foram transformados pelo lavar regenerador e renovador do Espírito Santo. A estes Deus conferiu o poder de serem FEITOS Seus filhos. A palavra é FEITOS e não CONSIDERADOS. Considerar está mais para hipótese do que para realidade. Deus não se utiliza de faz-de-conta, meu caro amigo. A operação que é realizada pelo Espírito Santo é real, e é manifestada por Seu poder na vida de quem por Ele foi transformado. Por isso se faz necessário nascer de novo. Tal operação espiritual nos faz ressuscitar na nova família da fé.
Destarte, confrontando as duas passagens (João 1:12 e Romanos 9:8) chegamos à conclusão de que só são filhos de Deus aqueles que decidiram se submeter à operação do Espírito Santo – o novo nascimento.
O verbo morrer nos ajudará a entendermos que só possuímos uma só natureza. Em Romanos 6:23 entendemos que a morte só cabe a quem transgride a lei de Deus. E esse versículo está de comum acordo com Romanos 8:13. Este último nos diz que “se vivermos SEGUNDO A CARNE, morreremos”. Se Cristo diz que quem crê nEle “PASSOU da morte para a vida”, significa dizer que os que crêem, tem a vida eterna. Então, se temos duas naturezas, somos obrigados a concluir que oscilaremos até Jesus voltar entre a VIDA ETERNA e a PERDIÇÃO ETERNA. Porque está escrito:

“Porque, assim como TODOS MORREM EM ADÃO, assim também TODOS SERÃO VIVIFICADOS EM CRISTO.” I Coríntios 15:22. (Grifo Nosso).

Todos os que são filhos de Adão sofrerão a segunda morte, pois sobre eles paira a sentença mortal anunciada no Éden e revista em Romanos 6:23, por não terem aceitado o convite do Salvador. Não somente os ímpios, mas também os incrédulos, são filhos de Adão. Assim, podemos estar dentro da igreja, batizados, desempenhando algum cargo, sermos ministros do Senhor, e não termos sido de novo gerados. Isso é grave, mas é a pura verdade. Só seremos FEITOS FILHOS DE DEUS, quando por Ele formos gerados novamente. “Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele QUE NÃO NASCER DE NOVO, NÃO PODE VER o reino de Deus.” São João 3:3. A impossibilidade está bastante patente, não está?
E quanto à contradição falada no início dessa apresentação? Vejamos. Paulo em Romanos 7:14 diz – “mas EU SOU CARNAL, vendido sob o pecado”. Se Paulo não está falando de sua experiência antes da sua conversão, como ele poderia dizer em sua primeira carta aos Coríntios 3:1, que, aos irmãos que eram considerados carnais por suas atitudes impensadas, não lhes pôde falar como a espirituais?

“E eu, irmãos, NÃO VOS PUDE FALAR como a espirituais, MAS COMO A CARNAIS, como a meninos em Cristo.” I Coríntios 3:1. (Grifo Nosso).

E mais:

“Irmãos, se algum homem chegar a ser surpreendido nalguma ofensa, VÓS, QUE SOIS ESPIRITUAIS, encaminhai o tal com espírito de mansidão; olhando por ti mesmo, para que não sejas também tentado.” Gálatas 6:1. (Grifo Nosso).

Se confrontarmos as passagens (Romanos 7:14 e I Coríntios 3:1), iremos crer que Paulo está sendo contraditor ou hipócrita, pois ele não poderia falar a espirituais se ele era carnal, vendido sob o pecado, ou seja, escravo de Satanás. Neste caso, ele só poderia ser espiritual, ou seja, ter nascido de novo ao escrever aos irmãos espirituais em Corinto, que também provaram a mesma experiência. Ele mesmo afirma que a lei é espiritual. Nenhum homem natural discernirá o que está proposto entre Gênesis e Apocalipse, nesta condição. Então: Paulo era carnal ou espiritual? Como podemos admitir que num dado momento ele viaja até o terceiro céu e depois ele está escravo do diabo? É uma contradição e tanto, o leitor não acha?
Em Gálatas 6:1, Paulo não diz vós que estais espirituais e sim, vós que sois espirituais. Ou somos uma coisa ou outra. Não, só existe uma situação aceitável em face de tantas evidências bíblicas disponíveis. Não podemos agradar a Deus e a Satanás, concomitantemente. Não temos que insistir num assunto tão claro nas Sagradas Letras. Ou nós somos carnais ou espirituais, nunca os dois ao mesmo tempo. Nem trazemos conosco duas naturezas. Ou nascemos de novo ou ainda vivemos segundo a carne. Ou somos filhos de Deus ou somos filhos do diabo.
Nasci da união de dois gametas humanos, assim, provenho de Adão. Sou carnal. E agora ao me ver perante a santa lei de Deus, deparo-me com uma situação terrível de ser aceita: sou pecador. Ao tentar satisfazer os reclamos dessa lei, percebo que não posso. Descubro que em minha vida, com toda a educação refinada que recebi, com todo o aparato intelectual que tenho, é-me impossível obedecer aos reclamos divinos e que meus conhecimentos só tornam minha situação mais deplorável ainda. Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte? Vejo com tremenda tristeza que sou escravo de Satanás e preciso urgentemente entregar a minha vida sem reservas a Deus e pedir-Lhe que me perdoe os pecados e me impute a justiça de Cristo. Creio que Ele cumprirá a promessa contida em I João 1:9. Então, levanto-me e, por ter crido na Sua palavra, por crer que Ele me gerou de novo, sou transformado segundo a Sua imagem. Doravante já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. Ele cumpre em mim o querer e o efetuar. Sou uma nova criatura, cujos frutos podem ser vistos em Gálatas 5:22.
Porque não crer nessa maravilhosa dádiva do Céu? Dizemos que Deus é poderoso, porém tolhemos o Seu poder com a nossa falta de fé, como se Ele não fosse capaz de nos tornar semelhantes a Jesus, quando aqui viveu. Sem essa maravilhosa experiência, sem a regeneração espiritual dos que crêem, o evangelho é fraco e não poderoso.
E na tentativa, como que num último esforço, apresento ao caro leitor mais duas passagens, as quais iluminam todo nosso entendimento quanto à morte da nossa natureza carnal, quando realmente nos entregamos a Deus e somos, por Seu Espírito, transformados num novo ser. Esta é a primeira passagem:

E OS QUE SÃO DE CRISTO CRUCIFICARAM A CARNE COM AS SUAS PAIXÕES E CONCUPISCÊNCIAS.” Gálatas 5:24. (Grifo Nosso).

O verbo crucificaram está no passado e não no presente. Ora se morremos com Cristo, como podemos dizer que essa natureza carnal permanece viva, bastando esquecermos de ler a Palavra de Deus, para que ela volte a assumir? Não terá ocorrido que fomos enterrados vivos e achamos que fomos sepultados com Ele?
Na passagem seguinte, enfim, o apóstolo torna cognoscível que Romanos 7:14-24 só pode ser entendida como sendo sua experiência antes da sua conversão, na estrada de Damasco, pois contradiz total e veementemente suas declarações anteriores, ali previstas, se consideradas de modo contrário.

“Sabendo isto, QUE FOI CRUCIFICADO COM ELE O NOSSO VELHO HOMEM, para que O CORPO DO PECADO SEJA DESTRUÍDO, e NÃO SIRVAMOS O PECADO COMO ESCRAVOS.” Romanos 6:6. (Grifo Nosso).

Como Paulo que, segundo esses versículos, não serve mais o pecado como ESCRAVO, teve o velho homem CRUFICADO, em Romanos 7:20 afirma que o pecado HABITA nele? Ele não diz às vezes habita. Afinal o pecado foi destruído ou ainda vive, habitando nele? Parece contraditório não é? A palavra QUE, precedendo o verbo HABITA [que habita em mim], denota inquestionavelmente que há efetividade e não esporadicidade. Sim, será contraditório, a não ser que nos disponhamos a crer na simplicidade e magnificência existentes na Palavra de Deus – que Paulo já gozava da nova experiência com Cristo.
Lembremo-nos que os veios espirituais só serão revelados aos que crêem em Cristo, os que vivem uma experiência de inteira comunhão com o nosso Salvador, através do Seu Espírito. Portanto, peçamos a Deus agora mesmo que o novo nascimento seja uma realidade em nossa vida. Roguemos a Ele que nos transforme segundo a Sua imagem e assim possamos dizer como Paulo – “já não sou quem vive, mas Cristo vive em mim”.
Que Deus nos abençoe rica e poderosamente! Amém!

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